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terça-feira, 26 de maio de 2015

88% dos brasileiros subestimam impacto de alimentação inadequada





Uma nova pesquisa realizada em seis países pela Consumers International, a federação internacional de organizações de consumidores, mostra que um grande número de pessoas não tem conhecimento do grande impacto que as dietas não saudáveis estão tendo sobre a saúde pública global. A entidade brasileiraProteste, que integra a organização, destaca os dados nacionais da pesquisa.
Apenas 12% dos brasileiros identificaram que as dietas não saudáveis contribuem para mais mortes do que as guerras, o tabagismo, o consumo de álcool, o HIV/AIDS ou a malária. Quase nove em cada 10 brasileiros (88%) subestimam o impacto global de dietas pouco saudáveis quando comparados a outras causas.
A pesquisa também mostra a demanda por ações para ajudar os consumidores a escolher uma dieta saudável. Medidas como a redução de níveis elevados de gordura, açúcar e sal em alimentos todos os dias (74% apoiam fortemente, 25% apoiam), que regulamenta a comercialização de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal para crianças (59% apoiam fortemente, 34% apoiam) e dando aos consumidores mais informações sobre os níveis de gordura, açúcar e sal nos alimentos (83% apoiam fortemente, 16% apoiam), receberam níveis muito elevados de apoio.
Para Amanda Longo, diretora geral da Consumers International (CI), a pesquisa sugere que poucas pessoas entendem a escala da crise de saúde que o mundo está enfrentando. Dietas pouco saudáveis contribuem para 11 milhões de mortes por ano, categoria acima do tabaco como a principal causa mundial de doenças não transmissíveis evitáveis, como doenças cardíacas e câncer. A obesidade por si só custa à economia mundial dois trilhões de dólares por ano.
Desde 1980, a prevalência de obesidade em todo o mundo quase dobrou e a incidência de diabetes tipo 2 aumentou com dietas pouco saudáveis, o maior contribuinte para o problema global.
A Consumers International tem feito campanha para uma Convenção Global para proteger e promover dietas saudáveis, usando um mecanismo semelhante ao da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, que envolveu a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Estados membros.
A proposta é comprometer os países membros da OMS com políticas que incluem restrições à comercialização de alimentos pouco saudáveis para crianças, melhor rotulagem nutricional, reformulação de alimentos transformados para reduzir a gordura, açúcar e sal e o uso de instrumentos fiscais para apoiar o consumo de alimentos saudáveis.
Um tratado mundial de promoção e proteção da alimentação saudável é fundamental, pois atualmente, mais de dois bilhões de pessoas estão acima do peso – ou quase 30% da população mundial; cerca de 11 milhões de mortes por ano estão ligadas à alimentação inadequada; e o impacto econômico chega a dois trilhões de dólares por ano – ou quase três por cento do PIB mundial. São números bastante alarmantes.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O brasileiro e a mudança do clima


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Para 95% da população, impactos já estão sendo sentidos, como crise de água e energia; 84% afirmam que o poder público age de forma insuficiente ou não age para enfrentar o problema
Uma nova pesquisa do Datafolha mostra que o brasileiro está muito preocupado com as mudanças climáticas e acha que o governo não compartilha dessa preocupação.
Segundo o levantamento, encomendado pelo Observatório do Clima e pelo Greenpeace Brasil, 95% dos cidadãos acham que as mudanças climáticas já estão afetando o Brasil. Para nove em cada dez entrevistados, as crises da água e energia têm relação direta com o tema, sendo que para 74% há muita relação entre a falta de água e luz e as mudanças climáticas. No entanto, para 84% dos entrevistados, o governo não faz nada ou faz muito pouco para enfrentar o problema. O Datafolha ouviu 2.100 pessoas em todas as regiões do país.
“O cidadão médio tem um ótimo nível de entendimento das causas da mudança climática e de seu impacto sobre o cotidiano da população e mostra que está insatisfeito com o baixo grau de prioridade dado pelo governo a esse tema, crucial para o desenvolvimento do país”, destaca Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Os entrevistados também demonstraram vislumbrar as formas de resolver o problema. Entre as soluções apontadas estão a redução do desmatamento, melhorias no transporte coletivo e investimentos em energias renováveis. Mais de 80% dos brasileiros acham que essas ações inclusive trarão benefícios para a economia do país.
A pesquisa mostrou, ainda, que o brasileiro se enxerga como parte da solução: 62% dos entrevistados estão dispostos a instalar um sistema de microgeração de energia solar em casa – equipamentos conhecidos por 74% da amostra. Diante da hipótese de ter acesso a uma linha de crédito com juros baixos e a possibilidade de vender o excesso de energia para a rede elétrica, o percentual de interessados sobe para 71%.
“Há uma percepção bastante clara de que a microgeração de energia solar beneficia o cidadão e o país”, explica Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Entre as principais vantagens citadas pelos entrevistados estão a redução nas despesas com eletricidade (82%), a redução dos impactos de secas prolongadas (77%), a segurança e confiabilidade dessa fonte (70%) e o fato de que se trata de uma alternativa às hidrelétricas (69%). Os moradores das regiões Sudeste e Nordeste foram os que demonstraram maior entusiasmo com o tema.
Atualmente, a microgeração de energia enfrenta vários entraves como, por exemplo, a forma como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incide sobre a geração de eletricidade do cidadão que escolhe produzir sua própria energia. Outras questões, como a criação de linhas de financiamento com baixos juros, também precisam ser resolvidas.“Trata-se de uma excelente oportunidade para o governo agir em sintonia com a vontade da sociedade brasileira”, completa Baitelo.
Para pressionar os governadores a assinarem o convênio nº 16 do CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária), que permite aos Estados eliminar o imposto ICMS que incide na geração de eletricidade por meio de painéis solares, tornando essa energia mais barata e contribuindo para sua popularização, um abaixo-assinado está no ar desde 6 de maio.
Sobre a atuação do governo, a pesquisa Datafolha mostra que o brasileiro tem uma percepção bastante crítica: para 48%, o governo federal está fazendo menos do que deveria em relação às mudanças climáticas; para 36%, ele simplesmente não está fazendo nada. Os mais críticos são os brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste. Mas, para dois terços da amostra (66%), o Brasil deveria assumir uma posição de liderança no enfrentamento do problema em nível internacional. No Nordeste, esse índice chega a 74%.
A pesquisa também confirma que existe um bom entendimento das causas das mudanças do clima. Apresentados a nove possíveis causas, os entrevistados apontaram com mais frequência desmatamento (95%), queima de petróleo (93%), atividades industriais (92%), queima de carvão mineral (90%) e tratamento de lixo (87%). Para efeito de teste, a pesquisa incluía dois fatores que não têm relação com as mudanças climáticas – ambos ficaram entre os menos apontados pelos entrevistados (El Niño, com 64%, e mudanças no comportamento do Sol, com 83%). “Considerando a forte oposição patrocinada por setores que têm interesse em negar que as mudanças climáticas sejam causadas pela ação humana, este resultado é extremamente significativo, pois mostra que o negacionismo do clima não colou no Brasil”, analisa Rittl.
A pesquisa foi realizada entre 11 e 13 de março de 2015. O Datafolha utilizou metodologia quantitativa, realizando entrevistas pessoais e individuais em pontos de fluxo populacional de 143 municípios de pequeno, médio e grande porte com pessoas com mais de 16 anos de idade. A margem de erro para o total da amostra é de 2,0 pontos percentuais para mais ou para menos.

Observatório do Clima/Envolverde/Utopia Sustentável

domingo, 28 de dezembro de 2014

Brasil cresceu 250% em 20 anos o número de veículos automotores. Mas afinal, para onde vamos?

Existe um duplo discurso governamental quando a prosa toma o rumo da sustentabilidade e o desenvolvimento.  Recente estudo mostra que o país aumentou o número de veículos automotores em mais de 250% nos últimos 20 anos. Continuamos dando incentivos à compra de carros estimulando montadoras a produzirem carros sem contra-partidas ambientais e não aproveitamos a natureza que temos para desenvolver energias alternativas utilizando o sol e o vento que nos brindam.  Se não podemos evoluir na mesma razão o número de ruas e estradas algo está errado na caridade governamental.  Ou então, em breve, o colapso urbano se instalará.  Se devemos acreditar no discurso ambiental do governo, porque não pedirmos o mesmo para a indústria  de bicicletas e incentivamos a criação de ciclovias Brasil afora? Veja os números do setor e avalie você mesmo.

Emissões Veiculares

Estudo realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e parceiros resultou no Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários 2013. O trabalho tem como base as emissões atmosféricas do ano de 2012, e apresenta um quadro completo do total de poluentes emitidos no Brasil pelo transporte rodoviário. Técnicos do MMA utilizaram a mesma metodologia para calcular as taxas de 1992, resultando no comparativo do período de 20 anos. 
Entre 1992 e 2002:
A frota de veículos automotores aumentou 78,51%. 

Monóxido de carbono (CO): diminuiu 50,4%

Hidrocarbonetos não-metano (NMHC): diminuiu 47,7%. 

Material particulado: aumentou 11%

Óxidos de nitrogênio (NOx): aumentou 22,1% 


Entre 2002 e 2012: 

A frota de veículos automotores dobrou. 

Monóxido de carbono (CO): diminuiu 52,1%

Hidrocarbonetos não-metano (NMHC): diminuiu 45,1%. 

Material particulado: reduziu 45,2%

Óxidos de nitrogênio (NOx): reduziu 12,9% 

Metano (CH4): reduziu 26%


Entre 1992 e 2012:

A frota de veículos automotores aumentou 257,62%. 

Monóxido de carbono (CO): diminuiu 76,2%

Hidrocarbonetos não-metano (NMHC): diminuiu 71,6%. 

Material particulado: reduziu 39%

Óxidos de nitrogênio (NOx): aumentou 5,7%

  
INDICADORES

1992
2002
2012
CO
5,26
2,61
1,25
NOx
1,04
1,27
1,10
MP
61,12
67,90
37,23
HC
0,88
0,46
0,25
Frota
13,64
24,35
48,78
 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Pesquisa mostra que brasileiro se preocupa com meio ambiente e cobra papel do governo





Além do futebol, o brasileiro acaba de revelar que tem outra paixão. Uma pesquisa nacional encomendada pelo WWF-Brasil aponta que a maior parte da população tem um forte sentimento de orgulho pelo meio ambiente e as riquezas naturais do país. A maioria sabe da importância das áreas protegidas para o bem estar humano e acha que a natureza não está sendo tão bem cuidada como deveria. Os resultados foram apresentados esta semana em Sidney, na Austrália, durante o Congresso Mundial de Parques.
A pesquisa feita pelo Ibope durante a segunda quinzena de outubro com cerca de duas mil pessoas em todas as regiões, buscou entender como a população brasileira se relaciona com as unidades de conservação, como parques, reservas e outras áreas protegidas.
Os dados mostram que 58% dos entrevistados têm no meio ambiente um motivo de brasilidade. Esse mesmo sentimento faz bater o coração de 37% da população quando o tema é diversidade cultural, e 30% afirmam que têm no esporte a razão para exaltar sua brasilidade.
O brasileiro também está ciente do papel das áreas protegidas para o bem estar de todos. Entre os entrevistados, 65% afirmaram que a proteção da fauna e da flora é um dos benefícios dessas áreas.

Foto:©iStock/Filipefrazao
A população também sabe que proteger o meio ambiente significa garantir a proteção das nascentes, represas e rios, as principais reservas de água para o consumo humano. Essa relação está clara para 55% dos que responderam à pesquisa.
Para 48% dos pesquisados, as áreas protegidas ajudam a melhorar a qualidade do ar; 34% identificam nesses locais uma oportunidade para o descanso e o lazer e 25% enxergam perspectivas econômicas a partir da conservação do meio ambiente.
"O que a pesquisa deixa claro é que há um descompasso entre as políticas públicas de meio ambiente no Brasil e os anseios da população. Apesar do apreço que o brasileiro tem pelas áreas naturais, da importância delas na vida cotidiana das pessoas, esse tema não é uma prioridade nacional do ponto de vista dos governos", afirma Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.
Exemplo disso, diz ela, é o fato de que no recente debate eleitoral, o tema ambiental ficou na escuridão. "E foi isso que nos inspirou a fazer a pesquisa. Achamos que os políticos ainda não percebem o quanto o meio ambiente pode beneficiar o país. E o pior: não são capazes de perceber que a proteção ambiental é uma expectativa nacional."
Segundo a CEO, as áreas protegidas ajudam a conservar a água que abastece desde a agricultura até o consumo doméstico. As florestas e outros ecossistemas também colaboram no equilíbrio do clima, no regime de chuvas e fornecem uma diversidade enorme de outros serviços, como matérias-primas para medicamentos, alimentos e cosméticos. Têm, portanto, um papel econômico que ainda não está sendo considerado.

Foto: ©iStock/FernandoAH
"Será que vamos ter de sofrer outra crise como a da água em São Paulo para começar a dar valor à conservação do meio ambiente?", pergunta Wey de Brito. Segundo ela, a resposta dada pelo governo de São Paulo na questão hídrica foram obras que gastarão R$ 3,5 bilhões. "E não vai nada para a conservação dos mananciais. Não está certo".
A falta de atenção com o meio ambiente é uma preocupação do brasileiro que se reflete na pesquisa encomendada pelo WWF-Brasil. De cada dez entrevistados, oito consideram que a natureza não está protegida de forma adequada. Apenas 11% acham que sim.

Foto: ©iStock/Pedarilhos
"De fato, nosso sistema nacional de unidades de conservação nunca esteve tão ameaçado quanto agora. E isso está ocorrendo com anuência do Congresso Nacional por meio de projetos de lei e uma avalanche de pedidos de licença para mineração e construção de grandes obras de infraestrutura", adverte Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
Todas essas são atividades que podem gerar muito desmatamento. E 27% dos entrevistados veem no corte raso das florestas uma das principais ameaças à natureza. A poluição das águas vem em segundo lugar, com 26%. Caçar e pescar em locais proibidos são motivos de preocupação para 19% dos entrevistados. Outras ameaças apontadas na pesquisa são as grandes obras de infraestrutura e as mudanças climáticas.
E para resolver esse problema nacional, 74% dos entrevistados acham que o governo deve agir em primeiro lugar. Em segundo, são os cidadãos que devem tomar a frente (46%). AS ONGs também foram citadas. Para 20% dos brasileiros ouvidos na pesquisa, essas organizações têm papel importante na hora de cuidar das unidades de conservação.
"Precisamos de um pacto amplo, que envolva todos os setores, para mudar o cenário atual e posicionar a conservação da natureza e as áreas protegidas como prioridades reais na agenda do governo nos próximos quatro anos", afirma Timmers. "Não dá mais para esperar, os resultados dessa negligência estão batendo à nossa porta".