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segunda-feira, 23 de março de 2015

1 bilhão de pessoas viverão em cidades sem água suficiente até 2050, diz Banco Mundial






Segundo dados do Banco Mundial, até 2050, mais de um bilhão de pessoas viverão em cidades sem água suficiente. À medida que a população aumenta, também cresce a necessidade de abastecimento. O principal problema é que a quantidade de água no mundo não aumenta.
Nesse cenário, a América Latina desempenha um papel-chave, porque possui a maior quantidade de água doce do mundo. Segundo a Global Water Partnership (GWP), quase um terço dos recursos hídricos renováveis estão na América do Sul.
Na lista de países que contam com a maior quantidade de água, três representantes do continente estão entre os primeiros: Brasil (primeiro), Colômbia (terceiro) e Peru (oitavo).
Mas essa abundância de água não é suficiente para todos. Em cidades como Lima, São Paulo e Cidade do México, onde a demanda por esse recurso é muito elevada, grande parte da água potável é desperdiçada devido ao uso ineficiente e às instalações precárias, agravando assim a crise futura. São os bairros de maior renda que mais desperdiçam água em comparação aos bairros pobres, cujos habitantes sofrem com a escassez diária do recurso.
Os bairros periféricos são os mais prejudicados
No Peru, por exemplo, onde uma grande região do país é um enorme deserto, os que estão mais afastados obtêm água através de caminhões-pipa, poços artesianos, rios, valas ou nascentes. Muitas vezes a qualidade dessa água é inadequada e seu abastecimento não é seguro. A cobertura de saneamento no país já supera 90%, mas são justamente os que não têm acesso à rede que pagam mais pelo serviço.
A Superintendência Nacional de Serviços de Saneamento (SUNASS) indica que um metro cúbico de água para um usuário conectado à rede pública custa aproximadamente 30 centavos de dólar, enquanto a compra de água de caminhões-pipa pode chegar a custar mais de quatro dólares (12 reais) por metro cúbico, ou seja, 12 vezes mais.Banco Mundial/Utopia Sustentável

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Falta de água força 36 milhões de latino-americanos a escolher entre necessidades básicas




O alerta é do Banco Mundial, que acrescenta que, com as mudanças climáticas, o problema da falta de chuvas – e de abastecimento – tende a piorar nas regiões mais áridas do mundo. Projetos de cooperação buscam soluções no tema.
agua nordeste onu Falta de água força 36 milhões de latino americanos a escolher entre necessidades básicas
Todos os dias, Jane Fernandes gasta pelo menos uma hora e meia indo e voltando da cisterna do assentamento rural de Caraúbas, abastecida pelo Exército. Foto: Mariana Kaipper Ceratti/Banco Mundial

Aos 40 anos, a boleira Maria Dilvânia Lima nunca tomou um banho de chuveiro. Duas vezes por semana, ela se junta a sete colegas para assar bolos em uma associação de mulheres de uma pequena cidade do nordeste brasileiro.
Nenhuma receita leva água. “Substituímos por polpa de frutas ou leite”, conta ela, orgulhosa. Nos dias de produção normal, 25 quitutes (de coco e mandioca, entre outros sabores) saem de uma pequena cozinha para serem vendidos aos vizinhos.
Nos últimos tempos, porém, tem sido difícil manter a produção. Por causa da seca que há três anos maltrata o semiárido, o assentamento rural onde vive não recebe chuva suficiente para encher as cisternas das casas. Pior: fora a água trazida pelo Exército a cada semana, não há outra fonte de abastecimento, o que obriga as mulheres de Caraúbas (Rio Grande do Norte) a tomar decisões cada vez mais difíceis no dia a dia.
“A água é necessária tanto para lavar as vasilhas quanto para a obra de ampliação da nossa cozinha. Estamos deixando de gastar para não faltar em casa, para a família e o rebanho”, comenta Dilvânia. Como as vizinhas, ela diariamente sai cedo de casa para encher as 10 latas d’água a que os moradores têm direito.
Se não há água, não há bolos nem renda para o grupo. As famílias acabam dependendo quase exclusivamente do pagamento do Bolsa Família, do Garantia Safra (que protege os agricultores em caso de perdas) e da aposentadoria, três dos principais benefícios concedidos pelo governo brasileiro.
Água cinza
A história ilustra um desafio que 748 milhões de pessoas enfrentam em todo o mundo, 36 milhões só na América Latina. A falta d’água significa que, diariamente, essas pessoas precisam escolher entre preparar comida ou lavar a louça, entre tomar banho ou regar a horta.
Com as mudanças climáticas, o problema da falta de chuvas – e de abastecimento – tende a piorar nas regiões mais áridas do mundo. “O nordeste brasileiro sofre, particularmente, os impactos das secas relacionadas com o fenômeno El Niño, que podem se tornar mais frequentes em um planeta 4°C mais quente”, informa a versão latino-americana do relatório Diminuir o Calor, do Banco Mundial.
Tantas limitações obrigam qualquer projeto de fornecimento de água a também ensinar a população a usar o líquido da forma mais eficiente possível.
A boa notícia para as famílias de Caraúbas é que, entre setembro e dezembro deste ano, a vila finalmente terá abastecimento regular, por meio de uma adutora que puxará a água do poço localizado a 5km da vila.
“Será possível levar água encanada às 43 famílias do assentamento, permitir a elas cuidar das pequenas plantações em seus quintais, vender o excedente na feira. E as doceiras vão poder continuar suas atividades”, empolga-se Ana Guedes, gerente executiva do projeto de desenvolvimento Rio Grande do Norte Sustentável, que une o governo do estado ao Banco Mundial.
Além disso, os moradores aprenderão a aproveitar até o líquido do banho e da descarga, chamado de “água cinza” pelos especialistas na área.
Aliás, essa é uma lição que as regiões mais ricas do Brasil, como São Paulo, vêm aprendendo a duras penas, pois a seca e a falta d’água deixaram de ser um problema exclusivo do campo e do Nordeste do Brasil.
O fim de um peso
Iniciativa semelhante, concluída em 2010, já havia levado acesso a água potável para 53 mil famílias em vários municípios do Rio Grande do Norte. O impacto social foi imediato e significativo.
As mulheres dessas cidades – antes responsáveis por buscar a água em enormes latas – se livraram do fardo e puderam passar mais tempo fazendo atividades remuneradas ou brincando com os filhos. Estudo feito em 20 comunidades mostrou que, como resultado, elas tiveram aumento de 30% na renda familiar.
“Mesmo com os investimentos já realizados, a demanda por água ainda é uma necessidade para diversas famílias na área rural”, comenta Fátima Amazonas, especialista em desenvolvimento rural do Banco Mundial. Ela acrescenta que o novo projeto também atuará na recuperação ambiental de áreas degradadas e em capacitações para os agricultores.
Essas possibilidades animam a dona de casa Jane Fernandes, 27 anos, mãe de duas filhas. Todos os dias, ela gasta pelo menos uma hora e meia indo e voltando da cisterna do assentamento, abastecida pelo Exército. “Meus sonhos: que eu termine meus estudos para dar uma vida melhor às meninas e que essa água chegue”, conta.
Jane, como outros milhões de latino-americanos, também sonha tomar um banho de chuveiro. site ONU Brasil.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Banco Mundial estima que 4 milhões de latino-americanos vivem do lixo reciclado




SebastianMasa Banco Mundial estima que 4 milhões de latino americanos vivem do lixo reciclado
O argentino Sebastián Masa trabalhou mais de cinco anos em um lixão a céu aberto. Foto: V. Ojea
Um latino-americano produz em média entre um e 14 quilos de lixo por dia. Se fosse separado na fonte , aproximadamente 90% poderia ser reconvertido em combustível ou reciclado.
Uma das chaves para que milhões de pessoas na América Latina tenham um trabalho mais digno pode resumir-se em um ato tão simples como separar o lixo “reciclável” do “não-reciclável”.
Em todo o mundo cerca de 15 milhões de pessoas ganham a vida recuperando material reciclável no lixo. Destes, 4 milhões estão na América Latina, onde pelo menos 75% trabalham de forma insalubre, procurando em montanhas de lixo algo para vender. O denominador comum entre eles é as condições desumanas em que trabalham e vivem esses recuperadores informais.
Para o especialista em desenvolvimento social do Banco Mundial, Ricardo Schusterman, além das condições insalubres, há outros problemas relacionados a uma longa cadeia de intermediários, que resultam em exploração e crime.
A promoção de empregos alternativos, que envolva ou não o manuseio de resíduos sólidos, em combinação com programas de apoio social aparece como uma solução para evitar a exclusão social. Uma opção é conceber os recuperadores como empresários.
Na região existe um grande potencial econômico para desenvolver empresas que se dediquem à reciclagem. Um latino-americano produz em média entre um e 14 quilos de lixo por dia. Se fosse separado na fonte -ou seja, nas próprias casas onde os resíduos são descartados, aproximadamente 90% poderia ser reconvertido em combustível ou reciclado.
Exército Verde
“Os recuperadores são um exército verde, porque trabalham pelo planeta sem saber. Criaram um negócio onde o resto viu desperdício”, explica Albina Ruiz, que se define como lixóloga e atualmente preside a Cidade Saudável, uma associação que busca uma mudança de atitude em relação ao problema do lixo sólido e que treinou e formalizou mais de 11.500 catadores no Peru.
Para reverter esse quadro, em toda a América Latina surgiram associações e cooperativas na busca de condições dignas de trabalho e de maior rentabilidade, seja por meio da coleta porta a porta ou em fábricas de separação.
De acordo com especialistas, existem aspectos centrais para melhorar a vida dos recuperadores. Um deles é a separação na origem que facilita a vida dos recicladores.
Tanto o Peru quanto o Brasil têm leis explícitas que exigem a inclusão social dos trabalhadores informais, como parte da modernização dos sistemas de resíduos sólidos. Outros países da região, como a Colômbia, apresentam projetos de lei em tramitação.* Publicado originalmente no site ONU Brasil.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Aquecimento global pode minar luta contra a pobreza, alerta Banco Mundial




agricola Aquecimento global pode minar luta contra a pobreza, alerta Banco Mundial
Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país. Foto: Beto Ricardo – ISA
Em novo relatório sobre mudanças climáticas, instituição prevê grave impacto na agricultura. No Brasil, a produção de soja pode ser reduzida em 70% até 2050
As mudanças climáticas podem levar a retrocessos nos esforços para derrotar a pobreza extrema em todo o mundo, advertiu o Banco Mundial neste domingo 23, ao divulgar um relatório sobre os impactos do aquecimento global.
No documento, intitulado Reduzam o calor: enfrentando a nova normalidade climática (em tradução livre), o banco afirma que elevações bruscas de temperatura devem reduzir profundamente a produtividade nas lavouras e o abastecimento de água em muitas áreas.
O relatório, que foca em impactos regionais específicos do aquecimento global, prevê efeitos no Brasil. Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país – de até 70% para a soja e 50% para o trigo em 2050, diz o documento.
O Banco Mundial estima que, em 2050, a temperatura média seja 1,5 °C mais alta do que a registrada na era pré-industrial, com base no impacto das emissões de gases de efeito estufa do passado e atualmente.
“Sem uma ação forte e rápida, o aquecimento poderia exceder 1,5 °C ou 2 °C, e o impacto decorrente poderia piorar significativamente a pobreza intra e intergeracional em várias regiões do mundo”, diz o relatório.
Quanto ao nível do mar, o documento afirma que este continuará subindo por séculos, visto que as grandes capas de gelo da Groenlândia e da Antártica vêm derretendo lentamente. Se as temperaturas se mantiverem nos níveis atuais, os mares subirão 2,3 metros nos próximos 2 mil anos, aponta o estudo.
Entre outros efeitos citados, cidades andinas estariam ameaçadas pelo derretimento de geleiras, e comunidades do Caribe e da costa ocidental da Índia poderiam ver diminuir seus suprimentos de peixes. Na Macedônia, o cultivo de milho, trigo e uva seria reduzido em 50 %.
Ações urgentes
Sem ações coordenadas, o perigo é que o aumento da temperatura média global chegue a 4 °C até o fim do século, um cenário descrito pelo Banco Mundial como “um mundo assustador de aumento de riscos e instabilidade global”.
“Acabar com a pobreza, aumentar a prosperidade global e reduzir a desigualdade no mundo, o que já é difícil, vai ser muito mais difícil com um aquecimento de 2 °C, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. “Mas com [um aumento de] 4 °C, há sérias dúvidas de que essas metas possam ser alcançadas.”
Os piores efeitos do aquecimento global poderiam ser evitados através da redução das emissões de gases de efeito estufa, reitera o relatório.
Representantes de quase 200 países se reunirão em breve para a próxima Conferência Mundial do Clima. Realizado no Peru entre os dias 1º e 12 de dezembro, o evento tem como objetivo a definição das bases de um acordo global de limitações de emissões de gases do efeito estufa. Espera-se que o acordo seja firmado em Paris em 2015.* Publicado originalmente pela Deutsche Welle e retirado do site Carta Capital.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Um Banco (espera-se) sustentável pra chamar de seu



A reunião de cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul),  que aconteceu em Fortaleza e Brasília nesse pós-Copa, é um dos eventos políticos mais importantes ocorridos no mundo, em 2014.  E tem tudo para entrar para a história das relações multilaterais entre os países, com a criação do Banco dos BRICS, que terá um capital inicial de US$50 bilhões, podendo chegar a US$100 bilhões, e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), que terá mais US$100 bilhões e a função de ajudar membros do bloco com problemas em seus balanços de pagamentos.

A instituição que nasce já é maior que o BNDES e o Banco Mundial e é uma  resposta desses países à insensatez, tanto do Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto do próprio Banco Mundial, entidades compostas majoritariamente por membros dos países ricos, EUA e Europa, surdos até então aos apelos por maior participação dos países emergentes nas estruturas de comando dessas instituições pelos países em desenvolvimento.

O argumento é forte, “representamos 2,5 bilhões de pessoas, ou 35% da população do Planeta, temos 21% do PIB global e nossa representação nas entidades citadas não passa de 11%”.  É o fim das reivindicações, passamos à ação, afirmou a presidenta Dilma. 

Na verdade, os BRICS não representam uma região geográfica específica, são um clube com interesses parecidos que se organizaram para desenvolver ações conjuntas voltadas para alavancar o comércio internacional entre eles.  Segundo, ainda, o governo brasileiro, o Brasil abriu mão da presidência e do local para abrigar a sede da instituição para que o projeto pudesse avançar.

Sem dúvida, é uma parceria que em breve vai começar a colher seus frutos e trazer mais equilíbrio econômico e oportunidades ao grupo de países que compõem o bloco e aqueles com quem se relacionam.   É o tabuleiro do poder mundial se movimentando, pois ao mesmo tempo que o comércio entre eles aumenta, a aproximação da China com o Mercosul, através do Brasil, abre outras possibilidades de negócios com o bloco sul americano.  E vice-versa.  É a China se movimentando em uma área até então restrita e dominada por americanos se preparando para assumir a supremacia econômica mundial em poucos anos.

A oportunidade é ímpar e o passo é ousado na melhoria da governança econômica global.  Outros virão, afirmou Putin, da Rússia. 

No entanto, se pretendem fazer diferente do que seus pares retrógrados FMI/BID/Banco Mundial, poderiam começar por financiar projetos internos que inibissem a poluição, o desmatamento da Amazônia, o trabalho infantil e análogo à escravidão, para, a partir de então, oferecerem crédito a países em desenvolvimento, obras de infraestrutura e projetos que visem alavancar a mudança de matrizes energéticas tão necessária à sobrevivência do Planeta e do ser humano nos próximos anos.   

O mundo urge por mudanças que nos prepare para conviver em um novo cenário planetário que contemple a possibilidade de escassez de água e comida.  E outras adversidades.  É preciso, agora, inverter a ordem institucional reinante e contrariar interesses, ousar, fazer diferente.

A criação do Banco dos BRICS é uma excelente oportunidade que esses países têm em mostrar ao mundo que se pode e se deve fazer mais pelo próximo.  Porém, há que se romper com modelos que só visam explorar aqueles que mais necessitam de ajuda.  E replicar as experiências.  Uma mudança de mentalidade em prol de um mundo mais humano, igual, fraterno, com qualidade de vida e sustentável.   

Abraços sustentáveis

Odilon de Barros


terça-feira, 24 de junho de 2014

Especialistas defendem que cidades devem ser a vanguarda da luta climática




Evento na Alemanha alerta que as mudanças climáticas já afetam as vidas das pessoas e recomenda que as autoridades locais não esperem por um acordo climático internacional para agir
Segundo o Banco Mundial, a perda anual com enchentes nas cidades vai ultrapassar US$ 1 trilhão em 2050, sendo que boa parte do litoral brasileiro está entre as regiões que mais serão afetadas. Além disso, a entidade afirma que ondas de calor, escassez de recursos hídricos e tempestades mais intensas e frequentes já são observadas por todo o mundo, e que as autoridades locais deveriam assumir a vanguarda para lidar com esses problemas.
179 Especialistas defendem que cidades devem ser a vanguarda da luta climática
Foto: Banco Mundial
Essas mensagens foram apresentadas no Fórum sobre Experiências e Melhores Práticas Municipais e de Autoridades Subnacionais, que foi realizado em paralelo à rodada de negociações climáticas em Bonn, na Alemanha, ainda em andamento.
“Um novo mundo urbano precisa ser construído para que consigamos enfrentar o desafio climático. O sucesso ou o fracasso de uma civilização mais resiliente depende das cidades”, declarou Kishan Kumarsingh, co-presidente do evento.
O caso da atual crise de água em São Paulo chegou a ser mencionado, assim como exemplos de outras cidades que já enfrentam problemas possivelmente relacionados às mudanças climáticas, mesmo que não percebam.
“Ainda há muito desconhecimento quanto a esse assunto. Mas já está claro que as autoridades subnacionais não podem ficar esperando por algum tipo de acordo climático internacional para só então agirem. Mesmo que não reconheçam a realidade das mudanças climáticas, prefeitos precisam se dar conta que ações urgentes são necessárias em vários setores, como na gestão de recursos hídricos”, disse Brian Kilkelly, da Rede Mundial de Cidades.
Boas iniciativas
Um dos pontos centrais do evento foi dar destaque para as melhores políticas já implementadas ao redor do mundo.
Por exemplo, a cidade de Malmo, na Suécia, possui 98% de seus resíduos residenciais reciclados ou transformados em energia. Toda a frota do transporte público utiliza apenas biogás e os carros da prefeitura são elétricos. Além disso, a cidade tem como meta ter 100% de sua energia gerada através de fontes renováveis até 2030, ano em que também deve alcançar a neutralidade de carbono.
Por sua vez, Bogotá, capital da Colômbia, investiu pesado nos últimos anos em um modelo de transporte público mais eficiente, o que retirou das ruas milhares de carros, melhorando o trânsito e reduzindo a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa. A cidade lidera ainda o ranking latino-americano de ciclovias, com um total de 376 km construídos.
De uma forma geral, os especialistas reunidos em Bonn apontaram uma série de benefícios relacionados aos investimentos em resiliência climática nas cidades: são medidas que geram empregos em vários setores, como eficiência energética; que melhoram a saúde pública, diminuindo, por exemplo, os gastos com tratamentos de doenças respiratórias; e que reduzem enormemente as perdas em casos de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas.
“Além disso, as cidades podem servir de exemplo para o mundo e facilitar o estabelecimento de um acordo climático vigoroso”, disse Gino Van Begin, do Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI).
Porém, nem todas as cidades possuem condições financeiras para promover ações desse tipo. Foi o que deixou claro o representante do município de Dar Es Salaam, na Tanzânia, que afirmou não haver recursos disponíveis para que se pense em adaptação ou mitigação climática.
Para casos como esse, os especialistas reunidos no evento destacaram a necessidade de serem colocados em prática mecanismos de financiamento já existentes, como o Fundo Climático Verde. Também deveriam ser criadas novas ferramentas de cooperação, transferência de tecnologias e de apoio logístico e técnico entre os governos nacionais e subnacionais.
“Será nas cidades que a batalha do desenvolvimento sustentável será vencida ou perdida”, concluiu Kirabo Kacyira, co-presidente do evento.* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Banco Mundial prevê guerra por comida e água nos próximos anos




agua ecod Banco Mundial prevê guerra por comida e água nos próximos anos
Efeitos das mudanças climáticas devem agravar a crise do sistema hídrico. Foto: UN Photo/Martine Perret

As batalhas por alimento e água devem eclodir dentro de cinco a dez anos, devido ao efeitos das mudanças climáticas. A projeção do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, foi feita durante entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Ele pediu que ativistas e cientistas trabalhem em conjunto para criar uma solução para este problema global, e usou o exemplo do HIV para demonstrar como a união de esforços pode resultar em soluções mais rápidas e mais eficazes.
A fim de manter o aquecimento global abaixo do limite acordado internacionalmente, de 2 graus Celsius, Kim observou que o mundo precisa de um plano para mostrar que está comprometido com a meta.
Ele delineou quatro áreas em que o Banco Mundial poderia ajudar a combater a mudança climática: investir em cidades mais limpas e sustentáveis, encontrar um preço estável para o carbono, reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis e desenvolver uma agricultura mais inteligente e resistente ao clima.
Os comentários de Kim seguem a publicação da segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que advertiu que nenhuma nação ficaria intocada pelo aquecimento global.
O relatório também alertou para os efeitos que as mudanças climáticas teriam sobre os preços dos alimentos, assim como em muitas outras áreas, como recursos hídricos. A produtividade agrícola pode cair 2% por década até o final do século, ao passo que a demanda deverá aumentar 14% até 2050.
* Publicado originalmente no site EcoD.

quinta-feira, 27 de março de 2014

2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico em todo mundo





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Foto: ONU-Água

A água, a energia e a segurança alimentar estão estritamente ligadas, já que o cuidado com os recursos hídricos é um ponto importante no avanço da luta contra a fome, ressaltou na sexta-feira (21) a FAO.
No dia 22 de março comemorou-se o Dia Mundial da Água. Esse ano o foco é o nexo entre a água e a energia, um aspecto-chave quando se considera que entre todas as energias renováveis a hidrelétrica é a mais representativa, com 16% de todas as fontes energéticas atuais.
“Temos que compreender a interdependência que existe entre a água, a energia e a segurança alimentar, 75% do uso industrial da água é destinado a geração de energia. Se não gerenciarmos de maneira sustentável este recurso vital, não vamos conseguir avançar na erradicação plena da fome”, assinalou a representante regional adjunta da FAO, Eve Crowley.
Estima-se que 780 milhões de pessoas no mundo carecem de acesso a água potável e 2,5 bilhões de serviços de saneamento, além de 1,3 bilhão de pessoas não ter acesso a eletricidade.
Estima-se que a demanda global por água pode ultrapassar em 44% os recursos disponíveis anuais em 2050 e a demanda de energia poderá aumentar em 50% de hoje até essa data. Em termos de uso, a agricultura representa a principal fonte de consumo de água doce (70%), sendo o resto para uso doméstico (17%) e industrial (13%).
A água e a energia na América Latina e no Caribe
Na América Latina e no Caribe existe uma pressão crescente dos recursos hídricos por fatores climáticos como as secas e as inundações e por atividades econômicas que precisam de muita água, como a mineração e a agricultura.
Ainda existem 35 milhões de pessoas na região sem acesso a fontes de água potável e cerca de 100 milhões sem saneamento básico. De acordo com o Banco Mundial, na América Latina, 45% da água é perdida antes de chegar ao consumidor.
Apesar de ser uma região rica em recursos energéticos como hidrocarbonetos, energia hidrelétrica e biocombustíveis, esta riqueza está igualmente má distribuída: aproximadamente 34 milhões de pessoas carecem de acesso aos serviços modernos de eletricidade.
Sem energia não há água e sem água não há energia
A água precisa de energia para ser purificada, transportada, pressurizada e depurada, enquanto a maior parte dos processos de produção de energia necessitam de água para a refrigeração, extração, entre outros. Trata-se de dois recursos intimamente ligados e que impactam os sistemas alimentares.
A FAO orienta que os governos devem criar políticas energéticas que levem em consideração os nexos existentes entre a produção de alimentos, a geração de energia e a sustentabilidade dos recursos hídricos. Publicado originalmente no site ONU Brasil.