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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

COP21: Paris lança uma luz ao planeta


Foto: Shutterstock
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O mundo que emergiu da COP 21 pode ser mais esperançoso. Os 196 países, reunidos em Paris, resolveram firmar um compromisso com o futuro. Desde o último 30 de novembro governos, organizações empresariais e da sociedade civil participam da mais importante conferência sobre mudanças climáticas (COP) desde 1997, quando foi firmado o Protocolo de Quioto, no Japão. A COP21, que terminou ontem, ao contrário das reuniões anteriores, não estabeleceu metas de redução de emissões de gases, principalmente CO². O Acordo de Paris apontou um alvo mais ambicioso, um limite para a temperatura do Planeta, que deverá ficar com aquecimento máximo entre 1,5 e 2 graus centígrados. E isso deve ser alcançado principalmente através do cumprimento de projetos nacionais, estabelecidos por cada um dos países em um documento prévio à COP, chamado INDC, que em tradução livre pode ser Contribuição Nacional Pretendida.
O Brasil apresentou suas metas (INDC) de redução de emissões que apontam para um patamar 37% menor do que as emissões do ano de referência, 2005, até 2025. Essa é considerada uma posição bastante avançada, mesmo entre os países que vem investindo em energias limpas há muito mais tempo. Segundo Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, as INDCs apresentadas pelos países devem se converter em Políticas de Estado e ser a plataforma para um salto em direção ao futuro. Izabella explicou que o Brasil aposta muito fortemente na colaboração entre os países, principalmente em uma relação Sul-Sul, com transferências de tecnologias e geração de inovação para manter-se o limite de 1,5 grau de aquecimento.
O termo que ganhou força em Paris foi “Compromissos Voluntários”, o que transforma de maneira definitiva as relações multilaterais. No discurso de encerramento da COP o presidente francês François Hollande apontou o Acordo de Paris como um “marco na história da humanidade”, quando todos os países superam suas diferenças em prol de um planeta capaz de abrigar e alimentar seus bilhões de habitantes.  Há ainda muitas dúvidas em relação às fontes de recursos para as transformações necessáriasnas economias e nas matrizes energéticas, mas já há um compromisso de que o investimento anual previsto de US$ 100 bilhões a partir de 2020 é um piso e não um teto nos esforços de ajuda dos países ricos. (#Envolverde/Utopia Sustentável)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma nova chance para o planeta


Agenda de Desenvolvimento Sustentável global foi adotada por unanimidade pelos 193 Estados-membros da ONU
2030

Uma nova agenda global para acabar com a pobreza até 2030 e buscar um futuro sustentável para todos no planeta foi adotada, na última sexta-feira (25), por unanimidade, pelos 193 Estados-membros das Nações Unidas, no início da Cúpula da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015. A histórica adoção da nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável, com 17 Objetivos Globais, foi recebida com uma ovação pelas delegações que incluíam muitos dos líderes de mais de 150 países do mundo que estão participando da abertura da Cúpula na sede da ONU, em Nova York.
Inaugurando uma nova era de ação nacional e da cooperação internacional, a nova agenda compromete todos os países a tomar uma série de ações que não somente enfrentarão as causas profundas da pobreza, mas também aumentarão o crescimento econômico e a prosperidade, além de atender os problemas ligados à saúde, educação e necessidades sociais das pessoas e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente.
Durante a cerimônia de abertura da Cúpula, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que “A nova agenda é uma promessa dos líderes para todas as pessoas em todos os lugares. É uma visão universal, integrada e de transformação para um mundo melhor”.
“É uma agenda para as pessoas, para acabar com a pobreza em todas suas formas. É uma agenda de prosperidade partilhada, paz e parceria (que) transmite a urgência da ação do clima (e) está enraizada na igualdade de gênero e no respeito aos direitos de todos. Acima de tudo, promete não deixar ninguém para trás.”
“O verdadeiro teste do compromisso com a Agenda 2030 será sua implementação. Precisamos da ação de todos, em toda parte. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são o nosso guia. Eles são uma lista de coisas a fazer para as pessoas e o planeta, e um plano para o sucesso”, encerrou o secretário-geral.
A adoção oficial da Agenda de Desenvolvimento Sustentável aconteceu logo depois que o Papa Francisco se dirigiu à Assembleia Geral afirmando: “A adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável na Cúpula Mundial, que abre hoje, é um sinal importante de esperança”.
Veja a programação completa da Cúpula da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015, que acontece até domingo, 27 de setembro, na sede das Nações Unidas, em Nova York.
Informações sobre a nova agenda de desenvolvimento da ONU, os ODS e todos os assuntos ligados à esta questão estão disponíveis em aqui.
O documento oficial que será aprovado na Cúpula – em português – está em aqui.
A cobertura completa sobre este assunto está aqui e aqui.
Mais informações sobre a agenda de desenvolvimento pós-2015, os ODS e a Cúpula aqui.
(ONU Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Como cuidar de nossa Casa Comum


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Foto: Shutterstock
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Cuidar da Terra é cuidar do Sagrado que arde em nós e que nos convence de que a vida vale mais que todas as riquezas deste mundo.
Hoje para cuidar da Terra como nos sugeriu detalhamente o Papa Francisco em sua encíclica “Cuidado da Casa Comum” exige-se “uma conversão ecológica global”, “mudanças profundas nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder”(n.5). Esse propósito jamais será alcançado senão amarmos efetivamente a Terra como nossa Mãe e soubermos renunciar e até sofrer para garantir sua vitalidade para nós e para toda a comunidade de vida (n.223). A Mãe Terra é a base que tudo sustenta e alimenta. Nós não podemos viver sem ela. A sistemática agressão que sofreu nos últimos séculos tiraram-lhe o equilíbrio necessário. Eventualmente, poderá continuar pelos séculos afora, mas sem nós.
No dia 13 de agosto deste ano ocorreu o Dia da Sobrecarga da Terra (The Overshoot Day), dia em que se constatou a ultrapassagem da biocapacidade da Terra em atender as demandas humanas. Precisa-se de 1,6 planeta para atendê-las. Em outras palavras. Isso demonstra que o nosso estilo de vida é insustentável. Nesse cálculo não estão incluídas as demandas da inteira comunidade de vida. Isso torna mais urgente a nossa responsabilidade pelo futuro da Terra, de nossos companheiros de caminhada terrenal e de nosso projeto planetário.
Como cuidar da Terra? Em primeiro lugar há que considerar a Terra como um Todo vivo, sistêmico no qual todas as partes se encontram interdependentes e inter relacionadas. A Terra-Gaia fundamentalmente é constituída pelo conjunto de seus ecossistemas e com a imensa biodiversidade que neles existe e com todos os seres animados e inertes que coexistem e sempre se inter relacionam como não se cansa de afirmar o texto papal, bem na linha do novo paradigma ecológico.
Cuidar da Terra como um todo orgânico é manter as condições pré-existentes há milhões e milhões de anos que propiciam a continuidade da Terra, um super Ente vivo, Gaia. Cuidar de cada ecossistema é compreender as singularidades de cada um, sua resiliência, sua capacidade de reprodução e de manter as relações de colaboração e mutualidade com todos os demais já que tudo é relacionado e includente. Compreender o ecossistema é dar-se conta dos desequilíbrios que podem ocorrer por interferências irresponsáveis de nossa cultura, voraz de bens e serviços.
Cuidar da Terra é principalmente cuidar de sua integridade e vitalidade. É não permitir que biomas inteiros ou toda uma vasta região seja desmatada e assim se degrade, alterando o regime das chuvas. Importante é assegurar a integridade de toda a sua biocapacidade. Isso vale não apenas para os seres orgânicos vivos e visíveis, mas principalmente para os microorganismos. Na verdade, são eles os ignotos trabalhadores que sustentam a vida do Planeta. Diz-nos o eminente biólogo Edward Wilson que “num só grama de terra, ou seja, menos de um punhado de chão, vivem cerca de 10 bilhões de bactérias, pertencentes a até 6 mil espécies diferentes”(A criação, 2008,p.26). Por aí se demonstra, empiricamente, que a Terra está viva e é realmente Gaia, superorganismo vivente e nós, a porção consciente e inteligente dela.
Cuidar da Terra é cuidar dos “commons”, quer dizer, dos bens e serviços comuns que ela gratuitamente oferece a todos os seres vivos como água, nutrientes, ar, sementes, fibras, climas etc. Estes bens comuns, exatamente por serem comuns, não podem ser privatizados e entrar como mercadorias no sistema de negócios como está ocorrendo velozmente em todas as partes. A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, inventário pedido pela ONU de uns anos atrás, no qual participaram 1.360 especialistas de 95 países e revisados por outros 800 cientistas trouxeram resultados amedrontadores. Entre os 24 serviços ambientais, essenciais para a vida, como água, ar limpo, climas regulados, sementes, alimentos, energia, solos, nutrientes e outros, 15 estavam altamente degradados. Isto sinaliza claramente que as bases que sustentam a vida estão ameaçadas.
De ano para ano, todos os índices estão piorando. Não sabemos quando esse processo destrutivo vai parar ou se transformar numa catástrofe. Havendo uma inflexão decisiva como o temido “aquecimento abrupto”, que faria o clima subir entre 4-6 graus Celsius, como advertiu a comunidade científica norte-americana, conheceríamos dizimações apocalípticas afetando milhões de pessoas. Temos confiança de que iremos ainda despertar. Mais que tudo cremos que “Deus é o Senhor soberano amante da vida”(Sb 11,26) e não deixará acontecer semelhante Armagedom.
Cuidar da Terra é cuidar de sua beleza, de suas paisagens, do esplendor de suas florestas, do encanto de suas flores, da diversidade exuberante de seres vivos da fauna e flora.
Cuidar da Terra é cuidar de sua melhor produção que somos nós seres humanos, homens e mulheres especialmente os mais vulneráveis. Cuidar da Terra é cuidar daquilo que ela através de nosso gênio produziu em culturas tão diversas, em línguas tão numerosas, em arte, em ciência, em religião, em bens culturais especialmente em espiritualidade e religiosidade pelas quais nos damos conta da presença da Suprema Realidade que subjaz a todos os seres e nos carrega na palma de sua mão.
Cuidar da Terra é cuidar dos sonhos que ela suscita em nós, de cujo material nascem os santos, os sábios, os artistas, as pessoas que se orientam pela luz e tudo o que de sagrado e amoroso emergiu na história.
Cuidar da Terra é, finalmente, cuidar do Sagrado que arde em nós e que nos convence de que é melhor abraçar o outro do que rejeitá-lo e que a vida vale mais que todas as riquezas deste mundo. Então ela será de fato a Casa Comum do Ser. (Carta Maior/ #Envolverde/Utopia Sustentável)
Leonardo Boff é teólogo, escritor e professor.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O planeta rumo a 3 graus

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Display da sorveteria Ben&Jerry's em Bonn; marca lançou sorvete "sabor mudança climática". Foto: Claudio Angelo/OC
Display da sorveteria Ben&Jerry’s em Bonn; marca lançou sorvete “sabor mudança climática”. Foto: Claudio Angelo/OC
Nova análise conclui que, com compromissos de redução de emissões para 2030, manter aquecimento no limite de 1,5 grau é impossível e alvo de 2 graus Celsius fica caro demais. 
Por Claudio Angelo, do OC, em Bonn –
Uma nova análise dos planos climáticos submetidos pelos países para a conferência de Paris confirma que o mundo está no rumo dos 3oC de aquecimento neste século caso não haja uma séria escalada na ambição das metas propostas para 2030.
Segundo afirmou nesta quarta-feira o Climate Action Tracker, um grupo que reúne pesquisadores de quatro instituições europeias, as INDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas) apresentadas por 29 governos até agora, que cobrem cerca de 65% das emissões do mundo, ainda deixam o planeta em 2030 com 17 bilhões a 21 bilhões de toneladas de gás carbônico a mais do que seria necessário para evitar que o aquecimento global atinja o limite de 2oC.
Essa temperatura foi acordada na conferência de Copenhague, em 2009, como o limiar máximo em relação à era pré-industrial para evitar os piores impactos da mudança do clima, como o aumento potencialmente catastrófico do nível do mar – embora vários estudos tenham apontado desde então que mesmo esse grau de aquecimento é perigoso demais.
Das INDCs apresentadas até aqui, apenas duas – as da Etiópia e do Marrocos – são consistentes com um aquecimento menor do que 2oC. Todas as outras foram qualificadas como “inadequadas” ou “médias”.
A avaliação do Climate Action Tracker confirma o estudo apresentado na semana passada pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas) sobre a insuficiência das INDCs. Segundo o Idesam, as propostas apresentadas até aqui excedem em 3,6 bilhões de toneladas o teto de emissões neste século compatível com os 2oC. Se incluídas as metas chinesas, o buraco de ambição chegaria a 31 bilhões de toneladas.
Ambos usaram metodologias diferentes: o Idesam calculou o déficit considerando a média de emissões anuais permitidas neste século pelo orçamento de carbono disponível segundo os cientistas (1 trilhão de toneladas de CO2). O Climate Action Tracker procurou olhar especificamente para os anos de 2025 e 2030.
O estudo divulgado em Bonn aponta que estabelecer metas capazes de segurar o aquecimento da Terra em 1,5oC, como desejam alguns países, já não é mais possível. Limitar o aquecimento a 2oC com metas para o ano de 2030 será, na melhor das hipóteses, caro demais.
Segundo Bill Hare, pesquisador da Climate Analytics e um dos responsáveis pelo Climate Action Tracker, a única saída para o impasse é adiantar o prazo das metas e propor compromissos de mais curto prazo.
“Está claro que, se o acordo de Paris travar os compromissos atuais no ano de 2030, segurar o aquecimento em 2oC poderia tornar-se basicamente impraticável e, em 1,5oC, fora de alcance. Dado o nível de ação climática na mesa, metas só deveriam ser adotadas até 2025”, disse Hare, em comunicado.
O grupo também sugere que os países que já colocaram suas metas na mesa aumentem significativamente sua ambição até Paris, e os que ainda não o fizeram – entre eles o Brasil e a Índia – apresentem metas muito elevadas.
O alemão Arthur Runge-Metzger, negociador da União Europeia, diz que não há a menor chance de uma revisão prévia das INDCs. “Havia essa proposta no ano passado, na conferência de Lima, mas ela foi jogada fora”, afirmou ao OC. Os ciclos de compromisso de cinco anos vêm sendo defendidos pela UE e por outros países, como o Brasil. “Mas tudo só será decidido em Paris.”
Veja o Ambiciômetro, ferramenta criada pelo Idesam para visualizar as metas dos países. (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Gases de efeito estufa batem recordes


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Dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – os principais gases de efeito estufa liberados na atmosfera da Terra – mais uma vez atingiram concentrações médias recordes para o ano de 2014. Foto: Shutterstock
Em 2014 os oceanos do mundo incharam, os principais gases de efeito estufa que alimentam o aquecimento global bateram recordes e a temperatura da superfície do planeta atingiu seu ponto mais quente em 135 anos – informaram pesquisadores internacionais na quinta-feira, 16 de julho.
Os resultados estão contidos no Relatório sobre o Estado da Temperatura de 2014, um estudo que examina temperatura, precipitação e eventos climáticos ao redor do mundo.
Um total de 413 cientistas de 58 países de todo o mundo contribuíram para o relatório, o 25º de uma série que se baseia em dados coletados pelas estações de monitoramento ambiental e instrumentos em terra, água, gelo e no espaço.
O calor atingiu profundamente os oceanos e a atmosfera, e os cientistas alertam que o clima continua a mudar rapidamente em comparação à era pré-industrial – mudança que ainda não tem um fim à vista.
“Se fôssemos congelar os gases de efeito estufa em seus níveis atuais, os mares continuariam esquentando durante séculos, até milênios”, explicou à AFP o oceanógrafo Greg Johnson, do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico, ligado à Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA).
“E isso significa que quando eles aquecem, também se expandem e o nível do mar continuaria a subir”, afirmou Johnson em uma teleconferência para discutir o relatório.
‘Imagem consistente’
Muitas das mesmas tendências verificadas nas últimas duas décadas continuaram em 2014.
“O dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – os principais gases de efeito estufa liberados na atmosfera da Terra – mais uma vez atingiram concentrações médias recordes para o ano de 2014″, afirmou.
Em meio a registros recordes de calor em todo o mundo, o leste da América do Norte foi a única região principal do mundo que experimentou temperaturas abaixo da média anual.
“A Europa teve seu ano mais quente já registrado por uma ampla margem, com cerca de duas dezenas de países batendo seus recordes de temperatura nacionais anteriores”, informou o documento.
“Muitos países na Ásia tiveram temperaturas anuais entre as 10 mais quentes já registradas, a África teve temperaturas acima da média em quase todo o continente ao longo de 2014; a Austrália vivenciou seu terceiro ano mais quente já registrado, após o calor recorde de 2013″.
Na América Latina, o México teve seu ano mais quente já registrado, enquanto Argentina e Uruguai tiveram, cada um, seu segundo ano mais quente já registrado.
“É um quadro bastante consistente”, disse Thomas Karl, diretor dos centros nacionais da NOAA para Informação Ambiental.
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Aquecimento dos oceanos
Os oceanos do mundo tiveram um recorde de calor no ano passado, e o nível do mar também esteve em seu nível mais alto nos tempos modernos.
“Devido tanto ao aquecimento do oceano e quanto ao derretimento do gelo, o nível do mar global também bateu seu recorde em 201, 67 milímetros, maior do que a média anual de 1993″, quando as medições de satélite do nível dos oceanos começaram, disse o relatório.
Johnson explicou que os oceanos são uma boa medida do aquecimento global porque absorvem grande parte do calor e dióxido de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis.
Tendência irreversível
Infelizmente, mesmo que a humanidade tome medidas fortes para reduzir o uso dos combustíveis fósseis, a tendência não se reverteria tão cedo, apontou o pesquisador.
“Eu penso nisso mais como um volante ou um trem de carga. É preciso um grande esforço para fazer funcionar”, comparou Johnson.

O relatório completo foi publicado no Boletim da Sociedade Meteorológica Americana. Os dados do estudo reforçam a necessidade de que um acordo em nível global para a redução dos gases de efeito estufa – capaz de substituir o Protocolo de Kyoto – seja fechado em dezembro, quando representantes de 196 países estarão reunidos em Paris para a 21ª Conferência da ONU sobre Mudanças do Clima (COP21).(EcoD/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Era da humanidade ou da ignorância?


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Ao longo dos últimos 200 anos, as atividades humanas têm transformado todo o Planeta rapidamente e se tornado, gradualmente, no principal condutor da mudança ambiental global. Os impactos dessas ações sobre a biosfera da Terra são tão grandes que alguns cientistas argumentam que o Holoceno, iniciado com o fim da última Era Glacial, há mais de 11 mil anos, e que se estende até hoje, chegou ao fim, dando lugar a uma nova era geológica: o Antropoceno.
O conceito de Antropoceno foi proposto uma década atrás pelo biólogo americano Eugene Stoermer e o químico holandês Paul Crutzen, prêmio Nobel em 1995. Eles sugeriram que se alterasse a linha do tempo com que os cientistas medem os períodos geológicos, de modo a refletir as transformações no Planeta causadas pelas atividades humanas. Segundo eles, as marcas da ação humana são tão agressivas e intensas que continuarão visíveis por milênios, gravadas nas camadas geológicas da Terra.
Dessa forma, por meio dos nossos rastros devastadores no Planeta, no futuro, paleontólogos ou mesmo uma futura civilização – caso a nossa seja dizimada – provavelmente saberão identificar a alteração brusca na composição da atmosfera e as demais mudanças ambientais que provocamos por meio dos fósseis de incontáveis espécies extintas, rejeitos radioativos, toneladas de plástico e outros registros, pelos quais não teríamos motivo real para nos orgulharmos de nossa passagem pela Terra.
A escolha do início dessa nova era, chamada por alguns de Era da Humanidade, ainda permanece bastante arbitrária. Os registros de CO2 atmosférico, CH4 e N2O mostram uma clara aceleração em tendências, desde o final do século 18. Por essa razão, o arranque do Antropoceno foi atribuído a esse tempo, imediatamente a seguir da invenção da máquina a vapor, em 1784.
Como resultado do aumento da queima de combustíveis fósseis, das atividades agrícolas, desmatamento e pecuária intensiva, especialmente exploração de gado, vários gases climaticamente importantes com efeito de estufa aumentaram na atmosfera ao longo dos últimos dois séculos: CO2 em mais de 30% e CH4 em mais de 100%, contribuindo substancialmente para o aumento observado da temperatura média global durante o século passado, em cerca de 0,6º C.
De posse dessas informações, um grupo de pesquisadores vem discutindo uma nova abordagem para a sustentabilidade global, em que são definidos limites nos quais espera-se que a humanidade possa sobreviver com “segurança”. Nessa linha de pensamento, transgredir uma ou mais das nove fronteiras planetárias – sistemas de suporte à vida no Planeta e essenciais para a sobrevivência humana – poderá ser prejudicial ou mesmo catastrófico, devido ao risco de limiares, ou pontos de virada, que acionarão uma mudança ambiental abrupta na Terra.
O trabalho de Rockstrom e seus colegas, publicados na revista Ecology and Society, em 2009, foi revisitado nesse ano de 2015, quando estabeleceu-se dois limites principais: mudanças climáticas e de integridade da biosfera – cada um com um grande potencial para conduzir o Planeta a um novo estado e que, portanto, não deveriam ser transgredidos.
Mesmo com todos esses alertas emitidos pela comunidade científica, parece faltar senso de urgência a todos, principalmente às lideranças tomadoras de decisões. Essa ausência de ação pode ser atribuída a falhas de comunicação entre a ciência e a sociedade, ou simplesmente a pura falta de vontade política de nossos governantes. Qualquer uma dessas alternativas precisa ser urgentemente corrigida.
No início deste ano, o pesquisador Douglas McCauley, professor da Universidade da Califórnia, proferiu numa palestra no Aquário de Monterey (EUA), à convite da Fundação SOS Mata Atlântica. A apresentação foi sobre seu recente artigo “Marine defaunation: Animal loss in the global ocean”, publicado na revista Science, qual conclui que a biodiversidade marinha já foi seriamente danificada pelo impacto das atividades humanas. No entanto, ele ressaltou que a fauna marinha, em geral, está em melhores condições do que a fauna terrestre.
Apesar de toda informação e dados científicos sobre a degradação do ambiente marinho, interessava ao pesquisador passar uma mensagem de esperança e oportunidades, entre elas a construção da gestão do espaço marítimo por meio de ferramentas inovadoras, como o planejamento espacial marinho. Entretanto, a mensagem foi percebida pela audiência, pesquisadores e membros de organizações não-governamentais como um tanto quanto negligente, na medida que não transmitia o senso de urgência necessário para incentivar ações emergenciais com relação a recuperar o que ainda nos resta nos nossos oceanos.
O Planeta Terra enfrenta sérias mudanças justamente por negligência da sociedade e dos tomadores de decisão. No Brasil, estamos testemunhando a pior seca que a região Sudeste já registrou, aumento no desmatamento, altas taxas de perda de biodiversidade em variados biomas, agravamento de desastres climáticos e outras crises ambientais. O fato de existir oportunidade para reverter esse cenário, embora possa transmitir esperança, não deve, nem por um segundo, gerar comodismo.

A informação científica e de qualidade deve ser utilizada para mover e estimular ações voltadas a promoção de um desenvolvimento mais sustentável, no qual conservação e desenvolvimento possam caminhar de mãos dadas. Caso contrário, a chamada Era da Humanidade pode vir a ser reconhecida pelas gerações futuras como a Era da Ignorância, uma época em que o conhecimento e a informação existentes não foram utilizados, e necessariamente transformados, em iniciativas inovadoras em prol de um futuro sustentável para essa e para as futuras gerações. (SOS Mata Atlântica/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 7 de abril de 2015

“A transição para 100% de energia renovável é uma decisão óbvia”




Foto: Shutterstock
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Quase um milhão de novos postos de trabalho até 2030, cerca de 113 mil pessoas salvas de mortes prematuras graças à redução da poluição atmosférica e uma enorme economia de divisas pela redução da demanda por combustíveis fósseis. Estes são alguns dos benefícios gerados pelos compromissos de ação climática estabelecidos pela União Europeia, EUA e China à caminho da COP21, conferência que pretende estabelecer um novo acordo climático global em Paris, em novembro de 2015.
Os dados fazem parte do relatório Assessing the missed benefits of countries’ national contributions, realizado peloNewClimate Institute por encomenda da rede de ONGs Climate Action Network, que analisou os compromissos assumidos até o momento pelas três nações mencionadas. A pesquisa aponta ainda que se estes compromissos fossem ampliados de forma a que estas economias se tornassem 100% movidas por energias renováveis ​​até meados deste século haveria uma criação coletiva de aproximadamente 3 milhões de empregos até 2030. Nesse mesmo período dois milhões de pessoas poderiam ser salvas de mortes prematuras e haveria uma economia de cerca de US$ 520 bilhões em importações de combustíveis fósseis por ano.
Se o conjunto de países do planeta tivessem compromissos climáticos nesta escala máxima, o aquecimento global não ultrapassaria o teto de 2oC, a partir do qual os climatologistas preveem alterações climáticas fora de controle. Neste nível de ação climática também teríamos uma chance de ficarmos abaixo de 1,5oC – o limite de aquecimento defendido por muitas das nações mais vulneráveis.
Para Niklas Höhne, membro do NewClimate Institute e autor do estudo, a análise mostra que os governos que atualmente estão formulando seus planos de ação pelo clima devem considerar os benefícios para seus povos. “Estes benefícios poderiam ser alcançados se as respectivas metas nacionais forem definidas no máximo de ambição de combate às mudanças climáticas”. Já o diretor da Climate Action Network, Mohamed Adow, lembra que mais de 100 países manifestaram seu apoio a uma eliminação progressiva das emissões de combustíveis fósseis. “Não é difícil perceber porquê: a transição para 100% de energia renovável é uma decisão óbvia, já que proporciona economias e pessoas mais saudáveis”.
O relatório Assessing the missed benefits of countries’ national contributions é lançado no dia em que se espera que os países desenvolvidos – e os demais em condições de fazê-lo – apresentem suas metas climáticas à ONU. As metas ofertadas são como os tijolos com os quais será construído um novo acordo sobre as mudanças climáticas a ser assinado em Paris em dezembro de 2015.
O estudo mostra que a Europa economizará por volta de US$ 33 bilhões por ano em importações de combustíveis fósseis como consequência de seu plano de ação climática. Este valor saltaria para US$ 170 bilhões ao ano se a região ampliasse sua oferta. A oferta de metas para o clima feitas pela China salvará cerca de 100 mil vidas por ano. Este número subiria para aproximadamente 1,2 milhões de pessoas por ano se as metas fossem intensificadas ao máximo.
Os olhos agora estarão voltados para outras grandes economias, como Japão, Austrália, Canadá e Brasil, cujos governos estão perdendo o primeiro prazo de 31/3 para entregarem suas ofertas de compromissos de ação pelo clima. No caso brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) está coordenando uma série de consultas com a sociedade para determinar os parâmetros a serem usados pelo Brasil na definição de suas metas, as quais não tem data ainda para ser divulgadas.
“O Brasil está frente a uma crise de escassez hídrica e energética, ambas influenciadas pelo aumento da variabilidade climática registrado nos últimos anos”, lembra o físico Delcio Rodrigues, do Instituto Vitae Civilis. “Neste contexto, não há outro caminho para o pais se não o de abraçar a oportunidade da discussão do novo acordo climático e assumir metas ambiciosas, ousadas até, de mitigação das mudanças climáticas.”
Delcio chama a atenção para o fato de que as evidências se acumulam sobre os benefícios múltiplos que a ação contra as mudanças climáticas proporciona. “As populações vão questionar cada vez mais as decisões dos governos que não conseguem acelerar a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis.” (Climate Action Network/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Água: tragédia anunciada




cantareira bombas Água: tragédia anunciada
Sistema Cantareira. Foto: Sabesp/Divulgação

Os rios brasileiros refletem nitidamente o descaso com que a gestão da água é tratada no país. Por conta da maior crise hídrica da nossa história, o Brasil, detentor da maior reserva de água doce do Planeta, se vê agora obrigado a sair da zona de conforto para assumir, a duras penas, que esse recurso natural, essencial à vida e a todas as atividades econômicas, é escasso. Mesmo assim, continuamos a tratar os mananciais como a extensão das nossas descargas, com o despejo diário de toneladas de esgotos, e a considerar as grandes bacias hidrográficas como a ponta das tomadas de energia elétrica.
Essa realidade, agravada pela falta de planejamento integrado e estratégico, nos coloca mais uma vez diante da tragédia anunciada do desabastecimento de água e do apagão elétrico. Vivemos isso no passado recente, em 2001, com o apagão que levou os brasileiros a economizarem energia e a mudarem de comportamento. No entanto, não houve a devida atenção para a causa, que também fora uma grave seca. Desde então, técnicos dos setores de recursos hídricos, saneamento e energia, organizações civis, instituições públicas e privadas têm alertado os governantes e promovido fóruns nacionais e internacionais sobre a escassez da água.
O acesso à água em qualidade e quantidade é considerado um dos maiores desafios da humanidade diante do crescimento das cidades e das atividades econômicas. Há mais de 20 anos, a Organização das Nações Unidades (ONU) adotou a data de 22 de março como o Dia Internacional da Água, para unir governos e sociedade no esforço de promover o uso racional desse bem e aliar a demanda à necessidade ecossistêmica, com o objetivo de garantir a nossa sustentabilidade. Muitos avanços ocorreram e o acesso à água foi reconhecido como Direito Humano, mas a nossa “pegada hídrica” não diminuiu.
Continuamos com índices altíssimos de consumo e desperdício. Cerca de 70% da água bruta captada diretamente nos rios para a agricultura irrigada escoa no solo carregando defensivos. O setor industrial, responsável por 20% do consumo, embora mais eficiente no uso por ser sobretaxado com instrumentos como a cobrança pelo uso da água, ainda trata efluentes com baixa eficiência em muitas regiões. O tratamento de esgoto industrial com baixa eficiência ocorre por conta da legislação que versa sobre o enquadramento dos corpos d’água e permite que rios qualificados como de classe 4 sejam utilizados para diluir efluentes.
Na ponta vem o setor de abastecimento público, responsável por 10% do consumo da água e por um enorme desperdício na rede física, que varia de 25% a 40%. Esse setor também é responsável por 70% da carga de poluição dos rios. O motivo: falta de tratamento de esgotos. Dados divulgados por representantes do Fórum Mundial da Água revelam que mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a esgoto tratado. Essa perversa realidade leva ao agravamento da escassez por indisponibilidade decorrente da precária qualidade da água e resulta em patamares ainda mais alarmantes de doenças de veiculação hídrica.
A falta de informação e transparência fazem com que o uso da água de reúso ainda seja limitado no país. São Paulo é pioneiro nesse setor e recentemente anunciou que utilizará água de reúso para reabastecer um manancial, a Guarapiranga. A notícia de que o esgoto tratado será utilizado para abastecimento humano, após novo tratamento, assustou cidadãos que ainda não perceberam que, na prática, já estamos tratando água que recebe esgotos na maioria dos rios e mananciais. Diversos países utilizam a água de reúso diretamente na rede de abastecimento público e investem de forma maciça em eficiência e tecnologia para despoluir e garantir água de qualidade as suas populações.
A escassez nos levará, certamente, a promover a despoluição de mananciais como a Billings, na região metropolitana de São Paulo, além de grandes rios, como Tietê, o Guandu, na Baixada Fluminense, a bacia do Rio das Velhas, na região metropolitana de Belo Horizonte, ou o Iguaçu, no Paraná, dentre tantos outros que cortam áreas urbanas e estão poluídos e com águas indisponíveis para usos múltiplos.
O problema é que a distância entre a nossa realidade e os compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais dos quais o país é signatário e das normas conquistadas pela sociedade desde a Constituição de 1988 continua imensa. Além disso, a legislação ambiental brasileira vem sendo cada vez mais afrouxada para regularizar atividades econômicas e usos do solo em áreas de preservação permanente, destinadas justamente à proteção da água, de nascentes e rios.
Autoridades insistem ainda em desconsiderar a relação entre o desmatamento da Mata Atlântica e a diminuição da disponibilidade de água na região Sudeste. Como se não bastasse, ainda predomina o discurso daqueles que querem justificar a ineficiência dos setores elétrico e de saneamento básico atribuindo ao licenciamento ambiental a culpa pela demora na execução de megaobras, que sequer têm projetos e estudos estratégicos de viabilidade.
Ao continuar tratando a água de forma compartimentada – dividindo a gestão dos recursos hídricos entre os setores de energia, abastecimento e produção de alimentos em diversos ministérios e secretarias nacionais, estaduais e municipais, que não se conversam – e sem agências reguladoras independentes que garantam a participação efetiva dos cidadãos, transparência e governança, ficará cada vez mais difícil buscar soluções para essa grave realidade.
É preciso dar um basta na politização da crise e no desgoverno. A hora é de unir a sociedade para cobrar responsabilidades dos governantes e somar esforços para o enfrentamento do problema. Somos capazes. Temos conhecimento técnico, científico, um enorme acúmulo de dados, pesquisas, estudos, experiências positivas e políticas públicas que precisam ser reconhecidas e postas em prática. Somos também solidários e criativos para fazer da crise uma oportunidade para nos mobilizarmos em defesa da água. Fundação SOS Mata Atlântica

sábado, 13 de dezembro de 2014

O Planeta tem pressa; não dá para esperar




altastemperaturas O Planeta tem pressa; não dá para esperar
Foto: http://www.shutterstock.com/
O clima estava morno na primeira semana da 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, a COP 20. Essa apatia inicial fez com que alguns participantes antecipassem sua volta aos seus países de origem, mesmo sabendo que a semana principal do evento começaria em 08 de dezembro.
Até a delegação oficial brasileira passou boa parte da primeira semana sem fazer as costumeiras coletivas de imprensa ao final de cada dia. A primeira só foi realizada na sexta-feira (05), quando foi reforçada a proposta que o país submeteu à Convenção, conforme já havia sido apresentado em uma reunião anterior. Chamada de “Círculos Concêntricos”, essa proposta consiste em classificar os países membros da Convenção em três anéis de uma mesma esfera: o central, com 37 países desenvolvidos que teriam metas de redução de emissões e de ajuda financeira aos menos desenvolvidos e aos em desenvolvimento; a esfera do meio dos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, que teriam metas de corte de emissões relativas ao Produto Interno Bruto (PIB), população e projeção de emissões futuras; e, a esfera externa dos países menos desenvolvidos, que seriam apenas encorajados a reduzir emissões.
No ano passado, o Brasil havia apresentado uma proposta na COP de Varsóvia no qual defendia que os países apresentassem compromissos em função da sua responsabilidade histórica pelo aumento da temperatura, observado desde a Revolução Industrial até hoje; e sugeria que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) definisse uma metodologia para calcular a taxa a ser utilizada por cada país.
Essa posição é muito similar a que foi apresentada na COP 6, realizada em Haia, na Holanda, em 2000. Naquele tempo, o Brasil tinha a posição firme de defender com unhas e dentes o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Esse foi um ponto apresentado inicialmente pelo Brasil, e que acabou sendo incorporado ao Protocolo de Quioto, criado em 1997 durante a COP 3.
Depois de duas décadas, o que está sendo apresentado em Lima é mais do mesmo, insuficiente para provocar as mudanças necessárias. O Brasil segue com o seu mesmo discurso de que os países do Anexo 1 (os desenvolvidos) do Protocolo de Quioto precisam promover grandes mudanças para que os demais comecem a fazer alguma coisa. O caminho não é bem por aí.
O Brasil pode fazer muito mais. Pode reduzir o desmatamento e até zerá-lo em poucos anos. Pode parar de subsidiar o preço dos combustíveis fósseis e reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, e passar a investir mais em combustíveis e em energia limpa. Porém, o que temos visto no país é justamente o contrário, como apontou o SEEG (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa), lançado em novembro pelo Observatório do Clima. O SEEG mostrou que as emissões nacionais de gases de efeito estufa (GEEs) aumentaram 7,8% de 2012 para 2013. Todos os setores da economia monitorados tiveram aumento de emissões, sendo que os mais expressivos foram o desmatamento e o consumo de combustíveis fósseis para transporte e geração de energia. O pior de tudo é que, apesar do aumento das emissões, o crescimento do PIB no período foi pífio, o que significa que o país está poluindo mais do que crescendo, ou seja, está carbonizado seu PIB.
Todo mundo precisa fazer o máximo de esforço possível para que as mudanças ocorram agora. A Convenção do Clima deveria criar uma forma de estimular todo e qualquer esforço positivo para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Não dá mais para esperar.
André Ferretti é gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e coordenador geral do Observatório do Clima. Participou de diversas Conferências das Partes (COPs) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, como da COP 6 em Haia, da COP 7 em Marrakesh, da COP 9 em Milão, da COP 10 em Buenos Aires, da COP 15 em Copenhague, da COP 16 em Cancun, da COP 17 em Durban, da COP 18 em Doha e da COP 19 em Varsóvia. site Plurale.