domingo, 24 de maio de 2015

Casa-móvel produz sua própria energia e pode ir para qualquer lugar do mundo





A Ecocapsule é a casa ideal para quem sempre sonhou em viver de maneira independente e viajar o mundo, ao mesmo tempo em que preza pelo conforto de um lar. Criada pelo escritório eslovaco Nice Archtects, esta pequena residência atende a todos esses desejos e vai além: é sustentável.
Um dos grandes destaques desta casa é o fato de não necessitar da energia fornecida pelas redes de transmissão. Sua superfície é coberta por placas fotovoltaicas e uma pequena turbina eólica, com 750 watts. Juntas, as duas estruturas garantem toda a energia necessária para o seu funcionamento. Para garantir o abastecimento, independente das condições ambientais, os criadores também usaram uma bateria que armazena o excedente energético para uso posterior.

Foto: Divulgação
Apesar de pequena, a Ecocapsule possui todos os elementos essenciais necessários para uma estadia prolongada confortável, sem a necessidade de recargas ou reabastecimento. De acordo com os arquitetos responsáveis pelo projeto, ela abriga confortavelmente dois adultos.

Foto: Divulgação
Esta casa-móvel é capaz de oferecer o mesmo tipo de conforto disponível em uma residência tradicional. Os moradores contam com torneiras, chuveiro quente e banheiros equipado com vasos sanitários com descarga. A água, assim como a energia, também é obtida de maneira sustentável. Sua forma esférica é otimizada para recolher a água da chuva e do orvalho. O recurso passa por um filtro e pode ser usado para o consumo humano. O mesmo sistema serve para limpar água de outros mananciais.

Foto: Divulgação
Segundo os criadores, a Ecocapsule se encaixa em qualquer contêiner de tamanho padrão e também pode ser transportada através de reboque para qualquer lugar do mundo.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Jaime Gold: somos todos culpados



O brutal e injustificável assassinato do médico Jaime Gold, na Lagoa Rodrigo de Freitas, morto a facadas, ao que tudo indica, por menores de idade, vem ratificar uma triste realidade nacional: aqui a vida está valendo muito pouco.

Não podemos outra vez discutir a questão apenas sob a ótica simplista e emocional (com toda razão) do crime em si, não levando em consideração a penca de fatores causadores de fato, não desse, mas de toda a violência que assola o país há décadas.  E que só aumenta.  

É preciso enxergar um pouco além e discutir o papel dos vários atores sociais que vêm ajudando a construir essa perversa e cruel sociedade brasileira, até chegarmos ao estágio atual em que aceitamos que uma vida seja trocada por uma bicicleta, uma carteira.

É preciso ter consciência que não nos tornamos monstruosos assim da noite para o dia.   Isso leva tempo.  É preciso olhar para dentro de cada um de nós e perguntar, comparar, entender o por quê de outras nações não terem os mesmos níveis de violência nossos.

Com a reforma educacional implementada pela ditadura militar, nossa educação se mercantilizou, sendo entregue à iniciativa privada, algo inimaginável em nações desenvolvidas, onde esse e outros bens, como a saúde, são deveres do Estado e direitos inalienáveis de toda a sociedade.    Aí, algumas raízes causais de nossa tragédia atual.

Por um tempo morei na Itália, com filhos em idade escolar.  Ali presenciei (à parte já vivermos a era “Berlusconiana), o real significado de uma educação universalizada.  Não raro levava meu filho à escola e às vezes ficava na porta observando seus coleguinhas chegarem acompanhados dos pais.  E via que na mesma sala estudavam o filho do mecânico da oficina onde consertava nosso carro e vinha de bicicleta deixar o filho, e o dono da fábrica de sapatos da cidade que chegava com o pai de Ferrari.  Em Cuba, conversando com nativos da “Ilha”, soube que as duas profissões mais importantes e mais bem remuneradas, eram justamente o professor e o médico.  Questão de Estado, da sociedade exigir de seus governantes suas prioridades.  


Li o depoimento emocionado da ex-mulher do médico assassinado esta semana.  Marcia Amil, com toda a dor do difícil momento, foi de uma clareza impressionante. Ela criticou os que pretendem se aproveitar de mais uma tragédia para defender a redução da maioridade penal.

"Nem sei se foram menores, mas sei que Jaime foi vítima de vítimas, que são vítimas de vítimas. Enquanto nosso país não priorizar saúde, educação e segurança, vão ter cada vez mais médicos sendo mortos no cartão postal do país. E não só médicos, afinal, morrem cidadãos todos os dias em toda a cidade, não só na Zona Sul".

Inútil a discussão estéril (e apenas com o foco na Segurança Pública ou na Justiça) que, cotidianamente, assistimos através de uma mídia comprometida apenas com seus interesses e lucros, fazer.  O episódio, aliás, é prato cheio para a propaganda daqueles que pregam a redução da maioridade penal.  Se continuarmos a discutir apenas os motivos e as razões que levaram este jovem a esfaquear barbaramente Jaime Gold, nada mudará e continuaremos, como bem disse sua esposa, a ver outros tantos cruéis crimes acontecerem.  

Do jeito que as coisas caminham, chegará o dia que algum gênio da Segurança vai propor que metade da população tome conta da outra metade.  Não vai adiantar. 

Sem querer justificar a barbárie do crime cometido, mas ao mesmo tempo tentando entender a cabeça da população pouco abastada e sem as oportunidades e os direitos básicos necessários atendidos, o estado brasileiro oferece muito pouco a essas famílias e, portanto, suas vidas pouco ou quase nada valem.  Se nossa classe política e elites partissem dessa lógica, talvez fosse mais fácil entender o motivo de as nossas vidas, aqui do outro lado do Apartheid Social Tupiniquim, também valerem tão pouco.  Nossa sociedade está doente e esse, infelizmente, é um dos preços dessa brutal desigualdade.

Abraços Sustentáveis


Odilon de Barros

Cidade em MG troca materiais recicláveis por vale-compras





A cidade de Alpinópolis, no interior de Minas Gerais, encontrou um jeito criativo para driblar a falta de coleta seletiva e ainda incentivar a população a reciclar. Através do projeto “Ventania e Cidadania”, os moradores podem levar seus resíduos recicláveis a uma central e trocá-los por vale-compras.
Em entrevista ao site CicloVivo, Carlos Fernando Lemos, gestor local do Bolsa Família, explicou que a iniciativa surgiu em 2011, inspirado pelo exemplo de uma cidade vizinha, que já aplicava um sistema semelhante. Desde então, a população local tem abraçado a ideia e se beneficiado pelo projeto.
A cidade, que conta com quase 19 mil habitantes, arrecada mensalmente através do programa uma média de cinco mil toneladas de materiais recicláveis. Para participar é muito simples. O cidadão precisa apenas levar o lixo reciclável até o posto de coleta e fazer a troca. Quem já leva todos os materiais separados tem direito a um vale maior, mas também é possível entregar todos os resíduos misturados. Os cupons podem ser usados para fazer qualquer tipo de compra mercado localizado na própria central. Os valores dos tickets variam de acordo com o material entregue. Um quilo de alumínio, por exemplo, é trocado por um vale de R$ 2,50, os metais valem R$ 4,50, garrafas PET R$ 0,90 e assim por diante.

Foto: Divulgação
Lemos deixa claro que o projeto, coordenado pelo Departamento Municipal de Ação Social, é bancado inteiramente pela prefeitura, que não tem interesse em lucrar com a iniciativa. Todos os resíduos arrecadados são revendidos a uma empresa privada especializada em reciclagem, que se responsabiliza pela gestão e manufatura do lixo.
O município mineiro não possui sistema de coleta seletiva. Portanto, é essencial mobilizar a população para evitar que os materiais recicláveis sejam desperdiçados ou acabem ocupando espaço em aterros sanitários.

Foto: Divulgação
Lixo trocado por diversão
Outra forma usada pela prefeitura de Alpinópolis para coletar recicláveis são os eventos conhecidos como “Praça Viva”. Uma vez por mês alguma praça da cidade é transformada em um espaço de lazer e cultura. Como em todas as festas, esta também tem brincadeiras, barracas de comida e muitos brindes. O diferencial é que, ao invés de pagar com dinheiros, os participantes podem pagar as atrações com lixo, no mesmo esquema de troca usado nos vale-compras. Na última edição, realizada no início de maio, o evento arrecadou três toneladas de materiais, durante cinco horas de festa.

Foto: Divulgação
O próximo passo
A gestão adequada de resíduos tem sido uma ferramenta para promover a inclusão social e combater as desigualdades no município. Um projeto em estudo pelo Departamento Municipal de Ação Social, através da diretora Maria Cacília Vilela Santos, pretende usar este sistema também para oferecer alimentação saudável, tendo os recicláveis como moeda de troca.
O projeto foi apelidado de “Cozinha Popular”. A ideia é implantar na cidade um restaurante que ofereça marmitas com baixo custo e que permita que o pagamento seja feito com materiais recicláveis no lugar do dinheiro.Ciclovivo/Utopia Sustentável