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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Um planeta só não será suficiente


O nosso consumo global já é 1,5 maior que a capacidade da Terra de aguentar. Foto: Flickr/woodleywonderworks (CC)
O nosso consumo global já é 1,5 maior que a capacidade da Terra de aguentar. Foto: Flickr/woodleywonderworks (CC)
Se a população global de fato chegar a 9,6 bilhões em 2050, serão necessários quase três planetas Terra para proporcionar os recursos naturais necessários a fim de manter o atual estilo de vida da humanidade, segundo o Banco Mundial. A voracidade com que se utiliza tais recursos fez as Nações Unidas incluírem o consumo em sua discussão sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.

A meta número 12 dos ODS não poupa os países desenvolvidos nem as nações em desenvolvimento. Insta todos a diminuir o desperdício de alimentos — um terço deles é jogado fora anualmente —, repensar os subsídios aos combustíveis fósseis e reduzir a quantidade de resíduos lançados sem tratamento no meio ambiente, entre outras tarefas urgentes.
A América Latina e o Caribe têm desafios importantes a cumprir em relação a esses e outros quesitos. Atualmente, a região joga fora 15% da comida que produz. Conseguiu diminuir de 1% para 0,68% o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) gasto em subsídios para os combustíveis fósseis entre 2013 e 2015, mas alguns países ainda dedicam cerca de 10% do PIB a eles. Finalmente, cada latino-americano produz até 14kg de lixo por dia, dos quais 90% poderiam ser reciclados ou transformados em combustível caso fossem separados por origem.
Conheça a seguir quatro metas de consumo sustentável que valem para a região e para todo o mundo até 2030.
Reduzir à metade o desperdício mundial de alimentos per capita na venda a varejo
Estima-se que a cada ano cerca de um terço dos alimentos produzidos — o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas, avaliadas em cerca de US$ 1 trilhão — acaba apodrecendo no lixo dos consumidores ou dos varejistas, ou estraga devido a métodos ineficientes de coleta e transporte.
A degradação e queda de fertilidade dos solos, o uso insustentável da água e a pesca excessiva estão reduzindo a quantidade de recursos naturais disponíveis para produção de alimentos. Por isso, é essencial não só pensar em formas de preservar e recuperar tais recursos, mas também de reduzir o desperdício para alimentar as 8,3 bilhões de pessoas que o planeta deverá ter até 2030.
Alcançar uma gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais
A voracidade com que os recursos naturais estão sendo usados fica clara quando se observam alguns números relativos a consumo de energia. Em 2013, apenas um quinto da energia utilizada no mundo veio de fontes renováveis, como água, vento e luz solar. Todo o resto foi gerado com petróleo, carvão, gás natural e urânio.
E quais setores avançam mais rapidamente no consumo de energia? Em primeiro lugar, o de transportes: até 2020, o transporte aéreo global deve triplicar, enquanto as distâncias percorridas pelos carros aumentarão 40%. Já o uso de energia para comércios e residências fica em segundo. A boa notícia é que as medidas para poupar podem facilmente começar dentro de casa.
Segundo estimativas das Nações Unidas, se toda a população mundial começasse a usar lâmpadas de baixo consumo, seria possível economizar US$ 120 bilhões anualmente. Em 2013, apenas um quinto da energia utilizada no mundo veio de fontes renováveis, como água, vento e luz solar.
Racionalizar os subsídios aos combustíveis fósseis
Segundo o estudo Indicadores de Desenvolvimento Global (WDI), do Banco Mundial, os países mais ricos do mundo são os que mais gastam com subsídios ao petróleo, carvão e gás natural (quase 14% do PIB).
Depois, vêm as economias de renda média-baixa, que incluem países da América Central como Guatemala e Nicarágua e gastam em média 11% do PIB com subsídios. Para a ONU, os subsídios ineficientes incentivam o consumo perdulário. Para racionalizá-los — e estimular, portanto, o uso de fontes de energia que impactem menos o meio ambiente —, é preciso adotar medidas que removam as distorções do mercado, como reestruturar os sistemas tributários nacionais, segundo a instituição.
Alcançar uma gestão ambientalmente racional dos produtos químicos ao longo de seu ciclo de vida
Ao incluir essa meta no ODS 12, as Nações Unidas buscam minimizar o impacto dos resíduos químicos tanto na saúde quanto no meio ambiente. A geração de lixo tóxico per capita praticamente dobrou no mundo inteiro entre o fim dos anos 1990 e da década de 2000. Nos países de renda média, como o Brasil, a quantidade subiu de 17kg per capita entre 1996 e 2000 para 42kg entre 2006 e 2011. Mas nem de longe eles são os mais poluentes: os de alta renda, mas que ainda não se uniram à OCDE (a qual exige boas práticas nas políticas públicas), despejaram 981kg de lixo tóxico per capita entre 2006 e 2011.
Outro dado preocupante é que cerca de 200 milhões de pessoas podem ser afetadas pelos resíduos presentes em 3,000 locais em todo o mundo. Para reverter o quadro, a ONU destaca a importância de incentivar indústrias a buscar formas sustentáveis de gerenciar seus resíduos. E, ainda, de estimular os consumidores a reduzir o consumo e reciclar o lixo.
Como se vê, o conceito de consumo vai muito além do simples gesto diário de fazer compras, e torná-lo sustentável passa por uma série de desafios que envolvem toda a sociedade. É uma meta que precisará ser levada cada vez mais a sério para não causar novos danos aos limitados recursos do planeta. (ONU Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Planeta no “cheque especial”


Museu do Amanhã alerta sobre sobrecarga da Terra. O planeta entrou no “cheque especial” dos recursos naturais 5 meses antes de terminar o ano. 
Uma série de atividades e palestras estão acontecendo no Rio de Janeiro por motivo do Dia da Sobrecarga da Terra, que inicia este ano no 8 de agosto. Esta é uma data para lembrar que o planeta entrou no “cheque especial”, cinco meses antes de fechar o ano, no que refere ao desgaste dos recursos naturais.
Organizada pelo Museu do Amanhã, dedicado a explorar possibilidades sustentáveis e de boa convivência na construção do futuro, a iniciativa contará com artigos, informações e infográficos sobre os impactos humanos no planeta.
Nomes reconhecidos como Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e José Graziano, diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) serão alguns dos especialistas que produzirão as publicações.
No site do Museu  será possível encontrar uma seção especial sobre o evento. Para os organizadores é importante ter um espaço para discutir os sinais de alerta do planeta. O dia da Sobrecarga da Terra foi qualificado como um termômetro fundamental para perceber a degradação do meio ambiente.
Advogado e ambientalista, Fabio Feldman, ministrará nesta sexta-feira (29/7) a palestra “Podemos virar esse jogo? Superconsumo e limites do planeta”. Para Feldman existem hoje algumas tentativas validas de mudança na sociedade   “Em São Paulo há uma juventude que está valorizando a bicicleta como meio de transporte. Em 1998 fui participar do programa do Serginho Groisman, e levei uma super vaia ao defender o uso da bicicleta em centros urbanos. Hoje, certamente não seria vaiado”, comenta.
Na sexta-feira (8/8) o jornalista especializado em sustentabilidade André Trigueiro explicará os inicios e consequências do Dia da Sobrecarga que acontece desde o ano 2000.
O evento ocorre na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. Para participar das atividades é necessário se inscrever pelo site(#Envolverde/Utopia Sustentável) 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

2016 será o mais quente de todos


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Brasileiros se protegem do sol forte e altas temperaturas em Brasília. Foto: Agência Brasil/Fabio Rodrigues Pozzebom
Brasileiros se protegem do sol forte e altas temperaturas em Brasília. Foto: Agência Brasil/Fabio Rodrigues Pozzebom
Aparentemente a Terra não prestou atenção à Conferência de Paris e segue esquentando, apesar da promessa dos governos de resolver o problema em algum momento deste século. Segundo informou nesta segunda-feira o serviço meteorológico do governo britânico, o Met Office, as temperaturas globais devem bater novo recorde em 2016.
Uma atualização da previsão do ano, divulgada nesta segunda-feira no site do Met Office, indica que a temperatura média global em 2016 deve ser 0,84oC mais alta do que a média do período 1961-1990. Se confirmada, essa tendência trará um feito inédito no registro climático global: três recordes históricos de temperatura máxima batidos em três anos consecutivos.
Senão vejamos: 2014 foi o ano mais quente desde que as medições globais começaram a ser feitas com termômetros, em 1880: as médias naquele ano foram 0,61oC mais altas do que no período 1961-1990. Os registros de 2015 indicam que apenas entre janeiro e outubro o recorde de 2014 já havia sido batido, com 0,72oC. Como não se tem notícia de uma onda de frio global entre novembro e dezembro, nem a chegada do inverno ao hemisfério Norte atenuou a alta, e 2015 provavelmente superou 2014 como ano mais quente da história.
No ano passado, graças a um
que vem sendo chamado de “Godzilla”, o aquecimento global bateu 1oC em relação à era pré-industrial. O efeito do El Niño, somado ao da mudança climática, deve garantir a continuidade do calorão neste ano.
O Met Office diz não esperar que o futuro seja assim, com um recorde de temperatura batido atrás do outro, indefinidamente (ufa). Afirma, porém, que as mudanças causadas pelo acúmulo as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera têm a indesejável propriedade de potencializar flutuações naturais do clima, como os El Niños e as variações em ciclos naturais dos oceanos, como a Oscilação Decadal do Pacífico e a Oscilação Multidecadal do Atlântico.
Esses fenômenos naturais alteram de tempos em tempos a circulação marinha, que é o coração do sistema climático global, e são capazes de esquentar ou resfriar o mundo sem nenhum auxílio externo.
No Brasil, que teve uma série de recordes de temperatura quebrados no ano passado e, isso poderá significar um verão escaldante, como os cariocas já descobriram, e uma continuidade dos problemas de abastecimento de água em São Paulo. Em Brasília, onde chuvas abundantes marcam um verão quase normal (costuma ser uma época de temperaturas amenas na capital), o preço dos condicionadores de ar começa a cair. Como eles provavelmente serão muito necessários no outono, fica a dica. (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Como cuidar de nossa Casa Comum


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Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Cuidar da Terra é cuidar do Sagrado que arde em nós e que nos convence de que a vida vale mais que todas as riquezas deste mundo.
Hoje para cuidar da Terra como nos sugeriu detalhamente o Papa Francisco em sua encíclica “Cuidado da Casa Comum” exige-se “uma conversão ecológica global”, “mudanças profundas nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder”(n.5). Esse propósito jamais será alcançado senão amarmos efetivamente a Terra como nossa Mãe e soubermos renunciar e até sofrer para garantir sua vitalidade para nós e para toda a comunidade de vida (n.223). A Mãe Terra é a base que tudo sustenta e alimenta. Nós não podemos viver sem ela. A sistemática agressão que sofreu nos últimos séculos tiraram-lhe o equilíbrio necessário. Eventualmente, poderá continuar pelos séculos afora, mas sem nós.
No dia 13 de agosto deste ano ocorreu o Dia da Sobrecarga da Terra (The Overshoot Day), dia em que se constatou a ultrapassagem da biocapacidade da Terra em atender as demandas humanas. Precisa-se de 1,6 planeta para atendê-las. Em outras palavras. Isso demonstra que o nosso estilo de vida é insustentável. Nesse cálculo não estão incluídas as demandas da inteira comunidade de vida. Isso torna mais urgente a nossa responsabilidade pelo futuro da Terra, de nossos companheiros de caminhada terrenal e de nosso projeto planetário.
Como cuidar da Terra? Em primeiro lugar há que considerar a Terra como um Todo vivo, sistêmico no qual todas as partes se encontram interdependentes e inter relacionadas. A Terra-Gaia fundamentalmente é constituída pelo conjunto de seus ecossistemas e com a imensa biodiversidade que neles existe e com todos os seres animados e inertes que coexistem e sempre se inter relacionam como não se cansa de afirmar o texto papal, bem na linha do novo paradigma ecológico.
Cuidar da Terra como um todo orgânico é manter as condições pré-existentes há milhões e milhões de anos que propiciam a continuidade da Terra, um super Ente vivo, Gaia. Cuidar de cada ecossistema é compreender as singularidades de cada um, sua resiliência, sua capacidade de reprodução e de manter as relações de colaboração e mutualidade com todos os demais já que tudo é relacionado e includente. Compreender o ecossistema é dar-se conta dos desequilíbrios que podem ocorrer por interferências irresponsáveis de nossa cultura, voraz de bens e serviços.
Cuidar da Terra é principalmente cuidar de sua integridade e vitalidade. É não permitir que biomas inteiros ou toda uma vasta região seja desmatada e assim se degrade, alterando o regime das chuvas. Importante é assegurar a integridade de toda a sua biocapacidade. Isso vale não apenas para os seres orgânicos vivos e visíveis, mas principalmente para os microorganismos. Na verdade, são eles os ignotos trabalhadores que sustentam a vida do Planeta. Diz-nos o eminente biólogo Edward Wilson que “num só grama de terra, ou seja, menos de um punhado de chão, vivem cerca de 10 bilhões de bactérias, pertencentes a até 6 mil espécies diferentes”(A criação, 2008,p.26). Por aí se demonstra, empiricamente, que a Terra está viva e é realmente Gaia, superorganismo vivente e nós, a porção consciente e inteligente dela.
Cuidar da Terra é cuidar dos “commons”, quer dizer, dos bens e serviços comuns que ela gratuitamente oferece a todos os seres vivos como água, nutrientes, ar, sementes, fibras, climas etc. Estes bens comuns, exatamente por serem comuns, não podem ser privatizados e entrar como mercadorias no sistema de negócios como está ocorrendo velozmente em todas as partes. A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, inventário pedido pela ONU de uns anos atrás, no qual participaram 1.360 especialistas de 95 países e revisados por outros 800 cientistas trouxeram resultados amedrontadores. Entre os 24 serviços ambientais, essenciais para a vida, como água, ar limpo, climas regulados, sementes, alimentos, energia, solos, nutrientes e outros, 15 estavam altamente degradados. Isto sinaliza claramente que as bases que sustentam a vida estão ameaçadas.
De ano para ano, todos os índices estão piorando. Não sabemos quando esse processo destrutivo vai parar ou se transformar numa catástrofe. Havendo uma inflexão decisiva como o temido “aquecimento abrupto”, que faria o clima subir entre 4-6 graus Celsius, como advertiu a comunidade científica norte-americana, conheceríamos dizimações apocalípticas afetando milhões de pessoas. Temos confiança de que iremos ainda despertar. Mais que tudo cremos que “Deus é o Senhor soberano amante da vida”(Sb 11,26) e não deixará acontecer semelhante Armagedom.
Cuidar da Terra é cuidar de sua beleza, de suas paisagens, do esplendor de suas florestas, do encanto de suas flores, da diversidade exuberante de seres vivos da fauna e flora.
Cuidar da Terra é cuidar de sua melhor produção que somos nós seres humanos, homens e mulheres especialmente os mais vulneráveis. Cuidar da Terra é cuidar daquilo que ela através de nosso gênio produziu em culturas tão diversas, em línguas tão numerosas, em arte, em ciência, em religião, em bens culturais especialmente em espiritualidade e religiosidade pelas quais nos damos conta da presença da Suprema Realidade que subjaz a todos os seres e nos carrega na palma de sua mão.
Cuidar da Terra é cuidar dos sonhos que ela suscita em nós, de cujo material nascem os santos, os sábios, os artistas, as pessoas que se orientam pela luz e tudo o que de sagrado e amoroso emergiu na história.
Cuidar da Terra é, finalmente, cuidar do Sagrado que arde em nós e que nos convence de que é melhor abraçar o outro do que rejeitá-lo e que a vida vale mais que todas as riquezas deste mundo. Então ela será de fato a Casa Comum do Ser. (Carta Maior/ #Envolverde/Utopia Sustentável)
Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Oceanos teriam riqueza de US$ 24 trilhoes




Ecossistema de arrecifes coralinos no Refúgio Nacional de Vida Silvestre do Atol de Palmyra, nos Estados Unidos. Foto: Jim Maragos/Serviços de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos 
Ecossistema de arrecifes coralinos no Refúgio Nacional de Vida Silvestre do Atol de Palmyra, nos Estados Unidos. Foto: Jim Maragos/Serviços de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos

As riquezas sem aproveitar dos oceanos teriam um valor aproximado de US$ 24 trilhões, equivalente a várias das maiores economias do mundo, segundo um informe do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) publicado na segunda quinzena de abril. O estudo, que descreve os oceanos como potências econômicas, alerta que a superexploração, o uso indevido e a mudança climática estão solapando rapidamente os recursos de alto mar.
“O oceano rivaliza com a riqueza dos países mais ricos do mundo, mas estamos permitindo que se afunde nas profundidades de uma economia falida”, afirmou Marco Lambertini, diretor-geral da WWF Internacional. “Como acionistas responsáveis, não podemos esperar com seriedade continuar extraindo imprudentemente os valiosos bens do oceano sem investir em seu futuro”, acrescentou.
Se compararmos com as 10 maiores economias do planeta, os oceanos ocupariam o sétimo lugar, com um valor anual de bens e serviços de US$ 2,5 trilhões, segundo o informe Reativar a economia oceânica, elaborado pelo WWF em associação com o Instituto da Mudança Mundial, da Universidade de Queensland, da Austrália, e a consultoria The Boston Consulting Group. O valor atual dos oceanos em sua totalidade chegaria a US$ 24 trilhões, calcula o estudo.
Após nove anos de intensas negociações, um Grupo de Trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), integrado pelos 193 Estados membros, acordou em janeiro convocar uma conferência intergovernamental para redigir um tratado juridicamente vinculante com a finalidade de conservar a vida marinha e os recursos genéticos dos oceanos, que agora estão, em grande parte, fora do alcance da lei.
Palitha Kohona, um dos presidentes do Grupo de Trabalho, que foi embaixador do Sri Lanka junto à ONU, disse à IPS que os oceanos são a próxima fronteira para a exploração comercial de grandes empresas, sobretudo aquelas que buscam desenvolver produtos farmacêuticos lucrativos a partir de organismos vivos e não vivos que existem em grande quantidade nas águas de alto mar.
“Os países tecnicamente avançados, que já estão com seus navios de pesquisa nos oceanos, e alguns dos quais desenvolvem produtos, incluídos valiosos medicamentos, com base no material biológico extraído de alto mar, resistem à ideia de regular a exploração deste tipo de material e compartilhar seus benefícios”, acrescentou Kohona.
Segundo a ONU, as águas de alto mar são aquelas que ficam fora das zonas de exclusão econômica nacionais, que constituem 64% dos oceanos, e o leito marinho que está além das plataformas continentais de cada país. Estas áreas representam quase 50% da superfície da Terra, e incluem alguns dos ecossistemas mais importantes para o ambiente, criticamente ameaçados e menos protegidos do planeta.
O tratado internacional proposto, o Acordo sobre a Biodiversidade em Alto Mar, abordaria o marco legal e institucional insuficiente, fragmentado e mal implementado que, atualmente, não protege os mares internacionais das numerosas ameaças que enfrentam no século XXI. Segundo o informe do WWF, mais de dois terços do valor anual dos oceanos dependem do estado saudável das águas para manter sua produção econômica.
A pesca minguante, o desmatamento dos mangues, bem com o desaparecimento dos corais e da vegetação marinha ameaçam a potencialidade econômica dos oceanos que sustenta os meios de vida de milhões de pessoas em todo o mundo. O informe também alerta que o oceano está mudando mais rapidamente do que em qualquer outro momento da história. Ao mesmo tempo, o crescimento demográfico e a dependência humana do mar fazem com que a restauração da econômica oceânica e de seus principais recursos seja um assunto de urgência internacional.
O estudo do WWF especificamente indica a mudança climática como principal causa da decadência da saúde dos oceanos. No ritmo atual do aquecimento global, os arrecifes de coral, que proporcionam alimentos, emprego e proteção contra as tempestades a centenas de milhões de pessoas, desaparecerão completamente até 2050. Mais do que aquecer as águas, a mudança climática provoca o aumento da acidez dos oceanos, algo que o meio ambiente demorará centenas de gerações para remediar.
A superexploração é outra das principais causas da decadência oceânica, já que 90% da população mundial de peixes foi superexplorada ou explorada em 100%, afirma o estudo. A população de atum vermelho do Pacífico diminuiu 96%, segundo o WWF.
“Não é muito tarde para reverter estas tendências preocupantes e garantir um oceano saudável que beneficie as pessoas, as empresas e a natureza”, afirma o documento, ao mesmo tempo em que propõe um plano de ação de oito pontos que restauraria os recursos oceânicos em todo seu potencial.
Entre as soluções mais urgentes está a incorporação da recuperação dos oceanos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que a ONU proporá este ano, a adoção de medidas internacionais contra a mudança climática e o cumprimento dos compromissos assumidos para proteger as áreas costeiras marinhas.
“O oceano nos alimenta, nos dá emprego e sustenta nossa saúde e nosso bem-estar. Mas, estamos permitindo que se desmorone diante de nossos olhos. Se os relatos cotidianos sobre a má saúde dos oceanos não inspiram nossos dirigentes, talvez o faça a dura análise econômica”, afirmou Lambertini. “Temos que trabalhar seriamente para proteger os oceanos, começando por compromissos mundiais reais sobre o clima e o desenvolvimento sustentável”, ressaltou. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

2014 foi, oficialmente, o ano mais quente já registrado





A Agência Espacial Norte-Americana (NASA) divulgou na última semana que a Terra teve o ano mais quente desde que os monitoramentos climáticos começaram a ser feitos, em 1880. A informação foi confirmada pelos cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Segundo a Nasa, dos dez anos mais quentes, nove deles ocorreram depois de 2000, demonstrando uma tendência contínua em um aquecimento de longo prazo. Desde 1880, quando os monitoramentos começaram a ser feitos, a temperatura média da Terra já aumentou 0,8 graus Celsius.
Os cientistas apontam como principal causa o crescimento nas emissões de gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono, liberado na atmosfera em consequência humana.
“Este foi o ano mais recente de uma série de anos quentes, em uma série de décadas quentes. Enquanto o ranking de anos individuais pode ser afetado por padrões climáticos caóticos, as tendências de longo prazo são atribuíveis a causas da mudança climática que agora são dominadas por emissões humanas de gases de efeito estufa”, esclareceu Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa  (GISS).
A análise das temperaturas é feita através de medidores instalados em diversas partes do mundo. Somente o GISS possui 6.300 estações em superfície, mar e ar. Além disso, os cientistas contam com estações de pesquisa na Antártida e satélites que fazer o monitoramento espacial.  Ciclovivo/Utopia Sustentável

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Emissões globais de gases de efeito estufa chegam a nível recorde





O maior e mais abrangente relatório sobre mudanças climáticas, divulgado em 2014 pelas Nações Unidas, mostrou que a humanidade vivencia a última chance de reverter o processo de aquecimento global. A síntese do quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), elaborada com a participação de 800 cientistas de 80 países, e divulgada em novembro em Copenhague, na Dinamarca, indicou que, se não houver redução imediata na emissão de gases de efeito estufa, os meios de adaptação não serão suficientes, e a vida no planeta ficará ameaçada. “As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo intacta”, disse na ocasião o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri.
O relatório mostrou que a emissão de gases de efeito estufa atingiu níveis sem precedentes nos últimos 800 anos, gerando o aquecimento da terra, o derretimento das geleiras e o consequente aumento do nível do mar. O aquecimento médio global combinado da Terra e dos oceanos no período de 1880 a 2012 chegou a 0,85 °C. O nível do mar aumentou 19 centímetros de 1991 a 2010, número maior do que os registrados nos últimos dois milênios. O relatório alertou também para a acidificação dos oceanos em 26% por causa da apreensão de gás carbônico da atmosfera, o que pode ter impacto grave sobre os ecossistemas marítimos.
Caso não haja redução das mudanças climáticas, os cientistas preveem impactos severos e irreversíveis para a humanidade e para os ecossistemas. “Meios de vida serão interrompidos por tempestades, por inundações decorrentes do aumento do nível do mar e por períodos de seca e extremo calor. Eventos climáticos extremos podem levar à desagregação das redes de infraestrutura e serviços. Há risco de insegurança alimentar, de falta de água, de perda de produção agrícola e de meios de renda, particularmente em populações mais pobres”, destaca o documento.
Para frear as mudanças climáticas e gerenciar os riscos, de acordo com o relatório do IPCC, as nações precisam promover ações combinadas de mitigação e adaptação. “Reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas podem diminuir os riscos das mudanças climáticas e melhorar a possibilidade de adaptação efetiva às condições existentes”. Os cientistas reconheceram, entretanto, que essas reduções demandarão mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e institucionais consideráveis.
Ao apresentar o relatório, nas palavras de Rajendra Pachauri, “a comunidade científica passou o bastão para os políticos”, para que eles tomem as decisões acertadas em tempo hábil. Um mês depois, entre os dias 2 e 12 de dezembro, em Lima, no Peru, delegações de 196 países tiveram dificuldades para encontrar um consenso sobre o desenho do que será o tão esperado acordo global do clima, definindo metas para a redução na emissão de gases de efeito estufa. O Chamamento de Lima para a Ação sobre o Clima, título dado ao documento, foi aprovado no apagar das luzes da 20ª Conferência do Clima, o que causou dúvidas sobre a capacidade dos líderes mundiais de negociar, na 21ª Conferência do Clima (COP 21), em Paris, em dezembro do ano que vem, um amplo e ambicioso acordo capaz de frear os efeitos das mudanças climáticas e garantir o futuro da humanidade.
O texto aprovado em Lima traz várias opções possíveis para a construção de um acordo climático em 2015, mas não apresenta conclusões sobre os pontos mais polêmicos: a definição de metas para o corte nas emissões de gases de efeito estufa e a consequente adaptação das nações para economias mais verdes, por meio da inovação nas indústrias e do investimento em energias renováveis.
O cientista sênior e consultor do Instituto Nacional de Pesquisa Ambiental da Dinamarca Hans Sanderson, em entrevista à Agência Brasil, disse que o relatório do IPCC não foi compreendido como deveria e não gerou a pressão esperada sobre a classe política. Consequentemente, observou ele, os resultados alcançados em Lima não foram suficientes. “O sistema adotado pelas Nações Unidas nas conferências do clima não é efetivo e deveria ser substituído por um outro formato mais elaborado, com maior poder de decisão”, disse. “Com certeza, o desenho de acordo aprovado na COP 20 não reflete a urgência que as mudanças climáticas demandam”, enfatizou.
Sobre as expectativas da comunidade científica para a COP 21, em Paris, ele disse que acha difícil um acordo. “O que veremos é mais uma versão enxugada, empurrando as decisões e as ações reais para o futuro”. Na opinião do cientista, a meta de evitar que a temperatura da terra aumente mais do que 2 °C não pode mais ser alcançada. “Imagine se as COPs fossem tão decisivas e efetivas em garantir recursos como foram as guerras mundiais no passado. Não estamos falando em ciência aeroespacial, a maioria das questões científicas centrais já foi discutida. Agora é uma questão de agir, mas há muitos conflitos de interesse entre países que impedem essa ação.”
Ele destacou, entretanto, alguns avanços na questão climática ocorridos em 2014. “Vimos os Estados Unidos e a China assinarem acordos para reduzir as emissões; vimos muitas cidades e países, como o Uruguai e a Alemanha, avançando rumo a 100% de energias renováveis em poucos anos; vimos o fortalecimento das discussões em torno de uma adaptação às mudanças climáticas. Tudo isso é avanço.”
Agência Brasil/Utopia Sustentável

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Os países industrializados enfraquecem negociações sobre o clima




COP203 Os países industrializados enfraquecem negociações sobre o clima

Lima, Peru, dezembro/2014 – Os 195 governos representados na capital do Peru na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), pareciam estar de acordo: agora é o momento de atuar para o clima.
O problema é que o mantra “agora é o momento de agir para o clima” é repetido a cada conferência e nossos governos continuam sem agir.
Estamos enfrentando uma emergência planetária: inundações, tempestades, secas e elevação do nível do mar já estão causando devastação. O risco de um colapso climático fora de controle está cada vez mais perto.
Nos últimos 20 anos de negociações da Organização das Nações Unidas (ONU), testemunhamos os esforços contínuos dos países industrializados para destruir sistematicamente os poucos sistemas que os obrigam a assumir a responsabilidade por suas emissões históricas de carbono.
Infelizmente, a COP 20, que aconteceu entre os dias 1º e 12, em Lima, não é uma exceção.
Dipti Os países industrializados enfraquecem negociações sobre o clima
Dipti Bhatnagar, na COP 20. Foto: Luka Tomac/FoEI
Os países mais ricos e industrializados do mundo são os mais responsáveis pela mudança climática. Eles são responsáveis pela emissão da maior parte dos gases-estufa presentes na atmosfera hoje em dia, muitíssimo mais do que a cota-parte justa que lhes corresponde.
O acordo a ONU sobre o clima reconhece que os países industrializados contribuíram mais para a mudança climática e devem tomar medidas drásticas para assumir a cota-parte que lhes corresponde para encarar a crise.
Devem reduzir drasticamente suas emissões e também proporcionar financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países em desenvolvimento que já estão sofrendo em maior medida os efeitos da crise climática.
Porém, o texto que surge das negociações mais recentes da ONU sobre o clima mostra que os países ricos continuam enfraquecendo seus compromissos de ações em torno do clima.
Observamos esforços deliberados para desmantelar a convenção da ONU sobre mudança climática mediante a eliminação do requisito para os países industrializados de continuarem cumprindo metas quantificáveis de financiamento e assumirem sua responsabilidade histórica pela mudança climática com obrigações legalmente vinculantes.
O que vimos em Lima é que se tentava enfraquecer propostas que já inicialmente não eram suficientemente fortes: os países industrializados estão fugindo cada vez mais de suas responsabilidades.
O movimento pela justiça climática, incluindo a organização Amigos da Terra Internacional e a maioria dos países em desenvolvimento, reclama obrigações aplicáveis e legalmente vinculantes para os países desenvolvidos por meio de um acordo da ONU que seja ambicioso e justo.
Porém, as contribuições previstas e determinadas em nível nacional (INDC) discutidas em Lima não obrigam os países industrializados a explicarem quanto financiamento pretendem proporcionar, nem o que farão quanto à capacitação ou à transferência de tecnologia.
O texto discutido em Lima também deixa de lado os direitos e as necessidades dos povos afetados, trapaceando nos assuntos de adaptação.
Em setembro deste ano, centenas de milhares de pessoas em diferentes cidades de todo o mundo se manifestaram a favor de soluções reais para a crise climática. As propostas de Lima ignoram as reclamações populares, liberando os países industrializados de suas responsabilidades.
“O processo de discussão do texto ocorreu de modo viciado, e não dá a mesma voz às partes presentes na mesa de negociação da ONU. As vozes do mundo em desenvolvimento são marginalizadas”, afirmou Geoffrey Kamese, diretor de Programas da Amigos da Terra Uganda.
“Se o texto final das negociações de Lima deixa de obrigar os países a estabelecerem claramente quando e como cumprirão suas responsabilidades com o mundo e as pessoas, não terá absolutamente nenhum valor”, ressaltou.
Independente do tipo de acordo aprovado em Lima, preparará o caminho para um acordo crucial em Paris no ano que vem, que determinará as ações que realizarão os países a partir de 2020 frente à mudança climática. Mas o que farão de agora até 2020?
As propostas discutidas em Lima para os planos até 2020 só incluem a criação de um fórum e a nomeação de vários grupos técnicos de especialistas. Essas não são soluções para os problemas que enfrentamos. Precisamos de ações reais nesse momento.
Nas negociações em Lima nossos governos só apresentaram soluções falsas e vazias, incluídos expansão dos mercados de carbono, REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação das Florestas) e débeis promessas voluntárias de redução de emissões.
A falta de ação de nossos governos é muito clara: não conseguiram estabelecer um acordo climático forte e equitativo no contexto da ONU nos últimos 20 anos, e os pequenos passos dados em Lima não nos levam na direção correta. Estão criando as condições para um fracasso na cúpula sobre o clima que acontecerá em 2015 em Paris.
Todo acordo futuro da ONU sobre o clima deve ser exaustivo, equitativo e vinculante. As metas de redução de emissões incluídas nesse acordo devem refletir um enfoque de divisão justa do orçamento de carbono, ou seja a quantidade limitada de contaminação por carbono que ainda se pode emitir evitando, ainda assim, uma “mudança climática perigosa”.
Existem soluções verdadeiras e reais para a crise climática. Entre elas colocar um ponto final nos combustíveis fósseis, construir soluções de energia limpa e sustentável sob controle das comunidades, reduzir drasticamente as emissões de carbono, transformar nossos sistemas alimentares e frear o desmatamento.
O movimento a favor de alternativas verdadeiras está crescendo e se fortalecendo dia a dia, e as reclamações do movimento pela justiça climática devem ser o núcleo central das soluções climáticas.
No dia 10, Dia Internacional dos Direitos Humanos, em Lima, os ativistas da Amigos da Terra Internacional se somaram a milhares de defensores ambientais, entre eles os familiares de ativistas sindicais peruanos recentemente assassinados, em uma “marcha mundial em defesa da Mãe Terra”, para pedir justiça climática e soluções verdadeiras para a crise climática. Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

terça-feira, 11 de novembro de 2014

São Paulo: sem água, sem ar, sem terra. E com fogo


por Leonardo Sakamoto*
Sistema Cantareira atinge volume zero em 2014 mes de junho20140515 0003 406x270 São Paulo: sem água, sem ar, sem terra. E com fogo
Nível de água no Cantareira e em cinco mananciais de São Paulo volta a cair. Previsão de chuva só na noite de quarta feira (12). Foto: Vagner Campos/A2 FOTOGRAFIA

A água dos reservatórios está acabando.
(Mas continuamos creditando o problema e a solução a alguma divindade antropomórfica vingativa e torcendo o nariz para necessárias mudanças no comportamento diante da falácia do recurso “renovável”, negando-nos a combater o desperdício e a pagar mais pelo seu uso.)
O ar é o mais poluído dos últimos sete anos.
(E seguimos tendo orgasmos múltiplos diante de anúncios de automóveis e motocicletas e babando em frente a vitrines de concessionárias enquanto mentimos em pesquisas de opinião, dizendo que amamos ônibus e bicicletas para ficar bem na fita.)
A terra e seu alto valor tornaram a cidade proibitiva.
(Contudo, na hora de apoiar medidas para cumprir a Constituição e impedir que a especulação imobiliária seja mais importante que a dignidade, quem tem pouco adota, por vezes, um discurso violento, que seria esperado dos grandes proprietários. Estufam o peito e gritam: A cidade é para quem pode pagar por ela! E, percebendo que eles próprios não podem, com o rabo entre as pernas, mudam-se para longe.)
O fogo é uma exitosa política de desenvolvimento urbano.
(Enquanto sentem pena de famílias que perderam tudo, abrem imperceptíveis sorrisos de olho no erguimento de bancos, salas de concertos e de exposições, teatros, sedes de multinacionais, escritórios da administração pública, restaurantes, equipamentos públicos. E apartamentos, para quem pode pagar, é claro.)
Se você era jovem na década de 90, pertinentemente chegaria à conclusão de que resta apenas clamar pelo Capitão Planeta. O problema é que, em São Paulo, há uma chance dele estar ocupado garantindo que a periferia fique na periferia ou controlando “pacificamente” manifestações. E, é claro, respondendo a demandas de doadores de campanha de seus chefes.
Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política.