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sábado, 29 de outubro de 2016

Quem paga pelo assassinato de mulheres?

 Vítimas e parente de mulheres vítimas de feminicídio reclamam ações de Estados e sociedades latino-americanas. Foto: Juan Monseinco/IPS

Vítimas e parente de mulheres vítimas de feminicídio reclamam ações de Estados e sociedades latino-americanas. Foto: Juan Monseinco/IPS
Globalmente, a impunidade é um elemento comum na perpetuação da violência e discriminação contra as mulheres.

A ONU Mulheres está profundamente preocupada pela brutal violência sexual e pelo assassinato de mulheres e meninas recentemente registrados na Argentina e que repercutem em toda a América Latina, e além. Esta é uma forma de terror íntimo que foi normalizada em sua magnitude e pela aceitação de sua inevitabilidade em algumas partes. Mas isso não é normal e não pode continuar.
Além dos custos pessoais inaceitáveis, revelam-se profundas e prejudiciais falhas da sociedade que ultimamente tem um alto custo na perda de progresso em cada país. Unimos vozes a todos que dizem “nem uma a menos” e pedimos ações urgentes em todos os níveis, desde os governos até as pessoas, que impulsionem mudanças para prevenir que não haja mais um único assassinato. A violência contra as mulheres e as meninas deve parar.
Primeiramente, o recente caso de feminicídio de uma adolescente na Argentina e o assassinato de uma menina de nove anos no Chile não devem ficar sem castigo. Globalmente, a impunidade é um elemento comum na perpetuação da violência e discriminação contra as mulheres. Se os homens podem tratar as mulheres tão mal quanto queiram com pouca ou nenhuma consequência, isso nega todos os esforços para construir um mundo que seja seguro para as mulheres e as meninas e no qual elas possam florescer.
Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: Devra Berkowitz/ONU
Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres. Foto: Devra Berkowitz/ONU
Cerca de 60 mil mulheres e meninas são assassinadas a cada ano no mundo, com frequência e em uma escalada de violência doméstica. Estudos nacionais realizados na África do Sul e no Brasil estimam que a cada seis horas uma mulher é morta por seu companheiro íntimo. O lar não é um abrigo e é arriscado para as mulheres denunciarem seus agressores.
Sair de casa também implica perigos. Estudos recentes realizados no Brasil indicam que 85% das mulheres têm medo de sair na rua. Em Port Moresby, em Papua-Nova Guiné, cerca de 90% das mulheres e meninas sofrem alguma forma de violência sexual quando utilizam o transporte público.
Como comunidade internacional, articulamos fortemente um espaço próprio para uma população pujante de mulheres e meninas, e as múltiplas formas em que isso é melhor para todos. Desde a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada em setembro de 2015, até a Nova Agenda Urbana adotada este mês em Quito, está claro que precisamos acabar com a violência e prevenir a sua repetição.
Isso exige leis, políticas públicas, cidades seguras, transporte público, melhores serviços e o compromisso de homens e meninos na construção de uma cultura que acabe com todas as formas de discriminação contra mulheres e meninas e que termine com o feminicídio. A mudança deve ocorrer em muitos níveis, tanto nas estruturas culturais como físicas de nossas sociedades. Trabalhamos de perto com a sociedade civil e o movimento feminista, que são atores importantes na denúncia da violência, impulsionando a mudança de políticas e propondo soluções.
Para obter mais informação e apoiar o fim da impunidade,desenvolvemos, junto com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (IACNUDH), um modelo de protocolo que permite investigaradequadamente esse tipo de crime para acabar com a impunidade, além de identificar as brechas na cadeia de investigação para conseguir prevenir os feminicídios.
Vamos usá-lo inicialmente para a investigação de feminicídios na América Latina, onde o número de países com altas taxas de feminicídio está crescendo. Estamos alinhadas com a Relatora Especial das Nações Unidas para a Violência Contra as Mulheres, que chamou pela criação de um observatório global de feminicídios, com um painel interdisciplinar de especialistas para coletar e analisar dados sobre esses assassinatos,suas causas e suas consequências.
Existem alguns progressos animadores: na América Latina, 16 países (quase metade da região) adotaram legislação para garantir que o feminicídio seja adequadamente investigado e punido.Isso deve ser uma tendência global. Não é responsabilidade de um único setor, mas um esforço coletivo e coordenado.
Exortamos os governos a reconhecerem a magnitude e as implicações da violência contra mulheres e meninas, e se comprometam em recolher dados com os quais se possa quantificá-la, e não apenas fornecer serviços para as sobreviventes e vítimas, mas incrementar substancialmente uma forte ação judicial para conseguir o fechamento de casos com as respectivas condenações, além de esforços construtivos e criativos para prevenir e castigar todos os crimes violentos contra mulheres e meninas.
Em nível mundial, no ano passado subscrevemos o objetivo de igualdade de gênero e eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e meninas. Conseguir isso não é apenas o fim de uma terrível violação dos direitos humanos, mas a chave para a construção de um mundo melhor e mais igual – um planeta 50-50. Envolverde/IPS
*Este é um artigo de opinião de Phumzile Mlambo-Ngcuka, secretária-geral adjunta das Nações Unidas e diretora executiva da ONU Mulheres.
Envolverde\Utopia Sustentável

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O clima bate à porta, já é hora de mudar


Na mesma semana em que o mundo se reunia no Rio de Janeiro, na Olimpíada 2016, registrava-se (cdn.com.br) o Dia da Sobrecarga da Terra (8/8), quando se calculou que em pouco mais de sete meses deste ano esgotamos os recursos naturais suficientes para atender às necessidades de consumo de todo o mundo em 12 meses. E, mais complicado, evidenciou-se que a cada ano esse esgotamento se dá mais cedo (em 2015 foi no dia 13 de agosto). Feito pela Global Footprint Network, com dados da ONU, da Organização Mundial do Comércio e dos países, o cálculo avalia a “pegada ambiental global” e diz que precisaríamos de 1,6 planeta Terra para suprir o consumo de hoje no planeta e atender ao crescimento da população, confrontados com a capacidade da natureza de prover recursos e reciclar organicamente os resíduos.
Desde 2000 a sobrecarga de recursos usados dobrou. Mas foi possível também ver que isso já vinha desde 1970 – começou a ocorrer no dia 23 de dezembro e a cada ano era mais cedo, com poucas exceções. Para reverter o processo será preciso reduzir as emissões de carbono em 30% sobre os níveis atuais, conforme estabelecido na Conferência do Clima da ONU. Além de baixar o consumo, será indispensável reduzir o desperdício de energia elétrica, de carne e os transportes movidos a combustíveis fósseis, entre outros itens.
Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (geodireito.com, 31/7) aponta a “exploração predatória” da Terra, a retirada triplicada da biomassa nas últimas quatro décadas, a extração de minerais, o uso de combustíveis fósseis como algumas das causas mais graves desse problema. Um brasileiro, em média, consome recursos 1,8 vezes mais do que o planeta pode oferecer; um norte-americano, 4,8 vezes mais; um australiano, 5,4 vezes.
Tratar de temas como esses costuma levar muitas pessoas a chamar de “profetas do apocalipse” ou coisas assim cientistas que fazem advertências. Mas não há como fugir. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU), por exemplo, adverte (2/8 ) que mudanças climáticas já ameaçam a segurança alimentar na América Latina e no Caribe. Estudo da Cepal afirma que o setor agrícola é a atividade mais afetada pelas mudanças, pois responde por 5% do produto bruto e 23% das exportações regionais, ao mesmo tempo que emprega 16% da população ocupada. O Noroeste brasileiro será uma das regiões mais afetadas.
Como avançar, nesse cenário, com a erradicação da fome, que exigirá maior produção de alimentos? E sabendo que as mudanças climáticas aumentarão tanto a seca como o volume de chuvas? Como enfrentar esse quadro se o último balanço (SBPC na ECO 21, maio de 2016) adverte que as emissões brasileiras de dióxido de carbono aumentaram de 2,1 bilhões de toneladas anuais (2005) para 2,73 bilhões de toneladas, embora o compromisso nacional seja de reduzi-las em 37% até 2025 e até 43% em 2030, sobre os números de 2005?
Será necessário um conjunto de soluções. O Jornal Dia de Campo (5/7), por exemplo, assegura que o plantio direto na agricultura “mitiga a emissão de gases do efeito estufa”, conforme estudo da Embrapa Cerrados desde 2001, divulgado pela Nature/Scientific Reports. Os estoques de carbono no solo nesse sistema de plantio podem equiparar-se no longo prazo aos valores originários em solos do Cerrado nativo. Além disso, o acúmulo de carbono promove aumento da qualidade do solo dos pontos de vista químico, físico e biológico. A acumulação de carbono no solo entre 11 e 14 anos variou entre 1,48 e 1,61 megagramas por hectare/ano. Essa é uma tarefa que precisa ser considerada prioritária pelos governos em toda parte no País.
Outro estudo, divulgado por Rita Silva (avivcomunicacao, 26/7), lembra que estão entre as maiores ameaças ao clima planetário os “gases que usamos para nos refrescar”, conhecidos como hidrofluorcarbonetos, ou HFCs, “mais poderosos para o aquecimento da Terra que o dióxido de carbono”. Um desses gases, o HFC-134a, permanece 13,4 anos na atmosfera e leva a um aquecimento 1.300 vezes maior que o do dióxido de carbono ao longo de cem anos. Esses gases estão em aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e aerossóis. No ritmo atual, em 2015 os HFCs poderão contribuir com até 10% das emissões globais dos gases do efeito estufa. Desde 1990, o uso deles aumentou 258%.
A esperança é que em reunião a ser realizada em Ruanda, em outubro, se chegue a acordo entre os países para reduzir o uso dos HFCs e o aquecimento global em O,5% até o final do século. Até já existem alternativas para esses gases, como o propano, que pode ser usado em pequenos aparelhos de ar-condicionado. Quase cem países em desenvolvimento querem sustar o nível de crescimento dos HFCs em 2021. O custo total para eliminá-los estaria entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em três décadas – ou 8 a 10 centavos de dólar por tonelada de dióxido de carbono equivalente.
O Centro de Estudos em Sustentabilidade, da Fundação Getúlio Vargas, está divulgando nestes dias os inventários de emissão de gases do efeito estufa no Brasil em 2015, por 136 organizações membros – um “primeiro passo para a transição para a economia de baixo carbono, fruto do Acordo de Paris”.
A urgência de mudanças nessa área é exemplificada por Ana Lúcia Azevedo (9/4) com a Chapada Diamantina, “conhecida como a Caixa d’Água da Bahia” (80% dos rios do Estado nascem ali e fornecem água inclusive para 60% dos habitantes de Salvador). Mas a água escasseia por lá, “à medida que se concretizam previsões sobre o impacto das mudanças climáticas na região”. Ou em várias partes da Amazônia.
São alguns dos casos mais em evidência na área do clima no País, que estão acontecendo em todas as regiões. Cuidemo-nos para evitar quadros piores. Informações e advertências não faltam. (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde/Utopia Sustentável)
Washington Novaes é jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).

terça-feira, 7 de junho de 2016

Informação ambiental: você pagaria para ver/ouvir/ler?

O jornalismo Ambiental e a Educação Ambiental formam uma dupla fundamental para a percepção da sociedade sobre as principais demandas de transformação impostas pelos limites da natureza, são duas áreas que precisam de apoio.

A década de 1970 colocou o Meio Ambiente na pauta de conferencistas, governantes, movimentos sociais, empresários e jornalistas. Até então, imaginava-se que os recursos naturais eram inesgotáveis; a palavra “crise” era associada apenas à economia, e maluco seria quem dissesse que o país com 12% da reserva de água doce do planeta passaria, um dia, por uma escassez hídrica em seu estado mais populoso. Entretanto, a sociedade tem se conscientizado e, hoje, defender as causas ambientais não é mais coisa de “ecochato”, tornou-se responsabilidade de todos, muito graças ao Jornalismo Ambiental – mesmo com sua trajetória ainda em construção.
A promoção de ações de sensibilização ou conservação ecológica que, até pouco tempo atrás, espremiam-se nesta semana, agora acontecem o ano inteiro, e a cada novo Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho – sentimos a proximidade de sociedades mais sustentáveis. Essa data foi escolhida para coincidir com a da realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, na capital da Suécia, em 1972.
Segundo a Declaração de Estocolmo, “a proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de todo o mundo e um dever de todos os governos”. “Literalmente, a conferência iniciou um processo de transformação social em favor da natureza”, observa a educadora ambiental, Ana Lúcia Maestrello.
A Semana do Meio Ambiente, além de 5 de junho, conta com o Dia Nacional da Educação Ambiental – 03/06 -, a data foi estabelecida com a Lei 12633, em referência à abertura de outra conferência da ONU, a Rio-92. “A reunião de representantes de vários países no Brasil para discutir a problemática ecológica fez com que a Educação Ambiental e a Comunicação Socioambiental não fossem mais encaradas como assuntos da contracultura, pelo contrário, passaram a despertar o interesse público, especialmente por meio da mídia”, destaca a diretora da Maestrello Consultoria Linguística.
E esse evento veio em boa hora: de acordo com informações reveladas pela terceira publicação da série do Instituto de Estudos da Religião (Iser) “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável” – única base de dados nesta temática no Brasil que possui uma série histórica -, em 1992, quase metade da população não era capaz de identificar um problema ambiental na sua cidade ou no país.
Jornalismo Ambiental
Porém, o cenário mudou com a informação socioambiental passando a ser considerada como assunto de interesse O Ecopúblico, na opinião dos jornalistas ambientais entrevistados pelo Blog da Maestrello para esta reportagem especial. “A democratização da informação ambiental, para mim, hoje parece irreversível graças às políticas públicas de acesso à informação e às tecnologias de monitoramento das transformações do meio ambiente. Um caso bastante notório no Brasil é a taxa anual de desmatamento, medida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde 1988. No entanto, o acesso à informação por si só não garante entendimento dos problemas e questões existentes. Por esta razão, o trabalho de jornalistas e comunicadores especializados ou dedicados à questão ambiental é essencial para que os direitos ao ambiente saudável e à proteção dos ecossistemas sejam, de fato, exercidos”, comenta o coordenador do projeto InfoAmazônia, Gustavo Faleiros.
“O jornalismo ambiental contribui para informar, analisar e refletir sobre os inúmeros impactos ambientais causados em nosso cotidiano. Dessa maneira, a sociedade pode se inteirar, interferir e buscar seus direitos na busca por cidades e um mundo mais sustentáveis. Como esses temas nem sempre são abordados com profundidade pela imprensa tradicional, o jornalismo especializado tentaReinaldo Canto compensar essa lacuna”, diz o jornalista Reinaldo Canto, especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente, também professor de Gestão Ambiental.
Pesquisador na área de Jornalismo Ambiental, o jornalista Wilson Bueno reconhece que a problemática ecológica envolve temas complexos, multi e interdisciplinares, que nem sempre são de fácil compreensão pelo cidadão comum. “Tendo em vista a importância do conhecimento ambiental para a interpretação do mundo em que vivemos e para subsidiar políticas públicas, é indispensável um esforço coletivo para a democratização da informação ambiental. Cidadãos conscientes da relação abrangente entre cultura, sociedade, economia, política e meio ambiente contribuem para a construção de sociedades efetivamente sustentáveis, com a adoção de práticas saudáveis e comprometidas com a relação harmônica entre o homem e a natureza. E o jornalismo ambiental tem um papel fundamental neste processo de democratização e precisa ser exercido com competência e coragem, porque há interesses de toda ordem (políticos e econômicos, sobretudo) que se antepõem a este esforço de democratização da informação ambiental”, reforça o educador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).Wilson Bueno
“Corporações poderosas e governos omissos têm favorecido a destruição e o desperdício dos recursos naturais, a degradação das culturas e do saber tradicional, além da prevalência do interesse econômico e empresarial. A democratização da informação ambiental é vital para a reafirmação da cidadania, dos direitos humanos, da igualdade social e para a própria sobrevivência da sociedade moderna. O conhecimento da problemática ambiental representa, pois, uma etapa importante para o processo de mobilização em prol da construção de uma sociedade sustentável e, portanto, responsável, justa e democrática”, complementa o professor Bueno.
Para ressaltar a importância dos comunicadores sociais na disseminação do conhecimento socioambiental, o fundador do Instituto Envolverde, Dal Marcondes, lembra das riquezas encontradas nas terras tupiniquins. “O Brasil é um dos países Dal Marcondesdo mundo onde o termo Meio Ambiente tem mais significados. Dono de seis importantes biomas e com pouco mais da metade de seu território dentro da Amazônia, o país tem, também, quase 7,5 mil quilômetros de litoral e alguns dos rios mais caudalosos do mundo. Só isso já seria muito, mas, além disso, o Brasil é hoje um dos mais fortes produtores de commodities agropecuárias e minerais do planeta. Com uma população de 200,4 milhões de pessoas, algumas centenas de etnias indígenas, 5570 municípios e 69 regiões metropolitanas reconhecidas, nosso país tem questões ambientais urgentes que vão desde o abastecimento de água e saneamento básico, poluição urbana, coleta e tratamento de resíduos, até preservação florestal e ordenamento da pesca em oceano e rios. No entanto, se fosse eleger um problema que deve ser atacado de frente, e que ajudaria em muitos outros, é a gestão de resíduos e saneamento básico. Lixo e esgoto são os males do Brasil, como diria Macunaíma [índio representante do povo brasileiro, da obra de Mário de Andrade, que leva o nome do anti-herói]”, recorda o diretor executivo do site de Jornalismo e Sustentabilidade.
Construindo redes
“O conhecimento é o poder fundamental a ser distribuído numa democracia. E, em tempos de crise ambiental planetária, torna-se fundamental conhecer as relações humanas com a natureza mais-que-humana (porque ela nos inclui). Neste século desafiador, o jornalista ambiental tem o papel-chave de costurar informações políticas, econômicas, culturais e naturais, ligando os pontos para produzir o conhecimento sobre o nosso contexto inexorável de Vida. E dando base que a sociedade escolha rumos mais resilientes. Portanto, em pleno 2016, não podemos mais Ana Carolinaconsiderar a informação ambiental como apenas aquela que fala a um nicho de especialistas sobre a fauna e a flora. Ora, informação ambiental é toda aquela que traz o contexto natural e suas condicionantes para a Vida. Ambiente é contexto. E informação sem contexto não produz conhecimento”, pontua a jornalista Ana Carolina Amaral, mestra em Ciências Holísticas pelo Schumacher College e secretária executiva da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA).
O editor do Programa Terra da Gente, Valdemar Sibinelli, também aponta que, em tempos de muita informação e pouca conscientização, o jornalismo é desafiado a transformar as pessoas para que se construa, de forma permanente, uma sociedade sustentável. “As informações são muitas, mas, às vezes, ineficazes. Ou pecam no conteúdo – nem sempre correto ou substancioso – ou na forma, muitas vezes desinteressante para o público-alvo. Apesar de a matéria-prima já ter alguns milhões de anos, desde que o Homo sapiens começou a povoar a Terra, ainda temos muito a aprender sobre as relações do homem com a natureza. Entender é o primeiro e essencial requisito para ser entendido – e isto serve, neste contexto, especialmente para os jornalistas ambientais”, afirma o colaborador da EPTV, emissora filiada à Rede Globo.
“A forma de transmissão de informação, pelos vários meios de comunicação, não seduz quem mais está disposto a mudanças, os jovens e as crianças. Menos tom professoral e mais ritmo de internet é o que quer a nova geração. Por sua vez, se a transmissão da informação não é tão simples quanto possa parecer em tempos de comunicação de massa instantânea, dá para imaginar a dificuldade maior que é levar o leitor/ouvinte/telespectador/internauta à reflexão e à ação. “Se uma pessoa não se dispõe a parar de desperdiçar água mesmo já sentindo a falta dela, por que se preocuparia com o perigo de a temperatura da Terra subir 2°C antes de 2100? Menos mal que o jornalista é só um dos atores desta conscientização ambiental, que deve ser preocupação rotineira nas famílias, escolas, igrejas, órgãos públicos, privados e do terceiro setor. Primeiro, muda-se o homem, e o homem muda a sociedade”, continua Sibinelli.
Vilmar BernaHomenageado pela ONU com o Prêmio Global 500 de Meio Ambiente, em 1999, o editor da Revista do Meio Ambiente, Vilmar Berna, enfatiza que a democratização da informação ambiental é uma causa. “As escolhas que fazemos em nossas vidas, seja nos hábitos de consumo, seja de cidadania e eleitorais, dependem das informações que recebemos, dos valores que abraçamos, de nossos sonhos, ideias, da exata compreensão do contexto em que nos situamos e podemos influir. Sem uma democratização da informação socioambiental, de qualidade, não manipulada pelo marketing mentiroso, em quantidade suficiente, dificilmente a sociedade conseguirá mudar suas escolhas. Não é por acaso que a mídia ambiental vem perdendo patrocínios e os jornalistas ambientais postos de trabalho. Uma boa maioria da sociedade – e mesmo os seus representantes políticos – precisa de mais informação ambiental, mas não se dispõe a pagar por ela, ou financiá-la, por que é uma informação que fala verdades inconvenientes, em vez de mentiras confortáveis. Mais que uma questão profissional ou comercial, a democratização da informação socioambiental é uma causa, uma bandeira, uma missão, onde poucos davis enfrentam gigantes golias, uma pequena e aguerrida resistência que sobrou a este modelo predatório e injusto, uma pequena esperança de que ainda poderá haver um futuro para a nossa espécie neste planeta, se formos capazes de ajudar a cidadania a despertar de seus sonhos de consumo e se fortalecer na luta contra os golias do atraso”, alega Berna, que, para não ficar só no discurso, fundou a Rede Brasileira de InformaçãoSantilliAmbiental (Rebia).
Contudo, sustentabilidade não é obra que se acabe. Como o próprio mundo, está sempre em construção. Ou, como a
agricultura, em eterno ciclo de renovação. “O importante é o jornalista, evangelicamente, sair a semear a boa semente. Sempre haverá uma terra boa onde ela frutificará”, conclui Sibinelli, ex-editor da Revista Terra da Gente, que deixou de circular por falta de recursos financeiros e para se dedicar mais ao público internauta, em seu portal.
E você, leitor do nosso blog, vai esperar para ver outro veículo de comunicação socioambiental morrer ou irá colaborar para que nasçam outras mídias focadas na sustentabilidade do planeta? Reflita…
Juan Piva/Envolverde/Utopia Sustentável

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Campanha convida cidadãos a propor soluções para nova agenda urbana da ONU


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O equilíbrio entre áreas verdes e construídas é um dos elementos fundamentais da nova agenda urbana. Na foto, Edmonton, Canadá. Foto: Pixabay/tpsdave (cc)
O equilíbrio entre áreas verdes e construídas é um dos elementos fundamentais da nova agenda urbana. Na foto, Edmonton, Canadá. Foto: Pixabay/tpsdave (cc)
Sugestões feitas por parceiros não governamentais que se direcionem a desafios urbanos contribuirão para documento fundamental para a Conferência Habitat III.

Caminhando na direção da Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III), e no âmbito da Nova Agenda Urbana da ONU, a Campanha Mundial Urbana convida parceiros a apresentarem suas soluções urbanas, com as informações principais da proposta.
Soluções urbanas são sugestões de iniciativas, políticas, legislações e modelos que dão respostas a desafios urbanos. As propostas aplicadas, após aprovadas, contribuirão para a Cidade Que Precisamos 2.0, que é um documento-chave da Campanha Mundial Urbana para a Conferência Habitat III, que acontecerá em outubro, em Quito.
Após preenchido o documento, este deve ser enviado via e-mail (wuc@unhabitat.org) até o dia 15 de fevereiro. As sugestões serão publicadas no site da Campanha Mundial Urbana e revisadas pelo Comitê de Redação do A Cidade que Precisamos.
A Campanha Urbana Mundial é uma plataforma de sensibilização e parcerias para divulgar mudanças positivas urbanas que permitirão a construção de cidades mais verdes, produtivas, seguras, inclusivas e bem planejadas. A iniciativa é coordenada pelo Programa da ONU para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) junto a 136 parceiros e redes de todo o mundo. (ONU Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O solo que desaparece debaixo dos nossos pés


Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

É muito inquietante estudo publicado há poucas semanas (10/10) pela conceituada revista New Scientist segundo o qual um terço dos solos superficiais do planeta está “ameaçado de extinção”. Em dezembro próximo será publicado pela ONU, neste Ano Internacional dos Solos, um relatório sobre essa situação dramática. Ele dirá que estamos perdendo solos à razão de 30 campos de futebol (30 hectares) por minuto – ou 1.800 campos por hora, 42 mil por dia. Se não baixarmos essa perda, todos os solos agricultáveis do mundo estarão inviáveis para a agricultura em 60 anos. E como a agricultura provê 95% dos alimentos, além de contribuir por outros ângulos para a sobrevivência humana, as dimensões do problema serão gigantescas. É a maior ameaça ao ser humano, segundo Peter Groffman, especialista em estudos do solo no Cary Institute of Ecosystem Studies, em Nova York.
Groffman acha que a degradação dos solos é um “desastre em câmera lenta”. Porque um grama de solo pode conter até 100 milhões de bactérias, 10 milhões de vírus, 1.000 fungos e outras populações em meio a plantas que se decompõem. O solo não só nutre ou faz crescer nossos alimentos, como é a fonte de quase todos os antibióticos que existem – pode ser nossa maior esperança na luta contra bactérias resistentes a antibióticos. O solo é ainda o maior repositório de carbono – três vezes mais que a atmosfera – vital, portanto, na área do clima. E sofre porque os humanos não lhe devolvem partes não consumidas de colheitas, que deveriam ajudá-lo a repor nutrientes.
Sabendo disso, é penoso trafegar entre números divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU), quando diz (5/11) que cerca de 50% dos solos na América Latina e no Caribe sofrem com deficiência de nutrientes; a degradação afeta até metade do território de alguns países dessas áreas, com 150 milhões de pessoas. No total, 14% dos territórios, principalmente com erosão. Isso impedirá que se cumpra o objetivo de erradicar a fome nessas partes do continente até 2025. Agora, aprovou-se na Aliança Sul-Americana pelo Solo um plano para uso e manejo sustentável do solo, capaz até mesmo de ajudar na área de mudanças climáticas.
Alguns dos caminhos propostos pela Aliança para a área amazônica incluem a fiscalização sobre o uso da terra, sobre a contaminação dos solos em zonas dedicadas às atividades da extração de petróleo e sobre mudanças no uso do solo para ampliar a fronteira agrícola. Na área do clima, impedir que certos usos do solo impeçam a armazenagem de carbono.
Todas essas informações vêm no momento em que acaba de se realizar em Ancara, na Turquia, mais uma reunião – que passou praticamente despercebida na comunicação brasileira – da Convenção de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas. Representantes de 192 países estavam lá, discutindo caminhos para impedir a desertificação. E tomando conhecimento de soluções úteis, como as cisternas de placa e as microbarragens para armazenamento de água na temporada das chuvas e seu uso durante a estiagem – como se tem feito no Semiárido brasileiro (mais de 1,3 milhão de cisternas já entregues) e tem sido comentado neste espaço.
Felizmente, alguns outros passos têm sido dados, como os de recuperação de nascentes no Estado de São Paulo, acoplada à recuperação de vegetação, buscando compatibilizá-la com a produção agrícola, a readequação de estradas rurais e a conservação do solo. O primeiro projeto é realizado na cidade paulista de Holambra, onde 101 propriedades rurais poderão regenerar a vegetação nativa e o entorno de 170 nascentes e matas ciliares, além de recuperar áreas degradadas e instalar sistemas para captar e armazenar água das chuvas.
Todas essas coisas, porém, ocorrem simultaneamente com tentativas em curso de aprovar no Brasil legislação para uso de produtos transgênicos – na mesma hora em que a União Europeia – incluindo Alemanha, França, Itália, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte (ao todo, 19 países) – acaba de decidir a proibição do plantio de alimentos geneticamente modificados (New Scientist, 10/10), inclusive pelos problemas no solo.
No nosso Congresso, que já autorizou a retirada do símbolo de alimento transgênico do rótulo de produtos que o contenham, a bancada ruralista tenta agora (eco-finanças, 13/11) aprovar projeto (PL 1.117/15) que modifica a Lei de Biossegurança e transforme o Brasil no primeiro país a legislar em favor do cultivo comercial de plantas propositalmente estéreis – afrouxando, assim, a proibição às chamadas sementes Terminator e representando uma ameaça à biodiversidade local. Essas sementes se tornam estéreis a partir da segunda geração, inclusive em plantações de cana-de-açúcar e eucalipto – após autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Têm sido fortes as críticas de ambientalistas a esse projeto, no Brasil e fora, bem como à possibilidade de contaminação, até na Amazônia, negada pelos defensores desse caminho. Um dos críticos diz que “essas sementes poderão provocar um armagedon na agricultura brasileira” – com os pequenos agricultores impossibilitados de guardar sementes para o plantio seguinte e vendo os custos nessa área passarem a cada ano de R$ 162 milhões para R$ 1,17 bilhão (com a multiplicação dos lucros do cartel de empresas que domina a comercialização das sementes).
Seja como for, é mais uma área em que tudo se discute e decide sem atenção maior ao ângulo da conservação do solo – crucial no mundo. O estudo publicado pela New Scientist quantifica prejuízos com solo fértil perdido: US$ 44 bilhões com a erosão nos Estados Unidos, 233 milhões de libras no Reino Unido com o solo degradado armazenando menos á água e gerando fluxo menor, e US$ 40 bilhões na África com maior importação de alimentos por causa da produção menor nos solos degradados. Quanto será no Brasil? (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mudanças climáticas e suas consequências já causam milhares de mortes


Doenças associadas à poluição do ar deixaram sete milhões de pessoas mortas em 2012, segundo a OMS. Foto: Banco Mundial / Curt Carnemark
Doenças associadas à poluição do ar deixaram sete milhões de pessoas mortas em 2012, segundo a OMS. Foto: Banco Mundial / Curt Carnemark
Doenças relacionadas à presença de partículas na atmosfera provocaram a morte 7 milhões de pessoas em 2012. Aumento dos preços dos combustíveis poderia reduzir emissões de carbono, cortar pela metade mortes causadas por poluição e gerar 3 trilhões de dólares por ano, mais da metade dos gastos de saúde do planeta.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou nesta terça-feira (17) que as mudanças climáticas já causam milhares de mortes todos os anos, provocadas por fenômenos extremos, enchentes e secas e pela degradação da qualidade do ar, da água e dos alimentos. Segundo a agência da ONU, a situação tende a se agravar, caso os Estados-membros não adotem ações decisivas na Conferência do Clima de Paris, em dezembro.
De acordo com previsões da OMS, as mudanças climáticas poderão provocar, entre 2030 e 2050, 25 mil mortes por ano, associadas a infecções como malária e diarreia, a ondas de calor e a subnutrição. Outro fator preocupante é a poluição do ar. Doenças relacionadas à presença de partículas na atmosfera deixaram 7 milhões de pessoas mortas em 2012. Mulheres, crianças e os mais pobres em países de baixa renda serão os mais afetados no futuro.
Para a OMS, ações de combate às mudanças climáticas, como o investimento em desenvolvimento de baixo carbono e o uso de energias renováveis, trazem ganhos tanto para o meio ambiente, quanto para a saúde de todos. Segundo a agência, intervenções que reduzam as emissões de poluentes como o carbono negro e o metano e que restrinjam as emissões de veículos podem salvar 2,4 milhões de vidas por ano e reduzir em 0,5ºC o aquecimento do planeta até 2050.
A agência também afirmou que a atribuição de preços mais altos para combustíveis poluentes, de modo a compensar impactos de saúde negativos, pode reduzir as emissões de dióxido de carbono em 20% e cortar pela metade o número de mortes causadas pela poluição do ar. As restrições poderiam gerar lucros de 3 trilhões de dólares por ano, valor que representa mais da metade dos gastos de saúde de todos os governos do mundo. (ONU Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

Fundo Climático Verde anuncia início de projetos


Com sete organizações, grupo pretende contribuir com as discussões para a COP21, em Paris. Foto: Divulgação/ Pacto Global
Com sete organizações, grupo pretende contribuir com as discussões para a COP21, em Paris. Foto: Divulgação/ Pacto Global
Com proximidade da Cúpula do Clima da ONU, o Fundo inicia seus projetos para contribuir para que a temperatura do planeta não suba mais que 2ºC.
A junta do Fundo Climático Verde (GCF), às vésperas da Conferência do Clima da ONU em Paris (COP21), anunciou no dia 6 de novembro a arrecadação de 168 milhões de dólares para financiar projetos que beneficiarão ações em países em desenvolvimento.
Segundo os membros do Fundo, essas novas atividades vão gerar 1,3 bilhões de dólares em investimentos nos próximos cinco anos em mitigação e medidas de adaptação. Os oito projetos contemplados se encontram na África, Ásia-Pacífico e América Latina.
O co-presidente da junta do GCF, Gabriel Quijandria Acosta, disse que o financiamento é parte fundamental para o combate a mudanças climáticas, e acelerará o apoio as países que já estão vivenciando os efeitos devastadores do aumento das temperaturas. A diretora executiva do Fundo, Héla Cheikhrouhou, informou que há outros projetos pendentes de aprovação, mas valorou este primeiro passo como um avanço no cumprimento do seu mandato mundial.
O Fundo Climático Verde foi organizado por 194 governos-parte da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC). O objetivo é ajudar a fazer com que a temperatura do planeta suba até, no máximo, 2ºC. (ONU Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

2015: O ano mais quente da história


A agência norte-americana de oceanos e atmosfera (Noaa) confirmou nesta segunda-feira (26) a informação que era alerta no Observatório do Clima: 2015 deve ser o ano mais quente já registrado na história.
A média da temperatura global em setembro foi 0,9 ° C mais alta que a média registrada no século 20. Esta foi a maior temperatura registrada para o mês, superando o recorde de 2014. Também foi o maior aumento acima da média para o mês em todos os 136 anos de registro. O ano de 2015 já tem seis dos 10 meses mais quentes registrados na história: setembro, março, maio, junho, agosto e setembro. Várias cidades brasileiras quebraram neste ano seus recordes históricos de calor, entre elas Manaus, Brasília e Belo Horizonte.
No dia 11 de setembro o gelo do Ártico atingiu também a sua quarta menor extensão desde 1979, com 2,73 milhões de quilômetros quadrados – cerca de 1,19 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média de 1981 a 2010.
Os especialistas têm atribuído a sequência de recordes de temperaturas ao aquecimento global causado pela emissão de gases causadores de efeito estufa. Este ano, além desta tendência de aquecimento devido à atividade humana, o fenômeno El Niño também tem contribuído para as altas temperaturas.
Gráfico da Noaa mostra, em vermelho, regiões que registraram temperaturas mais altas que o normal em setembro de 2015.
noaa
(Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)