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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Reino Unido fechará usinas de carvão em 2025


Foto: Usina de carvão no Reino Unido. Greenpeace UK
Foto: Usina de carvão no Reino Unido. Greenpeace UK
Medida, no entanto, não significa transição total para renováveis. Secretária de Energia e Clima defende a prioridade de gás e energia nuclear para garantir segurança energética.
A secretária de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Amber Rudd, anunciou nesta quarta-feira (18) que o país fechará todas as usinas de carvão em 2025. Se o plano se confirmar, a Grã-Bretanha será o primeiro grande país a encerrar as operações das usinas. A solução para alcançar segurança energética, porém, não será ousada no investimento em renováveis: a lacuna deixada pelo carvão deve ser preenchida com gás e usinas nucleares.
Em discurso, Rudd afirmou que a medida é um “reset” na política energética inglesa. Segundo ela, o Reino Unido enfrenta o legado de subinvestimento e envelhecimento das estações de energia. “Não pode ser satisfatório para uma economia avançada como o Reino Unido contar centrais elétricas poluentes de 50 anos de idade, alimentadas com carvão. Deixe-me ser clara: este não é o futuro.” Atualmente, 30% da energia no Reino Unido vêm dessa fonte.
A medida foi recebida com cautela por ambientalistas. Ao Guardian, David Nussbaum, diretor-executivo da WWF, afirmou que é positiva a eliminação progressiva do carvão, mas questionou a estratégia pouco ambiciosa em energias renováveis, no momento em que a geração eólica e solar cresce no mundo todo.
“Descarbonizar a nossa economia vai envolver uma mistura de tecnologias”, disse. “Outros países estão aproveitando o fato de que cerca de metade da infraestrutura energética global que está sendo construída hoje é renovável. E com a queda dos preços das energias renováveis, o mercado global cresce. A Grã-Bretanha está feliz em ser deixada para trás?”
De acordo com a secretária de Energia e Mudanças Climáticas, o objetivo é uma política que se concentre em tornar a energia acessível economicamente e segura. Segundo o Guardian, a secretária também afirmou que “o saldo oscilou demais em favor de políticas de mudança climática à custa de manter a energia a preços acessíveis.”
Recentemente, o vazamento de uma carta que revelou que o Reino Unido deve ficar aquém das suas obrigações com a União Europeia para obter 15% de fontes renováveis ​​até 2020. Sob pressão, a secretária admitiu que o Reino Unido não temas políticas certas para cumprir suas metas de descarbonização e argumentou que o governo deve manter os subsídios para a geração de renováveis na revisão de gastos. (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Maior acordo climático do século bate à porta


Foto: Shuttertock
Foto: Shuttertock

Muito se tem falado sobre a 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21) que acontece em dezembro em Paris, na qual deverá ser assinado o Acordo de Paris, documento que substituirá o Protocolo de Kyoto, que termina sua vigência em 2020. Mas por que os ânimos estão tão aflorados? Por que nunca se viu tanta movimentação com relação a um acordo climático? A resposta é simples: porque o que antes eram apenas previsões negativas nas quais uns acreditavam e outros não, agora é realidade. E as pessoas estão sofrendo.
Dessa forma, é preciso garantir que esse novo acordo entre mais de 190 países estipule uma redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEEs), mantendo o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC até 2100. Essa referência é apontada por especialistas como um limite ‘aceitável’ e, se ultrapassarmos, as consequências serão mais extremas.
“Não é difícil imaginar esse cenário visto que as mudanças climáticas já estão sendo sentidas em diversas partes do mundo, com secas e ondas de calor severas, chuvas fortíssimas e duradouras, furacões e outros fenômenos climáticos extremos”, afirma André Ferretti, gerente de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, uma das instituições que fazem parte do Observatório do Clima – rede de ONGs e movimentos sociais que atuam na agenda climática brasileira.
Nesse contexto, até mesmo representantes de países que historicamente não se comprometiam com metas de redução de Gases de Efeito Estufa – como Estados Unidos e China, estão agindo mais efetivamente, anunciando seus objetivos para os próximos anos.
As Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas, ou INDCs na sigla em inglês, são as propostas de redução de emissão de GEEs de cada país para o período de 2020 a 2030. “A grande dificuldade é equacionar e dividir a conta da redução necessária, levando em consideração tanto as metas propostas, quanto o papel que cada nação tem nas emissões mundiais acumuladas desde o início da revolução industrial. Por exemplo, os Estados Unidos e a China, maiores emissores do mundo precisam reduzir mais do que outros que proporcionalmente emitem menos GEEs. É uma conta difícil e precisará de muita conversa e flexibilidade dos países envolvidos”, explica Ferretti.
O futuro é agora
Com as mudanças climáticas em curso impactando na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo, aumenta a pressão da sociedade civil para que o novo acordo atenda às expectativas e necessidades das comunidades mais sensíveis. Com esse nível de urgência maior, pela primeira vez a dinâmica da COP21 será diferente de todas as outras.
Antes, na primeira semana de negociações, os diplomatas eram os responsáveis pelas discussões, sendo que os ministros e chefes de estado participavam da segunda semana para as tomadas de decisões. Agora, esses chefes de estado participarão da semana inicial, com o objetivo de acelerar as negociações. “Não sabemos ainda se todo esse esforço será suficiente, mas já mostra uma busca por resultados efetivos”, ressalta o especialista.
Além disso, as metas dos 146 países que enviaram suas pretensões de redução até dia 1º de outubro (prazo máximo para o envio), representam 86% das emissões de carbono do mundo, realidade que nunca tinha acontecido em nenhuma outra COP.
E onde o Brasil se encaixa?
Segundo André Ferretti, a proposta de redução do Brasil – 37% até  2025 e 43% até  2030 – é forte com elementos importantes, como o fato de indicar redução absoluta com base no ano de 2005. “Isso faz toda a diferença, pois a base de cálculo é um período específico e não uma redução baseada em estimativas de emissão”, explica. Além disso, o governo afirmou que o trabalho de redução de GEEs será focado em todos os setores emissores e não apenas no desmatamento.
Apesar disso, Ferretti destaca que o Brasil poderia ter sido ainda mais ambicioso, voltando ao seu papel de protagonista que teve em outras reuniões, e quem mais ganhará com isso será o próprio país. “Mais do que atuar apenas para reduzir as emissões, precisamos caminhar para uma sociedade descarbonizada investindo em fontes renováveis de energia, as quais temos em abundância, gerando um diferencial competitivo para o Brasil na economia do século 21 e contribuindo com a melhoria da qualidade de vida da população brasileira e mundial”, ressalta.
Para o gerente da Fundação Grupo Boticário é urgente que o país deixe de depender tanto do pré-sal e evolua em energia eólica, solar e, principalmente biomassa. “O Brasil deveria investir muito mais em tecnologias como o etanol de segunda geração. Nesse caso não existe nem a competição com a produção de açúcar e outros produtos provenientes da cana, pois a energia é gerada a partir do bagaço da cana, um subproduto da produção do açúcar”, comenta.
Ele destaca ainda que o Brasil tem grande frota de automóveis com condições de usar o biocombustível (flex), estrutura de postos de combustível e produção de etanol. “Precisamos de interesse político para voltarmos à nossa posição de protagonistas”, explica André Ferretti.
Ao ser questionado se não seria necessário desmatar mais áreas para a produção de cana-de-açúcar, Ferretti é enfático. “Não, temos mais de 60 milhões de hectares de terras agrícolas sem uso no Brasil, não precisamos degradar mais”, conclui. (Fundação Grupo Boticário/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Cidades mantêm erros do século 20


Segundo o documento, as chuvas em São Paulo podem subir 13,9% e a temperatura ser elevada em 3,9%. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas
Segundo o documento, as chuvas em São Paulo podem subir 13,9% e a temperatura ser elevada em 3,9%. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas
Apesar de responsáveis por 70% das emissões de gases do efeito estufa, que elevam a temperatura da Terra, as cidades caminham lentamente para se tornar sustentáveis. No Rio de Janeiro, obras de aterros agravam o cenário e podem elevar os impactos da alteração do clima, como a transmissão de doenças, problemas de saúde e desastres naturais.
O alerta é do Núcleo Latino-americano da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas, lançado esta semana, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições de pesquisa internacionais. A entidade reúne 600 cientistas de 150 países e apresentará na Conferência do Clima, em Paris, relatório sobre os impactos que já estão ocorrendo.
Segundo o documento, no Rio a previsão é que a temperatura suba 3,4 graus Celsius (Cº) até 2080, com aumento de 82 centímetros do nível do mar e 6% no volume de chuvas. Em São Paulo, as chuvas podem subir 13,9% e a temperatura ser elevada em 3,9% – dentro da média prevista para as demais cidades do planeta, que terão entre 1º C e 4º C de aumento.
Um das autoras da publicação, a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Cecilia Herzog, alerta que, no Rio, novas edificações, que suprimem áreas naturais, somadas à ausência de projetos para preservar e potencializar áreas verdes, desprezam evidências científicas dos riscos à população..
“ Nesse momento, na zona oeste, na Barra da Tijuca, áreas para acomodar águas (de chuva e das marés, por exemplo) estão sendo aterradas violentamente nesse momento. Ou seja, apesar das evidências, estamos repetindo os erros de século 20”, alertou.
Ela criticou também a construção do novo autódromo da cidade, em substituição ao que será demolido para dar lugar ao Parque Olímpico, na zona oeste, e previsto para ser erguido pelo governo federal em área de floresta. Por falta de licença ambiental, a obra está parada.
Mudanças do clima traz doenças
Nas cidades, as mudanças do clima, além de descontrolar a temperatura, provocam problemas de saúde e doenças.
Tempestades e inundações são responsáveis por ferimentos, infecções, casos de hepatite, leptospirose e diarreia, por exemplo, constatou o relatório do núcleo.
Em cidades temperadas, o calor aumenta o número de insetos e mosquitos transmissores de doenças como dengue e malária, acrescentou a pesquisadora da Fiocruz Martha Barata, que coordena o Núcleo Latino-americano da Rede de Pesquisas. Segundo ela, mudanças no clima geram estresse, alergias e doenças cardiorrespiratórias.
A recomendação dos especialistas é reduzir a emissão de gases do efeito estufa, principalmente da queima de combustíveis, o vilão nas cidades, além de se investir em projetos que reduzam impactos desastres, entre eles a criação de parque e tetos verdes nos prédios.
“ São estratégias que facilitam a absorção de água da chuva, retem a umidade do ar, combatendo efeitos como ilha e calor e capturando o gás carbônico”, explicou Cecilia Herzog.
A pesquisadora apresentou experiência inovadora em Seattle, nos Estados Unidos, onde um estacionamento foi substituído por um parque. “Havia um córrego canalizado – que é o que mais temos no Rio – para um estacionamento. A cidade acabou com o estacionamento e criou um parque, uma área de lazer, permitindo novos ecossistemas. É a volta à vida.”
cidaderuaCidades mais resilientes
Conforme a prefeitura do Rio, a cidade está em transição e as mudanças são graduais . Especialistas listam experiências inéditas no país, como o veículo leve sobre trilhos, que retirará ônibus das ruas, e a implantação de sirenes de alerta em áreas de risco de deslizamento em favelas. Outro destaque é a construção de reservatórios para evitar alagamentos em áreas centrais.
“ Por conta do piscinão [contra enchentes] na Praça da Bandeira, o Rio está incluído na relação de práticas bem-sucedidas entre as grandes cidades do mundo”, lembrou Rodrigo Pessoa, assessor do prefeito Eduardo Paes para o tema. “As questões que o Rio enfrenta (transporte e revitalização de áreas degradadas) outras cidades também enfrentam. Não estamos atrás.”
Cidades na Conferência do Clima
Na Conferência do Clima, as experiências do Rio e de Seatle serão apresentadas em encontro paralelo, junto com a de Oregon, também nos EUA, que instalou luzes LED (mais econômicas) em espaços públicos, e a de Paris, que, assim como São Paulo, amplia zonas com a redução da velocidade dos carros para reduzir a emissão de gases dos combustíveis.
“ As cidades precisam começar agora a identificar áreas de risco e planejar ações sustentáveis. Não há como impedir as mudanças climáticas, mas minimizar o impacto, o que é urgente”, afirmou a cientista Cynthia Rosenzwig, uma das diretoras globais da rede. (Agência Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Cidades que avançam para a sustentabilidade


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Medellín é um exemplo latino-americano de cidade que avança para a sustentabilidade. Foto: Flickr de Iván Erre
Medellín é um exemplo latino-americano de cidade que avança para a sustentabilidade. Foto: Flickr de Iván Erre
Por Conexão COP*
Das emissões de gases de efeito estufa (GEE) mundiais, 80% estão associadas, de maneira direta e indireta, às grandes cidades, onde são gerados impactos ambientais muito importantes. São necessárias ações coletivas, individuais e mudanças de hábitos para, de maneira conjunta, enfrentar a mudança climática.
Conexão COP, 26/8/2015 – “É preciso criar conscientização de que uma cidade diferente é possível, para isso deve-se entender que primeiro estão os pedestres e ciclistas, seguidos por transporte público, logística e transporte de carga, e por fim os veículos particulares”. Esta foi uma das conclusões que deu a conhecer Santiago Ortega, do projeto Ciudad Verde, durante o webinar Inclusão Social e Igualdade no Desenvolvimento Urbano Sustentável, que foi realizado na semana passada por Nivela, El Árbol e CO2.cr.
Segundo informação da organização El Árbol, as cidades apresentam um interessante paradoxo: são responsáveis pela mudança climática, mas também são uma fonte de enormes oportunidades de mitigação das emissões de gases-estufa, portanto, a ação climática nas cidades é crucial.
Ortega afirmou que é preciso mudar os hábitos dos moradores das cidades e, para isso, é necessário falar de sustentabilidade, mas em linguagem coloquial, para ser compreendida, e começarem as mudanças necessárias para que se entenda a problemática da mudança climática e enfrentá-la com ações individuais e coletivas.
Gian Carlo Delgado, autor-líder do grupo 3 do 5º Informe do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), afirmou, durante o encontro digital, que na América Latina as cidades têm uma capacidade econômica limitada e, se não forem tomadas medidas de mitigação, poderão ver as consequências da mudança climática em um relativo curto prazo.
Sabe-se, por exemplo, que, em Bogotá, sem ações de mitigação, se começaria a ver fenômenos climáticos em 2033, mas, se forem executadas iniciativas, os eventos começariam em 2047. Em Santiago do Chile, o cenário é parecido: sem ações de mitigação, os cidadãos dessa cidade começarão a enfrentar mudanças ambientais em 2043, mas, se a ação for rápida, essas mudanças ficariam para 2071. As pesquisas são claras: quanto mais demorarem as ações de mitigação, os eventos extremos acontecerão com maior brevidade.
“As cidades latino-americanas geram impactos ambientais muito importantes, pelo menos as grandes cidades, que estão conectadas em todos os níveis e geram consumo desmedido. Deve-se considerar que as cidades modernas requerem até cem vezes ou mais de superfície para obter os recursos necessários”, destacou Delgado.
Cenários de mudanças sem ações de mitigação

Cenários de mudanças com ações de mitigação
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Cerca de 80% das emissões de GEE estão associadas às cidades de todo o planeta, de maneira direta ou indireta. Os principais impulsores dessas emissões provêm da geografia econômica e da renda com o trabalho. A energia e os serviços representam também uma importante emissão de GEE, bem como os sistemas de transporte.
Delgado apontou que, na América Latina, as cidades têm uma capacidade econômica limitada e o número de cidades aumentará. Por isso, “os principais fatores para o êxito da governança climática urbana estão relacionados aos acordos institucionais que facilitem a integração da mitigação e da adaptação com outras agendas urbanas de alta prioridade. Também se deve permitir um contexto de governança multinível que dê poder às cidades e promova a transformação urbana”, ressaltou.
Medellín, na Colômbia, é um exemplo claro de cidade latino-americana que apostou na sustentabilidade, na inclusão e na igualdade. Nessa cidade, se conseguiu avançar para uma cidade mais humana mediante investimentos em mobilidade e em diversas ações desenvolvidas pelas redes de municípios contra a mudança climática.
“Qualquer ação que seja sustentável tem de ser capaz de se perpetuar no tempo. Uma das estratégias e formas de consegui-lo é converter os temas social, ambiental e econômico e dar-lhes um tom claramente 100% econômico, porque a evidência mostra que a questão econômica de maneira sustentável é boa para se chegar a excelentes resultados”, destacou Ortega.
O colombiano informou que Medellín alcançou seu melhor desempenho em saneamento ambiental, obteve bons resultados em qualidade do ar e está dentro da média em transporte, água e governança. Em contraste, está abaixo da média em uso de energia, emissões de CO2, geração de resíduos e uso da terra e edifícios. Se sobressai pela menor quantidade de carros e motocicletas, menor geração de lixo por pessoa, além de níveis menores de dióxido de enxofre no ar, e por contar com a rede de transporte de massa mais longa entre os países de baixa renda.

Ortega enfatizou que são necessárias transformações na vida do ser humano. “É preciso mudar o chipdestatus associado ao carro, à grande casa e à grande cidade. É necessário entender que as cidades devem se direcionar para o crescimento sustentável”, afirmou. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Brasil propõe diferenciar países no combate ao efeito estufa




Raphael e Jose Brasil propõe diferenciar países no combate ao efeito estufa
Raphael Azeredo e José Antonio Marcondes de Carvalho. Foto: Martim Garcia/MMA
Proposta nacional que será apresentada às Nações Unidas cria metas distintas e obrigatórias de redução de gases nos países desenvolvidos e em desenvolvimento
O governo brasileiro defenderá a responsabilidade diferenciada da comunidade internacional no corte de emissões de gases de efeito estufa.
A proposta começará a ser negociada a partir da próxima segunda-feira (27/11), quando começará em Lima, capital do Peru, a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), com a participação de representantes de 195 países.
Se aprovada, a medida estabelecerá metas distintas de redução de gases para os países desenvolvidos, que integram o chamado Anexo 1, e os países em desenvolvimento. “É uma proposta inovadora de convergência concêntrica capaz de acolher todos os países com metas específicas e obrigatórias”, afirmou, em cerimônia na última quarta-feira (27/11), a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que presidirá a delegação brasileira na COP 20.
As negociações de Lima devem preparar o rascunho para o novo acordo climático, que será fechado pela comunidade internacional em Paris, no fim de 2015. Esse novo pacto global, no entanto, começará a valer a partir de 2020. “O objetivo é ampliar a ambição para que os países possam contribuir de forma decisiva para conter o aumento da temperatura global”, afirmou o subsecretário-geral de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (27/11).
Transição
O período de transição para o novo acordo climático, compreendido entre 2015 e 2020, também estará no centro das negociações encabeçadas pela delegação brasileira. De acordo com Marcondes, o país defenderá o fomento à cooperação internacional no combate ao aquecimento global durante esses cinco anos, até o novo pacto começar a vigorar.
Além das metas de mitigação, o futuro protocolo deverá englobar medidas de adaptação às mudanças do clima. “A interpretação é a de que essa é uma forma de fortalecer o regime geral de clima”, afirmou o diretor de Meio Ambiente do MRE, ministro José Raphael de Azeredo. “Os países demonstram ter consciência de que ações prévias têm mais efeito que ações tardias”, acrescentou Marcondes.
Saiba mais
Apesar de ser considerado um fenômeno natural, o efeito estufa tem sido intensificado nas últimas décadas acarretando mudanças climáticas. Essas mudanças decorrem do aumento descontrolado das emissões de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono e o metano. A emissão desses gases na atmosfera ocorre por conta de diversas atividades humanas, entre elas o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e consumo de energia. site Ministério do Meio Ambiente.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Concentração de gases de efeito estufa na atmosfera atinge novo recorde





shutterstockefeitoestufa 839x1024 Concentração de gases de efeito estufa na atmosfera atinge novo recorde
A taxa de crescimento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera entre 2012 e 2013 representa o maior aumento anual em 30 anos. Foto: Shutterstock
A concentração de gases de efeito estufa na atmosfera atingiu novo recorde em 2013, devido a crescentes níveis de dióxido de carbono, anunciou hoje (9), em Genebra, a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
No relatório anual sobre as concentrações de gases de efeito estufa, a agência das Nações Unidas indica que a taxa de crescimento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera entre 2012 e 2013 representa o maior aumento anual em 30 anos.
“Nós sabemos, sem sombra de dúvida, que o nosso clima está mudando e que as condições meteorológicas estão se tornando cada vez mais extremas devido às ações humanas”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, citando o exemplo do uso dos combustíveis fósseis.
Nesse sentido, Jarraud deixou o apelo: “Temos de reverter essa tendência e cortar as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa em toda a linha”.
“Estamos ficando sem tempo”, alertou o secretário, em comunicado.
De acordo com o relatório divulgado hoje, as concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso alcançaram novos índices. Em 2013, o dióxido de carbono na atmosfera subiu 142% face ao que era na época pré-industrial (1750), enquanto as de metano e óxido nitroso subiram, respectivamente, 253% e 121%.
O oceano absorve hoje em dia cerca de um quarto das emissões totais de dióxido de carbono e a biosfera fatia idêntica, limitando assim o crescimento desse gás na atmosfera.
Porém, a absorção de dióxido de carbono pelos oceanos acarreta graves consequências, de acordo com os especialistas: “O ritmo atual de acidificação dos oceanos parece não ter precedentes em pelo menos 300 milhões de anos”. A absorção de quantidades significativas desse gás pelos mares do planeta modifica o ciclo dos carbonatos marinhos e desencadeia uma acidificação da água do mar.
Os oceanos absorvem atualmente cerca de quatro quilos de dióxido de carbono por dia e por pessoa.
“O dióxido de carbono permanece durante centenas de anos na atmosfera e por maior período de tempo no oceano. O efeito acumulado das emissões do passado, presente e futuro desse gás terá repercussões tanto no aquecimento global quanto na acidez dos oceanos”, advertiu Jarraud.* Publicado originalmente pela Agência Lusa e retirado do site Agência Brasil.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Degelo na Antártica aumentará o efeito estufa, dizem pesquisadores




Antartida Degelo na Antártica aumentará o efeito estufa, dizem pesquisadoresA Antártica é a maior reserva de água doce da Terra. Seus 14,2 milhões de quilômetros quadrados – 1,6 vezes a extensão territorial do Brasil – são cobertos por uma capa de gelo de 2 quilômetros de espessura média. Além disso, tem as maiores reservas de gelo (90%) e água doce (70%) do planeta. Em seu estado sólido, essas reservas regulam o clima do Hemisfério Sul e distribuem umidade pelo planeta. Também resfriam a atmosfera e retiram carbono, metano e outros gases que influenciam diretamente no efeito estufa.
O Continente Antártico está situado na Região Polar Austral. Ele é formado por uma massa continental localizada quase inteiramente dentro do círculo polar antártico. É cercado pelo Oceano Antártico, de limites imprecisos, formado pelo encontro das águas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, a chamada Confluência Antártica.
As temperaturas no verão variam de 0º Celsius (ºC), no litoral, a –32º C no continente e, no inverno, variam de –15º C, no litoral, a –65º C no continente. De acordo com informações de participantes do Seminário Antártica 2048, evento que discutiu a pesquisa na região, a possibilidade de um degelo no continente acionaria um círculo vicioso, de quanto mais degelo, mais carbono e metano seriam jogados na atmosfera e, consequentemente, acarretaria em um maior efeito estufa, temperaturas mais altas e, consequentemente, mais degelo.
Atualmente, 29 países – incluindo o Brasil – mantém bases e desenvolvem pesquisas na Antártica. No verão, essas bases recebem mais de 4 mil pesquisadores, em cooperação científica estabelecida pelo Tratado da Antártica. O tratado de cooperação estabelece uma moratória até 2048 para a exploração de recursos não renováveis na região. O Brasil faz parte deste acordo desde 1975 e deu início ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar), em 1982.
Estação2 Degelo na Antártica aumentará o efeito estufa, dizem pesquisadoresSegundo o glaciologista Jefferson Simões, ainda não existe um policiamento do Tratado da Antártica. Para o pesquisador, a qualidade dos estudos e da ciência feitas na região é que determinam o status de um país no Tratado Antártico.
“O Brasil é líder na pesquisa [sobre o Continente Antártico] da América Latina. Grandes conhecimentos da química e da física são feitos na Antártica. Há organismos que estão em estado dormente há mais de 400 mil anos dentro do gelo na Antártica”, explica Simões.
Outro acordo de cooperação para estabelecer procedimentos na região, o Protocolo de Madri, assinado em 1998, determina regras a serem seguidas na execução de pesquisas científicas e no apoio logístico às estações antárticas. O objetivo é proteger a flora e a fauna da região. Há limitações com a eliminação de resíduos e medidas preventivas contra a poluição marinha.
De acordo com a Marinha do Brasil, em três décadas, o Proantar fará uma média anual de 20 projetos de pesquisas nas áreas de oceanografia, biologia, biologia marinha, glaciologia, geologia, meteorologia e arquitetura. Além de pesquisadores e cientistas, o turismo é uma atividade regular que já leva ao continente mais de 40 mil visitantes por ano.por Heloisa Cristaldo, da Agência Brasil* Edição: Marcos Chagas.** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Rapidinhas In

Fukushima Insustentável

O governo do Japão informou ontem (7) que a Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Nordeste do país, libera diariamente cerca de 300 toneladas de água radioativa no mar. Em março de 2011, um terremoto seguido por tsunami provocou vazamentos e explosões na usina, gerando um dos piores acidentes radioativos da história recente do Japão.

A informação foi divulgada depois que a empresa Tokyo Electric Power (Tpco), que administra a usina, mostrou preocupação com a acumulação de água altamente radioativa no subsolo dos reatores. O governo japonês disse que a maior parte da água contaminada despejada no oceano se limita às áreas próximas da usina, que está isolada do mar aberto por diques.
Redação Agência Brasil

Extremos de 2012 podem já ser o normal para o clima

Relatório reúne o trabalho de 384 pesquisadores de 52 países e aponta que altas temperaturas, degelo do Ártico e aquecimento dos oceanos fazem parte do que pode ser considerado o novo padrão para o planeta.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) divulgou na última sexta-feira (1) um extenso relatório sobre o clima em 2012, contendo centenas de dados e dezenas de gráficos que detalham como o ano foi marcado por altas temperaturas, maior frequência e intensidade de eventos extremos e pelo degelo do Ártico. Mas, o mais preocupante é que a entidade sugere que o cenário visto no ano passado já pode ser considerado como a nova “normalidade climática” do planeta.

“Muitos dos eventos que fizeram de 2012 um ano tão interessante são parte de tendências de longo prazo que prevemos em um clima em mudança – níveis de carbono estão aumentando, os oceanos estão subindo, o gelo do Ártico está derretendo e nosso planeta como um todo está ficando um lugar mais quente”, explicou Kathryn D. Sullivan, administradora da NOAA.

O relatório registra ainda a maior concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. A presença de dióxido de carbono, por exemplo, ultrapassou pela primeira vez a marca das 400 partes por milhão em mais de 3,2 milhões de anos.
por Fabiano Ávila, do Carbono Brasil