Mostrando postagens com marcador consumismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador consumismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O hiperconsumismo do capitalismo global está nos matando

Além de ser uma autora e analista de renomado prestígio, Naomi Klein é, sobretudo, uma repórter. Em uma entrevista concedida a Alternet, a autora se referiu às investigações que realizou durante os últimos anos a respeito dos Big Green, as organizações ecologistas que formam parte do problema que desejam evitar e cujo relatório será dado a conhecer (em forma de filme e de livro) em 2014.
Para Klein, se tratou de uma “progressão natural” o passar de escrever sobre a capitalização do desastre em ‘The Shock Doctrine’ a escrever sobre a mudança climática: “Globalizamos completamente um insustentável modelo econômico de hiperconsumismo. Agora se dissemina exitosamente pelo mundo e está nos matando.”
Acontece que, segundo Klein, os grupos que deveriam servir como um contrapeso ao abuso corporativo e à cegueira governamental em assuntos sobre o meio ambiente estão reproduzindo as mesmas práticas elitistas dos grupos de poder. Além disso, não parece ser que, depois de uma década de vigiar muito de perto a mudança climática, tais grupos tenham conseguido fazer alguma diferença:
“Não só as emissões [de contaminantes] aumentaram, mas temos um montão de estafas para apontar… Acho que é uma questão importante o porquê os ‘grupos verdes’ decidiram desestimar a ciência em suas conclusões lógicas”, pois analistas como Kevin Anderson e Alice Bows “andaram dizendo, ao menos durante uma década, que chegar à redução de emissões que necessitamos no mundo desenvolvido não é compatível com o crescimento econômico.”
As verdadeiras causas da contaminação não se resolvem fazendo que as pessoas comprem somente coisas orgânicas ou “verdes”, mas atendendo ao modelo ao qual o capitalismo global nos marginalizou e a como podemos detê-lo. Parte da solução para Klein é que “se o movimento ambientalista decidiu lutar, deveriam deixar de lado seu status de elite”, coisa que não se permitiram. “Acho que isso é grande parte da razão pela qual as emissões estão como estão.”
Mas nem tudo está perdido. Sem apontar falsas esperanças, Klein valoriza o trabalho de muitos grupos ambientalistas, especialmente na Europa, os quais convocam os Estados Unidos a que não tratem de “ajeitar” seu sistema falido de emissões de carbono, “mas que de fato o abandone e comece a pensar em deter as emissões no país, em lugar de continuar com esta fraude. Penso que é o momento em que nos encontramos agora. Não temos mais tempo a perder com estas fraudes que são muito astutas, mas que não funcionam.”* Tradução: Liborio Júnior.Naomi Klein

Cadê Amarildo?
Hoje faz 73 dias que Amarildo foi levado para dentro da UPP da Rocinha por policiais militares e de lá desapareceu? 
E finalmente, também, depois de muita pressão, o Estado vai indiciar os policiais militares que comandaram a estúpida operação.  Resta saber se o ex-comandante daquela UPP será indiciado.
A mobilização deve continuar até termos certeza da punição dos culpados para que absurdos como esse não voltem a ocorrer.



terça-feira, 30 de julho de 2013

Papa Sustentável


Republiquei  propositalmente o bom artigo do jornalista André Trigueiro, que admiro, intitulado “Papa fez história, mas não falou de sustentabilidade” para conversarmos um pouco sobre suas afirmações.

Fé e crenças à parte, é apenas uma outra leitura que fiz sobre o mesmo tema.  E como o assunto me apraz, explico os motivos.  

 

Quando o Papa, apesar de toda comitiva de segurança estar em carros luxuosos, preferiu andar em um modelo básico, sem ostentação, estava passando o recado que é possível, mesmo que possamos desfrutar de coisas mais requintadas, viver uma vida digna de forma simples; quando o Papa instigou jovens a irem para as ruas, contra a corrente, serem revolucionários e felizes, estava passando a mensagem de romper barreiras por um mundo melhor; quando o Papa declarou que é chegada a hora de pararmos com o consumismo desenfreado e desnecessário, estava dando o recado claro que nosso Planeta não suporta mais este modelo insustentável de ser; quando o Papa declarou que não entende como governantes  podem dormir tranquilos sabendo que existem sob sua responsabilidade cidadãos que passam fome e não têm educação, estava falando claramente em desigualdade, pobreza e falta de oportunidades, o que, também, é falar sobre sustentabilidade; quando o Papa declarou que não podemos mais viver sobressaltados com a queda de três ou quatro pontos percentuais nas bolsas de valores mundo afora, era porque enxergava ali que o foco para uma melhor qualidade de vida teria que ser o capital humano e a felicidade, não apenas seu lado financeiro.  Estava sinalizando que o importante é dar valor à vida e não ao dinheiro, o que, também, é sustentável.


Por isso, caro André Trigueiro, acredito que o que tenha sentido falta nos vários discursos do Papa seja a sustentabilidade explícita, o que concordo.  Mas não podemos ignorar, e aí discordo do título de seu artigo, que mesmo indiretamente, porém de forma bastante clara, o Pontífice tenha dado sinais que o mundo precisa mudar.  E rápido.

Se a Igreja Católica até pouco tempo atrás parecia insensível ao não ouvir a voz das ruas e vinha perdendo parte de seu rebanho, que clamava por mudanças que não ocorriam, agora, renovada após a eleição do Papa Francisco, é ela que pauta a agenda mundial ocupando espaços deixados por governos, partidos e políticos insensíveis às necessidades da humanidade.  

Semana passada li em algum periódico a entrevista de um integrante do “Anonymous” que declarou com clareza impressionante que a grande sacada do movimento são as “causas” que afligem as populações e perduram sem resolução há décadas.  São elas as grandes estrelas de hoje e reúnem multidões de pessoas mundo afora.  Disse, ainda, que a hora que as pessoas entenderem isso, será uma revolução.  Ou seja, pela ótica do movimento devemos ignorar direita ou esquerda, partidos e políticos e lutar por “CAUSAS”.

Se governos, políticos e partidos não entenderem ou não acreditarem nessa nova realidade de fazer política, corremos o risco (sustentável) de presenciar uma inacreditável aliança por mudanças na ordem econômica mundial, impensável até então, comandada por movimentos anônimos e a igreja. 

Abraços sustentáveis