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terça-feira, 4 de abril de 2017

Carta aberta a Gilmar Mendes: o senhor deveria aprender com a juíza americana que pediu desculpas por se meter em política. Por Paulo Nogueira


Caro ministro Gilmar:

O senhor desonra a Justiça. É a pior espécie de juiz que pode existir: aquele que se move por razões políticas. Sabemos antecipadamente qual será seu voto quando se trata de um tema político. Isto, em si, é uma afronta à dignidade da Justiça.
O senhor sabe, ou deveria saber, que no mundo civilizado sua conduta é intolerável.
Há um caso exemplar em curso nos Estados Unidos. Uma juíza da Suprema Corte, Ruth Bader Ginsburg, fez alguns comentários sobre o candidato à presidência Donald Trump.
Chamou-o de “enganador”, e acusou-o de ter um ego enorme.
Caro Gilmar: são elogios perto das coisas que o senhor fala de Lula e do PT sem nenhuma cerimônia e nenhum pudor.
Pois as palavras da ministra geraram uma tempestade política entre os americanos. Trump disse que ela deveria renunciar. Especialistas em ética se ergueram contra a ministra. Editoriais de jornais condenaram-na energicamente.
Repare, aqui, a diferença, caro Gilmar: nenhum jornal jamais publicou um editorial que reprovasse as barbaridades que o senhor pronuncia sistematicamente contra o PT.
Isso mostra a aliança que existe entre as grandes companhias de mídia e alguns juízes do STF. Eu diria: as duas partes se merecem.
A juíza americana, diante da repercussão de suas afirmações, recuou humildemente. Lamentou ter-se pronunciado em algo que não lhe cabe — política. “Juízes devem evitar falar sobre política. No futuro, terei mais cuidado.”
Juízes que atuam como políticos rebaixam, ao mesmo tempo, a política e a Justiça. É o seu caso, ministro Gilmar.
A péssima imagem do Poder Judiciário perante a sociedade deriva, em boa parte, do senhor. Mais recentemente, é verdade, outro juiz deu uma contribuição milionária para a desmoralização da Justiça, Sérgio Moro, com sua fixação em punir petistas e apenas petistas.
E antes de vocês dois, não podemos esquecer, tivemos Joaquim Barbosa, a quem a mídia proporcionou holofotes em doses extraordinárias em troca do massacre do PT no julgamento do Mensalão.
Caro Gilmar: insisto no ponto de que as declarações da ministra Rute foram nada perto do que o senhor fala todos os dias.
Nos Estados Unidos, um juiz como o senhor não existiria. A opinião pública não tolera a intromissão de juízes nos debates políticos.
Caro Gilmar: o senhor não é apenas um mau juiz. É também um golpista.
Confio que, no futuro, comentários políticos de juízes provoquem no Brasil o mesmo tipo de indignação que existe nos Estados Unidos e em outros países socialmente avançados. Quem quer fazer política deve se submeter às urnas.
O senhor é o retrato togado de um país explorado abjetamente por um plutocracia sem limites em sua ganância portentosa.
Sinceramente.
Paulo

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Xadrez do golpe em marcha e a teoria do avestruz


O processo de fechamento político obedece a uma lógica conhecida:
Etapa 1 – o golpe inicial nas instituições, com a destituição do presidente eleito.
Etapa 2 – a perseguição implacável aos derrotados.
Etapa 3 –reação dos atingidos, na forma de protestos.
Etapa 4 – superdimensionamento e criminalização dos protestos, para induzir a mais repressão.
Etapa 5 – o golpe final, com a suspensão formal das garantias individuais.

Peça 1 – é golpe em preparação, sim

O editorial da Folha, conclamando ao endurecimento contra os manifestantes marcou a entrada na Etapa 4. Some-se a ela a coluna do Secretário de Redação (https://is.gd/x5gmKd) retomando todos os bordões das guerras ideológicas dos anos 50: uma “elite vermelha” com um “comitê central” mirando os alvos – empresários, imprensa, parlamentares, procuradores e juízes – para planejar seus atentados. Os atentados, em questão, consistem em chama-los de “golpistas”, “dia e noite”. Depois, nas ruas, as “tropas de assalto” entendendo o recado e partindo para a ação. “Nas derivações subletradas do marxismo de hoje, o culto da revolução —o banho de sangue que abriria caminho para o mundo pacificado— deu lugar ao prazer estético da depredação e do confronto provocado com a polícia”.
Não há mau jornalismo, paranoia ou estratégia editorial que explique esses artigos. Trata-se de uma ação deliberada visando utilizar as manifestações contra o impeachment como álibi para a suspensão dos direitos civis.
Em São Paulo, o indiciamento de 16 adolescentes por formação de quadrilha, colocando como indício celulares, gazes, algodão, vinagre e um chaveiro do Pateta; no Rio, a PM invadindo a sede do PCdoB, a pretexto de estar investigando suspeitas de atentados nas Olimpíadas, tudo isso configura um quadro claro de endurecimento político e de interrupção das garantias individuais.
Essa estratégia está ligada ao rápido esvaziamento do governo Michel Temer e à perda de perspectiva em relação a 2018. Especialmente à enorme dificuldade encontrada pela Lava Jato para liquidar com Lula.
A campanha persecutória contra Lula entra na fase delicada, colocando em risco a imagem do Brasil no mundo. É este o dilema.           

Peça 2 - a encruzilhada da Lava Jato

A ideia da Lava Jato era a de que Lula chefiava uma organização criminosa e se locupletava disso. Julgava que bastaria uma acusação, a quebra dos sigilos fiscais e bancário, dele e da família, uma prensa em alguns delatores para entregar Lula de bandeja à opinião pública.
Ao longo do ano, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, porta-voz da Lava Jato, deu várias entrevistas, prometendo entregar o serviço da condenação de Lula.
Feita a devassa, não foi identificado nenhum elemento que comprovasse corrupção. Começa aí uma sucessão de operações contra Lula, uma perseguição implacável, meio sem nexo, que em breve submeterá o Brasil ao julgamento das cortes internacionais de direitos humanos.

Peça 3 – a última bala contra Lula

A última tentativa foi na semana passada, em um relatório da Polícia federal com erros grosseiros e uma base factual fictícia que apresentou diversas evidências da perseguição imposta a Lula.
Evidência 1 – a caracterização do crime.
O relatório imputa um crime – corrupção passiva – que só se aplica a funcionário público. Colocaram os supostos delitos na linha do tempo em 2014. Desde 1o de janeiro de 2011 Lula não é funcionário público. Dona Marisa nunca foi. E não se incluiu nenhum funcionário público na lista dos indiciados.
Evidência 2 – os inquéritos ocultos
O que mais surpreendeu foi o fato da denúncia ter ocorrida no âmbito de um inquérito que tramitou de forma oculta na PF. 
Há um inquérito público que apurava os verdadeiros proprietários dos apartamentos no edifício Solaris. Foi relatado sem imputar crime algum a Lula. O inquérito oculto que só foi descoberto porque o Ministério Público Federal (MPF), talvez por engano, peticionou no inquérito público indicando o número do inquérito oculto. Os advogados de Lula fizeram pedido de acesso ao juiz Sérgio Moro. Que respondeu que só poderia dar acesso com concordância do MPF. Nesse ínterim, soube-se da existência de um terceiro procedimento, também oculto.
No dia 19 de agosto, os advogados ajuizaram a reclamação no STF (Supremo Tribunal Federal) No dia 24 de agosto Moro deu acesso ao inquérito. Dois dias antes, sem permitir nenhuma possibilidade de esclarecimento, a PF anunciou o indiciamento de Lula e Marisa. Nada foi instaurado para apurar os fatos relatados. A rigor, ninguém apurou nada. Indiciamento em si não tem o menor valor legal. Serve apenas para estigmatizar pessoas e garantir palanque para delegados.
Lula e Marisa se tornaram alvo da cobiça de todas as partes, inclusive da Associação dos Peritos da PF que acusou o delegado de divulgar o inquérito sem dar o devido crédito aos peritos.
O grande feito do delegado – surrupiando o mérito da Associação dos Peritos – foi a descoberta de uma rasura em um documento privado. Quem fez, por que fez, não se sabe e nem se foi atrás para saber. Mas graças à rasura o delegado pode atribuir a Lula o crime de “falsidade ideológica”.
Enfim, uma cena de vaudeville em uma das dez maiores economias do planeta.

Peça 4 – os abusos identificados pelo Supremo

O Supremo reconheceu pelo menos duas ilegalidades graves na Lava Jato:
1.     A ilegalidade do grampo entre Dilma e Lula.
2.     Ilegalidade na conduta de Serio Moro, de dar publicidade às interceptações telefônicas.
Se o Supremo reconheceu que Moro agiu de forma ilegal, e afirmou que tal conduta poderia configurar crime, de acordo com jurisprudência pacífica caberia ao PGR tomar providências. Afinal, confirmou-se que o monitoramento atingiu 35 advogados de defesa, atingiu a privacidade de um ex-presidente da República e teve papel relevante na votação do impeachment.
Advogados estrangeiros consultados não conseguiram identificar episódio semelhante em qualquer outro país civilizado. O que de mais remoto se levantou foi o juiz espanhol Baltazar Garzon que monitorou a conversa de um réu preso com seu advogado. Sequer teve a ousadia de divulgar o áudio. Mas foi punido.
No Brasil, o monitoramento de 35 advogados não resultou em nada, nenhuma consequência, nem administrativa nem penal. Havia claro desvio funcional com a lei definindo a conduta como criminosa. Diversas representações ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) foram arquivadas. Em junho foram feitas representações ao MPF para apurar os crimes de abuso de autoridade e crime previsto no artigo 10 da Lei das Interceptações. Até agora não houve nenhum desdobramento relevante. Foi feita uma representação por abuso de autoridade dirigida ao PGR Rodrigo Janot. A medida que tomou foi reencaminhar para o MPF do Paraná.
Todas as medidas nem foram no sentido de punir os abusos, mas de paralisar os abusos contra direitos fundamentais de Lula. Em vão.

Peça 5 – a denúncia à ONU

Com o Estado se recusando a fazer a apuração, sem nada mais a fazer no Brasil, a defesa de Lula decidiu levar o caso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. Esse recurso está previsto naqueles casos com ausência de medidas eficazes para paralisar violações.
Agosto foi mês de férias. Em setembro as demandas passaram a ser analisadas. A primeira etapa é o juízo de admissibilidade da comunidade. Aceito, faz-se a instrução do caso e leva-se a julgamento.
Se condenado, a ONU monitora o país para verificar o cumprimento dessa obrigação. Em 2005, ditou novas regras estreitando a análise do monitoramento, com relatórios a serem encaminhados para a Assembleia Geral afim de dar ciência sobre o cumprimento ou não do que for acordado.
Nos tempos em que se apresentava como defensor dos direitos humanos, o PGR Janot deu parecer no sentido de que o Brasil tem obrigação de cumprir todas as decisões proferidas por órgãos internacionais em relação aos quais o país aceitou a jurisdição.
Se a ONU identifica violação, a condenação envolve tanto a parte de reparação aos danos acusados - tanto moral como específica - como a punição individual aos culpados, e não apenas ao juiz que cometeu violações.  No Tratado da ONU, aliás, há um capítulo específico sobre o MPF, indicando como procuradores e promotores devem atuar na persecução penal, dando parâmetros de conduta.
A base da denúncia é a parceria procuradores-Judiciário e a pressão da mídia sobre o Judiciário.
Foi denunciado que a Lava Jato atropelou um princípio sagrado de direito, que é a separação entre quem denuncia, quem investiga e quem julga. Há entrevistas do procurador Deltan Dallagnol dizendo que eles e Moro formam  um time só.
Outra tese que poderá ser levantada pelos advogados de Lula será a da “teoria do avestruz”.
Tenta-se imputar a Lula a chamada “teoria do domínio do fato” – segundo a qual seria impossível ao presidente da República não saber as falcatruas cometidas na Petrobras. Nos Estados Unidos, um juiz isentou a Price Watherhouse de responsabilidade nas falcatruas da Petrobras, entendendo que ela não teria como saber.
Levado ao pé da letra, é possível que sobre para o Ministério Público.
A fiscalização da Petrobras passava pela auditoria interna, pelo conselho fiscal, pela auditoria externa, pela Presidência da Petrobras, pelo Ministério das Minas e Energia, Controlador Geral da União e Tribunal de Contas da União.
Todos os órgãos têm em comum a presença de um procurador do Ministério Público. Como alegar, então, que o MPF não sabia das falcatruas? O inquérito inicial é de 2006 e diz que desde então o doleiro Alberto Yousseff era monitorado. Como nada se descobriu durante anos?
Esse conjunto de circunstâncias configuraria a chamada “teoria da avestruz”, da cegueira deliberada.
GGN - Luis Nassif/Utopia Sustentável

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Janio de Freitas: Lava Jato não precisa de prazo, precisa de ética


leilao
Da coluna de Janio de Freitas, hoje, na Folha:
A Lava Jato não precisa do prazo de encerramento que lhe cobram, precisa de critérios de justiça e de ética. O seu acúmulo de decisões arbitrárias e prepotentes recebeu nos últimos dias um incremento inovador e mais um repetitivo.
A decisão dos procuradores da Lava Jato de só aceitar a delação de uma das empreiteiras Odebrecht e OAS, levando ao menos os dirigentes da outra a cumprir pena como condenados comuns, invoca um erro para justificar-se. Alega que, associadas em numerosos trabalhos, as duas têm o mesmo teor de informações a delatar. A dedução é falsa. Ambas fizeram negócios individuais, e com associações diferentes, em número muito maior do que suas operações conjuntas.
O efeito pretendido está por trás da alegação. As duas empreiteiras são as únicas, nas grande acusações, que ainda não cederam às exigências da Lava Jato. Apesar de seus dirigentes, Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro, serem os empreiteiros mais constrangidos pelos procuradores e pelo juiz Moro. Decidir pela delação de uma só é coerção para que o mais temeroso dos dois dirigentes se prontifique a dizer o que os integrantes da Lava Jato esperam ouvir.
No beabá da ideia de justiça está o preceito de que “todos são iguais perante a lei”. Esqueceram, na Lava Jato? Bem, não foi agora.
Além da coerção como método, tolerada pelos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público, a determinação da Lava Jato terá como resultado, se efetivada, uma injustiça: acusações idênticas ou equivalentes premiam um com o corte da pena e encarceram o outro. Não duvido de que também essa arbitrariedade seja incapaz de suscitar rejeição das instâncias apropriadas. Mas, apesar de terem o poder de aceitar ou recusar delações, duvido de que a discriminação planejada pelos procuradores da Lava Jato possa encontrar amparo legal. Ético, nem se fale.
E por que “ao menos um” dos grandes empreiteiros teria negada a delação, devendo cumprir pena como os condenados comuns? Quer dizer que os adeptos das delações acham necessária ao menos uma condenação verdadeira, porque os delatores são condenáveis deixados impunes pela própria Justiça? Eis um avanço conceitual da Lava Jato sobre delações premiadas.
Primeira presa na Lava Jata, a doleira Nelma Kodama sai da cadeia. Mais de dois anos encarcerada. Ou seja, até ceder à delação para a Lava Jato informar-se do que, de outro modo, exigiria investigação cansativa. As investigações, dizem lá, são menos resultantes. As delações, diz-se aqui, são menos confiáveis. O que tem levado, e levará muito mais, à retificação de acusações e divulgações da Lava Jato. Ou, melhor, à correção de injustiças e arbitrariedades –aliás, já em aplicação no Supremo Tribunal Federal.
Por Odilon de Barros - Utopia sustentável

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Cunha é sinônimo do fracasso de um sistema que teima sobreviver


São várias as razões pelas quais nos deparamos ainda hoje com a figura de Eduardo Cunha deputado.  Afinal, ele é a obra–prima acabada com requintes de crueldade de nosso arcaico e casuísta sistema político nacional.

Ao longo dos últimos trinta anos pós-redemocratização, nossa pouca participação na vida política do país aliada à educação propositalmente rala da população, permitiu a nossos representantes durante décadas, ficar à vontade para aprovar leis que, em sua grande maioria, criaram um arcabouço jurídico à feição da impunidade e, praticamente, intransponível.  Vide a resistência à Operação Lava Jato e a enorme dificuldade para punir poderosos.   É preciso desprivatizar o Estado brasileiro, fazer com que órgãos estatais trabalhem a serviço da sociedade e não a serviço de grupos com interesses privados junto ao governo.

Sistematicamente abdicando do poder de influir através do voto nos destinos do país, criamos máximas do tipo ”não tenho nada com isso, odeio política, não voto em ninguém”.  Parimos essa criatura horrenda que mescla Al Capone em corpo de rato, glória a Deus. Hoje, vemos o quão difícil e custoso para a imagem do país está sendo removê-lo da cadeira de representante do povo na Câmara.  E que em junho, se a omissão do STF permanecer, por força do Congresso da ONU, tradicionalmente aberto por nós, assistirá Cunha presidente do Brasil. Escárnio  !!!

Com desculpas as mais diversas, permitimos a não remoção de entulhos autoritários, como o foro privilegiado e o voto obrigatório, entre outros.  Não conseguimos, em prol da Nação e do povo, realizar a necessária reforma política para avançarmos rumo a um futuro cada vez mais distante e que nunca chega.
 
Mas não é só o legislativo que está em cheque.  Como três novelos que se interligam em um, judiciário e executivo criaram sistemas de proteção próprios e muitas vezes autônomos e se aproximam do precipício ético, social e econômico, lado a lado ao primeiro.  Por sua vez, Estados e Municípios reproduzem em cadeia, nos três níveis de poder, problemas similares aos que ocorrem em nível federal, só que potencializados.

Hoje, somos todos Cunha, que representa todo nosso fracasso político atual; a mentira; a hipocrisia; o conchavo; a falta de pudor; de caráter; de respeito à sociedade; de falta de sinceridade; a certeza da impunidade; a certeza que o crime compensa; a certeza de que ser político não vale à pena; a certeza de que o estado brasileiro deve servir a interesses privados e não à sociedade; a certeza que a lei 8.666/93 é um convite à corrupção e às negociatas e precisa ser modificada; a certeza que o foro privilegiado para questões criminais deve acabar; a certeza que a justiça é cega, surda e muda; a certeza que precisamos de uma reforma do judiciário e; a certeza de que jamais poderia estar à frente e comandar o julgamento do processo de impeachment da presidente Dilma. 

Vivemos à beira do precipício há décadas.  Não podemos cair, mais uma vez, na esparrela de que um impeachment solteiro será a solução para os gravíssimos problemas que temos a resolver. Como disse o brasilianista Albert Fishlow dias atrás “engana-se quem pensa que o impeachment é o fim de nossa crise. É o início”.

Continuo a crer que estamos em uma verdadeira sinuca de bico político.  Se por um lado Dilma, mesmo que mantenha o mandato (o que acho justo), perdeu a capacidade política de levar o país até 2018, tampouco Temer, com o desejo de vingança que se criou e apoio menor que a antecessora junto à sociedade, conseguirá erguer pontes para o futuro e pacificar o país.   

É fundamental que o STF compreenda o importante papel que tem a desempenhar agora e não se omita pendendo com seu silêncio, como pareceu até o momento fazer, apenas para um lado do jogo político.  A sociedade está de olho e atenta para ver se Chico apanhará tanto quanto Francisco.

O momento é agora: “Concertação Nacional e Eleições Já ”.  Um grande entendimento entre todos os atores e a sociedade.  Apesar da dificuldade, fica sempre a esperança que a sociedade possa dar o empurrão necessário para o país avançar.



Abraços Sustentáveis

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

PEC da vergonha

Se realmente fôssemos um país que aprendeu que a primeira lição na vida de um político é não roubar, o primeiro ato após a descoberta de todo o lodaçal da Operação Lava Jato seria inibir doações privadas para campanhas eleitorais.  

Mas não, mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal declarar, na última semana, a inconstitucionalidade das doações, comandados por Cunha, Renan e Temer, o Congresso articula, no apagar das luzes, a aprovação relâmpago de uma PEC que, segundo interpretações duvidosas, deverá forçar o STF a julgar a matéria novamente.    É a lei valendo apenas quando o resultado interessa a quem as faz.

Feito isso, basta um simples ministro de nome Gilmar Mendes pedir vistas do processo.  E tudo volta a ser como dantes no quartel da corrupção.  E olha que estamos falando do Supremo Tribunal Federal, instância maior do judiciário brasileiro.
 
Será que o termo “INCONSTITUCIONAL”, doravante, terá outro significado nos dicionários tupiniquins?  Alô, alô, OAB e políticos do bem, não vejo no horizonte ninguém entrar com um mandado segurança preventivo, nenhuma ADIN.
 
Pobre Brasil.  Um escárnio, uma vergonha.

Abraços Sustentáveis


Odilon de Barros

sexta-feira, 12 de junho de 2015

E se Gilmar Mendes fosse contra ?


 A votação no Supremo Tribunal Federal, para liberação de biografias não autorizadas é um ótimo exemplo de como o órgão máximo da justiça no país precisa mudar (ou cumprir à risca seus regulamentos internos), para que possa atender aos anseios maiores da população brasileira.

A despeito de, enquanto sociedade, sermos reconhecidos mundo afora como povo de memória curta, o resultado unânime desse julgamento (9 a 0), comparado à proibição do financiamento de campanhas políticas por empresas privadas, interrompido por um pedido de vistas do Ministro Gilmar Mendes quando o placar apontava vitória antecipada por 6 a 1, mostra a exata desconexão daquele Tribunal com a vontade popular.

Sem dúvida, uma manobra regimental pessoal (ou vice-versa), que dá a todos os Ministros o poder de brecar qualquer processo a seu bel prazer.  Um escárnio antidemocrático e ditatorial!!!


Mas afinal, que democracia é essa que não respeita a vontade da maioria (da Casa e da sociedade)?  Por mais democráticos e regimentais que possam existir, que interesses escondem-se por trás da consciência jurídica do Sr. Ministro Gilmar Mendes?

O certo, e reconhecido antecipadamente pelo balanço da maior estatal brasileira, a Petrobras,  é que bilhões de reais foram roubados/desviados. Em qualquer país do mundo, quando isso acontece, medidas enérgicas e saneadoras são imediatamente implementadas. 

Mas aqui em Brazilândia o tempo parece passar mais devagar.  E tudo vai se acomodando com fornadas quentinhas de pizzas ao sabor de uma anestesiada sociedade.  Os sabores da moda...Lava Jato, Porto Vitória, CBF, Anões, Mensalão, Petrolão, vêm sendo ofertados há décadas por pizzaiolos fajutos.

Com fome de justiça, por julgamentos limpos e saborosos, sai de cima dessa pizza, Ministro Gilmar Mendes.

Abraços sustentáveis

Odilon de Barros

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Juiz Cordioli e Deputado Donadon: dois brasileiros distintos


Se queremos um país mais justo, com qualidade de vida, sustentável e ético, deveríamos dar apoio e prestar solidariedade ao Juiz Fernando Cordioli, da Comarca de Otacílio Costa, cidade distante 250 Km de Florianópolis que, por sua atuação firme no combate aos Coronéis da política local, foi afastado em função de pedido aprovado por 49 dos 62 desembargadores do estado que solicitaram, ainda, exame de sanidade mental do magistrado.  Motivo: a firmeza no trato da coisa pública.

O exame, tornado público pelo magistrado, atestou: “não detectamos no periciado Fernando Cordioli Garcia qualquer diagnóstico psiquiátrico primário ou secundário, bem como a presença de alterações comportamentais, mentais ou emocionais que o impeçam de ser considerado ampla e irrestritamente responsável pelos seus atos e suas consequências”. 

Entre os famosos casos julgados e sentenciados pelo Juiz Cordioli estão o leilão de dois carros do Prefeito em praça pública por conta de condenação por desvio de dinheiro público e de um terceiro que o Prefeito desobedeceu e viajou, sendo interceptado na estrada pela patrulha da polícia rodoviária e ficou a pé no acostamento;  em um processo ambiental, ordenou à Fundação de Amparo do Meio Ambiente a derrubar a casa de um vereador erguida em área de preservação.  Como a ordem judicial não foi cumprida, Cordioli fez o serviço com a ajuda de um operário.  Entre outros.

Esta semana o Congresso Nacional jogou a última pá de lama que faltava para encobrir a já combalida credibilidade do Legislativo brasileiro que, ignorando uma condenação de treze anos imposta pelo STF, livrou da cassação o deputado sem partido, sem moral, sem ética e ladrão, Donadon.  Rimou?  

Sem dúvida, constrangedor.  Na luta dos loucos(com moral e ética)contra os normais(ladrões), temo que os loucos estejam perdendo de goleada.

Para alcançar o tão almejado Brasil sustentável, decente e que sirva de exemplo para as futuras gerações, é bom começarmos a rasgar dinheiro em praça pública.

Abraços sustentáveis

Odilon de Barros