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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

As lições e avanços para a sociedade depois do caso Petrobras





Quando acreditamos em algo, importante repetir tal crença à exaustão: a corrupção é um entrave para avançarmos no quesito sustentabilidade.  Vira e mexe sou questionado sobre os motivos de estar toda hora escrevendo sobre roubalheiras quando poderia falar de ecologia, projetos sustentáveis, verdes e orgânicos.  Sei o quanto é difícil atrelar uma coisa à outra, mas o fato é, enquanto uma rouba as esperanças da sociedade evoluir, viver com mais qualidade de vida, a outra ajuda a perenizar o planeta e a prolongar a vida.  E, partindo de um exemplo bem simples... roubar, aqui pra nós, não é nada sustentável.

Desde a chegada das caravelas de Cabral sofremos desse mal. A corrupção está entranhada na cultura brasileira desde sempre.  Para fazê-la sobreviver e chegarmos ao degradante estágio atual foi necessário a união de vários elos dentro da cadeia que a sustenta: corruptos; corruptores; políticos; judiciário e, infelizmente, uma sociedade apática, cúmplice, permissiva e omissa.

Passamos por uma crise moral e ética com desvendamentos de crimes de corrupção impensáveis postos à luz dos olhos de uma sociedade estarrecida com a grandeza dos volumes movimentados e o quilate dos figurões envolvidos.  Digo mais: é apenas o início de uma hecatombe política que vai colocar à prova os alicerces de nossa democracia, não deixando pedra sobre pedra. 




Desde o impeachment de Collor, passando pela CPI dos Correios (que originou o mensalão), tímidos passos vêm sendo dados na direção de diminuirmos a sangria que toma de assalto nossas empresas públicas.  A rataria está assustada e cometendo erros.  A cada descoberta o poder público aciona novos mecanismos e vai encurralando os larápios da Nação.  É o que acontece agora com a delação premiada, instrumento muito usado no exterior e que parece que chegou aqui para ficar.  Apenas recordando, foi a partir do exemplo dos 40 anos de pena dados a Marcos Valério, o operador do mensalão, que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, vendo que teria o mesmo destino, abriu o bico.  E que pela primeira vez, também, vemos corruptores, antes intocáveis, presos. 

O cerco está se fechando e em breve veremos a lista ser engrossada por governadores, senadores, ministros e deputados, a crème de la crème.  Bilhões e bilhões de dinheirinhos que poderiam (e deveriam) estar sendo usados em obras de infraestrutura, na educação, na saúde, em obras de mobilidade urbana, desviados para bancar o enriquecimento ilícito.  Um escárnio.

Que o ser humano tem por hábito ser avesso a mudanças, sabemos, porém, devemos aproveitar o grave momento que o país atravessa para avançarmos rumo ao futuro.  Depois de quase três décadas de ditadura militar, algumas lições já podemos tirar disso tudo.  E o povo pode ajudar pressionando democraticamente nossa classe política através de manifestações presenciais nas assembleias, congresso e redes sociais. É chegada a hora de uma profunda reforma política.  Esta deve reformar nosso sistema eleitoral tornando o voto facultativo, analisar a questão do voto (se em lista ou não, distrital etc.), e financiamento de campanha.




Na estrutura minuciosamente arquitetada e aperfeiçoada ao longo dos anos, outro órgão vem se destacando e precisa ser reformado urgente: os Tribunais de Contas.  Sejam Municipais, Estaduais ou da União, eles são peças fundamentais na engrenagem dos desvios de verbas públicas.  Além de custarem um caminhão de dinheiro público à Nação e poderem nomear um número gigantesco de assessores que muitas vezes sequer trabalham, não inibem a roubalheira, pois seus conselheiros, indicados pelo Poder Executivo, jamais vão rejeitar as contas de quem os indicou para o (vitalício) cargo.  Ou seja, em vez de a sociedade ter um filtro a mais para se proteger dos corruptos, o que temos são ratificadores de bandalheiras.  É hora, portanto, de os conselheiros dos tribunais de contas, assim como juízes, auditores e procuradores, serem uma carreira de estado.

Nossos deputados e senadores vivem viajando para participar de missões no exterior.  Que tal programarem uma com vistas a copiar o sistema de compras e contratações (licitações) que ocorre na Nova Zelândia, Finlândia ou Noruega.  Seria um dinheiro muito bem gasto se ao final pudéssemos ver aprovada uma lei que substituísse o lixo que é a Lei 8.666/93, que regula as licitações.  Para fechar o cerco a novas investidas de eventuais ratazanas desavisadas ou descrentes da nova fase do país, deveriam propor, também, uma lei para aumentar o gancho para corruptos.  Afinal, em um país igual e justo, ladrões de galinha, são apenas ladrões de galinhas.

Finalizando, seja com for, tenho a certeza que por mais que possamos ter errado em nossas escolhas, por mais que nos escandalizemos com fatos novos e decepções a cada dia, e por mais que alguns dos representantes que elegemos tenham nos decepcionado, somente nós temos a autoridade para tirá-los de onde os colocamos, mais ninguém.  Esse, o grande barato da democracia. 
Abraços Sustentáveis


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Reconciliar-se com o povo. Uma tarefa nada fácil



A eleição acabou, porém, em vez de ficarmos felizes por conta da prevalência do desejo da maioria ter sido retratado nas urnas, da democracia ser a grande vitoriosa e de apesar dos percalços saber que caminhamos para a frente, o que vemos é um transbordar de preconceitos contra os menos favorecidos, ódio e até um certo golpismo. 

Agora, cabe à primeira mandatária da Nação esperar a poeira baixar e aproveitar o discurso de união proferido logo após o TSE reconhecer sua vitória e, juntamente com o PT, e antes mesmo do que proporá fazer no âmbito externo, se voltar para o partido e propor uma profunda reforma interna, cortar na carne.  Poderia começar propondo, como o partido da situação da Espanha, a expulsão dos vários caciques petistas com sentenças transitadas em julgado, algo previsto em seus estatutos.  

Questão de sobrevivência.  As urnas deram o recado, subestimar estes sinais dando de ombros e vida que segue, poderá ser o início do fim.  Ou o nascimento de um outro PMDB.  É necessário, ainda, o partido entender que após tantos anos, vários maus hábitos tornaram-se vícios (venais) e é preciso corrigi-los, antes que o povo canse.  Cadeiras de deputados (estaduais e federais) e senadores já lhes foram subtraídas no pleito que se encerra.




A eleição teve momentos interessantes de aprendizado.  Com a expectativa de derrota vi muitos que apenas observavam a campanha se engajarem e passarem a trabalhar pela vitória petista.  A tal galera da meia-idade (olha eu aí) e o Estado do Rio de Janeiro estão de parabéns.  Outro fato a ser estudado melhor foi a derrota imposta duas vezes pelo PT a Aécio, em Minas.  Apesar de tudo somado fazer parte do conjunto de razões que derrotou o PSDB, acredito que a derrota em seu estado tenha sido o principal motivo do tucano ter perdido a eleição. 

As urnas deram uma segunda chance ao PT de retornar às suas origens, à ética, à moralidade pública, apesar de todos os escândalos que assolaram o país nos últimos anos.  Na política, descrédito e desconfiança, são itens básicos difíceis de serem removidos quando atingem o eleitor.

O medo de uma derrota iminente por ambas as partes pode, mesmo que acanhadamente, ter unido novamente o binômio “povo/partido”.  Porém, como ator fundamental na vitória, a massa, antes arredia a entrar na campanha, ficará, agora, mais atenta a deslizes.

Como em um relacionamento onde uma das partes trai a confiança da outra, resta saber se os próximos passos do errante Partido dos Trabalhadores, serão no sentido de fazer as pazes com seu eleitorado, provar que mudou e seguir caminhando, fazendo uma justa reforma fiscal, previdenciária e política, dando a importância desejada e necessária ao meio ambiente e à universalização dos direitos à boa educação e à saúde. 

Se assim for, terá valido à pena.

Abraços Sustentáveis

ODILON DE BARROS