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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Aquecimento reduzirá oferta de energia


As mais importantes usinas do país – Furnas, Itaipu, Sobradinho e Tucuruí – teriam reduções de vazão de 38% a 57% no pior cenário. Foto: Rubens Fraulini / Itaipu Binacional
As mais importantes usinas do país – Furnas, Itaipu, Sobradinho e Tucuruí – teriam reduções de vazão de 38% a 57% no pior cenário. Foto: Rubens Fraulini / Itaipu Binacional
Estudo global com 26 mil usinas mostra que mais de 60% das hidrelétricas e 80% das termelétricas poderão ter restrições de operação por falta d’água e perda de capacidade útil entre 2040 e 2069
A estiagem que tem limitado a produção de energia nas hidrelétricas brasileiras será comum nas próximas décadas, e outros países devem enfrentar situações semelhantes. E quem acha que dá para contornar o problema ligando termelétricas fósseis pode se dar mal: as térmicas terão restrições de operação maiores ainda, por falta de água.
A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Holanda e da Áustria, que analisou como o aquecimento global afetará o comportamento de 26 mil usinas hidrelétricas e termelétricas em todos os continentes.
O grupo estima que mais de 60% das hidrelétricas estudadas e mais de 80% das termelétricas terão alguma perda de capacidade útil entre 2040 e 2069 devido à mudança do clima.
As hidrelétricas sofrem – como aprenderam os brasileiros – porque chove menos ou porque os períodos de estiagem no ano ficam maiores, o que reduz a quantidade de água dos reservatórios ou a vazão dos rios (no caso das usinas a fio d’água). Já as térmicas têm problemas não apenas por causa da menor vazão, mas também devido ao aumento da temperatura da água dos rios. Como essas usinas usam água (e muita) para seu resfriamento, rios mais quentes significam perda de eficiência na geração.
Hidrelétricas e termelétricas respondem, juntas, por 98% da eletricidade produzida no mundo. Estima-se que o consumo de água para alimentar o crescimento dessas duas modalidades de produção de energia vá dobrar nos próximos 40 anos.
Os autores, liderados por Keywan Riahi, do IIASA (Instituto Internacional de Análise Aplicada de Sistemas), na Áustria, estimam que a perda média de capacidade útil das usinas hidrelétricas no mundo possa ser de até 3,6% em 2050. Na América do Sul, que depende de hidrelétricas para gerar 63% de sua eletricidade, a perda pode chegar a 5,5% no pior cenário.
Para as térmicas o dano tende a ser ainda maior: a perda de capacidade útil é estimada em 7% a 12%, já que estas usinas são afetadas por dois problemas correlatos.
O novo estudo, publicado nesta segunda-feira na edição on-line do periódico Nature Climate Change, lança mão de dois modelos computacionais. Um é físico, simulando a variação na disponibilidade de recursos hídricos e na temperatura da água conforme dois cenários do IPCC (o painel do clima das Nações Unidas): o mais otimista, no qual a humanidade consegue limitar o aquecimento da Terra a menos de 2oC em relação à era pré-industrial, e o mais pessimista, no qual o planeta esquenta mais de 4oC neste século. A esse modelo físico foi incorporado um outro, de funcionamento das hidrelétricas e das térmicas.
Se o leitor achar que já viu isso antes, é porque viu, mesmo: abordagem semelhante foi utilizada no ano passado por cientistas da Universidade Federal do Ceará e da Coppe-UFRJ para estimar a vazão das hidrelétricas brasileiras em três períodos deste século (2040, 2070 e 2100) de acordo com o que vaticinam os modelos do IPCC, que ganharam um “zoom” regional. Os estudos integraram o projeto “Brasil 2040”, encomendado e depois rejeitado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
Segundo os dados do 2040, os rios de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Tocantins, Bahia e Pará poderão ter reduções de vazão de 10% a 30% até 2040. Transpostos para as usinas, os dados de vazão trazem um desafio para o setor de energia no Brasil: na média, a geração hidrelétrica no país cairia de 8% a 20%.
As mais importantes usinas do país – Furnas, Itaipu, Sobradinho e Tucuruí – teriam reduções de vazão de 38% a 57% no pior cenário. Na Amazônia, região eleita pelo governo a nova fronteira da hidroeletricidade no país, as quedas também seriam significativas: a vazão de Belo Monte cairia de 25% a 55%, a de Santo Antônio, de 40% a 65%, e a da usina planejada de São Luís do Tapajós, que teve seu leilão marcado para o meio do ano, de 20% a 30%.
Se os planejadores de energia governo desconfiavam dos resultados do Brasil 2040, o estudo austro-holandês deveria dar-lhes pausa para a reflexão, já que vai na mesma linha. Os mapas do estudo apontam inclusive reduções maiores no Sudeste-Centro-Oeste, mesma região que o Brasil 2040 considera crítica.
Riahi e colegas, no entanto, não fizeram a análise econômica necessária ao entendimento do comportamento real das usinas – o chamado “modelo de despacho”, feito no Brasil 2040 pelo grupo liderado por Roberto Schaeffer, da Coppe.
Os cientistas do IIASA e da Universidade de Wageningen, na Holanda, reconhecem que a situação climática é desafiadora, mas apontam uma saída: um aumento de eficiência de ordem de 10% nas usinas hidrelétricas poderia equilibrar a situação em quase todo o planeta. Menos em dois lugares: a Austrália e a América do Sul, que ainda teriam reduções de capacidade útil mesmo com medidas de adaptação.
Para as termelétricas o problema é maior ainda, já que há limites econômicos para a adoção de tecnologias alternativas de resfriamento. Estas poderiam elevar o custo de produção de energia entre 3% e 8%.
“A combinação de várias opções de adaptação (…) poderia ser uma estratégia mais eficaz para reduzir os impactos de restrições hídricas sobre o fornecimento global de eletricidade”, escrevem Riahi e seus colegas. “Um foco mais forte do setor de eletricidade em adaptação, além da mitigação, é, portanto, altamente recomendado para sustentar a segurança hídrica e energética nas próximas décadas.” (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Energia: vinte anos de retrocesso


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Por ano, o País desperdiça o consumo gerado por meia Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das três maiores do mundo. Foto: Kelsen Fernandes/ Fotos Públicas
Por ano, o País desperdiça o consumo gerado por meia Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das três maiores do mundo. Foto: Kelsen Fernandes/ Fotos Públicas
O setor energético tornou-se o maior emissor de poluentes do Brasil, mas esta rota não é inevitável.
Por Roberto Rockmann*
Desde a década de 90, as emissões totais de poluentes globais do País caíram 15%, resultado de alterações no uso da terra, em especial da redução do desmatamento na Amazônia, que chegou a representar mais de dois terços do problema e caiu para um terço. O setor de energia seguiu na contramão, com um acréscimo de 103% nas emissões. Quando são consideradas as líquidas, a energia tornou-se a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil, com 39% das emissões, seguida da agropecuária, com 36%. Entre 1970 e 2013, houve um crescimento de quase 300% nas, segundo relatório recente do Observatório do Clima.
A alta é explicada pelo uso intensivo das rodovias, modal altamente dependente de gasolina e diesel, e o aumento da geração das térmicas a gás natural e a óleo combustível. Isso colocará pressão sobre o segmento para reduzir suas emissões ao longo dos próximos anos e deverá elevar a busca por eficiência energética. “O Brasil tem trabalhado a redução das emissões, mas a maior contribuição veio do desmatamento e não deverá se repetir. Nessa situação, a eficiência energética poderá se tornar um fator importante”, destacou Tania Cosentino, presidente para a América do Sul da Schneider Electric.
No fim da década de 1990, sob a ameaça do racionamento de energia que seria decretado em junho de 2001, o governo decidiu investir em termoelétricas para aumentar a segurança do sistema. “A partir daí elas ganharam relevância e chegaram a responder por até 30% da geração. As emissões cresceram, com uma matriz mais dependente das chuvas. Mas, se é ruim com elas, seria pior sem elas”, afirmou a executiva.
Além de redesenhar a sua matriz com foco nas energias renováveis, o Brasil precisa se dedicar ao aumento da eficiência. “Hoje cerca de 30% da matriz é intensiva em carbono e o Brasil aproveita apenas 30% daquilo que poderia em eficiência energética, uma indicação do potencial a ser desenvolvido.” Por ano, o País desperdiça o consumo gerado por meia Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das três maiores do mundo. O custo de investir em eficiência seria de 50 reais o megawatt-hora, um terço do valor aplicado em hidrelétricas e um sexto do investido na construção de uma usina termoelétrica.
Segundo o presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, José Carlos de Miranda Farias, haverá uma nova oportunidade de melhorar a composição da matriz em meados da próxima década, quando os contratos das termoelétricas a óleo combustível para o mercado cativo expirarão. Poluentes e caras, as térmicas poderão ser substituídas por usinas a gás natural fornecido pelas reservas da camada do pré-sal. A Chesf, uma das maiores geradoras, com cerca de 10 mil megawatts de capacidade, receberá um reforço significativo à sua capacidade de investimento com a criação do Fundo de Energia para o Nordeste, estruturado a partir da renegociação de contratos de grandes consumidores. “Cerca de 28 bilhões de reais poderão ser direcionados para projetos com foco em energia renovável e metade do montante terá de ser aplicado no Nordeste”, destacou o presidente da empresa, que estuda investimentos em parques eólicos, térmicas a biomassa e hidrelétricas.
Uma das possibilidades de aumento da eficiência e melhor gestão de energia é a adoção das redes inteligentes, experiência incipiente no Brasil, mas bastante desenvolvida nos Estados Unidos, Europa e China. Os investimentos na área poderiam contribuir para a criação de um polo industrial dinâmico, em uma repetição do êxito do setor eólico, e a atração de investimentos para abastecer o mercado interno e exportar equipamentos.
A adoção das redes inteligentes significará também uma revolução no papel do consumidor que, além de optar por tarifas diferenciadas, poderá gerar energia em sua residência e obter créditos no sistema. As redes permitirão que as máquinas e equipamentos “conversem” entre si, em busca de eficiência. Também possibilitará ao usuário avaliar o consumo de cada eletrodoméstico em tempo real. Haverá tarifas diferenciadas por horário e o cidadão terá a possibilidade de gerenciar o horário de funcionamento dos aparelhos elétricos e aproveitar a energia mais barata ofertada na madrugada.
No mundo, as redes inteligentes avançam. Nos Estados Unidos, 43% das unidades consumidoras operam com medidores inteligentes e, na Califórnia, todos os medidores instalados são bidirecionais, leem o consumo e indicam se o cliente gera energia com seu painel fotovoltaico. Na China, com investimentos de 45 bilhões de dólares programados até 2016 pela estatal State Grid, 80% das unidades consumidoras deverão ter medidores inteligentes, afirmou Sergio Jacobsen, gerente-geral de serviços e soluções para smart grids da Siemens no Brasil.
“No Brasil, 6% da energia gerada é desperdiçada, o equivalente a toda a energia dos parques eólicos e das duas nucleares. Com um sistema mais dependente das usinas a fio d’água, a gestão do consumo ganha importância. A renovação das concessões de distribuição, que agora terão metas de qualidade mais rígidas, pode ser um direcionador do processo.” O Brasil, acredita o executivo, pode repetir o sucesso da energia eólica e criar uma indústria local de equipamentos para redes inteligentes, com mercado amplo. “A desvalorização cambial trouxe competitividade para exportarmos as soluções também.”
O mercado é promissor. No Brasil existem hoje cerca de 80 milhões de medidores. Menos de 5% são inteligentes. Em 2020, o nicho poderá movimentar 1,3 bilhão de reais. Para as redes saírem do papel, será preciso trocar esses dispositivos e criar condições para as concessionárias investirem em sistemas de comunicação que “dialoguem” com os medidores e contenham tecnologias facilitadoras da gestão remota das redes. “Falta um sinal claro de preço para as concessionárias investirem e terem o retorno adequado.”
José Carlos de Miranda Faria, da Chesf. E Tania Consentino, da Schneider Eletric. Foto: Greg Salibian
José Carlos de Miranda Faria, da Chesf. E Tania Consentino, da Schneider Eletric. Foto: Greg Salibian
Atualmente a maioria dos projetos de smart grid é conduzida no âmbito dos programas de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica, no qual as concessionárias investem perto de 0,5% de sua receita operacional líquida em iniciativas inovadoras. Para o diretor de engenharia da CPFL Energia, Paulo Bombassaro, é essencial uma regulação própria e uma sinalização econômica adequada para as concessionárias apostarem na nova tecnologia. Os sistemas modernos permitem o corte remoto do fornecimento de energia e dispensam o envio de equipes de campo para a unidade consumidora inadimplente. A religação pode ser feita também remotamente, em poucos segundos. Mas hoje não existem regras para o corte automático.
Faltam ainda condições econômicas adequadas para os investimentos. “A indústria precisa de escala. Quando houver regulação e o sinal de preço, surgirão pedidos firmes e aí os fabricantes investirão em produção local. Será um passo na direção de uma cadeia densa, como a da indústria eólica”, afirmou o executivo. O custo de um equipamento inteligente pode ultrapassar 500 reais, enquanto o do tradicional é inferior a 100 reais. Enquanto o modelo convencional tem um tempo de vida de 25 anos, o novo tem uma duração estimada em 13 anos.
A CPFL Energia, com cerca de 15% do mercado de distribuição do País, instalou perto de 25 mil medidores para clientes de média e alta tensão e trabalha em um projeto para 2 milhões de consumidores do grupo B, de baixa tensão, com investimentos previstos entre 700 milhões e 800 milhões de reais. O plano deverá ser apresentado ao Conselho de Administração no fim do ano ou começo de 2016. Um dos focos seriam as áreas mais densas da concessão, entre elas alguns pontos da cidade de Campinas com trânsito congestionado, dificuldade de acesso aos domicílios dos consumidores e encarecimento da medição.
No Rio de Janeiro, a cidade de Búzios foi escolhida pela Enel Brasil, empresa de geração de energia, para o projeto pioneiro da distribuidora Ampla de implementação da sua rede no Brasil. Com cerca de 10 mil clientes, quatro alimentadores, topografia plana e facilidade de conexões, a cidade é muito procurada por turistas brasileiros e estrangeiros, um fator considerado importante para dar visibilidade à ideia. Foram instalados cerca de 10 mil medidores bidirecionais, que permitem tanto a leitura do consumo quanto saber se o cliente exporta energia para a rede. O projeto tem investimento previsto de 40 milhões de reais e é conduzido pelo programa de P&D da Aneel, afirmou Weules Correia, responsável por Pesquisa & Desenvolvimento da Enel Brasil e coordenador do projeto Cidade Inteligente Búzios. Com tal projeto, a concessionária mapeia melhor sua rede e testa o eventual aumento da microgeração distribuída. Na Europa, em países como a Alemanha, houve maciço interesse de clientes que instalaram painéis fotovoltaicos ou microgeradores eólicos nas residências para conseguir gerar energia e ter uma fonte adicional de renda. (Carta Capital/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sábado, 1 de agosto de 2015

Belo Monte ditará rumos energéticos


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Rua do bairro Jatobá, o primeiro dos cinco construídos pela empresa Norte Energia para reassentar os deslocados pela represa da hidrelétrica de Belo Monte na cidade de Altamira, no Pará, na Amazônia brasileira. Foto: Mario Osava/IPS
Rua do bairro Jatobá, o primeiro dos cinco construídos pela empresa Norte Energia para reassentar os deslocados pela represa da hidrelétrica de Belo Monte na cidade de Altamira, no Pará, na Amazônia brasileira. Foto: Mario Osava/IPS

Paulo de Oliveira trabalha como taxista na cidade de Altamira, norte do Brasil, mas só quando está desempregado do que considera sua verdadeira profissão, operador de veículos pesados, como betoneiras, caminhões e tratores especiais para grandes obras. Há alguns meses dirige o táxi de um amigo durante à noite, enquanto espera emprego na construção de Belo Monte, uma gigantesca hidrelétrica que divide opiniões e instituições no Brasil, por aproveitar as águas do rio Xingu.
Pequeno, em contraste com os veículos que maneja, Oliveira viveu em muitos lugares da Amazônia. “Comecei na Força Aérea, um civil entre militares, construindo aeroportos, quartéis e estradas em Itaituba, Jacareacanga, Oriximiná, Humaitá e outros municípios”, contou à IPS. A morte de uma irmã em um acidente automobilístico o devolveu a Altamira, onde se dedicou a ser garimpeiro. “Uma vez fiquei soterrado a dez metros de profundidade em um túnel”, afirmou.
Ele se salvou desse e de outros perigos e ganhou muito dinheiro com o ouro e o táxi em que transportava mineradores que lhe pagavam fortunas para ir e vir entre a cidade e o garimpo. “Mas gastei tudo co mulheres”, confessou. Depois foi para Manaus, capital do Amazonas, com dois milhões de habitantes, para a construção da monumental ponte sobre o rio Negro.
Na etapa seguinte, Porto Velho, perto da fronteira com a Bolívia, desconfiou que algo ruim aconteceria nas obras da hidrelétrica de Jirau e abandonou o posto onde estava há alguns meses. Dias depois, em março de 2011, estourou a rebelião dos trabalhadores, que queimaram 60 ônibus e quase todos os alojamentos para 16 mil operários, paralisando por vários meses a construção de Jirau e de outra grande central vizinha, Santo Antonio, ambas no rio Madeira.
Após passar por outras obras, aos 50 anos, Oliveira regressou a Altamira, cidade de 140 mil habitantes a 55 quilômetros de Belo Monte, onde procura voltar a trabalhar depois de estar parado desde 2013. Mas está difícil, porque a ocupação nessa obra está em queda, devido à aproximação do fim da construção das estruturas de concreto. E é possível que operários de sua estirpe, especializados em construção pesada, já não tenham futuro em grandes hidrelétricas. Belo Monte, por suas controvérsias, dificultará a realização de projetos semelhantes.
Ponte em construção na cidade amazônica de Altamira, para evitar inundações durante a cheia de um rio. Obras como esta integram o plano básico ambiental, destinado a compensar os impactos da gigantesca hidrelétrica de Belo Monte, a 55 quilômetros de distância, no norte do Brasil. Foto: Mario Osava/IPS
Ponte em construção na cidade amazônica de Altamira, para evitar inundações durante a cheia de um rio. Obras como esta integram o plano básico ambiental, destinado a compensar os impactos da gigantesca hidrelétrica de Belo Monte, a 55 quilômetros de distância, no norte do Brasil. Foto: Mario Osava/IPS
A avaliação que se imponha no caso de Belo Monte ditará o destino dos planos do governo para aproveitamento energético dos rios amazônicos, os únicos ainda com potencial para geração em grande escala, já esgotada em outras partes do Brasil.
Um estudo do não governamental Instituto Socioambiental indica que, completados os planos de construção do governo para o período 2005-2030, as hidrelétricas amazônicas fornecerão 67,5% da nova geração elétrica desse país com 203 milhões de habitantes. O próximo projeto dessa magnitude, São Luiz, no rio Tapajós, a oeste do Xingu, enfrenta um obstáculo aparentemente insuperável: a necessária inundação de terras indígenas para formar sua represa, o que é proibido pela Constituição brasileira.
Belo Monte, cujo projeto original foi modificado para não inundar terras indígenas, é duramente criticada por afetar o modo de vida indígena. A promotoria acusa a concessionária Norte Energia de etnocídio e de não cumprir obrigações com comunidades originárias, que em protesto ocuparam e danificaram várias vezes algumas de suas instalações.
São Luiz, projetada para gerar 8.040 megawatts, e outras centrais previstas para o rio Tapajós, enfrentam uma resistência potencialmente mais eficaz, encabeçada por um povo significativo na bacia, o munduruku, com cerca de 12 mil integrantes. Na área de influência de Belo Monte vivem pouco mais de seis mil indígenas divididos em nove grupos e quase a metade em cidades, segundo disse à IPS o especialista Francisco Brasil de Moraes, coordenador substituto no Meio Xingu da Fundação Nacional do Índio (Funai), o órgão estatal de proteção aos povos originários.
Francisco Assis Cardoso, no centro, de camiseta escura, em seu novo comércio de alimentos. Este jovem empreendedor instalou um supermercado e uma farmácia em Jatobá, o novo bairro de Altamira em que toda sua família foi reassentada devido à construção da central de Belo Monte, na Amazônia brasileira. Foto: Mario Osava/IPS
Francisco Assis Cardoso, no centro, de camiseta escura, em seu novo comércio de alimentos. Este jovem empreendedor instalou um supermercado e uma farmácia em Jatobá, o novo bairro de Altamira em que toda sua família foi reassentada devido à construção da central de Belo Monte, na Amazônia brasileira. Foto: Mario Osava/IPS
Outra batalha, a do desenvolvimento local, tem menos repercussão internacional do que a questão indígena, mas também pode ser decisiva para a aceitação de hidrelétricas na Amazônia. A Norte Energia, um consórcio de dez empresas estatais e privadas e fundos de investimento, destina cerca de US$ 1,1 bilhão para ações de mitigação e compensação dos impactos sociais e ambientais em 11 municípios no entorno da megaobra. Esta quantia, sem precedentes em projetos deste tipo, equivale a 12% do total do investimento.
A empresa reassentou 4.100 famílias, desalojadas de suas casas para a construção da represa, indenizou outras milhares, reurbanizou parte de Altamira e do município de Vitória de Xingu, incluindo obras de saneamento básico, e construiu ou remodelou seis hospitais, 30 centros de saúde e 270 salas de aula. Apesar destes números, as queixas chovem de todos os lados.
A Norte Energia instalou o esgoto e as tubulações nas ruas de Altamira, com modernas instalações para tratamento de água potável e de esgoto. Mas atrasou em dez meses o acordo assinado em junho para conectar essas redes às moradias, com a prefeitura administrando e a empresa financiando. E levará outro tempo mais para a Câmara de Vereadores criar uma empresa municipal de saneamento e que o serviço comece a funcionar.
“Para minha família prometeram três casas, porque temos dois filhos casados, mas depois retiraram o direito a duas, talvez porque eu, doente, não possa reclamar”, lamentou José de Ribamar do Nascimento, de 62 anos, reassentado no bairro de Jatobá, ao norte de Altamira, o primeiro construído para as famílias desalojadas de áreas que serão inundadas. Cada casa tem três dormitórios, sala, cozinha e banheiro em 63 metros quadrados, mais 300 metros quadrados de terreno, e suas ruas estão pavimentadas.
Estação de tratamento de água de Altamira, construída pela Norte Energia, concessionária da hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia brasileira. No momento está ociosa porque os encanamentos instalados na cidade não estão conectados à construção. O saneamento urbano faz parte das contrapartidas exigidas da empresa. Foto: Mario Osava/IPS
Estação de tratamento de água de Altamira, construída pela Norte Energia, concessionária da hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia brasileira. No momento está ociosa porque os encanamentos instalados na cidade não estão conectados à construção. O saneamento urbano faz parte das contrapartidas exigidas da empresa. Foto: Mario Osava/IPS
Com câncer de próstata, Nascimento tem dificuldades para caminhar e vive com uma pequena pensão, mas acredita em um futuro melhor para a população local graças aos empregos que a hidrelétrica gera. “Aqui se vive muito melhor, nossa velha casa ficava alagada com as chuvas, andávamos na água, sobre pontes de madeira podre”, disse sua mulher, Anerita Trindade, de 61 anos. “Às vezes falta água e não há transporte para o centro da cidade, mas agora estamos em terra firme”, comemorou.
Melhor sorte teve Francisco Assis Cardoso, que aos 32 anos se converteu no maior comerciante de Jatobá. Sua família de quatro irmãos obteve cinco casas contíguas, isso lhe permitiu construir um supermercado em sociedade com sua mãe e uma farmácia. “Eu trabalhava em uma farmácia, é o que sei fazer”, afirmou. Mas critica a Norte Energia por demorar paraa cumprir as promessas de escola, ônibus e postos de saúde nos cinco novos bairro e “pelas injustiças” na distribuição de moradias.
Um Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu busca ir além das compensações por despejo e outros impactos das reservas. Uma coordenação paritária entre sociedade e governos escolhe projetos que são financiados pela Norte Energia. A Agenda de Desenvolvimento Territorial foi elaborada com estudos e consultas de uma equipe contratada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiou 80% da construção de Belo Monte.

Um terceiro desafio de Belo Monte é provar sua validade a críticos de seu próprio setor elétrico, que se opõem a centrais de passagem, as que aproveitam a água sem retê-la, têm pequenas represas e baixa geração na época de estiagem. Belo Monte vai gerar, em média, apenas 40% de seus 11.233 megawatts de capacidade instalada. Para não inundar terras indígenas, reduziu sua represa para 478 quilômetros quadrados, 39% do previsto no projeto original da década de 1980. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

quarta-feira, 27 de maio de 2015

34 mil moradores de SP trocam recicláveis por desconto na conta de luz






O projeto de coleta de materiais recicláveis da AES Eletropaulo “Recicle Mais, Pague Menos” comemora dois anos no mês de maio. Por meio desse programa, os moradores de São Paulo podem trocar materiais recicláveis por desconto na conta.
Neste período, 2,7 mil toneladas de resíduos recicláveis foram recebidas, o que representa uma redução nas emissões de sete toneladas de gás carbônico (CO2). Esse total corresponde a aproximadamente uma economia de 11 MWh de energia elétrica, o que se compara ao abastecimento de uma cidade como Juquitiba, na grande São Paulo, por dois meses.

Foto: Reprodução/Youtube
Já somam oito pontos de coleta ao da Vila Guacuri, primeiro da iniciativa na capital. Ao todo, são cerca de 34 mil clientes cadastrados, que podem chegar a zerar a conta de luz por meio do projeto.

Foto: Reprodução/Youtube
Até o momento, cerca de R$ 168 mil de bônus na conta foram concedidos aos clientes. “Além de obter desconto na fatura, engajamos a população a contribuir com o meio ambiente. O material reaproveitado também reduz o processo industrial e, por isso, gera economia de energia”, afirma Luciana Alvarez, gerente de Sustentabilidade e Gestão da Marca da AES.
Como funciona o Recicle Mais, Pague Menos
Os interessados devem se cadastrar em qualquer um dos pontos de coleta para receber o cartão personalizado. Ao levar os resíduos separados para o local, o material é pesado e precificado, de acordo com a tabela praticada pelo mercado de reciclagem, e o valor vira desconto na conta de luz. Os participantes recebem na hora um comprovante com a quantia que será abatida na próxima fatura de energia elétrica. Não há limite para o desconto – assim, se a pesagem dos resíduos superar o valor consumido de energia, por exemplo, o crédito restante vai virar desconto na fatura seguinte.

Foto: Reprodução/Youtube
Saiba onde estão os pontos do Recicle Mais, Pague Menos:
- São Paulo (Capital)
Universidade Mackenzie: Rua da Consolação, 1.000.
Horário de funcionamento: Segunda à sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
Jaguaré: Rua Floresto Bandecchi, 156, na Sociedade Benfeitora Jaguaré.
Horário de funcionamento: Segundas, quartas e sextas, das 09h às 12h30 e das 13h30 às 16h.
Águia de Haia: Av. Águia de Haia, 2636, no Assaí Atacadista.
Horário de funcionamento: terça à sábado, das 10h às 13h e das 14h às 17h.
Guaianases: Estrada Dom João Nery, 4.031, no Assaí Atacadista.
Horário de funcionamento: terça a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 17h.
Heliópolis: Rua Coronel Silva Castro, altura do n° 202.
Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 09h às 12h30 e das 13h30 às 16h.
São João Clímaco: Rua São João Clímaco esquina com a Rua Luís Abodanza.
Horário de funcionamento: terças e quintas, das 09h às 12h30 e das 13h30 às 16h. Aos sábados, das 9h às 12h30h.
Vila Guacuri: Rua Joaquim Forzano, em frente ao número 50.
Horário de funcionamento: segunda à sexta, das 09h às 12h30 e das 13h30 às 16h.
Aos sábados das 9h às 12h30.
Jardim Patente: Av. Patente, 193, dentro do Condomínio Habitacional São Caetano*
Horário de funcionamento: segunda, quarta e sexta, das 9h às 12h30 e das 13h30 às 16h.
*Acesso exclusivo para os moradores do condomínio.
- São Paulo (Região Metropolitana)
 Barueri (SP): Av. Marginal Direita (s/n), no Jardim Paulista, ao lado da UBS.
Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 09h às 12h30 e das 13h30 às 16h.
Ciclovivo/Utopia Sustentável

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Edifício construído em São Paulo reduz consumo de água potável em 94%





O EcoCommercial Building (ECB), edifício que utiliza mais de 20 tecnologias para construções sustentáveis baseadas em matérias-primas produzidas pela Bayer MaterialScience, acaba de receber a certificação LEED-NC Platinum do U.S. Green Building Council, que reconhece as melhores estratégias e práticas sustentáveis.
Este é o sexto prédio deste tipo construído pela Bayer no mundo que, além de suas matérias-primas, contou com soluções em sustentabilidade de mais 13 empresas parceiras que atuam no país.
“Estamos muito orgulhosos com este reconhecimento. Soluções como o ECB são muito importantes, pois considerando as megatendências previstas para as próximas décadas - como a escassez de energia - edifícios como este podem se tornar soluções de médio a longo prazo, já que são capazes de gerar toda sua energia e reduzir em até 80% o consumo”, reforça Fernando Resende, gerente do Programa EcoCommercial Building no Brasil.

Foto: Divulgação
Com projeto assinado pelo escritório de arquitetura Loeb Capote, o ECB Brasil foi construído no bairro do Socorro, em São Paulo. O empreendimento reduziu o consumo de água potável em 94,8%, graças ao aproveitamento de água da chuva, uso de equipamentos de baixo consumo e espécies vegetais com baixa demanda de irrigação. Além disso, 97% de todos os resíduos gerados pela obra foram desviados de aterros sanitários e destinados à reciclagem ou ao reaproveitamento.
Para reduzir o consumo de energia, 100% dos espaços têm acesso à luz e ventilação naturais, e apenas 5% dos espaços têm ar condicionado. Também são utilizados recursos como isolamento térmico em tetos e paredes com poliuretano, placas translúcidas de policarbonato nas fachadas que bloqueiam calor e permitem entrada de luz natural, brises, persianas e películas para proteção solar, além de diversas aberturas para circulação de ar.
Outro ponto de destaque deste projeto é que nenhuma árvore foi removida do terreno: 17 árvores foram incorporadas ao prédio e contribuem, entre outras coisas, para proteção solar.
Além disso, toda a geração de energia solar, consumo de água e energia por tipo de uso, volume de águas de chuvas captado e emissões de CO2 evitadas são medidos e controlados em tempo real, segundo a segundo, para evitar desperdícios. “Ainda na questão energética, em simulação, verificou-se que o ECB poderá ser o primeiro prédio do Brasil a gerar energia solar para cobrir 100% de sua necessidade anual. Os resultados serão verificados na prática com um ano de medição, o que vai acontecer em março de 2015”, reforça Resende.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Francês projeta casa pré-fabricada que produz 50% mais energia do que consome





O arquiteto francês Phillippe Starck desenvolveu um modelo de casas pré-fabricadas capazes de gerar 50% mais energia do que consome. O protótipo já está pronto e, mesmo tendo diversas opções tecnológicas, foi desenvolvido para ser acessível e chegar ao maior público possível, conforme informado pelo próprio arquiteto.
A primeira residência foi apelidada de Monffort e faz parte da linha PATH, feita em parceria com a Riko, uma das principais fabricantes europeias de casas de madeira pré-fabricadas. Starck também informa que a coleção possui quatro tipos diferentes de residência, com 34 tipos de plantas diferentes. Além disso, elas foram pensadas para utilizar apenas 1/3 da energia gasta em uma casa tradicional.

Foto: Divulgação
Um dos itens sustentáveis importantes usados pelo francês no projeto é a cobertura de cornija, que vai muito além da estética. A forma aplicada à superfície da casa protege o sistema que produz e distribui a energia, evitando perdas no processo.

Foto: Divulgação
Os clientes que optam por uma casa dessa coleção podem escolher quais tecnologias deseja aplicar para produzir energia. É possível usar painéis fotovoltaicos, turbinas eólicas, acrescentar sistemas de captação da água da chuva, usar energia solar par ao aquecimento da água, bombas de calor, entre outras coisas.

Foto: Divulgação
No exterior, a casa possui grandes vidraças, que ajudam a aproveitar melhor a iluminação natural. Os tamanhos disponíveis variam de 140 a 350 metros quadrados, com opções de até oito quartos, escritório e jardim de inverno. O arquiteto garante que a construção é feita com materiais que geram poucos resíduos e são entregues aos clientes em até seis meses. CicloVivo/Utopia Sustentável

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Garota de 17 anos inventa sistema portátil que limpa água e produz energia





Com apenas 17 anos, a jovem australiana Cynthia Sin Nga Lam desenvolveu um sistema portátil que pode facilitar muito a vida de pessoas que vivem em comunidades isoladas. A pequena tecnologia é capaz de purificar a água ao mesmo tempo em que gera energia.
A invenção foi apelidada de H2prO e tem como base apenas dois agentes principais: dióxido de titânio e luz. Ao entrar em contato com a luz, o titânio absorve a energia ultravioleta e gera radicais que auxiliam o processo de oxidação de compostos orgânicos, que se decompõem para produzir CO2 e H2O.
Os testes que usam o titânio para separar poluentes da água foram feitos pela primeira vez pelo japonês Akira Fujishima e serviram de inspiração para Cynthia em seu experimento. Para tornar o sistema efetivo, a jovem precisou testas diferentes combinações, com a adição de um agente de oxidação, como metanol, gliverol e EDTA, que atuam como excelentes redutores. Essa mistura eleva a produção de hidrogênio, usado como combustível, e tornam a decomposição mais eficaz.
O dispositivo é pequeno e composto por duas partes. A unidade superior é usada para a purificação da água, enquanto a divisão inferior serve para a geração de hidrogênio, conectada a uma célula de combustível e à unidade base para a filtração da água.

Fotos: Divulgação
Os testes feitos mostraram que o H2prO tem eficiência de 90% na remoção dos poluentes orgânicos, finalizando o processo em até duas horas. No entanto, em relação à produção de energia, o sistema ainda é instável, mesmo que a produção de hidrogênio fotocatalítico tenha sido satisfatória.
A jovem inventora é uma das finalistas do concurso de ciência do Google e, em sua apresentação, ela garante que continuará trabalhando para tornar o sistema ainda mais eficiente. Clique aqui para saber todos os detalhes deste sistema.
Redação CicloVivo

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Engenheiro cria máquina que troca lixo reciclável por dinheiro





O engenheiro zambiano Shanker Sahai criou a Greenbean Recycle, uma máquina que devolve dinheiro a quem insere garrafas de plástico, vidro e latinhas de alumínio em seu interior. Cada pessoa que deposita lixo no sistema ganha um perfil online de interação social, por meio do qual confere a quantidade de materiais já reciclados e ainda pode competir com outros usuários.
De acordo com o criador da máquina, a interação com as outras pessoas é um dos fatores que mais incentivam o descarte de resíduos no sistema. “Quando as pessoas conferem seus nomes em um painel de pontuações, ficam mais estimuladas a usar a máquina novamente, continuando a reciclar”, conta Sahai. Por enquanto, existem nove unidades instaladas nas principais universidades dos EUA, dentre elas Harvard, MIT e Brandeis University, mas a meta é levar as máquinas para estádios, aeroportos e outras localidades em que há grande circulação de pessoas.
O engenheiro civil, que se inspirou nas máquinas de venda reversa dos EUA, também explica que espera mudar a opinião das pessoas em relação ao reaproveitamento do lixo. “Reciclar é uma tarefa bem chata, e, às vezes, não sabemos de que forma o nosso esforço faz a diferença. A máquina mostra, em tempo real, que até uma única garrafa ou latinha faz a diferença, incentivando as pessoas a continuarem a reciclar”, declarou o engenheiro ao portal Co.exist.
Além de fazer depósitos instantâneos na conta dos usuários, o dispositivo também dá créditos em um restaurante de comida mexicana e prêmios nas redes sociais. A máquina também  processa os resíduos, eliminando gastos de transporte até as usinas de reciclagem e o armazenamento em contêineres. Até agora, o Greenbean Recycle conseguiu aproveitar mais de 34 toneladas de lixo, gerando uma economia de energia superior a 73 mil kWh. Redação CicloVivo

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Veículos elétricos e rede de energia vão se comunicar pela nuvem





Oito montadoras, entre elas a Ford, junto a 15 empresas de eletricidade norte-americanas estão desenvolvendo uma tecnologia que permitirá aos veículos elétricos se comunicar com a rede de energia por meio da nuvem. A ideia é tornar o uso - desses automóveis -, mais eficiente e econômico.
A criação da plataforma de comunicação tem o apoio do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica dos EUA. O sistema usa padrões e tecnologias de comunicação já existentes, como o MyFord Mobile App, evoluindo para a comunicação bidirecional entre a rede elétrica e os veículos.
Por meio dessa ferramenta, as fornecedoras de energia podem enviar um pedido para que os donos parem temporariamente a recarga do automóvel, ajudando a evitar os períodos de sobrecarga da rede.
Em contrapartida, as empresas de eletricidade participantes vão oferecer descontos aos proprietários que recarregarem seus carros de acordo com a disponibilidade de energia da rede, como é dado para os clientes que permitem o uso intermitente do ar-condicionado em casa nos períodos de alta demanda. Além de poder escolher o local de recarga, os optantes terão a opção de ignorar o pedido para parar o processo.
"Essa plataforma inovadora é um grande passo para o avanço na eletrificação dos veículos", diz Mike Tinskey, diretor global adjunto de Infraestrutura de Eletrificação da Ford. "É uma forma de recompensar financeiramente os donos de veículos elétricos pela disposição em ajudar no gerenciamento da rede elétrica."
A parceria do projeto começou no segundo semestre de 2012, mas o conceito de integração dos veículos com a rede elétrica já é pesquisado por vários grupos há mais de 10 anos.