Mostrando postagens com marcador saneamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saneamento. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Saneamento fica sem medalha

Na lagoa de Jacarepaguá é visível a mancha da águas negras, ao lado do Parque Olímpico, coração dos Jogos Olímpicos que acontecerão no Rio de Janeiro no próximo mês. A projetada dragagem não aconteceu, devido à restrição de fundos para a obra. Foto: Cortesia de Mario Moscatelli.
Na lagoa de Jacarepaguá é visível a mancha da águas negras, ao lado do Parque Olímpico, coração dos Jogos Olímpicos que acontecerão no Rio de Janeiro no próximo mês. A projetada dragagem não aconteceu, devido à restrição de fundos para a obra. Foto: Cortesia de Mario Moscatelli.

A grande frustração dos Jogos Olímpicos, que começarão no dia 5 no Rio de Janeiro, será o não cumprimento de metas e promessas de saneamento ambiental de seus corpos de água.

Rio de Janeiro, Brasil, 26/7/2016 – Perdeu-se a oportunidade de dar um empurrão decisivo na descontaminação da emblemática baía de Guanabara e das lagoas da cidade, tal como estabelecia o plano com que a cidade ganhou o direito de ser sede da Olimpíada 2016.
É um fracasso que possivelmente terá escassa repercussão para moradores e visitantes, diante da maior visibilidade dos projetos de transporte urbano e revitalização do centro carioca.O fato confirma uma tradição nacional de relegar o saneamento nas prioridades governamentais. Até agora, somente metade da população brasileira conta com esgoto e apenas uma pequena parte do que o sistema transporta é tratada.
“O ambiente não paga impostos e nem vota, por isso não atrai a atenção de nossos líderes políticos, nem da sociedade”, queixou-se o biólogo Mario Moscatelli, ativista do tema hídrico no Rio de Janeiro.Nem mesmo a lagoa de Jacarepaguá, em cujas margens foi construído o Parque Olímpico, coração dos Jogos da 31ª Olimpíada da era moderna, na zona oeste da cidade, foi devidamente tratada. Os rios e riachos continuam despejando água suja na lagoa o tempo todo, contou à IPS.
Sérgio Souza dos Santos no cais construído pelos pescadores de Tubiacanga, para entrar na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, porque a sedimentação impede que suas embarcações se aproximem da margem, que há décadas era uma bela praia. Foto: Mario Osava/IPS
Sérgio Souza dos Santos no cais construído pelos pescadores de Tubiacanga, para entrar na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, porque a sedimentação impede que suas embarcações se aproximem da margem, que há décadas era uma bela praia. Foto: Mario Osava/IPS
O aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão – onde chegará a maioria dos atletas e torcedoresestrangeiros para os Jogos, está em uma das áreas mais contaminadas da baía de Guanabara, embora os visitantes não cheguem a notar isso.Localizado na ponta oeste da Ilha do Governador, onde viviam 212.754 pessoas em 2010, segundo o censo oficial, o aeroporto tem por vizinhos canais onde é despejado esgoto sem tratamento e o lixo de milhões de residências de bairros e cidades, através de rios convertidos em cloacas.
Pela estrada que leva ao centro da cidade pode-se vislumbrar o canal do Fundão, de águas negras e mau cheiro, que persistem apesar de uma recente dragagem por causa do que chega do conectado canal de Cunha. Neste convergem os dejetos de cinco rios que cruzam bairros muito povoados, incluindo várias favelas e indústrias.Atrás do Galeão, ao norte, o bairro de pescadores de Tubiacanga, sintetiza as tragédias ambientais da baía de Guanabara, que tem 412 quilômetros quadrados e se estende entre os bairros de Copacabana e Itaipu.
“Tínhamos sete ou oito metros de profundidade, agora na maré baixa pode-se andar com água pelo peito” na parte mais estreita do canal, entre a Ilha do Governador e Duque de Caxias, a cidade próxima em terra firme, contou à IPS o pescador Sergio Souza dos Santos, de 66 anos, dois terços vividos em Tubiacanga. A sedimentação por aterros, a lama trazida pelos rios e o lixo reduziram a profundidade da baía explicou.
“Tubiacanga fica no encontro das águas sujas, das marés que sobem desde a entrada da baía, inclusive por vários canais, incluído o do Fundão, e a água dos rios. Isso acumula sedimento e lixo diante do bairro”, cuja praia de areias brancas se converteu em lodaçal e lixão em poucas décadas, lamentou Santos.A baía recebe 90 toneladas de lixo e 18 mil litros de esgoto sem tratamento por dia, principalmente através dos 55 rios e canais que desembocam em suas águas, destacou Sergio Ricardo de Lima, ecologista fundador do Movimento Baía Viva.
Descontaminar 80% dos efluentes lançados na baía de Guanabara foi a meta anunciada no projeto olímpico. Chegou-se a 55%, declarou o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, em um encontro com jornalistas estrangeiros, no dia 7 deste mês.“Só creio no que vejo: dos 55 rios da bacia, 49 se converteram em cursos de efluentes sem vida”, protestouMoscatelli, que assim deu voz ao ceticismo dos ambientalistas.
“A meta de 80% não era realista. Descontaminar totalmente a baía exigiria de 25 a 30 anos, com investimentos equivalentes a US$ 6 bilhões em saneamento, admitiu André Correa, secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, ao inaugurar, no dia 20 deste mês, uma ecobarreira no rio Meriti, uma das vias de contaminação.
As ecobarreiras são boias presas em cadeia que retêm o lixo flutuante e constituem uma medida de emergência para garantir que os esportes náuticos das Olimpíadas possam acontecer em alguns pontos da baía. Barcos recolhem o lixo retido e enviam para reciclagem.As 17 ecobarreiras prometidas são insuficientes e para sua melhor eficácia teriam que ser instaladas onde se concentra o lixo flutuante, como em Tubiacanga, e não perto da entrada da baía, onde acontecerão as competições náuticas, apontou Lima.
Assim está hoje o que no passado foi uma praia de areias brancas no bairro de pescadores de Tubiacanga, na baía de Guanabara, nas imediações do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Os moradores contribuem para a contaminação e sedimentação da emblemática baía brasileira. Foto: Mario Osava/IPS
Assim está hoje o que no passado foi uma praia de areias brancas no bairro de pescadores de Tubiacanga, na baía de Guanabara, nas imediações do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Os moradores contribuem para a contaminação e sedimentação da emblemática baía brasileira. Foto: Mario Osava/IPS
Sua implantação no rio Meriti atende esse critério do ambientalista. Mas se trata de uma “ação paliativa”, a solução é promover a coleta seletiva nas fontes, isto é, nas residências, no comércio e nas indústrias, e reciclar o máximo dos resíduos sólidos, como estabelece uma lei a respeito aprovada em 2010. “Atualmente só se recicla 1% do lixo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, que tem 12 milhões  de habitantes, lembrou Lima.
A descontaminação da baía de Guanabara é um velho sonho. Foi a meta de um projeto iniciado em 1995 e que já custou US$ 3 bilhões, ao câmbio atual. Mas não foi evitada a deterioração ambiental da água e das praias locais.Oito estações de tratamento de efluentes (ETE) foram construídas ou ampliadas para melhorar a qualidade de sua água. Mas sempre operaram com pequena parte de sua capacidade, porque não foram construídos os troncos coletores necessários para recolher o esgoto e levá-lo às ETE, segundo Lima.
A contaminação da baía se agrava pelos vazamentos de petróleo. Além de uma refinaria e de um polo petroquímico instalados nas margens, em Duque de Caxias, em toda a frente do bairro de Tubiacanga, a baía de Guanabara é crescentemente cruzada por dutos transportando óleo, derivados e gás. Até hoje se sente os danos de um grande vazamento de petróleo ocorrido em janeiro de 2000 que teve impacto direto em Tubiacanga e na captura de seus pescadores.
“Os que mais sofrem as consequências da contaminação e melhor conhecem a baía de Guanabara, os pescadores, não são ouvidos, estamos encurralados, ameaçados de extinção”, concluiu Souza dos Santos, que incentiva seus quatro filhos a deixarem o ofício da pesca. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Avanço em saneamento é insuficiente


Twitt
Foto: ONU-Água
Foto: ONU-Água

Se permanecer o atual ritmo, o Brasil não deve cumprir, no tempo previsto, as metas de universalização do saneamento básico, previstas pelo governo federal para serem concluídas até 2033, conforme o Plano Nacional de Saneamento Básico. A informação está no último Ranking do Saneamento Básico, divulgado no final de abril pelo Instituto Trata Brasil.
“A principal conclusão é que o avanço obtido em saneamento, nos últimos cinco anos, é relevante, mas insuficiente [comparando-se ao plano nacional]”, disse o presidente executivo do instituto, Édison Carlos, à Agência Brasil.
O ranking avaliou os serviços de água e esgoto das 100 maiores cidades do país, nas quais vivem em torno de 80 milhões de pessoas, ou 40% da população do país, e demonstrou que os avanços ainda são poucos. “A maior parte dessas cidades não vai atingir todos os indicadores, principalmente de tratamento de esgoto e redução de perda de água”, disse ele.
Segundo o levantamento, feito com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, de 2013, das 20 maiores cidades no ranking [a maior parte na Região Sudeste], oito já atingiram a universalização dos serviços e as demais se encaminham para atingí-la nos próximos anos. Já entre as 20 menos beneficiadas com saneamento, nenhuma atingirá a universalização dos serviços até 2033, caso mantenham o ritmo atual de avanço. As cidades com melhor saneamento básico no país, em 2013, eram Franca, Limeira, Santos e Taubaté, em São Paulo; Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa, no Paraná; Niterói, no Rio de Janeiro; e Uberlândia, em Minas Gerais. Do lado oposto, a mais carente de saneamento era Porto Velho; seguida por Santarém e Ananindeua, no Pará; Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco; Macapá, no Amapá; Várzea Grande, em Mato Grosso; Gravataí, no Rio Grande do Sul; Belém e Manaus; e São João de Meriti, no Rio de Janeiro.
Apenas 39% da população tinham esgoto tratado – evolução de apenas 0,3% em relação ao ano anterior. De acordo com o Instituto Trata Brasil, isso significa que mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgotos não tratados foram jogados, por dia, na natureza, em 2013. Quanto à água tratada, 82,5% da população têm acesso a ela, mas 35 milhões de brasileiros ainda não dispõem desse serviço.
Segundo Édison Carlos, o país tem cenários diferentes, dependendo do indicador. O tratamento de água, por exemplo, é o que tem avançado mais. Então, é possível chegar à universalização em água, se o investimento continuar. “Em coleta e tratamento de esgotos, estamos ainda distantes, pois apenas 48,6% da população tem coleta de esgoto e só 39% da coleta tem tratamento. Ainda precisamos levar coleta de esgoto para metade da população”, disse ele. No ritmo de evolução em coleta e tratamento, ele estima, porém, que as metas só sejam atingidas em 50 anos e em 100 anos, respectivamente.
Os investimentos em saneamento no país, em 2013, foram da ordem de R$ 10,47 bilhões, dos quais R$ 5 bilhões destinados às 100 cidades analisadas. Para Édison Carlos, o governo tem investido pouco “comparado ao desafio” que tem pela frente. “Esse foi o maior investimento desde 2007. Investiu, mas o Plano Nacional de Saneamento Básico prevê necessidade de R$ 302 bilhões [de investimento] em água e esgoto, em 20 anos. Então, estamos falando em mais de R$ 15 bilhões por ano para atingir a universalização. Temos investido, mas ainda abaixo do necessário”, disse ele.(Agência Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sexta-feira, 28 de março de 2014

Estudo aponta que a falta de saneamento básico impacta na educação




saneamentobasico 300x199 Estudo aponta que a falta de saneamento básico impacta na educação
A falta de saneamento afeta a higiene de meninos e meninas, como ocorre com esse esgoto a céu aberto em Madagascar. Nas cidades brasileiras a área da educação também sofre impactos negativos. Foto: Lova Rabary-Rakontondravony/IPS
O estudo Benefícios econômicos da expansão do saneamento brasileiro, publicado no último dia 19 pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS, apontou que a falta de saneamento básico nas cidades brasileiras afeta várias áreas, entre as quais, saúde, trabalho e renda, imóveis, turismo e educação.
Segundo o relatório, a falta de água tratada e de esgotamento sanitário causa grande impacto no aprendizado de crianças e jovens do país. Doenças provocadas pelo consumo de água contaminada, como as infecções gastrointestinais, que ocasionam diarreia e vômito, levam a queda no rendimento dos alunos.
Em média, estudantes sem acesso a esses serviços básicos têm atraso escolar maior do que aqueles com as mesmas condições socioeconômicas, mas com acesso ao saneamento. A universalização do acesso à coleta de esgoto e à água tratada, de acordo com a pesquisa, reduziria em 6,8% o atraso escolar, o que possibilitaria o aumento da escolaridade média do brasileiro nos próximos anos, com efeito sobre a produtividade no trabalho e na renda.
Contexto – o Brasil ocupa a 112ª posição em um ranking de saneamento entre 200 países. Sua pontuação no Índice de Desenvolvimento do Saneamento é inferior às médias da América do Norte, da Europa e de alguns países do Norte da África e do Oriente Médio, onde a renda média da população é menor do que a renda dos brasileiros. De acordo com estimativa do estudo, mais de 14 milhões de moradias não têm água encanada e cerca de 35 milhões de pessoas vivem sem coleta de esgoto no Brasil. Para levar o saneamento básico para 100% da população, o país precisa investir pouco mais que 300 bilhões de reais até 2033.** Publicado originalmente no Blog Educação.

quinta-feira, 27 de março de 2014

2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico em todo mundo





aguasaneamentobasico 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico em todo o mundo
Foto: ONU-Água

A água, a energia e a segurança alimentar estão estritamente ligadas, já que o cuidado com os recursos hídricos é um ponto importante no avanço da luta contra a fome, ressaltou na sexta-feira (21) a FAO.
No dia 22 de março comemorou-se o Dia Mundial da Água. Esse ano o foco é o nexo entre a água e a energia, um aspecto-chave quando se considera que entre todas as energias renováveis a hidrelétrica é a mais representativa, com 16% de todas as fontes energéticas atuais.
“Temos que compreender a interdependência que existe entre a água, a energia e a segurança alimentar, 75% do uso industrial da água é destinado a geração de energia. Se não gerenciarmos de maneira sustentável este recurso vital, não vamos conseguir avançar na erradicação plena da fome”, assinalou a representante regional adjunta da FAO, Eve Crowley.
Estima-se que 780 milhões de pessoas no mundo carecem de acesso a água potável e 2,5 bilhões de serviços de saneamento, além de 1,3 bilhão de pessoas não ter acesso a eletricidade.
Estima-se que a demanda global por água pode ultrapassar em 44% os recursos disponíveis anuais em 2050 e a demanda de energia poderá aumentar em 50% de hoje até essa data. Em termos de uso, a agricultura representa a principal fonte de consumo de água doce (70%), sendo o resto para uso doméstico (17%) e industrial (13%).
A água e a energia na América Latina e no Caribe
Na América Latina e no Caribe existe uma pressão crescente dos recursos hídricos por fatores climáticos como as secas e as inundações e por atividades econômicas que precisam de muita água, como a mineração e a agricultura.
Ainda existem 35 milhões de pessoas na região sem acesso a fontes de água potável e cerca de 100 milhões sem saneamento básico. De acordo com o Banco Mundial, na América Latina, 45% da água é perdida antes de chegar ao consumidor.
Apesar de ser uma região rica em recursos energéticos como hidrocarbonetos, energia hidrelétrica e biocombustíveis, esta riqueza está igualmente má distribuída: aproximadamente 34 milhões de pessoas carecem de acesso aos serviços modernos de eletricidade.
Sem energia não há água e sem água não há energia
A água precisa de energia para ser purificada, transportada, pressurizada e depurada, enquanto a maior parte dos processos de produção de energia necessitam de água para a refrigeração, extração, entre outros. Trata-se de dois recursos intimamente ligados e que impactam os sistemas alimentares.
A FAO orienta que os governos devem criar políticas energéticas que levem em consideração os nexos existentes entre a produção de alimentos, a geração de energia e a sustentabilidade dos recursos hídricos. Publicado originalmente no site ONU Brasil.