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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Bairro carente de Bogotá tem centro comunitário construído com garrafas PET





O centro comunitário Weaving Cazucá, localizado em uma comunidade carente de Bogotá, na Colômbia, é muito mais do que um simples abrigo. A estrutura foi erguida usando como principal matéria-prima garrafas PET reaproveitadas e areia e ajuda capacitar crianças e jovens.
Para que a construção ganhasse forma, foram necessárias 40 mil garrafas plásticas. O projeto começou a ser desenvolvido em 2011, com o da Fundação Starkey Hering e ficou pronto em 2012. A partir daí, a Fundação Nukanti deu início aos trabalhos de apoio à população local, marcada pela imensa pobreza e falta de acesso a serviços públicos.
O abrigo foi construído com a mão de obra dos próprios moradores locais e não possui muitas tecnologias. No entanto, a estrutura já está recebendo placas fotovoltaicas que devem ajudar a gerar energia limpa para o uso durante as atividades.
Conforme informado na página da fundação, o bairro de Cazucá é composto por assentamentos informais. Além disso, boa parte da população que ali reside é composta por refugiados que fugiram de outras regiões durante os conflitos armados colombianos da década de 70.
Assim sendo, a casa de garrafas serve como um verdadeiro refúgio para impedir que crianças e jovens se envolvam com violência ou gangues. O centro comunitário oferece diversas atividades gratuitas, como aulas de música, reforço escolar, dança e capoeira.
Redação CicloVivo/Utopia Sustentável

terça-feira, 24 de junho de 2014

Especialistas defendem que cidades devem ser a vanguarda da luta climática




Evento na Alemanha alerta que as mudanças climáticas já afetam as vidas das pessoas e recomenda que as autoridades locais não esperem por um acordo climático internacional para agir
Segundo o Banco Mundial, a perda anual com enchentes nas cidades vai ultrapassar US$ 1 trilhão em 2050, sendo que boa parte do litoral brasileiro está entre as regiões que mais serão afetadas. Além disso, a entidade afirma que ondas de calor, escassez de recursos hídricos e tempestades mais intensas e frequentes já são observadas por todo o mundo, e que as autoridades locais deveriam assumir a vanguarda para lidar com esses problemas.
179 Especialistas defendem que cidades devem ser a vanguarda da luta climática
Foto: Banco Mundial
Essas mensagens foram apresentadas no Fórum sobre Experiências e Melhores Práticas Municipais e de Autoridades Subnacionais, que foi realizado em paralelo à rodada de negociações climáticas em Bonn, na Alemanha, ainda em andamento.
“Um novo mundo urbano precisa ser construído para que consigamos enfrentar o desafio climático. O sucesso ou o fracasso de uma civilização mais resiliente depende das cidades”, declarou Kishan Kumarsingh, co-presidente do evento.
O caso da atual crise de água em São Paulo chegou a ser mencionado, assim como exemplos de outras cidades que já enfrentam problemas possivelmente relacionados às mudanças climáticas, mesmo que não percebam.
“Ainda há muito desconhecimento quanto a esse assunto. Mas já está claro que as autoridades subnacionais não podem ficar esperando por algum tipo de acordo climático internacional para só então agirem. Mesmo que não reconheçam a realidade das mudanças climáticas, prefeitos precisam se dar conta que ações urgentes são necessárias em vários setores, como na gestão de recursos hídricos”, disse Brian Kilkelly, da Rede Mundial de Cidades.
Boas iniciativas
Um dos pontos centrais do evento foi dar destaque para as melhores políticas já implementadas ao redor do mundo.
Por exemplo, a cidade de Malmo, na Suécia, possui 98% de seus resíduos residenciais reciclados ou transformados em energia. Toda a frota do transporte público utiliza apenas biogás e os carros da prefeitura são elétricos. Além disso, a cidade tem como meta ter 100% de sua energia gerada através de fontes renováveis até 2030, ano em que também deve alcançar a neutralidade de carbono.
Por sua vez, Bogotá, capital da Colômbia, investiu pesado nos últimos anos em um modelo de transporte público mais eficiente, o que retirou das ruas milhares de carros, melhorando o trânsito e reduzindo a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa. A cidade lidera ainda o ranking latino-americano de ciclovias, com um total de 376 km construídos.
De uma forma geral, os especialistas reunidos em Bonn apontaram uma série de benefícios relacionados aos investimentos em resiliência climática nas cidades: são medidas que geram empregos em vários setores, como eficiência energética; que melhoram a saúde pública, diminuindo, por exemplo, os gastos com tratamentos de doenças respiratórias; e que reduzem enormemente as perdas em casos de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas.
“Além disso, as cidades podem servir de exemplo para o mundo e facilitar o estabelecimento de um acordo climático vigoroso”, disse Gino Van Begin, do Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI).
Porém, nem todas as cidades possuem condições financeiras para promover ações desse tipo. Foi o que deixou claro o representante do município de Dar Es Salaam, na Tanzânia, que afirmou não haver recursos disponíveis para que se pense em adaptação ou mitigação climática.
Para casos como esse, os especialistas reunidos no evento destacaram a necessidade de serem colocados em prática mecanismos de financiamento já existentes, como o Fundo Climático Verde. Também deveriam ser criadas novas ferramentas de cooperação, transferência de tecnologias e de apoio logístico e técnico entre os governos nacionais e subnacionais.
“Será nas cidades que a batalha do desenvolvimento sustentável será vencida ou perdida”, concluiu Kirabo Kacyira, co-presidente do evento.* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A primavera das bicicletas



BicicletasBogota TERRAMÉRICA   A primavera das bicicletas
Um milhão de pessoas usam a cada domingo as ciclovias recreativas, que fecham algumas das principais ruas da capital colombiana.
“Diariamente percorro 43 quilômetros e isso me agrada”, diz Carlos Cantor, em Bogotá. “Há cinco anos troquei o carro pela bicicleta”, afirma Tomás Fuenzalida, de Santiago. Ambos expressam a primavera das bicicletas como solução de transporte na América Latina. Mas na segunda região mais urbana do mundo, a bicicleta cresce em um processo algumas vezes ensolarado e noutras nublado, diz o estudo Bicidades 2013, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre os avanços desse meio sustentável em cidades grandes e médias.
O informe, baseado em pesquisas e solicitado pela Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis do BID, registra que entre 0,4% e 10% da população usa a bicicleta como transporte principal. Entre as cidades pesquisadas, a boliviana Cochabamba lidera a lista com 10% da população. Em seguida estão La Paz e Assunção, com 5%. Todas elas se incluem como cidades emergentes, com cem mil a dois milhões de habitantes. Entre as grandes urbes, em Santiago do Chile e Cidade do México, 3% da população tem na bicicleta seu principal transporte, seguidas por Buenos Aires e Bogotá, com 2%.
Bogotá afirma ser “ícone mundial na promoção das ciclorrotas”, como se chamam na Colômbia as ciclovias, com 376 quilômetros confinados e mais 120 de vias recreativas, com ruas interrompidas ao tráfego de carros nos dias festivos. Cantor, comunicador social de 58 anos, fez uma pausa em seu trajeto diário para contar ao Terramérica sua experiência. “É um deslocamento rápido, porque não tem congestionamento, e em algumas partes até desfruto de vegetação e tranquilidade. É um ambiente solidário e se faz amigos”, afirmou.
A Secretaria de Mobilidade do Distrito Capital calcula que em Bogotá, com cerca de oito milhões de habitantes, há aproximadamente 450 mil que usam bicicletas, majoritariamente operários, seguidos por estudantes de setores populares. As ciclovias recreativas remontam a 1974 e são usadas a cada domingo por um milhão de pessoas. “A ciclovia (recreativa) me encanta, a uso todos os domingos, mas as ciclorrotas não, porque muitas são incompletas, com trechos para compartilhar com automóveis e ônibus, e me dá medo”, explicou ao Terramérica a estudante de direito Carolina Mejía. “Além disso, a insegurança é grande”.
Segundo Cantor, “a insegurança é certa, todos os dias há roubos de bicicletas e seu comércio é muito alto. Em segundos, com um spray mudam a cor e sua bicicleta desaparece. Mas aprendemos a usar as que não são tão pretensiosas, e colocar marcações que dificultam seu comércio clandestino”. Fuenzalida, de 44 anos, substituiu o automóvel pela bicicleta na capital chilena “pela saúde”, porque faz exercício “sem pegar um só peso na academia” e porque “é muito mais agradável andar de bicicleta do que de metrô, por exemplo”.
Ele não pedala apenas para ir ao trabalho, mas também para levar os filhos na escola, para ir a reuniões ou visitar a família. Para gente como ele, a prefeitura de Santiago implanta o Plano Mestre de Ciclovias para estender esses caminhos para 933 quilômetros. Atualmente somam 215 quilômetros, com outros 130 em municípios rurais vizinhos. Não chamada Grande Santiago vivem mais de cinco milhões de pessoas.
“Este é um dos pilares para aumentar o uso de bicicletas e para que a cidade e os santiaguinos percebam os benefícios em descongestionamento, saúde e cuidado ambiental”, afirmou ao Terramérica a ministra secretária-geral do Governo, Cecilia Pérez. O intendente metropolitano, Juan Antonio Peribonio, declarou ao Terramérica que o plano estará pronto em 2022 e que também estão sendo construídos trechos de ligação das ciclovias existentes. A isso se soma um sistema de bicicletas públicas para incentivar este transporte alternativo.
No entanto, nem tudo é bom para os ciclistas. “Às vezes há pedestres, taxistas ou motoristas que me xingam, me chamam de burra. Devem se acostumar com meu direito de andar pela rua como eles”, contou Laurie Fachaux, uma jornalista francesa de 28 anos, há poucos meses no Chile. A psicóloga Antonia Larraín, de 37 anos, acredita que parte do problema é a falta de regulamentação que proteja os ciclistas. “Se há acidentes, há total impunidade”, lamentou essa mulher que diariamente pedala 13 quilômetros para ir e voltar ao trabalho.
A outra face quem mostra é Enrique Rojas, de 50 anos e 30 como taxista em Santiago. “Os ciclistas são imprudentes, cruzam entre os carros e não respeitam os sinais. Muitas vezes quase atropelo algum porque não respeitou o sinal vermelho ou pedalava sem luz à noite”, disse Rojas ao Terramérica. “Os ciclistas também deveriam ser obrigados a ter carteira de habilitação e as bicicletas deveriam ter placas. Não podem pegar a bicicleta e não se preocupar com nada, deixando sua segurança nas mãos de outros”, queixou-se o taxista.
A bicicleta também avança na Cidade do México, com oito milhões de pessoas, aos quais se somam outros 11 milhões em sua área vizinha. “Foi um processo relativamente curto”, explicou Xavier Treviño, diretor do escritório mexicano do não governamental Instituto de Políticas para o Transporte e o Desenvolvimento (ITDP). “Seu maior êxito foi colocá-la como meio opcional e sua maior fortaleza a promoção”, detalhou ao Terramérica.
O emblema das duas rodas na capital mexicana é o sistema de Transporte Individual Ecobici, que desde seu lançamento em 2010 soma 87 mil usuários, com quatro mil bicicletas distribuídas em 275 estações ao longo de 22 quilômetros. Para usar o sistema é preciso se registrar e pagar US$ 31 por ano. Além disso, a Cidade do México tem 90 quilômetros de ciclovias confinadas e não confinadas. “Sistemas como o Ecobici incentivam a continuar crescendo. É uma inércia positiva. Mas falta infraestrutura. Todas as vias primárias devem ter infraestrutura para bicicletas”, opinou Treviño.
Segundo o Bicidades 2013, quase todas as 18 cidades emergentes e seis grandes pesquisadas contam com ciclovias permanentes, menos Assunção e a colombiana Manizales. Somente Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México, Assunção, La Paz e Montevidéu têm regulamentações sobre pedalar no trânsito urbano, como pede o taxista Rojas. Envolverde/Terramérica
* A autora é correspondente da IPS, com colaborações de Helda Martínez (Bogotá), Emilio Godoy (Cidade do México) e Marianela Jarroud (Santiago). por Estrella Gutiérrez*