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quarta-feira, 18 de março de 2015

Junho de 2013 - Março 2015: virar à esquerda e voltar às origens pode ser a última chance do governo


E lá se vão 20 meses daquele apoteótico mês de junho, em que jovens, com a desculpa de um aumento de vinte centavos nas passagens de ônibus, tomaram as ruas do país a exigir, entre outras coisas, o fim da corrupção.

Foram muitas as manifestações de 2013 e rapidamente Governo e Congresso trataram de engambelar os tolinhos que foram às praças protestar.  O restante do trabalho foi feito pela mídia e pelo despreparado aparato policial dos estados, que rapidamente rotularam de vândalos e baderneiros aqueles mais exaltados.  Resultado: a esperança por mudanças deu lugar ao medo. E as ruas se esvaziaram.

Na esteira das propostas apresentadas pelo governo da presidente Dilma à época, a necessária reforma política demandava constituinte exclusiva e uma série de plebiscitos, o que óbvio, foi rechaçado pelo Congresso.  Este, por sua vez, com o argumento de que não haveria tempo, protelou a realização de outra imprescindível reforma, a eleitoral (fim do voto obrigatório, proibição de doação de empresas a campanhas etc) e, para agradar a opinião pública, aprovou uma emenda que aumentava a pena mínima para crimes de corrupção. 




Apesar da desmobilização, as propostas demandadas pelas ruas permaneceram latentes nos corações e mentes.  E vieram as eleições.  Para garantir um novo mandato, a candidata Dilma prometeu manter direitos trabalhistas e conquistas sociais, e se aproximar dos movimentos populares. No Legislativo, o Congresso eleito, nitidamente mais conservador que o anterior, como que a ignorar tudo e todos, elegeu para presidentes da Câmara e Senado, a excrescência da representação política nacional. E o Governo começou a sofrer derrotas em sequência. 

Com o agravamento da crise econômica em função de medidas equivocadas adotadas, prioritariamente, no ano eleitoral de 2014, para garantir um segundo mandato, conjugadas com o extraordinário escândalo da Petrobras, que a cada dia ganha novos atores implicados, a governabilidade passou a ser o sonho de consumo do Palácio do Planalto. 

Como pedras maquiavelicamente postas no caminho palaciano, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dois dos maiores caciques do cenário político atual, implicados na Operação Lava Jato, prometem muita chantagem e dor de cabeça ao governo para não caírem desacompanhados. 

Incentivados por uma mídia ardilosa, parte da sociedade voltou às ruas a exigir mudanças.  Nada mais justo e democrático.  Só que agora, pautada por um ingrediente que promete mudanças mais rápidas ainda: o Impeachment.  A conferir.

Da expulsão de Luiza Erundina do PT - por aceitar um cargo no governo de coalizão de Itamar Franco na era pós-Collor - à visita de Lula à residência de Paulo Maluf - rogando apoio nas eleições paulistas -, muita coisa mudou.  E não foram os fiéis eleitores que deram o quarto mandato ao Partido dos Trabalhadores.

Como que em um circo dos horrores, os 55 milhões de eleitores que garantiram mais uma vitória à agremiação da estrela vermelha, nascida no berço do sindicalismo brasileiro, o ABC, assistem atônitos o início de mais um desfile comandado pelo PT.




(Tra) Vestido em fantasias que seus eleitores não o reconhecem mais, trinta anos foi o tempo necessário para o novo envelhecer, se tornar igual a todos.  Levantar e sacudir as arquibancadas, agora, não é tarefa fácil, mas não é impossível.

Cantar os velhos refrães das reformas agrária, política e eleitoral, todas prometidas e não cumpridas, olho no olho das arquibancadas, é resgatar as origens, ir de volta para o futuro.  Se o público cantar junto, os jurados vão ter dificuldade para “tirar” o carnaval da Escola da Estrela Vermelha.  

Abraços Sustentáveis


Odilon de Barros

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

E apareceu...Venina


Em 28 de novembro escrevi aqui mesmo, sob o título “Não podemos perder a capacidade de nos indignar”, algumas análises do interessante artigo publicado por Ricardo Semler, tucano de carteirinha, sobre a questão da corrupção.

Volto até este artigo pois ali afirmara que seria pouco provável tudo isso ter ocorrido sem o conhecimento de outras pessoas.  Afinal, para bilhões de reais serem liberados imagina-se que rotinas mínimas tiveram que ser seguidas (ou rasgadas).  Ou elas só valiam para o andar de baixo?Aprovações pelo coletivo da Diretoria, pelo Conselho de Administração, secretárias, assessores...enfim, não são coisas simples.

Apenas para relembrar, dizia o artigo...

“...Portanto, fica a pergunta: se sabedores de malfeitos causadores de prejuízos à empresa e ao país, não teriam obrigação de denunciar tais fatos a instâncias superiores (ouvidorias), imprensa, tentando barrar ou interromper tais práticas? Afinal, quem tem ciência de um crime e não o denuncia, passa a ser conivente com ele, ou não?   E os sindicatos e associações que em nenhum momento se manifestaram, será que também não receberam denúncias?   Reconheço que entidades representativas têm sempre a tendência de proteger a corporação, porém, nesse caso, o corporativismo foi maligno para a empresa e seus empregados.

Que me desculpem os funcionários, mas acho improvável crimes dessa magnitude serem cometidos sem rastros visíveis de ilegalidade e o conhecimento de várias pessoas.  Mais, a liberação de quantias tão vultosas forçosamente passou em várias mãos.   Isto não funciona no automático, têm regras, padrões pré-estabelecidos a serem seguidos. 

Que me desculpem os funcionários, mas acho improvável crimes dessa magnitude serem cometidos sem rastros visíveis de ilegalidade e o conhecimento de várias pessoas.  Mais, a liberação de quantias tão vultosas forçosamente passou em várias mãos.   Isto não funciona no automático, têm regras, padrões pré-estabelecidos a serem seguidos.

Sei que a questão é delicada pois está envolta em perigoso ingrediente político.  Entendo e respeito o medo de alguns em não querer se intrometer por não gostar de política ou querer apenas preservar os merecidos salários e PL’s que recebem, sem se envolver, afinal, às vezes, é melhor não arriscar ficar marcado, porém, nesse caso, a empresa estava sendo saqueada. 

Não estou aqui pregando um denuncismo irresponsável, tampouco futricas e intrigas por questões particulares ou emocionais, mas a questão é tão grandiosa que o corpo funcional poderia ter precipitado o processo lá atrás.  

Não é simples engolir desculpas de que apenas a casta superior agiu sozinha tungando a empresa e a Nação.  Todos têm, mesmo infimamente, sua parcela de responsabilidade.  Afinal, foram bilhões desviados que poderiam (e deveriam) estar sendo usados em prol de uma melhor saúde, educação, mobilidade urbana, combate ao desmatamento e políticas ambientais e de sustentabilidade”. 

E apareceu Venina.  Sem querer julgá-la, seja lá por quais razões, mandou e-mails, afirma ter falado pessoalmente com a presidente Graça Foster, foi ao Ministério Público, entregou seu computador e vários documentos que comprovariam o que disse.  Não creio que alguém que estivesse implicado o faria. 

Não é simples nem fácil contrariar interesses de grupos poderosos como esse, com ligações diretas com o Congresso Nacional e Partidos Políticos e, portanto, com todos os poderes para agir, instalados na maior empresa do Brasil.

Mesmo que tivesse provas irrefutáveis do que ocorria ali dentro, é maldade exigir que escrevesse, com todas as letras, que a empresa estava sendo roubada para que lhe dessem atenção e tomassem as necessárias providências.  Afinal, Celso Daniel está aí até hoje não esclarecido e não nos deixa mentir.

Mais, a funcionária foi transferida para Cingapura, ou seja, o mais distante possível da área de interesse da sede com a nítida impressão de que queriam tirá-la de combate.

Assisti várias vezes sua entrevista e por mais que alguns possam achar que esteja querendo se vingar de seus superiores ou aparecer, os fatos são consistentes.   

Por fim, é intrigante até agora nenhum sindicato ter se manifestado.  Nem contra nem a favor. Silêncio tumular.  Nem para defender a empresa ou sua funcionária.  Imagino que não estariam calados se fosse outro governo. 

Esperamos que os fatos sejam apurados com a mesma seriedade que a Operação Lava-Jato teve até aqui e que ela possa ter dado uma efetiva contribuição.

Bom natal, Venina.

Abraços Sustentáveis





sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Não podemos perder a capacidade de nos indignar



Esta semana recebi interessante artigo de Ricardo Semler, tucano de carteirinha, com ficha abonada por Montoro, Serra, Covas e FHC, intitulado “Nunca se roubou tão pouco”.  

Conheço Semler e um pouco de seus pensamentos por conta de seus livros, o mais interessante “Virando a própria mesa”, em que conta como sua vida virou do avesso a partir da morte do pai e a inesperada herança que o obrigou a entrar prematuramente para comandar os negócios da família.   Com situação financeira ruim e métodos de gestão atrasados, a SEMCO tinha um único produto e estava em declínio no mercado.  Vale a leitura.

Certamente o artigo é uma luz no fim do túnel de incertezas e lamentações em que se transformou a gigante do petróleo nacional e deve ter soado como música para ouvidos petistas e de funcionários da estatal, até aqui acuados como se nas cordas estivessem vendo a empresa em que trabalham apanhar de uma mídia hipócrita travestida de Mike Tysson. 

Mas apesar de concordar com a descrição do cenário de falcatruas usualmente utilizado por corruptos, corruptores e políticos, instalados de forma generalizada, desde sempre, dentro de organismos governamentais prontos a sangrar os cofres da Nação, nada vai justificar ou me convencer da bandalheira criminosa que tristemente assistimos, hoje, na empresa, imposta pelo PT e aliados em nome da tal da governabilidade.  Isto sempre será INJUSTIFICÁVEL!!!




Tenho vários parentes trabalhando na estatal e todos pouco falam do que acontece lá, estão envergonhados, acabrunhados.  A sensação real quando se lê um artigo como esse ( e senti um pouco isso quando recebi o texto), é que se apegam a qualquer coisa boa que leem e rapidamente a repassam a amigos e parentes visando ajudar a defesa da empresa, o que é louvável.  Outra questão é que para a grande maioria (funcionários concursados) que entrou ali para fazer carreira, aquele será seu único emprego na vida. 

Oriundo de empresa pública e defensor incondicional delas, sempre acreditei que seus funcionários têm missão que vai um pouco além daqueles que trabalham em empresas privadas, afinal, tendo como patrão o próprio Estado, carregam consigo a responsabilidade de, investidos no cargo, também defender o país, daí a diferença para aqueles que trabalham para um “patrão” privado. 

Ainda na semana passada, assisti à entrevista do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, AEPET, Silvio Sinedino, afirmar à jornalista Monica Waldvogel, da Globo News, que a Ouvidoria da Petrobras - órgão destinado a receber denúncias, reclamações, sugestões e colaborações, entre outras tarefas - jamais recebeu denúncia sobre desvios, corrupção ou malfeitos cometidos por qualquer funcionário ou colaborador.  Se é verídica a afirmação, a questão merece uma reflexão, vejamos: funcionários de estatais (à parte a nomenclatura da legislação trabalhista) são servidores do estado brasileiro e por ele devem zelar, principalmente no quesito ética. 

Como funcionário de empresa estatal lembro bem de 86 quando Sarney, recém empossado no lugar de Tancredo, resolveu acabar com o BNH e funcionários das principais estatais do país juntaram-se através das várias associações e sindicatos de classe para barrar a estúpida ideia criando a “Câmara de Estatais”.  Eram outros tempos, concordo, mas esses servidores sempre eram vistos com orgulho pelas empresas em que trabalhavam.  Portanto, fica a pergunta: se sabedores de malfeitos causadores de prejuízos à empresa e ao país, não teriam obrigação de denunciar tais fatos a instâncias superiores (ouvidorias), imprensa, tentando barrar ou interromper tais práticas? Afinal, quem tem ciência de um crime e não o denuncia, passa a ser conivente com ele, ou não?   E os sindicatos e associações que em nenhum momento se manifestaram, será que também não receberam denúncias?   Reconheço que entidades representativas têm sempre a tendência de proteger a corporação, porém, nesse caso, o corporativismo foi maligno para a empresa e seus empregados.

Que me desculpem os funcionários, mas acho improvável crimes dessa magnitude serem cometidos sem rastros visíveis de ilegalidade e o conhecimento de várias pessoas.  Mais, a liberação de quantias tão vultosas forçosamente passou em várias mãos.   Isto não funciona no automático, têm regras, padrões pré-estabelecidos a serem seguidos.




Sei que a questão é delicada pois está envolta em perigoso ingrediente político.  Entendo e respeito o medo de alguns em não querer se intrometer por não gostar de política ou querer apenas preservar os merecidos salários e PL’s que recebem, sem se envolver, afinal, às vezes, é melhor não arriscar ficar marcado, porém, nesse caso, a empresa estava sendo saqueada. 

Não estou aqui pregando um denuncismo irresponsável, tampouco futricas e intrigas por questões particulares ou emocionais, mas a questão é tão grandiosa que o corpo funcional poderia ter precipitado o processo lá atrás.  

De ressaltar, importante esclarecer que a lei que permitiu esta “maior agilidade e competitividade à empresa”, hoje, o Regime de Contratação Diferenciada, RDC, foi instituída em 1998, no governo FHC.   

Não é simples engolir desculpas de que apenas a casta superior agiu sozinha tungando a empresa e a Nação.  Todos têm, mesmo infimamente, sua parcela de responsabilidade.  Afinal, foram bilhões desviados que poderiam (e deveriam) estar sendo usados em prol de uma melhor saúde, educação, mobilidade urbana, combate ao desmatamento e políticas ambientais e de sustentabilidade.

Guardo sempre uma frase proferida pelo grande Betinho quando da campanha contra a fome e a miséria: “Não podemos passar por cima de nossos pedintes com fome na rua a nos implorar ajuda para comer como se fosse algo normal.  Não podemos perder a capacidade de nos indignar”.   E acrescento...não podemos relativizar fatos tão graves, não podemos achar normal roubar.  A Governabilidade não pode, jamais, ser sinônimo de corrupção.  

Abraços Sustentáveis


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

As lições e avanços para a sociedade depois do caso Petrobras





Quando acreditamos em algo, importante repetir tal crença à exaustão: a corrupção é um entrave para avançarmos no quesito sustentabilidade.  Vira e mexe sou questionado sobre os motivos de estar toda hora escrevendo sobre roubalheiras quando poderia falar de ecologia, projetos sustentáveis, verdes e orgânicos.  Sei o quanto é difícil atrelar uma coisa à outra, mas o fato é, enquanto uma rouba as esperanças da sociedade evoluir, viver com mais qualidade de vida, a outra ajuda a perenizar o planeta e a prolongar a vida.  E, partindo de um exemplo bem simples... roubar, aqui pra nós, não é nada sustentável.

Desde a chegada das caravelas de Cabral sofremos desse mal. A corrupção está entranhada na cultura brasileira desde sempre.  Para fazê-la sobreviver e chegarmos ao degradante estágio atual foi necessário a união de vários elos dentro da cadeia que a sustenta: corruptos; corruptores; políticos; judiciário e, infelizmente, uma sociedade apática, cúmplice, permissiva e omissa.

Passamos por uma crise moral e ética com desvendamentos de crimes de corrupção impensáveis postos à luz dos olhos de uma sociedade estarrecida com a grandeza dos volumes movimentados e o quilate dos figurões envolvidos.  Digo mais: é apenas o início de uma hecatombe política que vai colocar à prova os alicerces de nossa democracia, não deixando pedra sobre pedra. 




Desde o impeachment de Collor, passando pela CPI dos Correios (que originou o mensalão), tímidos passos vêm sendo dados na direção de diminuirmos a sangria que toma de assalto nossas empresas públicas.  A rataria está assustada e cometendo erros.  A cada descoberta o poder público aciona novos mecanismos e vai encurralando os larápios da Nação.  É o que acontece agora com a delação premiada, instrumento muito usado no exterior e que parece que chegou aqui para ficar.  Apenas recordando, foi a partir do exemplo dos 40 anos de pena dados a Marcos Valério, o operador do mensalão, que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, vendo que teria o mesmo destino, abriu o bico.  E que pela primeira vez, também, vemos corruptores, antes intocáveis, presos. 

O cerco está se fechando e em breve veremos a lista ser engrossada por governadores, senadores, ministros e deputados, a crème de la crème.  Bilhões e bilhões de dinheirinhos que poderiam (e deveriam) estar sendo usados em obras de infraestrutura, na educação, na saúde, em obras de mobilidade urbana, desviados para bancar o enriquecimento ilícito.  Um escárnio.

Que o ser humano tem por hábito ser avesso a mudanças, sabemos, porém, devemos aproveitar o grave momento que o país atravessa para avançarmos rumo ao futuro.  Depois de quase três décadas de ditadura militar, algumas lições já podemos tirar disso tudo.  E o povo pode ajudar pressionando democraticamente nossa classe política através de manifestações presenciais nas assembleias, congresso e redes sociais. É chegada a hora de uma profunda reforma política.  Esta deve reformar nosso sistema eleitoral tornando o voto facultativo, analisar a questão do voto (se em lista ou não, distrital etc.), e financiamento de campanha.




Na estrutura minuciosamente arquitetada e aperfeiçoada ao longo dos anos, outro órgão vem se destacando e precisa ser reformado urgente: os Tribunais de Contas.  Sejam Municipais, Estaduais ou da União, eles são peças fundamentais na engrenagem dos desvios de verbas públicas.  Além de custarem um caminhão de dinheiro público à Nação e poderem nomear um número gigantesco de assessores que muitas vezes sequer trabalham, não inibem a roubalheira, pois seus conselheiros, indicados pelo Poder Executivo, jamais vão rejeitar as contas de quem os indicou para o (vitalício) cargo.  Ou seja, em vez de a sociedade ter um filtro a mais para se proteger dos corruptos, o que temos são ratificadores de bandalheiras.  É hora, portanto, de os conselheiros dos tribunais de contas, assim como juízes, auditores e procuradores, serem uma carreira de estado.

Nossos deputados e senadores vivem viajando para participar de missões no exterior.  Que tal programarem uma com vistas a copiar o sistema de compras e contratações (licitações) que ocorre na Nova Zelândia, Finlândia ou Noruega.  Seria um dinheiro muito bem gasto se ao final pudéssemos ver aprovada uma lei que substituísse o lixo que é a Lei 8.666/93, que regula as licitações.  Para fechar o cerco a novas investidas de eventuais ratazanas desavisadas ou descrentes da nova fase do país, deveriam propor, também, uma lei para aumentar o gancho para corruptos.  Afinal, em um país igual e justo, ladrões de galinha, são apenas ladrões de galinhas.

Finalizando, seja com for, tenho a certeza que por mais que possamos ter errado em nossas escolhas, por mais que nos escandalizemos com fatos novos e decepções a cada dia, e por mais que alguns dos representantes que elegemos tenham nos decepcionado, somente nós temos a autoridade para tirá-los de onde os colocamos, mais ninguém.  Esse, o grande barato da democracia. 
Abraços Sustentáveis


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Reflexões sobre Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, ética e eleições


As revelações do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, trazem à tona um novo tipo de ator para a cena política brasileira: o delator.  Até então sempre ignorada, esta nova figura, tem tudo para mudar o relacionamento displicente com que políticos, gestores de empresas públicas e corruptores, até então, protegidos pelo manto da impunidade, a partir de agora terão que ter pois, com o prêmio da delação o perigo da guilhotina cortar também suas cabeças, fato impensável até esta data, tornou-se real.

O que está para ocorrer daqui a pouco é sem dúvida inédito, imprevisível e, possivelmente, avassalador, podem acreditar.  Não me lembro, desde que acompanho a cena política brasileira, de confissões voluntárias e conscientemente sendo feitas por corruptos, esse, sem dúvida, um fato novo.  Um marco que pode mudar tudo. 

Se deixarem o juiz responsável pela Operação Lava-Jato, Sérgio Moro - aliás uma boa indicação da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), para a vaga de Joaquim Barbosa, no STF -, e o Ministério Público, trabalharem em paz, o Brasil pode estar prestes a entrar em um novo e promissor caminho no combate à corrupção.  Esperamos que a moda pegue.






Desde a redemocratização, quando o retorno de eleições livres ao país trouxe junto à  bandeira da ética a esperança de novas práticas de fazer política, o que assistimos não foi bem isso.  Apesar de indiscutíveis e notáveis avanços no campo social, poderíamos e deveríamos ter avançado mais, afinal Lula e sua trupe tinham, apesar da conciliadora “carta aos brasileiros”, cacife e popularidade suficiente para ousar e quebrar paradigmas, conquistar apoios para avançarmos rumo a tão aguardada e necessária ética na política, limpar o entulho autoritário (lembram-se?) e, mais do que tudo, serem coerentes. 

No entanto, o que assistimos em nome da governabilidade foi a velha e rasteira utilização do poder em benefício da causa, loteamento indiscriminado de cargos nas estatais e fundos de pensão, partilhando o poder entre aliados, onde os fins justificaram os meios, como se em retribuição ao que estivessem fazendo de bom – nada mais que obrigação - ganhassem um cheque em branco para transgredir.   O conhecido “rouba mas faz” de Ademar de Barros.  Um erro jamais assumido pelos dirigentes do PT.  O pior legado para uma juventude que estava ávida em participar: o descrédito. 

Mas domingo é dia de festa e de democracia.  Dia de escolhermos os novos representantes que governarão o país em suas várias instâncias.  Hora, também, de retribuirmos com seriedade o “carinho” que eles, os parlamentares, tiveram para com a sociedade. 

A reforma política é uma urgente necessidade para o país avançar rumo a uma verdadeira democracia representativa.  Nosso dever é eleger aqueles que, com certeza, não nos decepcionarão, e que trabalharão sem outras intenções por uma sociedade mais justa, fraterna e igual.

Bom voto

Abraços Sustentáveis

Odilon de Barros



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Corrupção: um câncer a corroer a democracia



Não é de hoje que tento escrever sobre o tema que é, a meu juízo, um dos maiores males da humanidade e, em especial, do Brasil: a corrupção. Porém, a complexidade do assunto e o medo de cair na mesmice sempre me fizeram recuar.  Agora, com o reconhecimento de culpa pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, ambos, sentindo a possibilidade de terem o mesmo destino de Marcos Valério (e pagarem 40 anos de cadeia), de forma inovadora, decidiram colaborar e solicitar o benefício da delação premiada, algo inédito no país.   Este fato, conjugado com a proximidade das eleições, me encorajou. 

Desde o Império, com o tesoureiro-mor de D. João VI, Francisco Targini, sofremos desse mal.  Foi durante seu reinado carioca que tornou-se popular uma quadrilha que dizia: “quem furta pouco é ladrão, quem furta muito é barão, quem mais furta e mais esconde, passa de barão a visconde”.  Nada mais atual.

O Brasil tem 5,5 mil municípios, destes, mil prefeitos, aproximadamente, estão sendo processados por improbidade administrativa, formação de quadrilha, malversação de recursos e outros crimes.  A cada legislatura o número de vereadores, deputados (estaduais e federais) e senadores processados e cassados, aumenta.  Gestores públicos são exonerados e presos.  Juízes são aposentados compulsoriamente e, também, encarcerados.  É a bússola da ética girando desgovernada e sem direção, Brasil afora.





Com a ajuda da alta tecnologia, sua prática se sofisticou, cresceu e se enraizou por todas as esferas e poderes. A corrupção é um escárnio em qualquer sociedade, é imoral pois destrói os sonhos de um país, de suas crianças.  É desigual pois beneficia os pouquíssimos governantes da hora em detrimento da gigantesca maioria da população.  Aqui, um câncer em metástase a corroer o tecido social e democrático brasileiro.  Acabar com essa praga não será tarefa fácil.  Apenas uma reforma política isenta e governos que enxerguem a sociedade como aliada e principal interlocutora nas discussões, defina o tema como prioridade nacional, crie leis duríssimas de combate e tenha vontade política para fazer acontecer, poderão ter sucesso no enfrentamento da questão.

Para a ONG Transparência Internacional, a corrupção no setor público é um problema gravíssimo e um desafio para o mundo moderno, principalmente em relação à polícia, ao financiamento de partidos políticos e ao sistema judiciário.  De 2012 para 2013 caímos três posições no ranking, passando da 69ª para 72ª colocação. Comparativamente aos países latinos, Uruguai ficou na 19ª e Chile na 22ª.  Encabeçam a lista, Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia.   Que inveja!

Como uma doença fora de controle a permear grande parte dos órgãos públicos, drenando recursos de todas as áreas, urge a criação de um organismo que centralize as ações de enfrentamento: o Ministério Anticorrupção, uma força-tarefa federal composta de procuradores, magistrados, auditores, policiais federais e técnicos  treinados, concursados e especializados em fraudes contra a administração pública (com seções físicas e equipes espalhadas por todos os ministérios) e orientação  clara para enquadrar todas as pontas do processo: corruptores (bancos, empreiteiras, grandes empresas e seus gestores) e corruptos (presidentes/diretores de órgãos públicos, deputados, senadores, ministros, secretários, governadores).  E metas a cumprir como qualquer grande empresa.






Diferente da atuação dos vários Tribunais de Contas e Controladorias existentes, que sofrem com nomeações políticas feitas justamente para acobertar os malfeitos de quem os indica, mas que, sobretudo, atue de forma transparente transmitindo à sociedade a confiança necessária e a compreensão de que o “jogo mudou”.    

O Brasil tem agora outra oportunidade ímpar diante de si.  Fazer história, fortalecer a democracia e ser vanguarda do mundo moderno.   Em 91, apesar do impeachment de Collor, ninguém foi preso e jogamos fora uma boa chance.   Também nos idos de 90, Betinho, nosso grande sociólogo, colocou na ordem do dia das vergonhas nacionais, o combate à fome.  E venceu.  De lá pra cá, todos os governos, sem exceção, se esmeraram em abusar, mais e mais, de tais práticas.  E escândalos cada vez maiores se sucederam.  Alston/Siemens, só agora descobertos, são escândalos do tempo de Covas jorrando dinheiro público até hoje, mensalão do PT e do DEM são outros exemplos e agora, o mega poço (de ladrões) da Petrobras.  Com sua simplicidade, se vivo fosse, Betinho certamente arrancaria dos candidatos o compromisso de colocar o combate à corrupção no topo da pauta dos problemas do Brasil atual.

Se utopicamente tivéssemos a ética na política como valor número um, nosso universo de votantes se reduziria bastante.  Há pouco, o governo chinês, visando se aproximar mais do povo, resolveu fazer uma limpeza nas fileiras do Partido Comunista e pegou nada mais do que 200 mil filiados corruptos, inclusive o chefe da segurança do governo.  Se bem extraído, o petróleo roubado por Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e toda corja envolvida, pode e deve causar uma saudável hecatombe política e renovar, para o bem, a cena política nacional.  

Se não perdermos o bonde da história mais uma vez, essa sim seria uma nova forma de fazer política.

Abraços Sustentáveis

Odilon de Barros

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Rapidinhas sustentáveis

Novo Prédio da Petrobras promete revitalizar Centro do Rio

Dez mil, esse o número de funcionários que serão transferidos da estatal Petrobras espalhados por vários prédios da cidade, hoje.  A mudança, prevista para ocorrer até o fim de 2013, promete revitalizar e revolucionar uma área até então degradada, com o aparecimento de lojas e restaurantes.  Os novos edifícios foram construídos pela WTorre Engenharia e Construção e ficam na Rua do Senado.  E prometem ser sustentáveis.  É ver para crer.


Cadê Amarildo?

Hoje faz 43 dias que Amarildo foi levado para dentro da UPP da Rocinha por policiais militares e de lá desapareceu.
Com a palavra o Governador Sérgio Cabral.