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domingo, 27 de setembro de 2015

Papa pede ação por mudanças climáticas


"A mudança climática é um problema que já não pode ser deixado para uma futura geração." Foto: U.S. Air Force photo/Tech. Sgt. Robert Cloys
“A mudança climática é um problema que já não pode ser deixado para uma futura geração.” Foto: U.S. Air Force photo/Tech. Sgt. Robert Cloys
Em breve menção ao tema no Congresso dos EUA, o pontífice destacou o papel da atividade humana na degradação ambiental e a necessidade de posicionamento político
Em visita histórica aos Estados Unidos, o papa Francisco clamou por ação contra as mudanças climáticas em seu discurso aberto na Casa Branca e também no Congresso norte-americano. Esta é a primeira vez que um papa discursa aos parlamentares estadunidenses. Em uma declaração abrangente em que falou sobre agendas globais urgentes, como a crise dos refugiados na Síria e o fundamentalismo religioso, o pontífice dedicou um trecho ao desenvolvimento sustentável, citando o papel da atividade humana no esgotamento de recursos naturais.
“Na Laudato Si ‘, eu chamo um esforço corajoso e responsável para redirecionar nossos passos e evitar os efeitos mais graves da deterioração ambiental causada pela atividade humana”, disse. “Estou convencido de que podemos fazer a diferença e eu não tenho nenhuma dúvida de que os Estados Unidos – e este Congresso – têm um papel importante a desempenhar.” Assim como na encíclica Laudato Si’, divulgada em junho deste ano, o papa ressaltou a relação entre degradação ambiental e problemas sociais.
Entre os parlamentares norte-americanos, mudanças climáticas são um tema polêmico, uma vez que os republicanos são em sua maioria céticos sobre o tema. No discurso ao Congresso nesta quinta-feira, o líder católico não citou o termo mudanças climáticas ou aquecimento global, diferentemente da abordagem na sua fala nos jardins da Casa Branca no dia anterior, quando foi assistido por mais de 10 mil pessoas. “Está claro para mim que a mudança climática é um problema que não pode mais ser deixado para as futuras gerações”, disse ontem.
“Eu gostaria que todos os homens e mulheres de boa vontade neste grande país apoiassem os esforços da comunidade internacional para proteger os mais vulneráveis ​​em nosso mundo e para estimular modelos integrais e inclusivos de desenvolvimento.”
As palavras do papa sobre o tema foram ecoadas pelo presidente Barack Obama, que tem trabalhado por mudanças no planejamento energético dos EUA para fontes limpas e reforçado a agenda bilateral do país no tema, em especial com países em desenvolvimento. “Você nos lembra que temos uma obrigação sagrada de proteger nosso planeta, presente magnífico de Deus para nós”, disse Obama ao pontífice, que, por sua vez, elogiou os esforços do presidente na redução de emissões de gases de efeito estufa.
Apesar do pouco destaque ao assunto na fala aos parlamentares, o Guardian apurou que ambientalistas nos EUA estão satisfeitos com a intervenção do pontífice no Congresso. “Apenas por estar aqui, ele está forçando a discussão sobre a mudança climática”, disse Erich Pica, presidente da Friends of the Earth. “A inclinação do papa ao tema é uma tentativa de mudar ainda mais a discussão nos EUA, particularmente no Partido Republicano, e assim conseguir mais conservadores que falam sobre a mudança climática.” (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Papa pede ação por mudanças climáticas


"A mudança climática é um problema que já não pode ser deixado para uma futura geração." Foto: U.S. Air Force photo/Tech. Sgt. Robert Cloys
“A mudança climática é um problema que já não pode ser deixado para uma futura geração.” Foto: U.S. Air Force photo/Tech. Sgt. Robert Cloys
Em breve menção ao tema no Congresso dos EUA, o pontífice destacou o papel da atividade humana na degradação ambiental e a necessidade de posicionamento político
Em visita histórica aos Estados Unidos, o papa Francisco clamou por ação contra as mudanças climáticas em seu discurso aberto na Casa Branca e também no Congresso norte-americano. Esta é a primeira vez que um papa discursa aos parlamentares estadunidenses. Em uma declaração abrangente em que falou sobre agendas globais urgentes, como a crise dos refugiados na Síria e o fundamentalismo religioso, o pontífice dedicou um trecho ao desenvolvimento sustentável, citando o papel da atividade humana no esgotamento de recursos naturais.
“Na Laudato Si ‘, eu chamo um esforço corajoso e responsável para redirecionar nossos passos e evitar os efeitos mais graves da deterioração ambiental causada pela atividade humana”, disse. “Estou convencido de que podemos fazer a diferença e eu não tenho nenhuma dúvida de que os Estados Unidos – e este Congresso – têm um papel importante a desempenhar.” Assim como na encíclica Laudato Si’, divulgada em junho deste ano, o papa ressaltou a relação entre degradação ambiental e problemas sociais.
Entre os parlamentares norte-americanos, mudanças climáticas são um tema polêmico, uma vez que os republicanos são em sua maioria céticos sobre o tema. No discurso ao Congresso nesta quinta-feira, o líder católico não citou o termo mudanças climáticas ou aquecimento global, diferentemente da abordagem na sua fala nos jardins da Casa Branca no dia anterior, quando foi assistido por mais de 10 mil pessoas. “Está claro para mim que a mudança climática é um problema que não pode mais ser deixado para as futuras gerações”, disse ontem.
“Eu gostaria que todos os homens e mulheres de boa vontade neste grande país apoiassem os esforços da comunidade internacional para proteger os mais vulneráveis ​​em nosso mundo e para estimular modelos integrais e inclusivos de desenvolvimento.”
As palavras do papa sobre o tema foram ecoadas pelo presidente Barack Obama, que tem trabalhado por mudanças no planejamento energético dos EUA para fontes limpas e reforçado a agenda bilateral do país no tema, em especial com países em desenvolvimento. “Você nos lembra que temos uma obrigação sagrada de proteger nosso planeta, presente magnífico de Deus para nós”, disse Obama ao pontífice, que, por sua vez, elogiou os esforços do presidente na redução de emissões de gases de efeito estufa.
Apesar do pouco destaque ao assunto na fala aos parlamentares, o Guardian apurou que ambientalistas nos EUA estão satisfeitos com a intervenção do pontífice no Congresso. “Apenas por estar aqui, ele está forçando a discussão sobre a mudança climática”, disse Erich Pica, presidente da Friends of the Earth. “A inclinação do papa ao tema é uma tentativa de mudar ainda mais a discussão nos EUA, particularmente no Partido Republicano, e assim conseguir mais conservadores que falam sobre a mudança climática.”(Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Papa se une à luta contra os transgênicos


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Não há privilégios para os cultivos transgênicos na Laudato si, a primeira e ecológica encíclica do papa Francisco, sobre o cuidado da casa comum, o planeta. Foto: Norberto Miguel/IPS
Não há privilégios para os cultivos transgênicos na Laudato si, a primeira e ecológica encíclica do papa Francisco, sobre o cuidado da casa comum, o planeta. Foto: Norberto Miguel/IPS

Cidade do México, México, 10 de agosto de 2015 (Terramérica).- Há alguns séculos, a indústria da biotecnologia poderia comprar uma bula papal para expiar seus pecados e obter a redenção. Mas, em sua ecológica encíclica Laudato si, o papa Francisco condenou os organismos geneticamente modificados (OGM) sem perdão possível. Em sua primeira encíclica aos católicos desde que iniciou seu pontificado, em 24 de maio de 2015, o argentino Jorge Mario Bergoglio critica os OGM por seus impactos agrários, sociais e econômicos e pede um debate amplo e científico sobre eles.
Laudato si, Louvado sejas, em italiano antigo, toma o título de um cântico de Francisco de Assis que diz: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa mãe terra, a qual nos sustenta, e governa e produz diversos frutos com coloridas flores e erva”. É a primeira encíclica na história dedicada à situação ambiental e a refletir sobre a “casa comum” da humanidade, o planeta. O documento reconhece a falta de “comprovação contundente” sobre o dano que os OGM poderiam causar aos seres humanos, mas destaca que “existem dificuldades importantes que não devem ser relativizadas”.
A encíclica diz que, “em muitos lugares, depois da introdução desses cultivos, se constata uma concentração de terras produtivas nas mãos de poucos, devido ao progressivo desaparecimento de pequenos produtores que, em consequência da perda de suas terras, foram obrigados a se retirar da produção direta”. Por causa disso, o primeiro papa latino-americano denuncia a precarização do emprego, a migração rural para barracos urbanos, a devastação dos ecossistemas e o surgimento de oligopólios de sementes e insumos.
Diante desse contexto, Francisco propõe “uma discussão científica e social que seja responsável e ampla, capaz de considerar toda a informação disponível e de chamar as coisas por seu nome”, porque “às vezes não são colocadas sobre a mesa todas as informações, que são selecionadas segundo os próprios interesses, sejam políticos, econômicos ou ideológicos”. É o tipo de debate que falta sobre os OGM e no qual a indústria biotecnológica se nega a abrir suas bases de dados para se comprovar se são inócuos ou não.
Esse debate necessita, segundo a encíclica, de “espaços de discussão onde todos os que de algum modo puderam se viram direta ou indiretamente afetados (agricultores, consumidores, autoridades, cientistas, produtores, vendedores de sementes, populações vizinhas aos campos fumigados e outros) possam expor suas problemáticas ou ter acesso a informação ampla e fidedigna para tomar decisões tendentes ao bem comum presente e futuro”.
“O México já é uma referência na luta para que se faça justiça no que se refere ao direito a um ambiente sadio, pela constância decidida das organizações sociais. Nossa demanda coletiva se fortalece com a encíclica”, apontou ao Terramérica o padre Miguel Concha, diretor do não governamental Centro de Direitos Humanos Frei Francisco de Vitoria. Ele faz suas as palavras da encíclica de que os transgênicos têm implicações sociais, econômicas, legais e éticas.
A encíclica é de especial importância para nações como o México, cenário de intenso debate sobre os transgênicos, principalmente no caso do milho, grão de simbolismo cultural para este país latino-americano, além de base de sua alimentação. E igualmente para Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica, que com o sul do México formam a Mesoamérica, assento da civilização maia.
O papa conhece de perto o impacto dos cultivos transgênicos, porque a Argentina, seu país, é, segundo os especialistas, onde as sementes modificadas mais alteraram a agricultura tradicional dentro da América Latina. Um exemplo é o cultivo da soja: dos 31 milhões de hectares cultivados no país, 20,2 milhões são de sementes modificadas. A monocultura da soja desloca os produtores locais, gera alta concentração no setor e cria “um círculo vicioso altamente perigoso para a sustentabilidade de nossos sistemas produtivos”, pontuou ao Terramérica o acadêmico e engenheiro agrônomo argentino, Carlos Toledo.
Quase toda a produção de OGM se concentra em dez países: Estados Unidos, Brasil, Argentina, Canadá, Índia, China, Paraguai, África do Sul, Paquistão e Uruguai, nessa ordem. A maioria desses cultivos é destinada à forragem para pecuária industrial, mas o México pretende que o milho entre na cadeia alimentar humana.
María Solís, produtora de milho nativo do México, debulha suas espigas de variadas cores em um mercado comunitário. A plantação tradicional do cereal se vê ameaçada pelas tentativas de se impor o cultivo transgênico no país. Foto: Emilio Godoy/IPS
María Solís, produtora de milho nativo do México, debulha suas espigas de variadas cores em um mercado comunitário. A plantação tradicional do cereal se vê ameaçada pelas tentativas de se impor o cultivo transgênico no país. Foto: Emilio Godoy/IPS
No México vigora, desde 2013, uma suspensão judicial de autorizações para plantar comercialmente milho transgênico, ao ser aceita uma demanda de ação coletiva promovida em julho daquele ano por 53 particulares e 23 organizações da sociedade civil. Além disso, desde março de 2014, organizações de apicultores e comunidades indígenas obtiveram outros amparos provisórios contra a plantação comercial de soja modificada nos Estados de Campeche e Yucatán.
No dia 30 de abril do ano passado, oito cientistas de seis países enviaram uma carta aberta ao papa Francisco, chamando sua atenção para a situação dos OGM, especialmente a cruzada em território mexicano. Na carta denunciam as sequelas ambientais, econômicas, agrícolas, culturais e sociais dos OGM e questionam seus resultados.
Os cientistas se referiram à “enorme transcendência” de Francisco “se expressar criticamente sobre os transgênicos e em apoio à agricultura camponesa, o que seria uma importante ajuda para salvar os povos e o planeta da ameaça que significa o controle da vida por parte de empresas que monopolizam as sementes, chave de toda a rede alimentar”. Na Laudato si, o pontífice deixa evidente que ouviu o pedido.
“A encíclica é muito esperançosa, porque expressa uma postura ecológica. Toca fibras muito sensíveis, a situação é terrível e merece a intervenção papal. Nos dá força moral para seguir na luta”, afirmou ao Terramérica a acadêmica Argelia Arraiga, do Centro Universitário para a Prevenção de Desastres, da Universidade Autônoma de Puebla.
Mas as ações legais não frearam os desejos do setor biotecnológico no México. Em 2014, o Serviço Nacional de Saúde, Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), recebeu da indústria biotecnológica e de centros de pesquisa públicos quatro pedidos para plantar experimentalmente milho transgênico, em quase dez hectares. Além disso, foram apresentados 30 requerimentos para o plantio-piloto de algodão, experimental e comercial, para um total de 1,18 milhão de hectares. Houve também uma solicitação para feijão, cinco para trigo, três para limão e uma para soja, todas experimentais.
A Senasica também examina cinco pedidos da indústria para plantar algodão e alfafa transgênicos em níveis comercial e experimental em mais de 200 mil hectares. “Trata-se de um modelo econômico e de desenvolvimento que ignora a produção de alimentos”, destacou o padre Concha. Depois de conseguir que os tribunais federais descartassem 22 amparos interpostos pelo governo e pelas empresas contra a decisão judicial de suspender temporariamente as autorizações, os participantes da demanda se preparam para o julgamento, que decidirá o futuro dos OGM no país.
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde/Utopia Sustentável.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Papa pede urgência para o meio ambiente


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Papa Francisco. Foto: ©creative commons
Papa Francisco. Foto: ©creative commons
Documento pontifício dirigido ao mundo e publicado hoje aponta problemas ambientais e pede ação internacional para lidar com mudanças climáticas
A menos de seis meses da próxima rodada de negociações das Nações Unidas sobre o tema das mudanças climáticas, a COP 21, a encíclica do Papa Francisco é um forte sinal de que o mundo precisa de um acordo relevante e que os líderes mundiais precisam dar uma resposta à altura do desafio climático. O Papa mostra que acompanha a escalada dos anúncios globais sobre o clima ao trazer direcionamentos valiosos para a proteção do meio ambiente e dos seres humanos.
“O Greenpeace considera extremamente valiosa a intervenção do Papa Francisco na batalha de toda a humanidade para evitar mudanças climáticas catastróficas. A primeira Encíclica sobre o meio ambiente deixa o mundo mais próximo de momento de mudança no qual abandonaremos os combustíveis fósseis e o desmatamento de florestas para abraçarmos as energias limpas e renováveis para todos, até a metade deste século”, avalia Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional.
Todas as pessoas, sejam religiosas ou não, podem e devem reagir ao chamado de Francisco por iniciativas ousadas e urgentes. De acordo com a Encíclica, o meio ambiente é um bem comum, uma herança coletiva de toda a humanidade, e somos todos responsáveis por ele. O Greenpeace sempre defendeu essa posição. Por isso, com o apoio de milhares de pessoas queremos levar ao Congresso brasileiro uma proposta de lei que estabelece o Desmatamento Zero.
Um dos trechos da Encíclica diz que “a tecnologia baseada em combustíveis fósseis e altamente poluentes – principalmente o carvão, mas também o petróleo e, em menor grau, o gás natural– deve ser substituída de forma gradual, e sem demora’. Trata-se de um claro apelo para investidores, CEOs e líderes políticos responsáveis, que devem acelerar o ritmo da revolução das energias limpas.
Há ainda uma crítica aos que ‘detém a maior parte dos recursos e do poder econômico ou político e que parecem estar mais preocupados em esconder os efeitos negativos das mudanças climáticas’. É um recado direto aos que negam as mudanças climáticas e procuram atrasar, por exemplo, o desenvolvimento das energias renováveis.
Acima de tudo, o Papa Francisco lembra a todos nós, das pessoas comuns aos líderes mundiais, que o enfrentamento das injustiças sociais e climáticas é um imperativo moral. Os pobres são os mais afetados pelas mudanças climáticas catastróficas, embora tenham sido os que menos contribuíram para o problema.
“Recebemos de forma positiva a clareza e a franqueza da Encíclica sobre a necessidade de ação política internacional diante das mudanças climáticas, que faz prevalecer interesses específicos em detrimento do bem comum. As palavras do Papa devem servir para afastar os governantes de seu comportamento apático. Elas são um incentivo para que os líderes aprovem legislações severas de proteção ao clima em seus países, e para que cheguem a um sólido acordo sobre o clima em Paris, no final deste ano”, diz Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.
A Encíclica é correta quando aponta que o desmatamento contribui fortemente para as emissões de CO2 e para o desaparecimento de espécies. Acabar com o desmatamento no Brasil é um passo importante para o combate às mudanças climáticas, pois hoje ele representa mais de 30% das nossas emissões. Além disso, florestas são essenciais para garantir equilíbrio hídrico e produção de alimentos.

Apoiamos o clamor do Papa Francisco aos líderes globais, para que protejam as florestas e os oceanos e escutem as exigências do povo e de cientistas de todo o mundo. “O gesto do Papa ressalta a importância de se chegar à um acordo ambicioso na ONU e também a necessidade de ações concretas nos países. Temos a Fé e a ciência do mesmo lado e os governantes devem seguir o exemplo, chegar aos acordos que precisamos e colocá-los em prática. No Brasil, isto significa acabar com o desmatamento e investir em energias renováveis, como a solar”, conclui Astrini. (Greenpeace Brasil)

sábado, 3 de janeiro de 2015

Papa Francisco quer motivar igreja a combater o aquecimento global





O Papa Francisco anunciou uma meta audaciosa para o ano de 2015. O argentino, que é a principal autoridade oficial católica na Terra, se comprometeu a incentivar todos os fieis a lutarem contra o aquecimento global. Ele ainda pretende estender o esforço às outras religiões.
Assim como o santo que inspira o seu nome, o Papa Francisco está disposto a lutar pelo bem dos animais e da natureza, em geral. O compromisso do representante está dividido em três etapas: emitir uma mensagem sobre o aquecimento global a 1,2 bilhão de católicos, fazer um discurso à Assembleia Geral da ONU e convocar uma reunião de cúpula com representantes das principais religiões do mundo.
Conforme informado pelo bispo Marcelo Sorondo, em declaração ao jornal britânico The Guardian, a intenção do Papa é influenciar positivamente a próxima reunião do clima, realizada em Paris neste ano. O encontro deve marcar a conclusão de negociações tensas para um compromisso universal em relação às reduções na emissão de gases de efeito estufa.
Para alcançar os fiéis, o Papa se comprometeu com a criação de um documento, exortando as pessoas a tomarem medidas por razões morais e científicas. O documento será enviado a cinco mil bispos católicos, 400 mil sacerdotes e, assim, será distribuído aos paroquianos.
O encontro com autoridades de outras religiões deve acontecer em uma Assembleia da ONU, que determinará novas metas de combate à pobreza e cuidados ambientais.
Não é de hoje que o Papa se mostra contrário ao modelo econômico mundial, que incentiva o consumo e a riqueza. Durante um evento realizado em outubro de 2014, o católico alertou para o poder que o dinheiro tem tomado. “Um sistema econômico centrado no deus dinheiro precisa que a natureza seja saqueada, para que possa sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente”, disse o Papa.
Ele ainda completou o discurso dizendo que o modelo está carente de ética e apontou o que está errado. “A monopolização de terras, o desamatamento, a apropriação de água, uso inadequado de agrotóxicos são alguns dos males que separam o homem da terra de seu nascimento. As alterações climáticas, a perda da biodiversidade e o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que assistimos”, alertou.  CicloVivo/Utopia Sustentável

terça-feira, 30 de julho de 2013

Papa Sustentável


Republiquei  propositalmente o bom artigo do jornalista André Trigueiro, que admiro, intitulado “Papa fez história, mas não falou de sustentabilidade” para conversarmos um pouco sobre suas afirmações.

Fé e crenças à parte, é apenas uma outra leitura que fiz sobre o mesmo tema.  E como o assunto me apraz, explico os motivos.  

 

Quando o Papa, apesar de toda comitiva de segurança estar em carros luxuosos, preferiu andar em um modelo básico, sem ostentação, estava passando o recado que é possível, mesmo que possamos desfrutar de coisas mais requintadas, viver uma vida digna de forma simples; quando o Papa instigou jovens a irem para as ruas, contra a corrente, serem revolucionários e felizes, estava passando a mensagem de romper barreiras por um mundo melhor; quando o Papa declarou que é chegada a hora de pararmos com o consumismo desenfreado e desnecessário, estava dando o recado claro que nosso Planeta não suporta mais este modelo insustentável de ser; quando o Papa declarou que não entende como governantes  podem dormir tranquilos sabendo que existem sob sua responsabilidade cidadãos que passam fome e não têm educação, estava falando claramente em desigualdade, pobreza e falta de oportunidades, o que, também, é falar sobre sustentabilidade; quando o Papa declarou que não podemos mais viver sobressaltados com a queda de três ou quatro pontos percentuais nas bolsas de valores mundo afora, era porque enxergava ali que o foco para uma melhor qualidade de vida teria que ser o capital humano e a felicidade, não apenas seu lado financeiro.  Estava sinalizando que o importante é dar valor à vida e não ao dinheiro, o que, também, é sustentável.


Por isso, caro André Trigueiro, acredito que o que tenha sentido falta nos vários discursos do Papa seja a sustentabilidade explícita, o que concordo.  Mas não podemos ignorar, e aí discordo do título de seu artigo, que mesmo indiretamente, porém de forma bastante clara, o Pontífice tenha dado sinais que o mundo precisa mudar.  E rápido.

Se a Igreja Católica até pouco tempo atrás parecia insensível ao não ouvir a voz das ruas e vinha perdendo parte de seu rebanho, que clamava por mudanças que não ocorriam, agora, renovada após a eleição do Papa Francisco, é ela que pauta a agenda mundial ocupando espaços deixados por governos, partidos e políticos insensíveis às necessidades da humanidade.  

Semana passada li em algum periódico a entrevista de um integrante do “Anonymous” que declarou com clareza impressionante que a grande sacada do movimento são as “causas” que afligem as populações e perduram sem resolução há décadas.  São elas as grandes estrelas de hoje e reúnem multidões de pessoas mundo afora.  Disse, ainda, que a hora que as pessoas entenderem isso, será uma revolução.  Ou seja, pela ótica do movimento devemos ignorar direita ou esquerda, partidos e políticos e lutar por “CAUSAS”.

Se governos, políticos e partidos não entenderem ou não acreditarem nessa nova realidade de fazer política, corremos o risco (sustentável) de presenciar uma inacreditável aliança por mudanças na ordem econômica mundial, impensável até então, comandada por movimentos anônimos e a igreja. 

Abraços sustentáveis