sexta-feira, 16 de maio de 2014

Lavanderia de madeira na Amazônia




Amazonia Lavanderia de madeira na Amazônia
Foto aérea documentando a extração ilegal de madeira no Estado do Pará. Foto: © Greenpeace / Daniel Beltra

Doze pontos na região de Santarém são suspeitos de atividade madeireira ilegal. Greenpeace pediu apuração imediata para averiguar descumprimento de leis ambientais.
O Greenpeace protocolou, no início dessa semana, uma denúncia junto ao Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA), Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para apuração imediata da situação de 12 pontos na região de Santarém, no oeste do Pará, identificados como sendo de possível atividade madeireira ilegal ou descumprimento flagrante da lei ambiental.
Veja aqui o conteúdo completo da denúncia.
As imagens captadas vieram após análises de dados de satélite e foram confirmadas em sobrevoos durante o período de março a maio de 2014, como parte de nossa política de monitoramento florestal.
Desde o início do trabalho na Amazônia, em 1999, o Greenpeace denuncia a retirada ilegal e predatória de madeira, que causa a degradação da floresta, tornando-a mais suscetível a incêndios e ao desmatamento, provocando graves consequências para a biodiversidade e para as populações locais. A produção de madeira não precisa significar destruição da floresta. A extração de árvores pode acontecer de forma controlada, permitindo a regeneração da mata, respeitando as comunidades locais e funcionando como uma alternativa econômica ao desmatamento.
Mande aqui uma mensagem à presidenta Dilma e aos candidatos à Presidência da República para que a retirada de madeira seja feita de forma responsável, respeitando a floresta e seus povos.* Publicado originalmente no site Greenpeace.

Câmara aprova tarifa menor para quem produz própria energia




energia sustentavel 300x231 Câmara aprova tarifa menor para quem produz própria energia
Proposta terá de ser analisada novamente pelo Senado, pois foi aprovada com mudanças pelos deputados
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (13), em caráter conclusivo, proposta que garante desconto de 50% nas tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e geração para quem produz a própria energia. Atualmente, os pequenos comercializadores (entre 1 mil e 30 mil quilowatts) já têm direito ao benefício.
Devido à complexidade do sistema elétrico do País, existe dúvida quanto à validade atual do benefício para quem gera a energia que consome. Isso porque, ao usar a rede de transmissão, há pagamento, e o que é vendido, nesses casos, é apenas a garantia ou disponibilidade física da energia na rede, e não a própria energia gerada. Com o projeto, portanto, fica claro o desconto ao autoprodutor.
O relator da matéria na CCJ, deputado Gabriel Guimarães (PT-MG), acredita que a medida se mostra tecnicamente viável, e recomendou sua aprovação. Ele deu preferência ao substitutivo da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio ao Projeto de Lei 4404/08, do Senado, e considerou falho o substitutivo da Comissão de Minas e Energia.
Para Guimarães, a solução encontrada pela Comissão de Minas e Energia – trocar a expressão “energia comercializada” por “energia gerada” – não assegurava realmente o incentivo proposto. “Essa modificação causa incerteza sobre a aplicação do desconto aos produtores independentes que não geram a energia”, disse.
Texto original
O texto original do Senado trazia outras modificações à Lei 9.427/96, que disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia. Entre esses pontos, estava a ampliação do limite máximo para que a geração seja feita em regime de autorização, e não de concessão, de 30 mil para 50 mil kW. O substitutivo da Comissão de Desenvolvimento Econômico, no entanto, esclareceu que essa alteração já foi promovida por lei de 2009, posterior à apresentação da proposta.
Ainda conforme a proposta do Senado, os pequenos produtores seriam autorizados a comercializar diretamente com consumidores cuja carga seja maior ou igual a 500 kW. A mudança também já foi promovida por norma aprovada após a apresentação do projeto.
Outro ponto do texto original aumentava o limite máximo de produção, de 30 mil para 50 mil kW, para que o pequeno gerador tivesse desconto de tarifa. O substitutivo aprovado, porém, rejeitou a mudança, sob o argumento de que ampliar o número de beneficiários da redução tarifária elevaria o custo para os geradores que não têm desconto e, consequentemente, o custo médio da produção de energia.
Tramitação
Com tramita em caráter conclusivo, o projeto não passará pelo Plenário da Câmara, exceto se houver recurso nesse sentido. O texto retornará agora para análise do Senado, pois foi modificado pelos deputados.
* Publicado originalmente no site da Agência Câmara.

Especialistas em comunicação destacam que IPCC deveria ser “mais humano”




capacoin Especialistas em comunicação destacam que IPCC deveria ser mais humano
Para conscientizar a sociedade e as autoridades, os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas poderiam usar personagens e exemplos reais dos impactos já visíveis do aquecimento global
Os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) trouxeram nos últimos 25 anos milhares de tabelas, infográficos e informações detalhadas sobre o aquecimento do planeta. Porém, esses documentos ainda não foram capazes de convencer uma boa parte da população mundial de que as mudanças climáticas são mesmo uma ameaça.
Por isso, a ONG Climate Outreach and Information Network (COIN) resolveu conversar com especialistas em comunicação para tentar achar um melhor modelo para os relatórios do IPCC. As respostas encontradas foram divulgadas nesta semana no relatório “Science & Stories: Bringing the IPCC to life” (Algo como, Ciência e Narrativas: Dando Vida ao IPCC).
Em linhas gerais, o que a COIN recomenda é que o IPCC traduza sempre que possível os dados científicos para impactos no dia-a-dia da vida dos cidadãos, buscando salientar exemplos reais das consequências do aquecimento global.
“O IPCC é incrível, inspirador e em muitas maneiras uma iniciativa sem precedentes. Porém, é percebido como uma organização burocrática, seca e muitas vezes enigmática”, afirma a COIN.
Para um dos especialistas entrevistados, Christian Teriete, diretor de comunicações da Global Call for Climate Action, essa visão de um IPCC “estéril” poderia ser resolvida com a inclusão de personagens nos relatórios da entidade.
“Podem aparecer pais e avós. Eles explicariam o que toda aquela ciência significa para o futuro de seus filhos e netos. As pessoas podem até respeitar um cientista do IPCC quando o vêem na BBC, mas elas terão uma conexão e uma simpatia maior se também aparecerem pais preocupados com suas crianças”, explicou.
Outra possível solução para tornar os relatórios do IPCC mais acessíveis seria produzi-los com mais frequência, em um formato mais curto e focado em um único assunto. Assim, ao invés de uma grande análise a cada quatro ou cinco anos, como ocorre hoje, poderiam ser documentos anuais, com uma edição especial para secas, outra para enchentes etc.
“As grandes análises são um peso para o IPCC. Provavelmente, a entidade ficaria melhor se produzisse relatórios menores em temas específicos”, afirmou Fred Pearce, que escreve para o The Guardian e para a New Scientist.
“O IPCC é uma entidade nobre. Está fazendo algo profundo e importante. Mas, como jornalista, acho os relatórios quase impenetráveis. São difíceis de ler e também é difícil ter contato com o escritório do secretariado para tirar dúvidas. E mesmo quando você consegue falar com eles, a conversa costuma se dar em uma linguagem muito hermética”, disse Louise Gray, jornalista do The Daily Telegraph para o setor de Meio Ambiente.
Apesar de destacar essa necessidade de “humanizar o IPCC”, a COIN e alguns especialistas salientam que essa é uma tarefa bastante difícil e que pode ser perigosa para a credibilidade da entidade.
“O IPCC está entre a cruz e a espada. Se simplificarem demais seus relatórios, serão acusados de serem supérfluos. Se continuarem muito complexos, não passarão sua mensagem. Na minha opinião, o que o IPCC deve fazer é se comunicar com precisão. Se conseguir fazer isso de uma maneira simples, fantástico, mas se não for possível, melhor não tentar. A credibilidade da entidade estaria em risco”, explicou Mike Childs, diretor de Políticas e Ciências da ONG Amigos da Terra.
Years of Living Dangerously
Talvez não caiba ao IPCC dar esse tom “mais humano” às mudanças climáticas, mas sim às próprias empresas de comunicação e ao movimento ambientalista.
Nesse sentido, uma série de televisão que está fazendo um belo trabalho é a Years of Living Dangerously, que estreou há algumas semanas nos Estados Unidos. Produzida por James Cameron, diretor de “Titanic” e “Avatar”, a série conta com celebridades como Arnold Schwarzenegger, Harrison Ford, Jessica Alba e Matt Damon para trazer histórias dos impactos já vistos das mudanças climáticas.
Em um dos seus episódios mais recentes, o programa acompanha Anna Jane Joyner, uma ativista ambiental que vem a ser filha de um dos maiores pastores evangélicos dos Estados Unidos, Rick Joyner.
Anna Janne criou o movimento Creation Care, que busca incentivar evangélicos, como ela, a se engajar em causas ambientais. Os evangélicos formam uma das maiores bases eleitorais dos EUA, sendo que muitas vezes são responsáveis por eleger os candidatos mais conservadores e que são contra ações climáticas e ambientais.
Anna tem no seu pai um de seus grandes opositores, pois para Rick Joyner “toda essa questão de aquecimento global não passa de uma farsa.”
Durante o episódio, Anna faz com que sue pai se encontre com diversos climatologistas, incluindo Richard Müller, que até poucos anos atrás era o principal cientista cético do planeta e que depois de realizar ele mesmo um vasto estudo chegou à conclusão de que o aquecimento global é real e é causado principalmente pelas atividades humanas.
Apesar dessas conversas com grandes pesquisadores, Rick não se deixa influenciar.
Porém, quando Anna leva Rick para uma região de cultivo de ostras que está desaparecendo por causa do aquecimento global, o pastor se sensibiliza com os pescadores que estão perdendo sua forma de sustento.
No fim, apesar dos esforços da filha, Rick ainda continua não acreditando em aquecimento global causado pelo homem. No entanto, ele deixa claro que se mais exemplos como o dos pescadores fossem mostrados para a população em geral, poderia ser que sua percepção e a de muitos outros mudaria.