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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mudanças climáticas e suas consequências já causam milhares de mortes


Doenças associadas à poluição do ar deixaram sete milhões de pessoas mortas em 2012, segundo a OMS. Foto: Banco Mundial / Curt Carnemark
Doenças associadas à poluição do ar deixaram sete milhões de pessoas mortas em 2012, segundo a OMS. Foto: Banco Mundial / Curt Carnemark
Doenças relacionadas à presença de partículas na atmosfera provocaram a morte 7 milhões de pessoas em 2012. Aumento dos preços dos combustíveis poderia reduzir emissões de carbono, cortar pela metade mortes causadas por poluição e gerar 3 trilhões de dólares por ano, mais da metade dos gastos de saúde do planeta.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou nesta terça-feira (17) que as mudanças climáticas já causam milhares de mortes todos os anos, provocadas por fenômenos extremos, enchentes e secas e pela degradação da qualidade do ar, da água e dos alimentos. Segundo a agência da ONU, a situação tende a se agravar, caso os Estados-membros não adotem ações decisivas na Conferência do Clima de Paris, em dezembro.
De acordo com previsões da OMS, as mudanças climáticas poderão provocar, entre 2030 e 2050, 25 mil mortes por ano, associadas a infecções como malária e diarreia, a ondas de calor e a subnutrição. Outro fator preocupante é a poluição do ar. Doenças relacionadas à presença de partículas na atmosfera deixaram 7 milhões de pessoas mortas em 2012. Mulheres, crianças e os mais pobres em países de baixa renda serão os mais afetados no futuro.
Para a OMS, ações de combate às mudanças climáticas, como o investimento em desenvolvimento de baixo carbono e o uso de energias renováveis, trazem ganhos tanto para o meio ambiente, quanto para a saúde de todos. Segundo a agência, intervenções que reduzam as emissões de poluentes como o carbono negro e o metano e que restrinjam as emissões de veículos podem salvar 2,4 milhões de vidas por ano e reduzir em 0,5ºC o aquecimento do planeta até 2050.
A agência também afirmou que a atribuição de preços mais altos para combustíveis poluentes, de modo a compensar impactos de saúde negativos, pode reduzir as emissões de dióxido de carbono em 20% e cortar pela metade o número de mortes causadas pela poluição do ar. As restrições poderiam gerar lucros de 3 trilhões de dólares por ano, valor que representa mais da metade dos gastos de saúde de todos os governos do mundo. (ONU Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Mudanças climáticas afetarão a saúde de crianças


Família sofre com o rescaldo do furacão Patrícia, na praia de Colima, no México. Foto: Presidencia de La Republica / Fotos Publicas
Família sofre com o rescaldo do furacão Patrícia, na praia de Colima, no México. Foto: Presidencia de La Republica / Fotos Publicas

As mudanças climáticas e o aquecimento global atingirão em cheio a saúde das crianças. É o que diz um parecer da American Academy of Pediatrics, organização de pediatria norte-americana, dirigido para médicos da infância e gestores de políticas públicas.
Intitulado “Mudanças climáticas globais e a saúde das crianças”, o documento lista como ameaças à saúde infantil o aumento da ocorrência de desastres naturais, a elevação do calor, a piora da qualidade do ar e um possível cenário de desabastecimento de comida e água.
Malária, dengue, chikungunya, doença de lyme, diarreia a a meningoencefalite amebiana são algumas das doenças citadas como influenciadas pelo aquecimento.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 88% das doenças atuais atribuídas às mudanças climáticas ocorrem em crianças com menos de 5 anos.
Efeitos da mudança climática
Os diversos efeitos do aquecimento global sobre a saúde foram divididos em três categorias: primários, secundários e terciários.
Eventos climáticos extremos, incluindo tempestades, enchentes e incêndios, por exemplo, são considerados efeitos primários, cuja frequência triplicou nos últimos 40 anos.
“Eventos climáticos extremos colocam a criança em risco de perder ou se separar de seus principais cuidadores, exposição à doenças infecciosas e um alto risco de desenvolver transtornos mentais como stress pós-traumático e depressão”, diz o documento da associação, que reúne 64 mil pediatras nos EUA.
As crianças também serão prejudicadas com o aumento da incidência de eventos climáticos extremos, uma vez que eles são capazes de devastar suas casas, escolas e comunidades.
O relatório também destaca o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor como um efeito negativo das mudanças climáticas na saúde das crianças e adolescentes.
“Crianças abaixo de 1 ano de idade e atletas no Ensino Médio parecem ser particularmente afetados pelo aumento do risco de doenças e mortes relacionadas com o calor intenso”, destaca o documento.
Há uma chance de 90% de que, ao final do século 21, as temperaturas no verão ultrapassem as maiores já registradas em várias regiões do globo, colocando em risco as crianças e suas famílias, explica o relatório, liderado pela médica Samantha Ahdoot.
Entre os chamados efeitos secundários, relacionados com as alterações ambientais nos ecossistemas, estão a qualidade do ar, capaz de exacerbar problemas respiratórios e asma em crianças.
A qualidade do ar pode piorar até o final do século por conta das elevações de temperatura relacionadas com a concentração de ozônio, além do aumento de incêndios e da temporada de alergias influenciadas pela quantidade de pólen presente no ar.
O documento aponta que determinar os efeitos do aquecimento global nas doenças infecciosas é complexo, por conta das contribuições do desenvolvimento econômico, do uso da terra, das mudanças nos ecossistemas, entre outros fatores.
Já é possível, porém, associar o clima mais quente com a expansão da doença de Lyme na América Latina. Outras projeções já dão conta do aumento da incidência de quadros como o da diarréia infantil na Ásia e na África Sub-saariana.
O relatório projeta, por exemplo, que o aquecimento global causará 48 mil mortes de crianças com menos de 15 anos por conta da diarréia até 2030 nessas regiões.
Por outro lado, transformações nas condições para o desenvolvimento agricultura – como a presença de temporadas de calor extremo, aumento da demanda por água e da incidência dos eventos climáticos extremos – afetarão a disponibilidade e o preço dos alimentos, especialmente em regiões mais vulneráveis, nas quais a desnutrição infantil já é uma ameaça.
Existem evidências de menor quantidades de proteína, ferro e zinco em plantações cultivadas em ambientes com mais CO², o que também impacta potencialmente a nutrição infantil.
O aumento no nível do mar, a redução da diversidade biológica na agricultura financeiramente viável, escassez de recursos hídricos, fome, imigrações em massa, redução da estabilidade global e potenciais aumentos de conflitos violentos estão entre os efeitos terciários das mudanças climáticas.
Tais alterações serão sentidas com mais força nas comunidades que já estão em desvantagens socioeconômicas, uma vez que o desenvolvimento biológico e cognitivo em crianças está ligado a um contexto de maior estabilidade nas famílias, na escola e nas comunidades.
Diante do quadro, alerta o relatório, falhar em agir rapidamente e de maneira efetiva será “uma injustiça com todas as crianças”.
(Carta Capital/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Papa pede ação por mudanças climáticas


"A mudança climática é um problema que já não pode ser deixado para uma futura geração." Foto: U.S. Air Force photo/Tech. Sgt. Robert Cloys
“A mudança climática é um problema que já não pode ser deixado para uma futura geração.” Foto: U.S. Air Force photo/Tech. Sgt. Robert Cloys
Em breve menção ao tema no Congresso dos EUA, o pontífice destacou o papel da atividade humana na degradação ambiental e a necessidade de posicionamento político
Em visita histórica aos Estados Unidos, o papa Francisco clamou por ação contra as mudanças climáticas em seu discurso aberto na Casa Branca e também no Congresso norte-americano. Esta é a primeira vez que um papa discursa aos parlamentares estadunidenses. Em uma declaração abrangente em que falou sobre agendas globais urgentes, como a crise dos refugiados na Síria e o fundamentalismo religioso, o pontífice dedicou um trecho ao desenvolvimento sustentável, citando o papel da atividade humana no esgotamento de recursos naturais.
“Na Laudato Si ‘, eu chamo um esforço corajoso e responsável para redirecionar nossos passos e evitar os efeitos mais graves da deterioração ambiental causada pela atividade humana”, disse. “Estou convencido de que podemos fazer a diferença e eu não tenho nenhuma dúvida de que os Estados Unidos – e este Congresso – têm um papel importante a desempenhar.” Assim como na encíclica Laudato Si’, divulgada em junho deste ano, o papa ressaltou a relação entre degradação ambiental e problemas sociais.
Entre os parlamentares norte-americanos, mudanças climáticas são um tema polêmico, uma vez que os republicanos são em sua maioria céticos sobre o tema. No discurso ao Congresso nesta quinta-feira, o líder católico não citou o termo mudanças climáticas ou aquecimento global, diferentemente da abordagem na sua fala nos jardins da Casa Branca no dia anterior, quando foi assistido por mais de 10 mil pessoas. “Está claro para mim que a mudança climática é um problema que não pode mais ser deixado para as futuras gerações”, disse ontem.
“Eu gostaria que todos os homens e mulheres de boa vontade neste grande país apoiassem os esforços da comunidade internacional para proteger os mais vulneráveis ​​em nosso mundo e para estimular modelos integrais e inclusivos de desenvolvimento.”
As palavras do papa sobre o tema foram ecoadas pelo presidente Barack Obama, que tem trabalhado por mudanças no planejamento energético dos EUA para fontes limpas e reforçado a agenda bilateral do país no tema, em especial com países em desenvolvimento. “Você nos lembra que temos uma obrigação sagrada de proteger nosso planeta, presente magnífico de Deus para nós”, disse Obama ao pontífice, que, por sua vez, elogiou os esforços do presidente na redução de emissões de gases de efeito estufa.
Apesar do pouco destaque ao assunto na fala aos parlamentares, o Guardian apurou que ambientalistas nos EUA estão satisfeitos com a intervenção do pontífice no Congresso. “Apenas por estar aqui, ele está forçando a discussão sobre a mudança climática”, disse Erich Pica, presidente da Friends of the Earth. “A inclinação do papa ao tema é uma tentativa de mudar ainda mais a discussão nos EUA, particularmente no Partido Republicano, e assim conseguir mais conservadores que falam sobre a mudança climática.”(Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Papa pede urgência para o meio ambiente


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Papa Francisco. Foto: ©creative commons
Papa Francisco. Foto: ©creative commons
Documento pontifício dirigido ao mundo e publicado hoje aponta problemas ambientais e pede ação internacional para lidar com mudanças climáticas
A menos de seis meses da próxima rodada de negociações das Nações Unidas sobre o tema das mudanças climáticas, a COP 21, a encíclica do Papa Francisco é um forte sinal de que o mundo precisa de um acordo relevante e que os líderes mundiais precisam dar uma resposta à altura do desafio climático. O Papa mostra que acompanha a escalada dos anúncios globais sobre o clima ao trazer direcionamentos valiosos para a proteção do meio ambiente e dos seres humanos.
“O Greenpeace considera extremamente valiosa a intervenção do Papa Francisco na batalha de toda a humanidade para evitar mudanças climáticas catastróficas. A primeira Encíclica sobre o meio ambiente deixa o mundo mais próximo de momento de mudança no qual abandonaremos os combustíveis fósseis e o desmatamento de florestas para abraçarmos as energias limpas e renováveis para todos, até a metade deste século”, avalia Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional.
Todas as pessoas, sejam religiosas ou não, podem e devem reagir ao chamado de Francisco por iniciativas ousadas e urgentes. De acordo com a Encíclica, o meio ambiente é um bem comum, uma herança coletiva de toda a humanidade, e somos todos responsáveis por ele. O Greenpeace sempre defendeu essa posição. Por isso, com o apoio de milhares de pessoas queremos levar ao Congresso brasileiro uma proposta de lei que estabelece o Desmatamento Zero.
Um dos trechos da Encíclica diz que “a tecnologia baseada em combustíveis fósseis e altamente poluentes – principalmente o carvão, mas também o petróleo e, em menor grau, o gás natural– deve ser substituída de forma gradual, e sem demora’. Trata-se de um claro apelo para investidores, CEOs e líderes políticos responsáveis, que devem acelerar o ritmo da revolução das energias limpas.
Há ainda uma crítica aos que ‘detém a maior parte dos recursos e do poder econômico ou político e que parecem estar mais preocupados em esconder os efeitos negativos das mudanças climáticas’. É um recado direto aos que negam as mudanças climáticas e procuram atrasar, por exemplo, o desenvolvimento das energias renováveis.
Acima de tudo, o Papa Francisco lembra a todos nós, das pessoas comuns aos líderes mundiais, que o enfrentamento das injustiças sociais e climáticas é um imperativo moral. Os pobres são os mais afetados pelas mudanças climáticas catastróficas, embora tenham sido os que menos contribuíram para o problema.
“Recebemos de forma positiva a clareza e a franqueza da Encíclica sobre a necessidade de ação política internacional diante das mudanças climáticas, que faz prevalecer interesses específicos em detrimento do bem comum. As palavras do Papa devem servir para afastar os governantes de seu comportamento apático. Elas são um incentivo para que os líderes aprovem legislações severas de proteção ao clima em seus países, e para que cheguem a um sólido acordo sobre o clima em Paris, no final deste ano”, diz Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.
A Encíclica é correta quando aponta que o desmatamento contribui fortemente para as emissões de CO2 e para o desaparecimento de espécies. Acabar com o desmatamento no Brasil é um passo importante para o combate às mudanças climáticas, pois hoje ele representa mais de 30% das nossas emissões. Além disso, florestas são essenciais para garantir equilíbrio hídrico e produção de alimentos.

Apoiamos o clamor do Papa Francisco aos líderes globais, para que protejam as florestas e os oceanos e escutem as exigências do povo e de cientistas de todo o mundo. “O gesto do Papa ressalta a importância de se chegar à um acordo ambicioso na ONU e também a necessidade de ações concretas nos países. Temos a Fé e a ciência do mesmo lado e os governantes devem seguir o exemplo, chegar aos acordos que precisamos e colocá-los em prática. No Brasil, isto significa acabar com o desmatamento e investir em energias renováveis, como a solar”, conclui Astrini. (Greenpeace Brasil)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O brasileiro e a mudança do clima


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Para 95% da população, impactos já estão sendo sentidos, como crise de água e energia; 84% afirmam que o poder público age de forma insuficiente ou não age para enfrentar o problema
Uma nova pesquisa do Datafolha mostra que o brasileiro está muito preocupado com as mudanças climáticas e acha que o governo não compartilha dessa preocupação.
Segundo o levantamento, encomendado pelo Observatório do Clima e pelo Greenpeace Brasil, 95% dos cidadãos acham que as mudanças climáticas já estão afetando o Brasil. Para nove em cada dez entrevistados, as crises da água e energia têm relação direta com o tema, sendo que para 74% há muita relação entre a falta de água e luz e as mudanças climáticas. No entanto, para 84% dos entrevistados, o governo não faz nada ou faz muito pouco para enfrentar o problema. O Datafolha ouviu 2.100 pessoas em todas as regiões do país.
“O cidadão médio tem um ótimo nível de entendimento das causas da mudança climática e de seu impacto sobre o cotidiano da população e mostra que está insatisfeito com o baixo grau de prioridade dado pelo governo a esse tema, crucial para o desenvolvimento do país”, destaca Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Os entrevistados também demonstraram vislumbrar as formas de resolver o problema. Entre as soluções apontadas estão a redução do desmatamento, melhorias no transporte coletivo e investimentos em energias renováveis. Mais de 80% dos brasileiros acham que essas ações inclusive trarão benefícios para a economia do país.
A pesquisa mostrou, ainda, que o brasileiro se enxerga como parte da solução: 62% dos entrevistados estão dispostos a instalar um sistema de microgeração de energia solar em casa – equipamentos conhecidos por 74% da amostra. Diante da hipótese de ter acesso a uma linha de crédito com juros baixos e a possibilidade de vender o excesso de energia para a rede elétrica, o percentual de interessados sobe para 71%.
“Há uma percepção bastante clara de que a microgeração de energia solar beneficia o cidadão e o país”, explica Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Entre as principais vantagens citadas pelos entrevistados estão a redução nas despesas com eletricidade (82%), a redução dos impactos de secas prolongadas (77%), a segurança e confiabilidade dessa fonte (70%) e o fato de que se trata de uma alternativa às hidrelétricas (69%). Os moradores das regiões Sudeste e Nordeste foram os que demonstraram maior entusiasmo com o tema.
Atualmente, a microgeração de energia enfrenta vários entraves como, por exemplo, a forma como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incide sobre a geração de eletricidade do cidadão que escolhe produzir sua própria energia. Outras questões, como a criação de linhas de financiamento com baixos juros, também precisam ser resolvidas.“Trata-se de uma excelente oportunidade para o governo agir em sintonia com a vontade da sociedade brasileira”, completa Baitelo.
Para pressionar os governadores a assinarem o convênio nº 16 do CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária), que permite aos Estados eliminar o imposto ICMS que incide na geração de eletricidade por meio de painéis solares, tornando essa energia mais barata e contribuindo para sua popularização, um abaixo-assinado está no ar desde 6 de maio.
Sobre a atuação do governo, a pesquisa Datafolha mostra que o brasileiro tem uma percepção bastante crítica: para 48%, o governo federal está fazendo menos do que deveria em relação às mudanças climáticas; para 36%, ele simplesmente não está fazendo nada. Os mais críticos são os brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste. Mas, para dois terços da amostra (66%), o Brasil deveria assumir uma posição de liderança no enfrentamento do problema em nível internacional. No Nordeste, esse índice chega a 74%.
A pesquisa também confirma que existe um bom entendimento das causas das mudanças do clima. Apresentados a nove possíveis causas, os entrevistados apontaram com mais frequência desmatamento (95%), queima de petróleo (93%), atividades industriais (92%), queima de carvão mineral (90%) e tratamento de lixo (87%). Para efeito de teste, a pesquisa incluía dois fatores que não têm relação com as mudanças climáticas – ambos ficaram entre os menos apontados pelos entrevistados (El Niño, com 64%, e mudanças no comportamento do Sol, com 83%). “Considerando a forte oposição patrocinada por setores que têm interesse em negar que as mudanças climáticas sejam causadas pela ação humana, este resultado é extremamente significativo, pois mostra que o negacionismo do clima não colou no Brasil”, analisa Rittl.
A pesquisa foi realizada entre 11 e 13 de março de 2015. O Datafolha utilizou metodologia quantitativa, realizando entrevistas pessoais e individuais em pontos de fluxo populacional de 143 municípios de pequeno, médio e grande porte com pessoas com mais de 16 anos de idade. A margem de erro para o total da amostra é de 2,0 pontos percentuais para mais ou para menos.

Observatório do Clima/Envolverde/Utopia Sustentável

sexta-feira, 20 de março de 2015

Brasileiros cobram mais ação do governo sobre mudanças climáticas




Caminhada pelo clima, setembro de 2014. Foto: Olivia Nachle | Avaaz
Caminhada pelo clima, setembro de 2014. Foto: Olivia Nachle | Avaaz
De acordo com pesquisa, Brasil é o país onde mais pessoas manifestaram desejo de ver mais ação governamental para reduzir emissões
Os brasileiros querem que o governo faça mais do que tem sido feito sobre as mudanças climáticas e a emissão de gases de efeito estufa. De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Sindical Internacional (ITUC, na sigla em inglês), divulgada nesta quinta-feira (19), 93% dos brasileiros gostariam de mais atuação do governo para limitar a poluição que causa mudanças climáticas.
Dos 14 países onde foi realizada a pesquisa, o Brasil é o país onde mais pessoas manifestaram o desejo de ver mais ações do governo para reduzir as emissões que causam mudanças climáticas, seguido por África do Sul (88%) e Rússia (87%). Índia e China também obtiveram percentual superior a 80%. Em todo o mundo, 73% da população acreditam que os governos podem fazer mais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
A notícia é um alerta para o governo brasileiro e demais governos, para que apresentem metas ambiciosas de redução de emissões na Conferência do Clima de Paris, em dezembro. “Sem uma ação urgente e ambiciosa vamos enfrentar um aumento de temperatura de 4ºC ou mais neste século e mudanças irreversíveis no nosso clima”, afirmou Sharan Burrow, secretária-geral da ITUC.
Burrow também alertou para o prejuízo financeiro causado pelo aquecimento global. “Os economistas têm falado. O aquecimento global vai custar ao mundo muito mais do que o estimado anteriormente”.
Transição justa
Da ITUC considera que os trabalhadores e os seus sindicatos têm um papel vital a desempenhar, exigindo transformação industrial, organização de novos empregos de qualidade na economia verde emergente e lutando pelas medidas de transição justa que garantam manutenção de empregos em um cenário de menos emissões.* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A técnica do avestruz não detém a mudança climática




Foto: Oxfam
Foto: Oxfam
Está claro que não será atingida a meta de controlar a mudança climática. É preciso recordar, antes de tudo, que o objetivo de o aquecimento global não passar de dois graus centígrados antes de 2020 foi adotado em 2009 como fórmula de consenso pela 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, realizada em Copenhague.
Na comunidade científica muitos reclamam medidas imediatas, mas em favor do realismo político aceitou-se um objetivo pouco ambicioso. Resumindo, o acordo era deter o aumento do aquecimento global antes de 2020 e a partir desse ano dar início a um processo destinado a reverter gradualmente a mudança climática até níveis seguros, para ser concluído antes de 2050.
Entretanto, nos últimos quatro anos já foi registrado aumento de um grau na temperatura, e resta apenas outro grau até 2020. A Agência Europeia de Meio Ambiente, que publica um informe a cada cinco anos, alerta que a Europa precisa de “metas muito mais ambiciosas” para poder alcançar os objetivos declarados.
A União Europeia programou a redução de suas emissões de gases-estufa entre 80% e 90% antes de 2050. Em lugar de uma redução, a Alemanha registrou aumento de 20 milhões de toneladas de emissões de carbono entre 2012 e 2013. Para alcançar a meta, a Alemanha deveria reduzir anualmente as emissões em 3,5% nos próximos seis anos, um objetivo difícil, que aumentará os custos da energia e provocará reações no sentido de bloquear as medidas que possam ser prejudiciais à economia.
Precisamente, essa posição é a mesma do opositor Partido Republicano nos Estados Unidos: rechaçar toda proposta para preservar o ambiente.
Atualmente, os efeitos da mudança climática são evidentes, não só para os especialistas em clima. No ano passado, as pessoas deslocadas em razão de desastres climáticos, como furacões, deslizamentos, secas, inundações e incêndios florestais, chegaram ao alarmante número de 11 milhões.
O Centro de Pesquisa sobre a Epidemiologia de Desastres, que registra desastres naturais há 110 anos, publicou um informe conjunto com o Instituto de Energia e Recursos, que comprova um aumento exponencial de aproximadamente 50 desastres naturais em 1975 para 525 em 2002.
Em 2011, o custo dos desastres naturais subiu às nuvens, chegando a US$ 350 bilhões. E entre 1900 e 2009, os desastres hidrometeorológicos aumentaram de 25 para 3.526. Segundo o informe, em conjunto, esses fenômenos e as situações geológicas e biológicas extremas aumentaram de 72 para 11.571 no mesmo período.
Não há dúvidas de como a atividade humana tem um impacto dramático no clima e, em geral, no planeta, o que afeta a vida das pessoas. As universidades de Chicago, Yale e Harvard calculam que na Índia os que vivem em áreas contaminadas perdem, em média, 3,2 anos de expectativa de vida.
E, como sempre, o mundo avança por dois caminhos, desvinculados e opostos.
O principal debate é sobre a quantia a ser investida na mudança climática. A solicitação original foi de US$ 15 bilhões, mas os países industrializados a reduziram para US$ 10 bilhões, distribuídos ao longo de alguns anos entre os países em desenvolvimento que não têm que realizar investimentos. Até agora foram reunidos US$ 7,5 bilhões.
Na conferência de Copenhague os países ricos disseram que o investimento no Fundo Verde para o Clima chegará aos US$ 100 bilhões em 2020. As contribuições registravam apenas US$ 110 milhões em 2013.
Esse é o caminho para a redução das emissões fósseis. Vejamos o que os países ricos estão gastando nesse item.
O informe do britânico Instituto para o Desenvolvimento mostra que os governos do Grupo dos 20 (G-20) países industrializados e emergentes também está financiando com US$ 88 bilhões anuais a exploração de combustíveis fósseis, mediante fundos públicos, subsídios nacionais e investimentos das empresas estatais.
Os governos do G-20 gastam mais do que o dobro do que gastam as 20 maiores empresas privadas para encontrar novas reservas de petróleo, gás e carvão. Isso demonstra que, sem os investimentos públicos, o setor privado não poderia expandir a produção de combustíveis fósseis.
A Agência Internacional de Energia estima que os governos do G-20 deveriam reorientar US$ 49 bilhões anuais – pouco mais da metade do que gastam para apoiar a exploração de combustíveis fósseis – para impulsionar o acesso universal à energia, substituindo o sistema atual, baseado em fontes de energia não renovável.
Como de costume, o sistema espalha declarações atraentes, mas às vezes faz o contrário.
O novo é que a campanha contra a mudança climática está perdendo força e credibilidade. É um fato que, nos Estados Unidos, os republicanos são financiados pelas grandes corporações de energia, que farão todo o possível para boicotar qualquer acordo que o presidente Barack Obama possa conseguir na definitiva Conferência das Partes sobre a Mudança Climática, em dezembro deste ano em Paris.
Até agora só alguns cientistas discordam das conclusões do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática, integrado por 2.200 especialistas, sobre a relação entre as atividades humanas e a deterioração climática. As posturas negativas dos poucos cientistas dissidentes obtêm eco desproporcional nos meios conservadores.
Mas agora se revela que um dos principais dissidentes, Willie Soon, é financiado pela indústria dos combustíveis fósseis. Na última década, Soon recebeu pelo menos US$ 409 mil da empresa norte-americana Southern Company Service, uma das maiores companhias de serviços públicos, com grandes investimentos em centrais elétricas alimentadas a carvão.
Roberto Savio. Foto: IPS
Roberto Savio. Foto: IPS
Os multimilionários norte-americanos Charles e David Koch, patrocinadores de organizações de extrema direita e que doarão ao partido Republicano US$ 980 milhões para as próximas eleições presidenciais, proporcionaram a Soon pelo menos US$ 230 mil por meio da Fundação Beneficente Charles G. Koch.
O que está em jogo é nada menos do que a vida de nosso planeta. Mas o sistema governamental não está agindo com a urgência necessária. Para alcançar os objetivos indicados pela comunidade científica faltam investimento muito maiores do que os atualmente disponíveis.
Esconder a cabeça, como o avestruz, não serve para evitar o desastre que se avizinha. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!


tufao A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!
Tufão Hagupit atinge Albay, no sul das Filipinas. O Greenpeace está lá para testemunhar os impactos e chamar atenção para as mudanças climáticas. Foto: © Greenpeace/Alanah Torralba

Enquanto o tufão Hagupit atinge as Filipinas, uma das maiores operações de evacuação em tempos de paz da história foi lançada para prevenir uma repetição das enormes perdas de vidas ocorridas quando o super tufão Haiyan atingiu a mesma área há apenas um ano.
“Uma das maiores evacuações em tempos de paz” é o que tem sido dito sobre esse fato. Mas pergunto: é tempo de paz ou estamos em guerra com a natureza?
Eu estava prestes a ir para Lima, no Peru, quando recebi um telefonema para vir para as Filipinas para apoiar o nosso escritório e seu trabalho em torno do tufão Hagupit (cujo nome significa chicote). Em Lima está em andamento a COP 20, mais uma rodada de reuniões da ONU sobre o clima, com o objetivo de negociar um tratado global para evitar uma mudança climática catastrófica.
Mas essas negociações já acontecem há muito tempo, com urgência insuficiente e nos bastidores. E, não tanto nos bastidores, também ocorre a influência do lobby dos combustíveis fósseis.
Este ano, como no ano passado e no ano anterior, essas negociações ocorrem em um cenário devastador de um chamado “evento climático extremo”, sobre o qual os cientistas do clima há tempos vêm alertando.
Tragicamente, não estamos tomando medidas urgentes. Mas a natureza não negocia, ela responde à nossa intransigência. Para o povo das Filipinas, e em muitas outras partes do mundo, a mudança climática já é uma catástrofe.
Hagupit tmo 2014338 lrg 784x1024 A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!
O tufão Hagupit atingiu na noite deste sábado (6) no leste das Filipinas com ventos de até 210 km/h e chuvas fortes que arrancaram árvores, telhados e linhas elétricas. Desde sexta-feira (5), a Cruz Vermelha calcula que um milhão de filipinos foi retirado preventivamente de suas casas. Na foto imagem de satélite da Nasa mostra o tufão Hagupit que atingiu o leste das Filipinas. Foto: Jeff Schmaltz/ NASA/ Fotos Públicas
Há apenas um ano, o super tufão Haiyan matou milhares de pessoas nas Filipinas, deixou as comunidades destruídas e causou bilhões de dólares em danos. Agora, muitos sobreviventes que ainda estão deslocados tiveram que novamente evacuar as tendas onde vivem enquanto o tufão Hagupit esculpe um caminho por todo o país.
É muito cedo para avaliar o impacto até agora – estamos todos esperando que ele poupará as Filipinas da mesma dor que foi vivida após Haiyan.
Aqui em Manila, nos preparamos para viajar para as áreas impactadas, na esteira do tufão Hagupit, ou Ruby, como tem sido chamado. Vamos oferecer a assistência que pudermos e vamos prestar solidariedade ao povo filipino. Queremos chamar a atenção daqueles que são responsáveis pelas mudanças climáticas, aqueles que são responsáveis pela devastação e que deveriam estar ajudando a pagar pela limpeza e pela a adaptação a um mundo em que o nosso clima está se tornando uma fonte crescente de destruição em massa.
É com o coração pesado que nos preparamos para esse testemunho. Nós desafiamos aqueles em Lima a voltar sua atenção da letargia do processo das negociações e prestar atenção ao que está acontecendo no mundo real.
Os chamamos para entender que a mudança climática não é uma ameaça futura a ser negociada, mas um perigo claro e presente que requer ação urgente agora!
Todos os anos, o povo das Filipinas aprende da maneira mais difícil o que a inação sobre as emissões quer dizer. Eles podem estar um pouco mais bem preparados e mais resistentes, mas eles também estão mais horrorizados com o fato de que, a cada ano – ao mesmo tempo -, as reuniões sobre o clima parecem continuar no vácuo. Não estão preparados para tomar medidas significativas, não são capazes de responder à urgência do nosso tempo e não responsabilizam os grandes poluidores que estão causando a mudança do clima com ritmo feroz.
Antes de sair para Manila também recebi uma mensagem do Yeb Sano, comissário do clima para as Filipinas: “Eu espero que você possa se juntar a nós quando dermos o testemunho sobre o impacto deste novo super-tufão. Sua ajuda seria muito valiosa para entregar uma mensagem clara e em bom som para Lima.”
Yeb foi o negociador-chefe Filipino por três anos nas negociações climáticas da ONU e recentemente visitou o Ártico em um navio do Greenpeace para testemunhar o degelo do mar. Dois anos atrás, em Doha, quando o tufão Pablo tirou a vida de muitos, ele rompeu o protocolo normalmente reservado e desapaixonado da diplomacia que domina as negociações do tratado do clima da ONU falando:
“Por favor, deixem que 2012 seja lembrado como o ano em que o mundo encontrou a coragem de assumir a responsabilidade para o futuro que queremos. Eu peço a todos nós aqui, se não formos nós, quem? Se não for agora, então quando? Se não aqui, então onde? ”
Estou reunindo o Greenpeace Filipinas e Yeb para visitar as áreas mais atingidas, documentar a devastação e enviar uma mensagem clara de mudança climática para Lima e o resto do mundo. Os que são responsáveis pela maioria das emissões serão responsabilizados pelas comunidades que estão sofrendo os impactos de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas.
Vamos chamar os chefes das companhias de combustíveis fósseis que são culpados pela tragédia que se desenrola para que realizem um exame de consciência e aceitem a sua responsabilidade histórica. Diz-se que a verdade é a primeira vítima da guerra e, nesta guerra contra a natureza, a verdade da ciência do clima é inquestionável.**  Greenpeace/Envolverde/Utopia Sustentável.

Fundos para lidar com a mudança climática não fluem para todos


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A mudança climática provocará a perda da indústria pesqueira em comunidades como esta em Granada, que dependem do mar para sua sobrevivência. Foto: Desmond Brown/IPS

Lima, Peru, 5/12/2014 – Há mais de dez anos, Mildred Crawford tem sido “uma voz no deserto”, defendendo as mulheres que trabalham na agricultura. Crawford, de 50 anos, foi criada na pequena localidade de Brown’s Hall, na Jamaica. Estava “transbordando de entusiasmo” com o convite da Organização Mundial de Agricultores (WFO) para integrar a delegação da sociedade civil na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), que acontece em Lima, onde sua voz seria ouvida em um cenário com muito mais repercussão.
Poucos dias após chegar à capital peruana, a alegria de Crawford se converteu em decepção. “Inclusive nos eventos paralelos, não acredito que os representantes dos governos vão ouvir a voz da sociedade civil”, afirmou à IPS. “Se não estão aqui para escutar o que temos a dizer, o impacto será muito pequeno. Já existe uma brecha entre a política e a aplicação que é muito grave porque falamos por falar, mas não praticamos com o exemplo”, acrescentou.
Crawford disse que as mulheres agricultoras não recebem a atenção nem o reconhecimento que merecem, devido ao seu papel na alimentação de suas famílias e da população em geral. “Nossas agricultoras armazenam sementes. Se ocorre um furacão e os recursos escasseiam, compartilham o que têm entre si para que a agricultura se renove”, explicou.
A WFO reúne 70 organizações de agricultores e cooperativas agrícolas de aproximadamente 50 países. Sua delegação em Lima é um ensaio para sua participação no ano que vem na COP 21, em Paris. Um de seus objetivos é divulgar o papel que tem a agricultura de pequena escala na adaptação e mitigação das alterações climáticas, e que as negociações da CMNUCC em 2015 assim o reconheçam. As negociações na capital francesa estão destinadas a acordar um tratado juridicamente vinculante que limite as emissões de gases-estufa.
Diann Black Layne representa os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (Peid) e também é embaixadora de Antiga e Barbuda para a mudança climática. A adaptação, as finanças, as perdas e os danos lideram a lista de temas que esse grupo de países quer abordar no médio prazo. “Muitos de nossos países em desenvolvimento gastam seu próprio dinheiro na adaptação”, apontou à IPS.
Os Peid já estão muito endividados com “dinheiro emprestado” de seus orçamentos nacionais, que são obrigados a utilizar para “financiar seus programas de adaptação e recuperação de fenômenos meteorológicos extremos. Assim, ter de pedir emprestado mais dinheiro para a mitigação é complicado”, ressaltou Layne.
A secretária-executiva da CMNUCC, a costarriquenha Christiana Figueres, concorda com que esse tipo de compromisso dos países em desenvolvimento deva ser reforçado com fundos internacionais destinados ao clima, em particular para os mais vulneráveis.
Segundo Figueres, “não há dúvidas de que é preciso aumentar os fundos para a adaptação. Está muito claro que essa é a urgência entre a maioria dos países em desenvolvimento, para cobrir realmente seus custos de adaptação. Muitos países estão colocando seu próprio dinheiro na adaptação porque não têm outra opção. Não podem esperar por um acordo em 2015 nem podem esperar que o financiamento climático internacional chegue a eles, por isso já estão fazendo com seu próprio bolso”.
“Nesta COP 20 nos centramos em temas financeiros de danos e prejuízos”, explicou Layne. “Em nossa região isso incluiria a perda da indústria pesqueira e da concha. E, mesmo se nos limitarmos a um aquecimento de dois graus, perderemos essas duas indústrias, por isso agora estamos negociando um mecanismo que nos ajude na adaptação dos países”, acrescentou.
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Mildred Crawford, agricultora na Jamaica, participa em Lima de sua primeira cúpula internacional sobre o clima. Foto: Desmond Brown/IPS

Na região da Comunidade do Caribe, a população é extremamente dependente da pesca para seu desenvolvimento socioeconômico. Esse recurso também contribui para a segurança alimentar, redução da pobreza, o emprego, a renda em divisas e a estabilidade das comunidades rurais e costeiras, bem como a cultura, o lazer e o turismo.
O subsetor proporciona emprego direto a mais de 120 mil pescadores e trabalho indireto a milhares de outras pessoas, especialmente mulheres, no processamento, na comercialização, construção de barcos, confecção de redes e outros serviços de apoio. Em 2012, o valor da indústria da concha, somente em Belize, foi avaliado em US$ 10 milhões.
Um estudo, apresentado no dia 3 aos governos reunidos em Lima, diz que atualmente há centenas de milhares de milhões de dólares em financiamento climático em todo o planeta. O informe, que inclui um resumo e recomendações do Comitê Permanente de Finanças da CMNUCC e um informe técnico, é o primeiro de uma série, que reunirá dados sobre os fluxos financeiros de apoio à redução de emissões e à adaptação dentro dos países, mediante o apoio internacional. Essa avaliação calcula que o financiamento climático mundial esteve entre US$ 340 bilhões e US$ 650 bilhões anuais para o período 2011-2012.
“Parece que o financiamento climático está fluindo, não exclusivamente, mas com prioridade, para os mais vulneráveis”, afirmou Figueres. “Essa é uma parte muito, muito importante desse informe porque é exatamente como deve ser. Devem ser a população mais vulnerável, os países mais vulneráveis e as populações mais vulneráveis dentro dos países a receberem o financiamento climático com prioridade”, ressaltou. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável