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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Está acabando o tempo para salvar oceanos


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Um estudo da ONU assegura que os oceanos do mundo estão em dificuldades. Foto: Shek Graham/cc-by-2.0
Um estudo da ONU assegura que os oceanos do mundo estão em dificuldades. Foto: Shek Graham/cc-by-2.0

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma nova advertência ambiental: está acabando o tempo para evitar a degradação paulatina dos oceanos e a destruição generalizada da vida marinha. Em sua primeira avaliação exaustiva sobre o estado dos oceanos, a ONU afirma que toda demora na aplicação de soluções para os problemas que já foram identificados como uma ameaça, que degradará essas massas de água, provocará, desnecessariamente, maiores custos ambientais, sociais e econômicos.
A apresentação da primeira Avaliação Mundial dos Oceanos ao Grupo de Trabalho Especial da Assembleia Geral da ONU acontece em sua sessão que começou ontem e vai até o dia 11. O estudo determinou que não se conseguirá o uso sustentável dos oceanos a menos que a gestão de todos os setores das atividades humanas que os afetam seja coerente. “Os impactos humanos sobre o mar já não são de menor importância em relação à escala global dos oceanos. É necessário um enfoque global e coerente”, recomenda o informe.
Segundo a ONU, o documento constitui a primeira vez que especialistas cientistas avaliam os conhecimentos atuais sobre os aspectos químicos, biológicos, econômicos, físicos e sociais da questão, de uma perspectiva global e integrada. Com a direção dos 22 integrantes do chamado Grupo de Especialistas, cerca de 600 cientistas de todo o mundo observaram os oceanos, sua flora e fauna, e as formas como os seres humanos se beneficiam deles, bem como os impactos que provocam.
Os especialistas examinaram uma ampla gama de questões que afetam os ecossistemas oceânicos e a biodiversidade marinha, como a mudança climática, a cobertura de gelo, a frequência das tempestades, a acidificação das águas, as atividades realizadas em terra, as práticas de pesca não sustentáveis, os transportes, as espécies invasoras não autóctones, as indústrias de hidrocarbonos de alto mar e os dejetos marinhos. “E descobriram que os oceanos do mundo estão em um estado muito ruim”, segundo a ONU.
John Tanzer, diretor do Programa Global Marinho do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), disse à IPS que o informe da ONU é “outra prova importante de que a saúde de nossos oceanos e sua base econômica sofrem uma ameaça grave, e que temos de partir para a ação imediata”. A aplicação da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 e a negociação de um novo acordo climático apresentam grandes oportunidades para que os governos, as empresas e comunidades trabalhem juntos em apoio aos oceanos e à população mundial que depende do mar para sua segurança alimentar e meios de vida, acrescentou.
Segundo as Nações Unidas, os oceanos representam mais de 70% da superfície terrestre. Mais de 3,5 bilhões de pessoas dependem deles para sua alimentação, energia e renda. Ao proteger os recursos naturais e culturais dos oceanos, as zonas marinhas protegidas têm um papel central na abordagem de alguns dos maiores desafios de desenvolvimento de hoje, como a segurança alimentar e energética, a pobreza e a mudança climática.
Em junho, a Assembleia Geral aprovou uma resolução destinada à redação de um tratado internacional juridicamente vinculante para a conservação da biodiversidade marinha, para reger as zonas de alto mar além das jurisdições nacionais. A resolução foi consequência de mais de nove anos de negociações por um Grupo de Trabalho especial, que se reuniu pela primeira vez em 2006.
Se o tratado for aprovado, será o primeiro de seu tipo no mundo a incluir medidas de conservação, como as áreas marinhas protegidas e as reservas, as avaliações de impacto ambiental, o acesso aos recursos genéticos marinhos, a distribuição de benefícios, a criação de capacidades e a transferência de tecnologia marinha.
A Aliança de Alto Mar, integrada por 27 organizações não governamentais, teve um papel importante no impulso das negociações sobre o tratado proposto desde 2011. Um estudo publicado em abril pelo WWF calcula que as riquezas sem explorar dos oceanos chegam a US$ 24 bilhões, o tamanho das principais economias do mundo. Esse estudo qualifica os oceanos como potências econômicas e alerta que a superexploração, o uso indevido e a mudança climática estão afetando rapidamente os recursos de alto mar.
“Os oceanos rivalizam com a riqueza dos países mais ricos do mundo, mas se está permitindo que afundem nas profundezas de uma economia falida”, disse Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional. “Como acionistas responsáveis, não podemos ver com seriedade a extração imprudente dos valiosos ativos do oceano sem investir em seu futuro”, acrescentou.
Comparados com as dez principais economias do mundo, os oceanos ficariam em sétimo lugar com um valor anual de produtos e serviços da ordem de US$ 2,5 trilhões, segundo o estudo do WWF. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Terra: o Planeta azul no vermelho. A longa e agonizante caminhada rumo ao fim



Recentemente, a convite da Companhia de Desenvolvimento do Estado do Rio, CODIN, estive presente ao bom seminário promovido pelo Sebrae RJ, na BMF e BOVESPA, que teve como tema central a “Sustentabilidade nas relações entre pequenos negócios e as grandes empresas”.  Com dados conhecidos mas estarrecedores do ponto de vista do perigo que nosso Planeta corre, Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da Bolsa, iniciou sua apresentação com a informação de que no dia 19 de agosto a Terra esgotou os recursos naturais disponíveis para todo o ano de 2014.  Pergunto ao leitor: você sabia disso?  Se sabia, lembra-se de em quantos jornais ou telejornais leu ou ouviu esta informação? 

Pois é, tal qual um assalariado que ganha mil e esbanja dois mil, entramos no “Cheque Especial” dos recursos naturais da Terra, dispendendo mais que sua capacidade de regeneração.  E se hoje gastamos 1,5 planeta para produzir os recursos ecológicos necessários para suportar a atual pegada ecológica mundial, a continuar nessa toada, bem antes de 2050 precisaremos de três planetas.  No Brasil, o número atual é de que consumimos 1,6 planeta.  Esse, um dos principais desafios do século XXI.  Pergunto mais uma vez: o que a governança global está fazendo para impedir isso?



Segundo Haroldo Matos de Lemos, presidente do Instituto Brasil Pnuma, em 1802 o Planeta tinha 1 bilhão de habitantes, hoje, pouco mais de dois séculos depois, sete vezes mais.  Cerca de 85% da população mundial vive em países que extraem da natureza mais do que seus ecossistemas suportam, o que tornará viver aqui humanamente impossível.  Países com tradição na pesca como Espanha, Japão e Canadá subsidiam com US$27 bilhões anualmente a atividade fazendo com que seus pesqueiros possam ir ao fim do mundo à procura de pescado.  Quem interromperá tal insanidade?  A Amazônia, e seus controversos números anuais sobre o desmatamento, continua ardendo.  E os mais variados governos do período pós redemocratização não conseguiram tornar o tema, ainda, uma prioridade nacional.  Um crime de lesa-humanidade. Temos uma única alternativa para evitar que a Terra entre em colapso: repensar nossos hábitos de consumo e nos conscientizarmos que a era da abundância, acabou.  E que entramos na era da escassez.

Renato Regazzi, gerente de Grandes Empreendimentos do Sebrae RJ, fez interessante explanação sobre encadeamento produtivo, demonstrando, na prática, como grandes empresas podem incorporar dentro de suas cadeias produtivas o trabalho de pequenas empresas, um belo exemplo de Responsabilidade Social Empresarial.

A complementar sua fala, o consultor Luiz Claúdio Ferreira de Castro, afirmou que hoje, economia e ecologia caminham juntas pois nos dois casos suas tarefas nada mais são do que administrar a escassez.  Corretíssimo.

Por último, Isabel de Araujo Sbragia, gerente de certificação da ABNT, demonstrou a importância de pequenas e grandes empresas terem seus números inventariados, uma exigência do mundo atual.  E que isso, ao contrário do que possa parecer, não é uma tarefa impossível, mas necessária, e que as empresas só têm a ganhar.



Mas alguns sinais positivos são emitidos mundo afora.  Um grupo de 767 investidores globais, detentores de US$92 trilhões em fundos de investimentos, em parceria com a Ong internacional CDP, que atua para prevenir mudanças climáticas e recursos naturais, vem monitorando periodicamente as empresas e seus gestores sobre a gestão desses recursos dentro delas.  O PRI, Princípios para o Investimento Responsável, é outro grupo que reúne 1.273 investidores institucionais de 53 países com mais de U$45 trilhões sob gestão, e também monitora a mudança do clima.  As duas são iniciativas globais saudáveis que visam adiar pelo maior tempo possível essa tragédia anunciada.

Perguntei a palestrante Sonia Favaretto se diante de tantas evidências e números, o que estaria faltando para avançarmos no "Salvamento do Planeta", e o que seria necessário para a Sustentabilidade entrar definitivamente na agenda Brasil de desenvolvimento.  E provoquei: mais conscientização, mais marketing? Finalizei lembrando que estamos em plena campanha eleitoral e o tema sequer é prioridade entre os principais candidatos.  Objetivamente, ela me disse: Marcos legais e, principalmente, vontade política.   Acrescentaria que em função da gravidade da situação a inclusão da disciplina "educação da sustentabilidade" no currículo escolar do ensino  básico, é questão fundamental para a conscientização da sociedade brasileira. A pauta global nos fez revisar e incluir o ensino da computação e educação financeira nos currículos.  Temos que estar cônscios dessa nova necessidade.

A Global Footprint Network, organização internacional pela sustentabilidade, parceira da Rede WWF, que mede global e anualmente as atrocidades que Terráqueos cometem contra seu habitat original, o Planeta Terra, nos dá dois dados interessantes e, ao mesmo tempo, preocupantes.  Desde 2000 a data que nos informa que os recursos naturais consumidos no Planeta esgotaram-se para aquele ano de referência, chega mais cedo.  Ali, naquele início de milênio foi o dia 1º de outubro.  Este ano, ela recuou para 19 de agosto.  Pelo jeito, estão brincando com fogo.  E também com água.  E a Mãe Natureza parece que não está gostando nada disso.

Abraços Sustentáveis

Odilon de Barros




     
    








quarta-feira, 30 de abril de 2014

Desmatamento e degradação florestal zero




florestas 300x200 Desmatamento e degradação florestal zero
A pressão nas florestas, principalmente no País, deve aumentar consideravelmente nos próximos anos
© WWF-Brasil/Juvenal Pereira
O nosso planeta precisa de florestas. Elas abrigam animais e plantas, espécies que absorvem carbono e liberam oxigênio, fazem a chuva cair e fornecem água limpa. As árvores garantem abastecimento de combustíveis e materiais brutos renováveis – papel, embalagens e plásticos para móveis e utensílios domésticos. Mas não podemos nos acomodar com a realidade. Nos próximos anos, as florestas sofrerão uma enorme pressão ambiental como nunca antes na história.
Diante desse cenário, o WWF tem o objetivo de por um fim ao desmatamento. Isso significa não perder mais quantidade nem qualidade das florestas mundiais. De acordo com o Relatório Florestas Vivas, a proposta é alcançar a meta de desmatamento e degradação florestal líquida ZERO até 2020 e, a partir daí, mantê-la principalmente nas regiões prioritárias para a Rede WWF. A data estipulada reflete a urgência com que precisamos enfrentar as ameaças à biodiversidade florestal no mundo todo.
Relatório Florestas Vivas
O Relatório tem por objetivo catalisar o debate sobre o papel e o valor das florestas no futuro, em um mundo onde a humanidade terá que adequar o seu modo de vida aos limites ecológicos do Planeta, compartilhando os seus recursos de forma equilibrada.
O quarto capítulo Florestas e Produtos Madeireiros teve sua versão em português lançada nesta semana. A publicação indica caminhos para atender a demanda por produtos de madeira – que deve triplicar nos próximos 30 anos – levando em conta que os recursos do planeta são esgotáveis.
São apresentadas soluções gerais para a humanidade aperfeiçoar o uso e os benefícios da madeira, sem diminuir o capital natural mundial de florestas. Nesse capítulo, especificamente, são abordados os diversos valores e usos da madeira, com relação às alternativas de materiais; às demandas atual e futura de produtos madeireiros; a relação entre a produção madeireira e a conservação de outros valores florestais e várias opções de produção madeireira.
florestas2 300x225 Desmatamento e degradação florestal zero
O WWF trabalha para diminuir o desmatamento no Brasil e também no restante do mundo
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
O valor econômico, cultural e ecológico faz com que a madeira seja importante para o manejo florestal sustentável e para a conservação da diversidade biológica e cultural. Entretanto, o capítulo observa que as florestas também fornecem produtos não madeireiros.
Os primeiros três capítulos do Relatório Florestas Vivas foram publicados em 2011. Os dois primeiros foram focados em Florestas e Energia – a adoção de um novo modelo sustentável de atividade florestal, expansão do uso da bioenergia na segurança energética, desenvolvimento rural e outros temas específicos – e o capítulo 3 abordou Florestas e Clima, que destacou a Redução das Emissões Oriundas do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD+) como uma forma para prevenir o descontrole das mudanças climáticas.
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sabemos o que fazer, mas quase nada fazemos


 
Cerrado Sabemos o que fazer, mas quase nada fazemos
Cerrado. Foto: WWF Brasil

Só pode ser bem-vinda a notícia de que o Departamento de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente está preparando um diagnóstico para o Cerrado e uma proposta de estratégia para esse bioma (Ministério do Meio Ambiente, 31/3). O Cerrado já perdeu mais de 50% de sua vegetação e, segundo estimativa de estudiosos, mais de metade da água acumulada no subsolo e que gera 14% dos fluxos para as três grandes bacias nacionais – a amazônica, a do Paraná e a do São Francisco. E pode perder mais, dizem técnicos, com a expansão da fronteira agropecuária, pressionada pela maior exportação de commodities, pelo aumento do consumo interno e pela expansão dos agrocombustíveis. Tudo isso resulta em ampliação do uso da terra e das taxas de desmatamento.
Pela mesma razão, é preciso que a sociedade esteja atenta para o que acontecerá no Senado na discussão de parecer do senador Blairo Maggi ao projeto de lei da Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal – outra área já diante de agressões em curso e da possibilidade de que se permita ali a substituição de áreas preservadas por pastagens cultivadas, da possível supressão de reservas legais e dos efeitos danosos sobre os recursos hídricos. O Pantanal é um privilégio brasileiro, fundamental para o clima e a conservação da biodiversidade.
O último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado há poucos dias (Estado, 30/3), alerta exatamente para a vulnerabilidade de espécies terrestres e aquáticas, o risco de que tenham de migrar ou se extingam diante dos impactos do clima. E menciona especificamente a Amazônia brasileira, mas não apenas ela, embora lembre que no espaço amazônico estão estocados 90 bilhões de toneladas de carbono (na seca de 2005 foram liberados 5 bilhões de toneladas).
Outros estudos estão apontando para os impactos do clima nas populações de polinizadores, principalmente abelhas, das quais depende cerca de 10% da produção agrícola mundial, perto de US$ 212 bilhões anuais (30/3). Os polinizadores estão sendo afetados principalmente pelas mudanças no uso da terra, secas, inundações. Áreas particularmente atingidas são as de produção de verduras e frutas. E a perda da biodiversidade originária – estudo da Natura (17/3) – pode ser muito problemática, já que um hectare de palmeiras de dendê produz 200% mais óleo de palma do que um hectare de sistema agroflorestal. No mundo todo, afirma o economista indiano Pavan Sukhdev, o custo da perda da biodiversidade pode chegar a US$ 4,5 trilhões por ano.
Os dramas do clima e cenários soturnos não são para o fim do século, estão acontecendo agora em todos os continentes e oceanos – lembra texto de Giovana Girardi neste jornal (29/3). E podem desacelerar o crescimento econômico, dificultar a redução da pobreza e a segurança alimentar. O cientista José A. Marengo enfatiza a necessidade de correr com programas de adaptação – mas deixando claro que não há uma fórmula única, depende de cada lugar, de seus problemas e possibilidades específicas. Todavia já são evidentes os riscos de savanização de várias áreas.
O conservador e prudente jornal britânico The Guardian chega a discorrer sobre estudo do Centro Espacial Goddard, da Nasa, segundo o qual “a civilização industrial global pode entrar em colapso nas próximas décadas” por causa do “consumo insustentável de recursos e da distribuição desigual da renda” – cada vez maior. Não seria a primeira vez na História do mundo, observa o jornal, citando o desaparecimento de civilizações como as de Roma e da Mesopotâmia. Tecnologia, apenas, não resolverá. O desfecho, contudo, não é inevitável, “dependerá de políticas adequadas” (14/3).
Uma dessas políticas terá como missão encontrar formatos adequados para expandir em 60% a produção global de alimentos até 2050 sem ampliar os problemas da água (a agricultura já usa 70% do total), da desertificação (mais 60 mil km2 por ano), do consumo de recursos naturais acima (pelo menos 30%) da capacidade de reposição. Em outra área, diz o World Economic Forum que serão necessários investimentos anuais de US$ 6 trilhões, ao longo de quase duas décadas, para estabelecer uma “economia de baixo carbono”. Mas como se fará para eliminar, por exemplo, o subsídio ao consumo de combustíveis fósseis – petróleo, principalmente -, uma das fontes mais poluidoras?
Diz o governo brasileiro que em 2010 a redução do desmatamento no Brasil produziu uma queda de emissões maior que a do total dos países desenvolvidos. Isso foi consequência dos esforços para reduzir o pico do desmatamento na Amazônia. Porém ainda não chegamos a reduções mais fortes em outras áreas (transportes, indústria e agricultura, principalmente).
Um dos problemas está exatamente na falta de avanços na implantação do novo Código Florestal. E uma das questões mais fortes está em que, dois anos depois da nova legislação, ainda não se implementou o Cadastro Ambiental Rural (jornal Valor Econômico, 27/3), que permitiria identificar em cada propriedade áreas de preservação obrigatória da vegetação, reservas legais e desobediências à lei. Os decretos de regulamentação do novo código também estão parados. E com tudo isso, como afirmou o Valor, “o Código Florestal continua no papel”, embora haja 5,4 milhões de imóveis rurais no País.
Paralelamente, as unidades federais administradas pelo Instituto Chico Mendes não têm dinheiro para nada. O Brasil, segundo as Universidades Yale e de Columbia, está em 71.º lugar entre 178 países em termos de “ameaças à natureza” e proteção à saúde humana (Instituto Carbono Brasil, 29/1).
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, espera que os países cheguem a um acordo sobre o clima em setembro, mas não há nada concreto à vista. E o experiente Nicholas Stern, consultor do Reino Unido, alerta: “Sabemos o que está acontecendo. Mas nada fazemos” (UN News, 21/3).
* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

WWF-Brasil e ICMBio renovam Acordo de Cooperação Técnica



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Base flutuante doada pelo WWF-Brasil ao ICMBio para proteção do Parque Nacional do Juruena
© WWF-Brasil / Jorge Eduardo Dantas

O WWF-Brasil e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) renovaram, no último dia 31, o Acordo de Cooperação Técnica (ACT), entre as organizações, em evento realizado na sede do ICMBio, em Brasília. O Acordo estabelece e regulamenta as ações desenvolvidas em parceria para apoiar os processos de criação e demais atividades de suporte à implantação, gestão, monitoramento e avaliação de unidades de conservação (UCs) e à gestão integrada dessas áreas.
O novo ACT, que tem validade até março de 2019, foi assinado pelo presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, e pelo superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Jean Timmers. “O acordo regula as ações desenvolvidas pelo WWF com o ICMBio e potencializa ações que irão resultar no alcance dos objetivos das unidades de conservação, auxiliando em sua manutenção e sustentabilidade”, explica Timmers.
A primeira fase do ACT teve vigência entre os anos de 2009 a 2013. Os principais destaques do período foram o apoio ao Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa); a avaliação da efetividade de gestão das UCs; o estabelecimento e fortalecimento dos mosaicos de UCs; e o fortalecimento dos mecanismos de gestão e de funcionamento de diversas UCs na Amazônia, no Cerrado-Pantanal e na Mata Atlântica. Nestas unidades, o WWF-Brasil apoiou diretamente a elaboração e revisão de planos de manejo, formação e fortalecimento de conselhos gestores, produção sustentável e uso público. Além disso, o Acordo firmou parceria para a disponibilização de informações no Observatório de UCs (link ao lado).
Dentre as UCs apoiadas, podemos citar: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá; a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre; o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais; e o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Rapidinhas (in)sustentáveis


Um dia sem comer carne

Exemplares de gado Holstein submetidos a criação intensiva. Foto: Bigstock
Cidade do México, México, 22 de julho de 2013 (Terramérica).- O décimo primeiro mandamento poderia ser: “não comerás carne… pelo menos um dia por semana”. Esse objetivo, modesto em um mundo cada vez mais carnívoro, é buscado por um movimento que ganhou força nos Estados Unidos em 2003 e que se estende lentamente na América Latina, com presença no México, Panamá e Brasil.

“É uma ferramenta para convidar as pessoas a variarem, de forma simples, sua dieta e diminuir o consumo de carne”, disse ao Terramérica a presidente do capítulo mexicano do Segunda sem Carne, Ana Arizmendi. “E chega em um momento muito conjuntural: o país tem uma crise de saúde pública, e tanto os indivíduos como as instâncias políticas e privadas estão muito receptivas a se abrirem a alternativas saudáveis”, acrescentou. Esse problema é a obesidade.
Por Emidio Godoy


Boff: Este é o Papa da ruptura

Em entrevista à DW Brasil na sua casa em Petrópolis (RJ), o teólogo elogiou Francisco, afirmando que ele é o papa da ruptura. “Essa é a palavra que Bento 16 e João Paulo 2º mais temiam. Eles acreditavam que a igreja tinha que ter continuidade”, avaliou Boff.

O teólogo, um dos expoentes da Teologia da Libertação, disse acreditar que Francisco vai falar sobre os recentes protestos no Brasil. “Ele fez uma declaração corajosa em Roma, dizendo que os políticos têm que escutar os jovens na rua; que a causa dos jovens é legítima, justa e que estaria em conformidade com o evangelho.” Por Astrid Prange

WWF incentiva Papa a incluir defesa da Amazônia na JMJ

O WWF felicita o Papa Francisco por ter juntado sua voz influente ao crescente número de líderes religiosos em todo o mundo que reconhecem a necessidade de se viver em harmonia com a natureza.

“O respeito do Papa Francisco pela natureza e seu forte apelo em prol do desenvolvimento sustentável têm marcado seu pontificado desde o primeiro momento. Conforme indica sua opção por um nome que homenageia São Francisco de Assis, o Pontífice nos trouxe muita esperança de que seja um mensageiro global da proteção ambiental em todo o mundo,” afirmou Dekila Chungyalpa, diretora do programa Terra Sagrada. Por WWF Brasil