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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Nossa sociedade incentiva o estupro



Monstruosidade e selvageria são algumas das qualificações que li e ouvi para o ato covarde executado com requintes de crueldade por mais de três dezenas de machos, na semana que passou, contra uma adolescente de dezesseis anos em uma comunidade carioca. 

Nossa sociedade está doente. Na verdade, não nos escandalizamos com o ato do estupro em si, pois caso fosse estaríamos exigindo mudanças na legislação e uma outra abordagem em escolas sobre a temática.  E cadeia pesada.  Afinal, ocorrem quinze crimes similares, cotidianamente, apenas na cidade maravilhosa.  Por que não vamos pra rua nos outros catorze?

O que infelizmente está causando espanto geral é o recorde de estupradores em um único ato: trinta e três.  Digno de um Guiness dos horrores. Quando bateremos o próximo recorde?  A vítima terá mais ou menos de dezesseis anos?   

Entramos na vergonhosa “Era da Pré-Moral.  Somos machistas e preconceituosos, sim, ouvi gente próxima afirmar que ela não era santa, que devia estar vestida provocantemente e que não era boa bisca.  E se a resposta fosse positiva para as três possibilidades citadas, estariam autorizados a fazer o que fizeram?!!!

Ouvimos a pobre menina afirmar que o delegado Thiers lhe perguntou se habitualmente fazia sexo em grupo.  Pergunta estúpida, machista e tendenciosa.  Não à toa fora afastado do caso.  E deveria ser punido.

Como um teatro dos absurdos, nossa sociedade incentiva o estupro quando nada acontece com o deputado Bolsonaro por dizer que “não estupraria a Deputada Maria do Rosário porque ela não merecia ser estuprada”, e quando o atual ministro da educação, Mendonça Filho, recebe para audiência no Palácio o estuprador confesso Alexandre Frota, para opiniões sobre o ensino no Brasil. No meu dicionário isso não é falta de respeito, é conivência com o crime.

Impossível, nesse tipo de crime relativizar com o ocorrido.  Precisamos entender que sexo sem consentimento é estupro e ponto final.  Agora, nossas vísceras estão expostas à visitação moral internacional.  Resta saber se apenas até o próximo recorde ser batido. 

Este caso me fez lembrar um simples mas importante ensinamento de meu pai, e que me serve até hoje: “não faça com os outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você”.  Para aqueles que pensam ser ela a culpada por estar provocativa, que não era bem assim , que estava drogada, deixo a perguntinha:  e se fosse sua mãe, irmã ou esposa, você também perguntaria isso? 

Como não sou religioso, que essa pobre menina encontre em nossa solidariedade a força necessária para que consiga se refazer psicologicamente para seguir adiante de forma digna.  E que tenha paz. Mesmo sendo uma utopia, é o mínimo que posso lhe desejar.

Abraços Sustentáveis
 


terça-feira, 31 de março de 2015

31 de março de 1964: um ano para não ser lembrado, nem esquecido


As manifestações de março trouxeram de volta alguns fantasmas latentes na memória da sociedade brasileira, entre eles pedidos de intervenção e golpe militar. Apesar de considerar democrática a livre expressão de pensamento, tais manifestações demonstram, além de desconhecimento do que ocorreu naquele sombrio período, o desprezo pelo bem mais precioso de um país, conquistado com o sangue de tantos brasileiros: a democracia.

Mostra, também, a desilusão da população com os vários governos civis que sucederam os militares e a falta, sobretudo, de prioridades nas escolhas de projetos que atendam às reais necessidades de nosso povo. 

Mas é a educação, o item mais preocupante e sofrível a ser enfrentado no longo elenco de carências do país pós redemocratização.  Dela dependerá o futuro da nação, o discernimento necessário para as mentes daqueles que arcarão com a responsabilidade das melhores escolhas e caminhos a seguir. 

Há 51 anos atrás, nossa constituição foi rasgada pelo golpe militar.  Dali em diante, muita coisa mudou.  E para pior.  Corações e mentes foram silenciados pelo regime imposto à força.  Com uma falsa democratização do acesso à educação no Brasil, vinculou-se a educação pública aos interesses de mercado, estimulando, assim, a privatização do ensino.




Se antes do golpe a oferta de vagas era maciçamente pública, hoje 75% são preenchidas pelas instituições privadas.  O pesquisador Dermeval Saviani, professor emérito da UNICAMP, em artigo publicado nos Cadernos Cedes, intitulado “O Legado Educacional do Regime Militar”, retraçou a história da reforma educacional implantada pelo regime, começando em 1967, que eliminava a exigência de um gasto mínimo com educação – restabelecido em 1969, mas somente na esfera municipal -, passando pela Lei da Reforma Universitária de 1968, pelo decreto de regulamentação dessa lei, de 1969, e pela lei de 1971 que, como resume o artigo, “unificou o antigo primário com o antigo ginásio, criando o 1º grau de oito anos e instituiu a profissionalização universal e compulsória no ensino de 2º grau, visando atender à formação de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho”.

Esse processo, diz Saviani, gerou um “cruzamento perverso entre as redes públicas e privadas”.  Com isso, os grupos privados atuantes no ensino foram beneficiados. E a educação se mercantilizou como banana, com universidades oferecendo “Hensino com H maiúsculo” em cada esquina. E dane-se o povo e o país.

O salto de qualidade tão sonhado e tão necessário, passa por uma revolução na educação nacional.  Nesses trinta anos que sucederam ao governo de exceção dos militares, não fizemos qualquer reforma na estrutura educacional que proporcionasse avanços significativos consistentes de qualidade que garantisse vislumbrarmos um cenário de ponta para o Brasil. 

Por tudo isso, não enxergo outra saída que não contemple a educação como prioridade zero na busca da excelência.  Talvez assim tenhamos um caminhar sólido e seguro, sem fantasmas a nos rodear a cada solavanco proporcionado por políticas equivocadas de governos, normal em qualquer democracia.
Talvez assim, nossos jovens consigam separar o joio do trigo veiculado pela grande imprensa e saber que qualquer governo democrático e legitimamente eleito, por pior que seja, sempre vai ser melhor que a ditadura imposta por um golpe de estado.

Talvez assim, um dia consigamos até punir os torturadores e zerar essa história.

Abraços Sustentáveis


Odilon de Barros

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mudanças climáticas e educação




Educacaolivros1 Mudanças climáticas e educação
Foto: Shutterstock
Sinais de como as mudanças climáticas têm afetado diretamente o clima e a vida no Brasil já são evidentes. Vivemos atualmente uma crise de água sem precedentes na história de São Paulo. As causas podem ser várias, desde a falta de planejamento até a escassez de chuva. Indicadores oficiais acusam um aumento do desmatamento da Amazônia já previsível desde a aprovação do novo código Florestal. Cientistas demonstram de forma contundente a relação entre o desmatamento da Amazônia e maior seca na região sudeste.
A crise vivenciada pela sociedade contemporânea é para muitos uma crise civilizatória, que exige um cuidado urgente diante das agressões à natureza provocadas pelo desenvolvimento moderno. Ao mesmo tempo é visível a necessidade de se impor limites a esse crescimento que até agora tem afetado tanto a preservação do planeta Terra.
Nesse contexto, coloca-se a interdependência visceral entre as pessoas e entre elas e o meio ambiente, pois somente por meio de um olhar sistêmico podemos entender como essas relações afetam as comunidades, o lugar de trabalho, o sistema educacional, as famílias e os indivíduos. Essa é uma visão que implica uma responsabilidade pessoal e social em relação ao meio ambiente e a um futuro sustentável, para que as próximas gerações tenham uma vida digna e de bem-estar no planeta.
A educação hoje joga um papel fundamental nessa concepção em que as fronteiras entre a educação formal, não formal e informal são muito tênues. A escola pode ser um centro irradiador que possibilite conexões e articulações de espaços e tempos educativos nos territórios e nas cidades como um todo.
Trata-se da exigência de um pensamento transversal na construção colaborativa do conhecimento, que implica uma educação aberta ao cotidiano do mundo ao mesmo tempo em que se conecta de forma global às questões contemporâneas.
Diversos exemplos de práticas educativas ligadas à construção de hortas, a resíduos sólidos e a projetos de intervenção nas comunidades multiplicam-se pelo país. Mas, para além das práticas que balizam um fazer na escola e na comunidade, é importante ter como eixo norteador os princípios e parâmetros da Carta da Terra: cuidar de si, do outro, do entorno e, consequentemente, do planeta para alcançarmos uma vida digna e de bem-estar.
Nesse sentido, a saúde deixa de ter como foco a doença para ser pensada pelo cuidado da alimentação, das atividades físicas, das condições de saneamento e das questões afetivas e espirituais. O zelo com o planeta pressupõe o cuidado inicial consigo mesmo e com a comunidade para que possamos chegar a um entendimento da interdependência entre todas essas partes e conexões.Neca Setubal é educadora, fundadora do Cenpec e da Fundação Tide Setubal. site EcoD.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Como mudar a educação na raiz




shutterstock reciclagem Como mudar a educação na raiz
Foto: http://www.shutterstock.com/
As pessoas saíam das lojas para olhar o acontecimento.
– Piriri, piriri, obá! Oi quem vem lá, obá!
A cantoria se espalhava pelos ouvidos de concreto.
– Piriri, piriri, obá!
Nas janelas dos carros, curiosos esticavam seus pescoços. O policial observava a marcha com atenção. O atendente da loja de sapatos saiu para a porta com a testa franzida em sinal de interrogação. Uma mulher chamou a atenção da amiga para juntas varrerem a cena com suas pestanas.
– Por onde passa, obá! Estremece a terra, obá!
Ainda que discreta, a marcha chamou atenção. Sem megafones, sem faixas, sem cartazes. Não havia black blocks. Não se tratava de uma manifestação comum. Não eram os “fraldas pintadas”, não era a esquerda, não era a direita. Quem compunha a marcha? Vinte e uma crianças de 5 e 6 anos e três educadores. Como reivindicação, pediam a cidade inteira. Pediam parques, praças, ruas. Pediam que a cidade recebesse as crianças com cuidado e carinho. Pediam que as pessoas olhassem nos olhos umas das outras. Pediam que ninguém se esquecesse de brincar. Pediam respiros. Pediam o retorno da poesia à presidência das imaginações. Pediam cor. Pediam que os adultos voltassem a ver o mundo ao redor.
Sim, pediam que os adultos voltassem a ver o mundo ao redor.
As crianças não gritavam frases políticas nem carregavam cartazes para requerer tais demandas. Seu ato berrava mais do que qualquer palavra ou faixa, demandava o sonho enquanto o realizava. Tratava-se de um ato de ocupação criativa da cidade, de brincação caminhativa. A marcha saiu da escola municipal de ensino infantil Gabriel Prestes com um destino final: uma biblioteca. No trajeto, andamos apenas algumas quadras, ritmados pela cantoria do “piriri, obá!”. Nesses poucos metros, sentimos a realidade se deslocar.
As pessoas ao redor haviam, de repente, quebrado suas resistências secas. Sorriam de boca aberta, escancarada de espanto positivo. As crianças riam em enxurradas, animadas, hiperpresentes. Como é raro encontramos grupos de crianças em ruas movimentadas, a marcha impressionou as pessoas. E as crianças saem pouco para as ruas por que é perigoso? Viver é perigoso, claro. Hoje em dia, as pessoas acreditam que tudo é perigoso e seguem, pouco a pouco, fugindo de tudo que as coloque em atrito com nossa cultura, que as joguem na aspereza da pele dos dias ou nas brechas lúdicas da cidade, e assim perdem o que há de mais pulsante e educativo na realidade. Quanto mais fogem do perigo, mais o alimentam. Quanto mais se iludem ao achar que escaparam, mais se sufocam. As crianças que marchavam pelas ruas do centro de São Paulo, acompanhadas por educadores, provavam que a resolução mais madura é destruir o perigo na raiz, ocupando sua casa – e ocupando-a criativamente.
No fim do dia, uma das professoras que estava na caminhança pelas ruas falou: “A cidade ouviu as vozes da infância e seus percursos!”. Outra educadora comentou: “Senti a mesma emoção quando levamos as crianças da minha escola, à pé, até o prédio do Banespa. As pessoas sorriam e viam as crianças na rua, me senti humanizando a cidade”. E eu pensava, no meu silêncio fervilhante: há algo muito errado na desconexão crônica do adulto com qualquer coisa que o cerca, um desconcerto que as crianças desmancham com um simples malabarismo de olhar. Numa conversa sobre essa experiência, cheguei a lançar uma provocação brincante: “Se fôssemos realmente radicais, colocaríamos as crianças para educar os adultos. O que temos a aprender com elas não é mais importante do que o que elas têm a aprender com a gente?”.
foto andre gravata Como mudar a educação na raiz
http://portal.aprendiz.uol.com.br/wp-content/uploads/2014/07/foto-andre-gravata.jpg

Resistir e criar
Em uma cidade de cidadãos não praticantes e com altruísmo sedentário, como provocamos uma mudança na relação entre as pessoas? E as ruas, como torná-las apoteoses da mudança, lugares onde se deem mais e mais encontros potentes? “As ruas já não conduzem apenas, elas mesmas são lugares”, dizia o escritor John Brinckerhoff Jackson, um teórico que lidava com a temática das paisagens. Estimular que as crianças e jovens ocupem o território ao seu redor de maneira criativa, gerando contatos genuínos, é um ato educativo, político, de saúde e cuidado. É dizer para as novas gerações que suas presenças mudam o entorno. É apontar uma nova cultura, que demanda uma nova construção de aprendizagem, na qual a cidade como um todo é reconhecida como um organismo vivo de educação – várias expressões e projetos têm vindo à tona para tocar esse ponto crucial da mudança da nossa cultura pela percepção que a educação demanda um cuidado coletivo, como bairro-escola, cidade educadora, comunidade de aprendizagem e território educativo.
Já pensou se a aprendizagem informal que mora nas brechas das cidades for mais e mais descoberta? Quantas pessoas não aceitariam compartilhar suas histórias, ensinar o que sabem? Já imaginou se você passasse a se reconhecer como um educador das ruas? Podemos criar um novo imaginário sobre o que é educação, percebendo que a educação que transborda pela cidade é um símbolo diferente dos outros que se perpetuaram até agora. É uma raiz que vai mais fundo e encontra outras raízes – nessa linha profunda, educação é cuidado consigo mesmo, com o outro e o ambiente.
Sempre que analiso a urgência por mudanças na educação me lembro do olhar de Gandhi sobre as causas do seu tempo. Depois de se mudar para a África do Sul para trabalhar, ainda jovem, Gandhi sofreu bastante preconceito por ser indiano. Ao entrar nos trens sul-africanos, na primeira classe, exigiam que fosse transferido para a terceira classe, mas nunca consentia com esse tipo de situação. Ele sentia fortemente que não dava mais para aceitar que uma pessoa fosse menosprezada por sua cor ou nacionalidade. E esse sentimento de “não dá mais”, essa necessidade de não cooperar com uma situação ou mesmo resistir a ela, se repete quando Gandhi percebe que os indianos importavam sal da Inglaterra, sendo que era possível pegar sal diretamente na Índia. Sentindo que não dá mais para colaborar com esse tipo de situação, Gandhi estimula a não cooperação, a desobediência criativa, e leva à frente a Marcha do Sal, na qual milhares de pessoas seguiram até o litoral do Oceano Índico para buscar o sal direto na fonte. Essa urgência no olhar retorna quando Gandhi se depara com indianos pagando impostos absurdos. Não dá mais. Não dá mais.
E nessa linha de pensamento, o que “não dá mais” em relação à nossa educação deseducadora?
Não dá mais para acharmos normal um aluno passar doze anos na escola e mesmo assim não aprender nem a ler. Não dá mais para perguntarmos a jovens de 17 anos se eles têm um sonho e ouvir que a aspiração é repetir as carreiras que outros tantos hoje seguem, rumo a oceanos de infelicidade, sem que tenham refletido minimamente sobre quem são e como podem lapidar sua singularidade. Não dá mais para chegar em escolas, ficar impressionado com o número de professores de licença, muitos em depressão, e achar que um sistema que deixa a mente e o corpo das pessoas domado, mutilado e dolorido deve ser reaberto do mesmo jeitinho todos os dias. Não dá mais para acharmos que a violência é um caminho a ser seguido – e o que fazemos com as crianças, jovens e professores hoje é violência. Violentamos sonhos que nem chegam a ser sonhados. E cada vez mais acredito que só quando nos apropriarmos do ambiente ao nosso redor com ênfase, criatividade e generosidade é que deixaremos espaço para emergir uma abordagem de aprendizagem forte o suficiente para mudar a educação em larga escala.
andre gravata1 Como mudar a educação na raiz
Recentemente uma amiga compartilhou no Facebook uma imagem com uma piada que ironiza nossas relações rachadas, dizia assim: “Fiquei sem internet por um dia e descobri que tem um pessoal aqui em casa, até sentei com eles na mesa, acho que é minha família”. E bem assim acontece com nosso entorno, imaginem a situação: “Um dia tropecei numa pedra na rua e descobri que tem um pessoal caminhando ao meu lado, até parei um deles para perguntar quem era, acho que também é um ser humano como eu”. Se não cultivarmos laços fortes com a cidade e as pessoas ao redor, aprendendo com elas, aceleraremos o processo de desumanização em curso. Viraremos máquinas, pedras, rinocerontes com sonhos natimortos. Na peça “O rinoceronte”, do franco-romeno Eugène Ionesco, há uma epidemia de “rinocerite” em uma cidade, que transforma quase todo mundo nesses grandes mamíferos de pele espessa, sem porosidade. Apenas um homem resiste – e, ainda bem, ele resiste até o final.
Resistir e criar: dois movimentos urgentes
Para continuar essa reflexão tão necessária, sugiro que você organize um encontro na rua, com amigos e desconhecidos, para dialogar sobre as seguintes perguntas: Que propostas um educador pode colocar em prática para incluir a cidade como território a ser explorado? O que seria um educador das ruas? O que dá para aprendermos caminhando, observando, perdendo-se pela cidade? Se morar em São Paulo, participe do encontro que estou organizando, no dia 3 de agosto: http://cinese.me/encontros/deriva-sobre-educacao
Resistir e criar.
Piriri, piriri, obá!
** Publicado originalmente na Coluna Livre do Portal Aprendiz.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Aulas de caráter. Uma boa ideia

Uma rede de escolas americana, a KIPP (Knowlegde is Power Program), fundada em 1994, nos Estados Unidos, tem como meta levar seus alunos – 86% são de famílias pobres – até a universidade. O projeto tem como meta dar confiança a todos de que são capazes de aprender.  Mais, a ideia, acredito, se encaixa perfeitamente a alunos de baixa renda no Brasil.  Entre as atividades propostas, a escola estimula atividades de autocontrole, perseverança, gratidão, otimismo e curiosidade em seus alunos, entre outras.  E há dois anos radicalizou o ensino de competências socioemocionais criando a disciplina de, pasmem, caráter.
Aí, um parêntese com a realidade brasileira: ao fazermos uma analogia com nosso cenário, vejo como imprescindível em nossas escolas tal disciplina.  Por quê?  Vivemos em um país extremamente desigual em que é muito difícil à classe mais baixa de nossa população ascender às oportunidades de categorias mais abastadas.  Incluir o ensino de conteúdo tão importante pode significar a essas categorias acreditar que é possível, sim, ascender sem transgredir, sem levar vantagem, sem trapacear.  E crescer.  E isso é preciso ser dito com todas as letras, para pais e alunos. 
As aulas de caráter acontecem duas vezes por semana, para 5ª e 6ª séries, e nelas é ensinado como enfrentar os pontos fracos, como estabelecer relações saudáveis com outras pessoas e como usar a mente para conseguir o que querem.
Os professores da escola são preparados para relacionar questões socioemocionais com conteúdos cognitivos. Assim, numa aula de inglês, os alunos analisam as características dos personagens dos textos que leem, e nas de história, discutem motivações por trás de fatos importantes. 
Assim, a expectativa é que as crianças mudem de atitude também em casa. Por isso, os pais são chamados no início do ano para um workshop em que são apresentados ao conteúdo que será ensinado e como isso será feito. A professora também dá dicas de como eles podem dar suporte aos seus filhos. Alguns pais ajudam, outros não. Mas a missão é fazer com que mesmo os que são oriundos de famílias disfuncionais saibam lidar melhor com isso. O fato de uma criança não ser incentivada a estudar em casa não significa que ela não deva ter acesso a boa educação. A meta é garantir a todos.
Embora a implantação desse currículo socioemocional na Kipp Infinity Middle School ainda esteja em fase de testes e os dados sobre o impacto no desempenho acadêmico não tenham sido computados, a escola tem convicção de que os alunos estão aprendendo mais e que estão mais tranquilos e confiantes. “Estamos ansiosos pelos resultados para seguir em frente”, afirmou a diretora. No próximo ano letivo, o plano é preparar outros professores para ministrarem as aulas de caráter e passar a incluí-las na grade de mais séries.
Mesmo embrionariamente, os primeiros resultados já começam a aparecer.  Antes, afirmaram professores, eles ficavam muito nervosos e achavam que não iam conseguir.  Passado um ano, dizem que estão preparados e que vão se dar bem, contam orgulhosos.
Trazendo para a realidade da educação brasileira, o circo dos horrores nosso de cada dia, em que faltam desde estrutura física, melhores salários, reciclagem de professores e vontade política de nossos governantes em transformar o país através da educação, aulas de caráter poderiam ser ministradas, para começar, no legislativo, no judiciário e no executivo.
Abraços sustentáveis

Odilon de Barros 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Estudo aponta que a falta de saneamento básico impacta na educação




saneamentobasico 300x199 Estudo aponta que a falta de saneamento básico impacta na educação
A falta de saneamento afeta a higiene de meninos e meninas, como ocorre com esse esgoto a céu aberto em Madagascar. Nas cidades brasileiras a área da educação também sofre impactos negativos. Foto: Lova Rabary-Rakontondravony/IPS
O estudo Benefícios econômicos da expansão do saneamento brasileiro, publicado no último dia 19 pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS, apontou que a falta de saneamento básico nas cidades brasileiras afeta várias áreas, entre as quais, saúde, trabalho e renda, imóveis, turismo e educação.
Segundo o relatório, a falta de água tratada e de esgotamento sanitário causa grande impacto no aprendizado de crianças e jovens do país. Doenças provocadas pelo consumo de água contaminada, como as infecções gastrointestinais, que ocasionam diarreia e vômito, levam a queda no rendimento dos alunos.
Em média, estudantes sem acesso a esses serviços básicos têm atraso escolar maior do que aqueles com as mesmas condições socioeconômicas, mas com acesso ao saneamento. A universalização do acesso à coleta de esgoto e à água tratada, de acordo com a pesquisa, reduziria em 6,8% o atraso escolar, o que possibilitaria o aumento da escolaridade média do brasileiro nos próximos anos, com efeito sobre a produtividade no trabalho e na renda.
Contexto – o Brasil ocupa a 112ª posição em um ranking de saneamento entre 200 países. Sua pontuação no Índice de Desenvolvimento do Saneamento é inferior às médias da América do Norte, da Europa e de alguns países do Norte da África e do Oriente Médio, onde a renda média da população é menor do que a renda dos brasileiros. De acordo com estimativa do estudo, mais de 14 milhões de moradias não têm água encanada e cerca de 35 milhões de pessoas vivem sem coleta de esgoto no Brasil. Para levar o saneamento básico para 100% da população, o país precisa investir pouco mais que 300 bilhões de reais até 2033.** Publicado originalmente no Blog Educação.

sábado, 30 de novembro de 2013

Estudantes querem falar e ser escutados

Uma pergunta raríssima foi feita pelo Centro Ruth Cardoso para estudantes durante a primeira edição do Festival Educação: o que você faria pela melhora do ensino e da sua escola?

As mais de 400 ideias analisadas por uma comissão levaram a uma relevante conclusão: nas 9 escolas participantes, programas ligados à expressão do aluno (artes ou comunicação) predominaram. Junto com essas, estão aquelas ligadas ao esporte, leitura, escolha de profissão e melhora de estrutura física da escola.
Não foram as mais originais, pois apareceram aos montes, mas denotaram uma questão comum: a escola parece ainda fechar ouvidos e canais de expressão aos seus estudantes. Não sem motivo, essas ideias recorrentes foram chamadas de “gritos” pela organização do Festival e tiveram atenção especial.
O “ecossistema de comunicação” de uma instituição, que é como o educador Jesus Martin-Barbero costuma definir o fluxo de comunicação e poder, ainda é domínio de adultos na escola. Professores reclamam historicamente da remuneração, funcionários clamam por melhoras na estrutura de trabalho e os diretores são freqüentemente questionados sobre sua capacidade de gestão. Mas e o estudante? O que ele pensa sobre isso? Com que escola ele sonha?
O principal beneficiário e interessado, para qual todo o sistema foi estruturado, o aluno costuma passar longe desse rodízio de “mea culpas” e cobranças públicas e somente é lembrado quando avaliado, por seus professores, por indicadores nacionais ou internacionais.
Isso nos fez lembrar justamente uma aula. O Prof. Dr. José Miguel Wisnik certa vez identificou a raiz da palavra adolescente. Segundo ele, adolescente, do latim, é aquele que exala um perfume. Ou melhor, que está exalando neste momento (gerúndio) um olor. A poética do significado define bem o estágio da vida em que mais estamos propícios a criação, descobertas e inquietações.
A falta de expressão do estudante na construção da escola se reflete nas principais pesquisas sobre evasão escolar. Recentemente o fator “desinteresse” vem liderando a lista de motivos para que os jovens deixem de freqüentá-la. Construímos um modelo escolar feito por adultos sem qualquer participação de jovens e crianças; a cultura do jovem passa longe do ambiente estéril da sala de aula.
Qualquer sistema de avaliação, que se diz 360 graus, deveria colocar o estudante como uma das principais fontes de informação. Afinal, quem pode saber qual o melhor professor, a melhor estrutura, o melhor método e as melhores saídas para um ensino do que aquele para qual a escola foi feita?
escola Estudantes querem falar e ser escutados
Foto: Stauke/Fotolia.com

Aquelas instituições consideradas de excelência no Brasil, inclusive as particulares, costumam estimular os alunos a avaliar ao menos o trabalho dos docentes. Pode soar estranho à princípio, mas é a avaliação do aluno sobre o professor que mais provoca transformação no seu trabalho, pois toca diretamente a auto-estima e o propósito de vida desse profissional.
Mas na grande maioria das instituições, tem cabido tão somente a práticas isoladas elevar o grau de participação do estudante nas questões escolares; algumas delas lideradas por professores e diretores estimulados, e outras por organizações do terceiro setor que trabalham nos limites entre escola e comunidade. O grêmio estudantil fortalecido e autônomo de algumas têm criado ambiência para que próprios estudantes tomem conta dessa questão.
As práticas de comunicação a arte, cujas ferramentas hoje estão acessíveis às pontas dos dedos nos celulares, também têm sido utilizadas por algumas instituições para dar voz aos alunos. Documentários, blogs, sites e aplicativos são criados por eles em escolas que adotaram programas em seu contra-turno.
Educação de qualidade, esse mote que começou a ser utilizado após a quase universalização do ensino, deve ser seguido sempre das perguntas “para quem?”, “para quê?”. Ora, se a cobrança de uma educação de qualidade se reflete no aprendizado do estudante, parece óbvio que este deva ter alguma ingerência nas definições do que é constituída essa tal qualidade. Nesse sentido, o Festival Educação, que estimula os alunos a pensar sobre suas escolas, parece um modelo simples e barato para acelerar processos decisórios coletivos nas escolas.
Já é passado o momento para que gestores de políticas públicas comecem a prestar atenção no que pensam os estudantes. Há outras redes, como o Facebook, que já fazem esse papel de escuta; as manifestações que se iniciaram em junho já mostraram que podem faltar ruas para tanto desabafo.
* Este artigo foi produzido em parceria com a professora doutora do Departamento de Sociologia da Unicamp, Gilda Portugal Gouvêa.  Alexandre Sayad é jornalista especializado em direitos humanos, colaborou com O Estado de S. Paulo e Rádio Eldorado, e coordena programas de Civic Midia, com a Universidade de Harvard.
** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Educação para combater a desigualdade


Agência Fapesp– Qual a melhor estratégia para enfrentar a desigualdade social, uma das grandes barreiras para a sustentabilidade global? Cientistas reunidos no 6º Fórum Mundial de Ciência (FMC), que ocorreu no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (27) sob o tema “Ciência para o desenvolvimento sustentável”, concordam que um dos caminhos é por meio da redução das iniquidades em áreas como saúde e educação.
“Precisamos compartilhar o conhecimento científico”, defendeu o geneticista inglês John Burn, professor de genética clínica na Newcastle University, no Reino Unido, e um dos colaboradores do consórcio do Projeto Varioma Humano, iniciativa global criada em 2006, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que visa à redução de doenças de origem genética por meio do compartilhamento de dados sobre alterações genômicas.
“O sequenciamento do genoma humano nos permitiu dar respostas. Conhecemos inteiramente o DNA do homem, mas isso não é a solução. É preciso saber como interpretá-lo. Todos nós carregamos uma mutação genética, mas o importante é saber quantas variações podem levar a doenças. Se todos compartilharem essa informação, podemos reduzir em muito o risco de doenças”, afirmou o cientista, que em 2009 foi condecorado com o título de Sir pelos serviços prestados à Medicina.
Burn salientou o quanto a ciência tem se tornado cada vez mais inclusiva, citando como exemplo o teste de sequenciamento genético. “Há dez anos, quem podia fazer o seu mapeamento genético? A tecnologia de um teste de DNA custava US$ 100 mil. Hoje custa cerca de US$ 5 mil”, observou.
Burn lembrou o quanto o teste genético se tornou popular após ter permitido à atriz Angelina Jolie se livrar do risco de desenvolver um câncer de mama com uma mastectomia, depois da descoberta de uma mutação genética hereditária no gene BRCA1. Mulheres com mutação neste gene têm um risco de 55% a 85% de ter câncer de mama. Com a cirurgia, o risco de a atriz desenvolver a doença caiu para 5%.
“Angelina Jolie prestou um grande serviço. Mas a mutação que ela apresentava era conhecida e, portanto, mais fácil de ser detectada. No entanto, temos que reconhecer que todas as pessoas são diferentes, daí a importância do compartilhamento de informações. Sobretudo para o Brasil, país de etnias tão diferentes”, disse Burn.
“Recentemente, tivemos conhecimento de que uma em cada 300 mulheres do sul do Brasil carregavam a mutação R337H no gene p53, responsável por um em cada 12 casos de câncer de mama. Tal informação pode ser importante para mulheres do outro lado do mundo. Compartilhar o conhecimento pode salvar vidas”, disse o geneticista.
No projeto Varioma Humano (HVP) a informação é coletada da literatura, dos laboratórios ou dos registros dos pacientes e compartilhada para todo o mundo. Com sede em Melbourne (Austrália), fazem parte do HVP 18 países e o consórcio conta com a colaboração de 1.200 membros em todo o mundo. O Brasil não faz parte do consórcio.
Saída pelo capital humano
Se a genética tem se mostrado um instrumento de eliminação de desigualdades, no Brasil os avanços no campo da educação podem ser relacionados à crescente inclusão social, afirmou o economista Ricardo Paes de Barros, secretário de assuntos estratégicos da Presidência da República.
“O progresso na educação brasileira, aliado ao aumento de renda da população, é o que tem nos permitido reduzir as iniquidades sociais”, disse Paes de Barros, em sua apresentação no FMC.
Ainda há, no entanto, segundo ele, muitos desafios a serem superados. “Embora a renda atual tenha aumentado aproximadamente 30% em relação a 2003, o país ainda enfrenta problemas relacionados à produtividade. E como podemos ter um país onde os salários aumentam mais que a produtividade?”, questionou.
Diferentemente do representante brasileiro, a economista chinesa Linxiu Zhang, vice-diretora do Centro Chinês para Políticas de Agricultura, assumiu que as desigualdades na China – país que forma com o Brasil, a Rússia, a Índia e a África do Sul o bloco conhecido como Brics – persistem. “Ainda falta alcançarmos a equidade no que diz respeito ao capital humano, ou seja, em relação à educação e à saúde”, disse Zhang.
“Em dez anos, nossa renda aumentou somente 10% e apenas 40% dos alunos do ensino médio de áreas rurais vão para a universidade. Nossos estudos também mostram que 40% dos alunos não completam nem sequer o ensino médio”, afirmou.
De acordo com a economista, “diferentemente de países que, com sucesso, conseguiram alcançar o status do crescimento com equidade – como Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Irlanda, Nova Zelândia –, a China segue os passos de países que alcançaram o crescimento com alto nível de desigualdades – como a Argentina (nos anos 1950), Venezuela, Brasil e Chile (nos anos 1960/1970) e o México de hoje em dia”.
Outro tema abordado na mesa da qual participaram John Burn, Ricardo Paes de Barros e Linxiu Zhang foi a relação entre o aumento populacional e a desigualdade social. Os cientistas discutiram se o tratamento igualitário na solução do problema é que vai produzir a igualdade entre as pessoas ou se é o tratamento diferenciado do problema que vai fazer chegar à solução das desigualdades sociais. Os cientistas apostam na segunda alternativa.
“Depende de qual país estamos falando. A taxa de fecundidade no Brasil está em constante declínio e já se encontra abaixo do nível de reposição. Ou seja, em alguns anos seremos um país de idosos. Então, dependendo do país, há de se desenvolver políticas de redução ou de aumento populacional”, afirmou Barros.
“O tratamento para cada família deve ser diferente, porque elas têm necessidades diferentes”, avaliou Zhang.
O Fórum Mundial de Ciência 2013 é organizado pela Academia de Ciências da Hungria em parceria com a Unesco, o International Council for Science (ICSU), a Academy of Sciences for the Developing World (Twas), a European Academies Science Advisory Council (Easac), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a American Association for the Advancement of Science (AAAS), com a missão de promover o debate entre a comunidade científica e a sociedade.
Mais informações: www.sciforum.hu
* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

A base de todas as reinvindicações: educação


Muito se tem discutido a respeito do futuro das manifestações iniciadas em junho com a cobrança de melhores e mais baratos transportes públicos no Brasil.  Na época, muitos afirmaram que aquilo tudo não tinha consistência e acabaria em breve.

Quatro meses depois, Black Blocs nas ruas, quebradeiras, alguns desvios de conduta aqui e ali e muita transgressão por parte dos vários aparatos de segurança estatal, o que vemos é que os movimentos estão ganhando consistência e voltando a ganhar o apoio da população com a adesão a campanhas específicas e pautas mais objetivas.

E no dia de hoje, 15 de outubro, não poderíamos esquecer do dia do Mestre, uma das profissões mais aviltadas e desprestigiadas de nosso pobre país, dizendo presente à manifestação de logo mais na Cinelândia.

É bom lembrar que desde a época nada saudosa da ditadura militar, a educação vem sofrendo um desmonte sem precedentes, deixando de ser um bem imaterial de nossa Nação para ser um produto mercantilizado país afora e acessível apenas aos mais abastados. 

E os números não mentem. Ainda temos 13 milhões de analfabetos e grande chance de perdermos nosso bônus demográfico, que é o momento em que o país tem por um período longo (15/20 anos), mais jovens do que idosos. 

Mas a verdade é outra e os reflexos já começamos a sentir e estão presentes nas estatísticas desesperadoras de empresas que necessitam de profissionais qualificados e não os encontram.  A bem da verdade, é importante frisar que nenhum governo pós militares no poder, conseguiu impor outro modelo de educação no Brasil.

Todos, sem exceção, a meu ver, erraram no foco até agora, pois insistem em olhar para o último degrau da cadeia -o ensino superior-, que é importante, sem dúvida, esquecendo-se da base, o ensino fundamental, geralmente de péssima qualidade, quando deveria ser universal, do Oiapoque ao Chuí.  Isso sem falar na eterna falta de condições de trabalho dos profissionais da área, onde falta treinamento, qualificação e lógico, salário. 

Quando o assunto é educação ou saúde, lembro sempre de uma viagem que fiz a Cuba.  Ali ouvi uma frase de um professor que jamais me saiu da cabeça: uma das conquistas de nossa revolução, e disso não abrimos mão, foi educação e saúde de qualidade para “TODOS”.  Perguntei, então, quanto ganhava um professor lá e ele me respondeu sem titubear que as duas profissões mais importantes no país eram justamente professor e médico.  Mais, disse, ainda, que a diferença entre o profissional mais bem remunerado e o pior, era de apenas 5 vezes.

Saí do papo incrédulo e convencido de que se queremos ser verdadeiramente um “PAÌS”, nossos esforços devem se concentrar, de verdade, nesse quesito.


Abraços sustentáveis e parabéns professores.  Vocês são nossos heróis!