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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Madeira ilegal da Amazônia chega impunemente à Europa


Madeireira Iller, envolvida com o comércio de madeira ilegal, no Pará. Foto: © Greenpeace/Otávio Almeida
Madeireira Iller, envolvida com o comércio de madeira ilegal, no Pará. Foto: © Greenpeace/Otávio Almeida
Nova investigação expõe 26 empresas europeias que estão importando produtos de fornecedor ligado ao comércio de madeira ilegal da Amazônia
A operação “Madeira Limpa”, deflagrada pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal de Santarém, no final de agosto de 2015, desmantelou uma rede de corrupção e comércio ilegal de madeira atuando em diversos municípios do Pará, e de outros estados. Entre os envolvidos está uma madeireira, chamada Iller, que exportou para diversas empresas da Europa.
A investigação do Greenpeace mapeou a cadeia de custódia da Iller, observando para quem ela vendeu diretamente nos últimos 18 meses. O relatório expõe, mais uma vez, importadores que têm falhado com a sua obrigação de mitigar os riscos de adquirir madeira ilegal. Ao todo são 26 empresas europeias que, por meio de comercializações com a Iller, estão importando madeira potencialmente ilegal da Amazônia e assim contribuindo para a destruição da floresta.
A Operação Madeira Limpa revelou que a Madeireira Iller Ltda usava documentos fraudados para lavar madeira ilegal. Todo o esquema ainda contava com a ajuda de oficiais corruptos e intermediários. Dessa forma, a madeira conseguia deixar o Brasil como se fosse legal para ser vendida na Europa. A Iller utilizou algumas das diversas formas de fraudar o sistema madeireiro que o Greenpeace vem expondo desde maio de 2014, na Campanha Chega de Madeira Ilegal. Essas fraudes no sistema de controle madeireiro na Amazônia brasileira tornam a documentação oficial irrelevante como garantia da legalidade da madeira.
O relatório descreve como importadores da União Europeia em vários países compraram madeira da Iller, apesar de, antes mesmo de a Operação ocorrer, já haver informações suficientes publicamente para concluir que a papelada oficial que acompanha a madeira da empresa não poderia ser confiável. “Os importadores de madeira na Europa que compraram a madeira da Iller e de outras madeireiras suspeitas continuam ignorando evidências e conectando suas atividades à destruição da Amazônia”, afirma Marina Lacôrte, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.
O Greenpeace pede que as autoridades da União Europeia cumpram a lei contra a entrada de madeira ilegal na Europa inspecionando todas as empresas que importaram madeira da Iller durante os últimos 18 meses e penalizando aqueles que não aplicaram uma mitigação de risco adequada à situação dos fornecedores da Amazônia.
A EUTR (Europe Union Timber regulation), legislação referente à entrada de produtos madeireiros estrangeiros nos países membros da União Europeia, proíbe a entrada de madeira extraída de forma ilegal no mercado europeu. A lei afirma que os importadores devem ser prudentes e tomar as medidas necessárias para mitigar esse risco e evitar a contaminação.
Apenas uma das empresas contatadas pelo Greenpeace recusou diversas ofertas da madeireira Iller. Entre outras verificações, a empresa utilizou um indicador para detectar a possibilidade de estar comprando madeira ilegal, que foi previamente documentado e publicado pelo Greenpeace Brasil, no relatório Licença para Lavar: Garantida.
“Para acabar com o problema de uma vez por todas, as empresas também têm que fazer a sua parte, apoiando de maneira ativa e pública uma reforma robusta no sistema de controle de produtos madeireiros, a começar pela revisão de todos os planos de manejo ativos na Amazônia”, afirma Lacôrte. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Desmatamento: alertas do Deter disparam 68%


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Área desmatada no Mato Grosso para expansão do agronegócio. Estado foi o "campeão" em alertas de desmatamento e degradação. Foto: © Paulo Pereira/Greenpeace
Área desmatada no Mato Grosso para expansão do agronegócio. Estado foi o “campeão” em alertas de desmatamento e degradação. Foto: © Paulo Pereira/Greenpeace

Segundo dados do INPE, os alertas de corte raso identificados pelo DETER de agosto de 2014 a julho de 2015 chegaram a 3.260 Km2, área 107% maior que a registrada no ano anterior.
Seguindo a publicação dos dados do SAD do IMAZON, divulgados na última quinta feira, o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE) liberou hoje os dados de seu Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real – DETER e os números não são nada animadores: o corte raso (3260 Km2) e a degradação florestal (1708,5 Km2), somados aos alertas não confirmados, totalizam uma destruição de 5.121,92 Km2. Estes são os maiores índices dos últimos seis anos, invertendo a tendência de queda que vinha sendo apontada pelo sistema.
“Sabemos que os sistemas de alertas não representam o total de desmatamento e nem são eficazes para pegar pequenos desmatamentos com menos de 25 hectares e é exatamente isso que preocupa, pois com este aumento de alertas podemos esperar também um crescimento na taxa anual medida pelo Prodes*”, afirma Rômulo Batista, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.
Os alertas de desmatamento e degradação acumulados de agosto de 2014 à julho de 2015 superaram em 69% os índices registrados no período anterior, de agosto de 2013 a julho de 2014.
Mais uma vez o estado do Mato Grosso liderou este triste ranking, somando 1.815 Km2, o equivalente a 35% de todos os alertas, seguido de perto pelo Pará que somou 1.535 Km2, com 29,8% do total, e Rondônia com 769 Km2, responsável por 15% dos alertas no período.
Enquanto o desmatamento corre solto na floresta, sem que o governo dê a devida importância para o fato, diversas regiões do país enfrentam uma grave crise hídrica, como os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que vivem com a iminência de racionamento de água para os próximos meses.
O desmatamento não afeta apenas quem vive na floresta, pelo contrário, seus efeitos já estão sendo sentidos pelo Brasil afora. Ao desmatar as florestas interferimos em um equilíbrio delicado e o planeta todo paga a conta.
“Infelizmente o futuro que se anuncia não é nada bom. Em seus últimos encontros internacionais, com o presidente dos Estados Unidos e a chanceler da Alemanha, o governo brasileiro não apresentou nenhuma ambição, limitando-se apenas a acabar com desmatamento ilegal até 2030”, observa Batista.
Para acabar de vez com a destruição florestal o Brasil precisa fazer o dever de casa, assumindo um compromisso com o Desmatamento Zero e com o futuro. Faça parte do movimento pelo fim do desmatamento no Brasil AGORA, assine pelo Desmatamento Zero.
*Prodes – Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal – é o sistema de monitoramento oficial, medido pelo INPE. Como utiliza outro tipo de satélite, que detecta desmatamentos menores de até 6,25 hectares, o índice é usado para indicar a taxa oficial de desmatamento do Brasil.(Greenpeace Brasil/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 4 de março de 2015

Os alertas aumentam e o desmatamento não para




Inpe divulga primeiro relatório DETER do ano e janeiro já registra a maior área com alerta de desmatamentos dos últimos cinco anos para o mês
O balanço de alertas de desmatamento (corte raso da floresta) e degradação florestal do período de novembro de 2014 à janeiro de 2015 na Amazônia, divulgado na segunda-feira (dia 2) pelo Inpe traz mais más notícias aos brasileiros. Os dados – do Deter, Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real do Inpe – mostram que o mês de janeiro de 2015, em especial, apresentou alertas de desmatamento e degradação florestal em uma área de 129,36 km², um número que sozinho é quase igual à soma dos dados dos meses de janeiro dos últimos cinco anos: 147,64 km².
Alertas de desmatamento e degradação florestal para janeiro de 2015, agregados em uma grade regular de 50 km X 50 km e em unidades censitárias.
Alertas de desmatamento e degradação florestal para janeiro de 2015, agregados em uma grade regular de 50 km X 50 km e em unidades censitárias.

Lamentavelmente, janeiro de 2015 não é um ponto fora da curva. Ao analisar os dados de corte raso dos últimos seis meses (agosto de 2014 a janeiro deste ano, meses que vão compor o número final do desmatamento de 2015 apurado por outro sistema do Inpe, o Prodes) fica evidente que o ataque à maior floresta tropical do planeta voltou a ser alarmante: os alertas de desmatamento cresceram 56% em área, e a degradação subiu incríveis 162%, ambos na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O Deter permite a constatação rápida do que está acontecendo na floresta e oferece suporte à fiscalização e controle do desmatamento pelo IBAMA. Embora impreciso, ele indica a tendência de aumento ou diminuição da perda florestal ao longo do ano. A estimativa oficial do desmatamento de 2015, apurado pelo Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite (Prodes) sairá no final do ano. O número final, como acontece todos os anos, será anunciado por volta de março de 2016.
No período de agosto de 2013 a janeiro de 2014, foram detectados alertas de desmatamento em 688,7 km². Este ano, entre agosto de 2014 e janeiro, foram detectados alertas em 1.074,3 km², o que representa um aumento de 56% em relação ao período anterior.
Já em termos de degradação florestal, processo que muitas vezes dá início ao ciclo do desmatamento, os alertas corresponderam à uma área de 403,8 km² no primeiro período e 1059,9 km² no segundo período, um aumento de 162%.
Apesar do otimismo do governo em relação à queda da taxa do desmatamento registrada pelo PRODES nos últimos anos, diversos fatores ainda ameaçam a floresta, colocando em risco essa conquista. A exploração ilegal de madeira segue fora de controle, o avanço de atividades agropecuárias sob a floresta continua, e a bancada ruralista no Congresso está mais numerosa do que nunca, ameaçando minar instrumentos efetivos de combate ao desmatamento como as Unidades de Conservação e Terras Indígenas.
Enquanto a floresta vai embora, episódios de seca se espalham pelo país e cientistas alertam que nosso futuro está cada vez mais ameaçado. Por isso é importante que iniciativas que levem ao fim do desmatamento sejam mantidas e fortalecidas, como é o caso da Moratória da Soja e Compromisso Público da Pecuária. Ao mesmo tempo os brasileiros precisam se unir e fazer coro pela proteção das florestas, que são nossa única garantia de futuro. É isso que vem fazendo os mais de 1 milhão de eleitores que já assinaram em favor da lei do Desmatamento ZERO. (Greenpeace/Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Greenpeace protesta contra Caixa Econômica Federal por financiar desmatamento





A Caixa Econômica Federal é o novo alvo de protestos do Greenpeace. A organização ambiental realizou uma mobilização em Brasília nesta terça-feira (18) para denunciar a conexão do programa Construcard com a exploração ilegal e predatória de madeira na Amazônia.
Durante a ação os ativistas despejaram duas toneladas de pó de serra em frente à sede da Caixa Econômica Federal e carregaram faixas com a mensagem: “Para o programa ser legal, a madeira não pode ser ilegal”. O protesto é fundamentado em uma investigação de dois anos realizada pela ONG no estado do Pará.

Foto: Divulgação
O processo de pesquisa e análise das negociações levou dois anos para ser finalizado. Neste período o Greenpeace analisou planos de manejo e empresas cadastradas pela Caixa Econômica e identificou fraude em três dos cinco programas. Entre 2009 e 2013, foram realizadas 1.239 negociações de madeira lastreada em créditos provenientes de casos em que há o manejo inadequado e a retirada ilegal de madeira. O relatório completo pode ser acessado aqui.
O que a ONG pretende mostrar com este protesto é que o sistema atual de monitoramento é falho e o próprio governo, através de programas de incentivo ao desenvolvimento, tem financiado o desmatamento. “Para se ter uma ideia, entre agosto de 2011 e julho de 2012, estima-se que 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará, maior produtor e exportador de madeira da Amazônia, não tinham qualquer autorização de exploração”, diz o informativo oficial do Greenpeace.
Maria Lacôrte, que faz parte da campanha Amazônia do Greenpeace, reforça o pedido. “O comprometimento com a preservação da floresta passa pela exigência imediata de garantias que vão além dos documentos oficiais por parte do mercado. Apesar de ser uma iniciativa positiva, o programa Construcard, da Caixa, precisa adotar medidas adicionais para assegurar que seus clientes não se tornem cúmplices da destruição da Amazônia”, esclareceu. Ela ainda cobra uma participação efetiva do governo federal no sentido de apoiar os estados com “recursos humanos, financeiros e técnicos, para que eles possam conduzir uma ampla revisão de todos os planos de manejo e uma reforma robusta do sistema de controle da madeira como primeiro passo para a solução do problema”.
A madeira nativa da Amazônia é usada para confeccionar pisos, mesas, cadeiras, armários, portas, janelas, entre outros produtos que chegam às lojas e podem ser facilmente adquiridos por clientes beneficiados pelo Construcard. CicloVivo/Utopia Sustentável

sábado, 18 de outubro de 2014

Madeira ilegal no Brasil: Crime oficial




Amazonia Madeira ilegal no Brasil: Crime oficial
Área de exploração ilegal na Amazônia paraense. Cerca de 80% de toda a área com exploração madeireira no Pará é ilegal. Foto: © Greenpeace / Lunae Parracho

Greenpeace publica artigo de opinião no jornal Estado de Minas sobre madeira ilegal no Brasil; quem assina o texto, publicado dia 10, é a coordenadora do Greenpeace Marina Lacorte.
O mercado da madeira nativa da Amazônia, baseado em um produto nobre, raro e bastante cobiçado, movimenta cerca de R$5 bilhões ao ano e cria milhares de empregos. Poderia ser uma alternativa de renda para a região, não fosse por um detalhe: mais da metade da produção é ilegal e está contribuindo para a destruição da floresta.
Para ser legal, a madeira precisa ter sido extraída de um plano de manejo florestal sustentável aprovado. Trata-se de um conjunto de técnicas de extração seletiva de árvores que, quando bem feita, aumenta a rentabilidade da atividade e reduz seu impacto, agregando valor à floresta em pé e impulsionando o desenvolvimento local da região. Porém, para que este ciclo virtuoso exista e o plano de manejo seja bem executado, é necessário um sistema de controle oficial eficiente, capaz de premiar os bons empresários e punir quem coloca madeira ilegal no mercado.
Infelizmente, não é isso o que acontece hoje na Amazônia. Enquanto a madeira ilegal é extraída sem controle, os que tentam atuar dentro da lei acabam sendo castigados pela competição desleal com aqueles que trabalham de forma criminosa.
Esse problema se agravou em 2006, quando foi aprovada a “Lei de Gestão de Florestas Públicas”, que criou um novo sistema de controle – uma espécie de “banco de créditos” de madeira – que registra movimentações entre os diversos agentes da cadeia. A lei repassou, da noite para o dia, a responsabilidade sobre gestão florestal das mãos do governo federal para os governos estaduais, que não estavam preparados para isso. O resultado de tais mudanças, após 8 anos, se mostrou desastroso.
Entre 2006 e 2012, cerca de 80% de toda a área com exploração madeireira no Pará, maior produtor e exportador de madeira nativa serrada, não contou com nenhuma autorização, ou seja, produziu madeira ilegal. No Mato Grosso, segundo maior produtor, o índice ficou em 44%. Entre 2007 e 2012, falhas primárias nos sistemas oficiais de controle do setor permitiram que fossem irregularmente comercializados 1,9 milhão de metros cúbicos de produtos florestais, volume equivalente à uma área de 64 mil campos de futebol explorada de forma criminosa.
Para ‘fechar a conta’, quase toda essa ilegalidade recebe documentação oficial do governo. Conforme o Greenpeace mostra em sua campanha, Chega de Madeira Ilegal (chegademadeirailegal.org.br), a facilidade de ‘fabricação’ de créditos de madeira sem lastro permite que toda a exploração ilegal encontre documentação oficial, pois os sistemas que deveriam impedir a madeira ilegal servem, na maioria das vezes, para “lavá-la”, dando a aparência de legalidade à uma madeira que pode ter sido extraída de áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação. Temos, desta forma, uma espécie de crime com consentimento oficial, que causa uma série de graves problemas, como a degradação, o desmatamento e inúmeros conflitos sociais. Enquanto isso, o consumidor se torna cúmplice involuntário da destruição da floresta.
A imediata revisão dos planos de manejo e de “falhas” no sistema cabe aos governos estaduais, sobretudo do Pará e do Mato Grosso. Mas uma solução duradoura também é necessária e ela pode e deve ser capitaneada pelo governo federal. Neste momento em que candidatos à Presidência discutem temas de grande relevância econômica, social e ambiental, o Greenpeace demanda uma solução para o caos madeireiro na Amazônia, antes que as oportunidades se esgotem e, com elas, a própria floresta.
* Publicado originalmente no site Greenpeace.
(Greenpeace) 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta




madeirailegal Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta
Um caminhão de carga aguarda para ser carregado com madeira ilegal em uma área próxima a Santarém, no Estado do Pará, o centro da indústria madeireira na Amazônia. Foto: © Otávio Almeida/Greenpeace

Em investigação o Greenpeace monitorou o trajeto de caminhões no Pará e conseguiu estabelecer os vínculos de uma cadeia predatória de exploração de madeira ilegal que opera livremente na região e comercializa com os mercados nacional e internacional
Entre agosto e setembro de 2014, o Greenpeace esteve em campo, no Pará, para monitorar as rotas de caminhões madeireiros que fazem o trajeto entre as áreas públicas de florestas no oeste do Estado, e as serrarias da região. De acordo com a investigação, nenhuma das áreas exploradas possuía qualquer tipo de autorização.
Durante o dia, os caminhões se dirigem até áreas remotas de florestas, onde são carregados com toras de madeira. À noite, quando a fiscalização é menor, dezenas deles tomam as estradas da região, nas proximidades de Uruará e Placas, e seguem até as serrarias de Santarém e arredores.
caminhoes Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta
Os caminhões carregados com madeira ilegal costumam viajar à noite, quando o número de inspeções é menor. Uma investigação do Greenpeace utilizou um localizador GPS para monitorar caminhões madeireiros. Foto: © Otávio Almeida/Greenpeace
Estima-se que aproximadamente 80 caminhões cruzam a cada noite a balsa pelo rio Curuá-Una, na PA-370, que vai até Santarém. O tráfego na balsa é mais intenso entre as 11 da noite e 1h30 da madrugada.
Santarém concentra o principal polo da indústria madeireira no Pará, estado que mais produz e exporta madeira da Amazônia. Segundo dados do Imazon, entre agosto de 2011 e julho de 2012, cerca de 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará não tinham autorização de exploração.
Madeireiras lavanderia
As três serrarias que receberam essa madeira foram: Rainbow Trading Importação e Exportação LTDA, Comercial de Madeiras Odani LTDA e Sabugy Madeiras LTDA. Cada uma delas tem um histórico de ilegalidades e somam, juntas, o recebimento de multas de cerca de R$ 1,5 milhão pelo Ibama nos últimos dez anos.
De acordo com os documentos oficiais, a Rainbow Trading recebe madeira de áreas de planos de manejo florestais autorizados. Porém, análise de imagens de satélite mostra que não houve nenhuma atividade madeireira na maioria dessas áreas de manejo, o que indica que esses planos estão servindo para fornecer créditos e documentação oficial para ‘lavar’ a madeira ilegal. Enquanto isso, as terras públicas de onde a madeira está sendo roubada apresentam sinais claros de exploração, com madeira estocada em grandes clareiras abertas na mata e diversas estradas ligando esses caminhos.
Abastecidas com madeira ilegal, estas serrarias exportam regularmente para a Europa, China, Japão e Estados Unidos – a despeito das leis que proíbem a comercialização de madeira ilegal em alguns desses mercados. Somente entre janeiro e agosto de 2014, por exemplo, uma destas serrarias teve relação comercial com França, Bélgica, Holanda e Suécia.
madeirailegal2 Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta
A serraria e exportadora de madeira Rainbow Trading, localizada em Santarém, no Pará, está ligada à extração e processamento de madeira ilegal.Foto: © Otávio Almeida/Greenpeace
Chega de Madeira Ilegal!
Em maio de 2014, quando lançou a campanha Chega de Madeira Ilegal, o Greenpeace revelou como o sistema de controle de madeira está sendo burlado para acobertar madeira de origem ilegal. Uma série de falhas no sistema tem permitido que madeira extraída de forma ilegal e predatória seja vendida nos mercados nacional e internacional com ares de legalidade, tornando o mercado um parceiro oculto da destruição silenciosa da floresta.
“A madeira ilegal é a porta de entrada para o desmatamento. A abertura de estradas por madeireiros torna a floresta mais suscetível à degradação e fragmentação. E, por passar despercebida pelos olhos dos satélites, esse tipo de destruição florestal nem entra na conta das emissões de gases do efeito estufa”, afirma Marina Lacôrte, da Campanha da Amazônia do Greenpeace. “Dadas às falhas estruturais do sistema de controle de madeira no Brasil e a histórica falta de governança na Amazônia, documentos oficiais não são suficientes para garantir a legalidade da madeira. Nossa investigação levanta muitas questões para as autoridades responsáveis em assegurar a origem responsável do produto – desde a floresta até o mercado”.
O Greenpeace exige que o governo brasileiro reveja todos os planos de manejo aprovados na Amazônia desde 2006 como primeiro passo para uma revisão robusta do sistema de controle de madeira, com processos públicos, transparentes e integrados. O governo federal deve promover o aumento da capacidade de ação dos órgãos ambientais estaduais e federais, com mais recursos para ações de monitoramento e fiscalização, a fim de permitir que o crime seja combatido antes que milhares de árvores tenham sido abatidas.
“Ao manter as portas abertas para receber madeira ilegal, o mercado se torna cúmplice da destruição da Amazônia. Empresas que comercializam madeira da Amazônia devem parar de comprar a menos que tenham garantias, por meio de mecanismos próprios, de que aquela madeira não tenha contribuído para o desmatamento, degradação florestal, perda de biodiversidade e impactos sociais negativos, como a violência contra a população local”, finaliza Marina.
Confira o relatório completo da investigação do Greenpeace, disponíveis em português e em inglês.* Publicado originalmente no site Greenpeace.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Madeira ilegal: na Amazônia, lavou, ficou legal




Paulo Pereira Greenpeace  MG 9265 Madeira ilegal: na Amazônia, lavou, ficou legal
Ativistas do Greenpeace protestaram na madeireira Pampa Exportações Ltda, próximo a Belém (PA), contra a exploração ilegal e predatória de madeira na Amazônia. Foto: ©Paulo Pereira/Greenpeace

Greenpeace expõe fragilidade do sistema de controle e protesta contra o descontrole generalizado do setor madeireiro da Amazônia
Ativistas do Greenpeace ocuparam ontem (15) a madeireira Pampa Exportações Ltda, próximo a Belém (PA), para protestar contra a exploração ilegal e predatória de madeira na Amazônia e o descontrole que impera no setor. Faixas com as mensagens: “Lavando madeira para fora”; “Sua madeira lavada a sério”; “Apoio: governo brasileiro” e “Crime” foram espalhadas pelo local para expor a fragilidade do sistema de controle de comércio de produtos florestais.
Veja aqui o site da campanha Chega de madeira ilegal
Uma investigação de dois anos do Greenpeace no estado do Pará revelou que o atual sistema de controle não é apenas falho, mas alimenta a degradação florestal e o desmatamento. Frequentemente, em vez de conter o crime, ele é usado para ‘lavar’ madeira produzida de forma predatória e ilegal que, mais tarde, será vendida a consumidores no Brasil e no mundo como se fosse ‘legal’. Entre agosto de 2011 e julho de 2012, estima-se que 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará, maior produtor e exportador de madeira da Amazônia, não tinham autorização de exploração. No Mato Grosso, segundo maior produtor, esse índice é de 54%.
Na maior parte das vezes, são as madeireiras e serrarias que desempenham o papel de lavanderia. As atividades da Pampa são um exemplo de como a madeira ilegal é ‘lavada’ na Amazônia. Entre os fornecedores da empresa estão planos de manejo que utilizam seus créditos para legalizar madeira retirada de outras áreas sem autorização. Com documentos oficiais, essa madeira sem origem chega ao mercado brasileiro e internacional – incluindo Estados Unidos e países europeus (sendo a França a principal importadora da Europa em volume). A empresa também foi multada em mais de R$2,5 milhões por receber e comercializar madeira sem as devidas licenças, além de responder a ação proposta pelo Ministério Público por receber madeira de empresas acusadas de fraude.
Dois diretores da Pampa são membros da Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará), que segundo seu site trata-se de uma “associação das empresas de base florestal comprometidas com o desenvolvimento sustentável da Amazônia e do Pará”. Para Marcio Astrini, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil, “como representantes de uma associação que alega estar preocupada com a exploração sustentável, deveriam dar o exemplo e realizar todos os esforços para garantir a origem limpa da madeira”.
A investigação do Greenpeace Brasil levantou cinco casos de planos de manejo com indícios de fraude. Dentre as principais estão: inflação do número de árvores de espécies raras e do tamanho das árvores no inventário florestal, áreas autorizadas sem sinal de exploração, exploração acima do limite autorizado pelo plano de manejo e corte de árvores protegidas por lei. Esse vasto menu tem permitido a circulação de madeira com documentação limpa e origem suja. Os estudos de casos indicam que os estados da Amazônia, que administram a madeira que sai da floresta e entra nos mercados, não são capazes de provar que controlam o setor. Por sua vez, o consumidor nunca terá certeza de que não está contribuindo com a destruição da Amazônia.
“A exploração descontrolada da madeira da Amazônia está acontecendo agora, sob o olhar conivente do governo”, disse Astrini. “O governo usa a queda dos índices de desmatamento para vender a imagem de que está tudo indo bem, mas no chão da floresta, a realidade é outra. A situação do setor da madeira é inaceitável”.
O Greenpeace exige que o governo brasileiro reveja todos os planos de manejo aprovados na Amazônia desde 2006, implemente regras mais consistentes para aprovação e controle de planos de manejo, torne esses processos públicos, e aumente a governança na região, dando maior capacidade e infraestrutura aos órgãos ambientais federais e estaduais.
O mercado também tem um papel a cumprir: empresas que adquirem madeira da Amazônia devem parar de comprar a menos que tenham garantias, através de mecanismos próprios, de que sua origem não tenha contribuído para o desmatamento, degradação florestal, perda de biodiversidade ou impactos sociais negativos, uma vez que o atual sistema oficial é falho e inseguro.* Publicado originalmente no site Greenpeace.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Lavanderia de madeira na Amazônia




Amazonia Lavanderia de madeira na Amazônia
Foto aérea documentando a extração ilegal de madeira no Estado do Pará. Foto: © Greenpeace / Daniel Beltra

Doze pontos na região de Santarém são suspeitos de atividade madeireira ilegal. Greenpeace pediu apuração imediata para averiguar descumprimento de leis ambientais.
O Greenpeace protocolou, no início dessa semana, uma denúncia junto ao Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA), Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para apuração imediata da situação de 12 pontos na região de Santarém, no oeste do Pará, identificados como sendo de possível atividade madeireira ilegal ou descumprimento flagrante da lei ambiental.
Veja aqui o conteúdo completo da denúncia.
As imagens captadas vieram após análises de dados de satélite e foram confirmadas em sobrevoos durante o período de março a maio de 2014, como parte de nossa política de monitoramento florestal.
Desde o início do trabalho na Amazônia, em 1999, o Greenpeace denuncia a retirada ilegal e predatória de madeira, que causa a degradação da floresta, tornando-a mais suscetível a incêndios e ao desmatamento, provocando graves consequências para a biodiversidade e para as populações locais. A produção de madeira não precisa significar destruição da floresta. A extração de árvores pode acontecer de forma controlada, permitindo a regeneração da mata, respeitando as comunidades locais e funcionando como uma alternativa econômica ao desmatamento.
Mande aqui uma mensagem à presidenta Dilma e aos candidatos à Presidência da República para que a retirada de madeira seja feita de forma responsável, respeitando a floresta e seus povos.* Publicado originalmente no site Greenpeace.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Fiat responde a consumidores




Greenpeaceautomoveis 300x300 Fiat responde a consumidores
Ao receber milhares de mensagens pedindo carros mais limpos e eficientes, montadora lista medidas que adota pelo meio ambiente. Greenpeace mantém posição: dá para ir além.
Na última terça-feira, o Greenpeace lançou uma campanha desafiando Fiat, Volkswagen e Chevrolet – líderes em vendas de automóveis no Brasil – a produzir veículos que consumam menos combustível e emitam menos gases estufa. A Fiat começou a responder, por email, às milhares de pessoas que enviaram mensagens pedindo essa mudança. As demais companhias ainda não se manifestaram.
No email enviado pela Fiat (íntegra abaixo), a companhia elenca várias medidas mostrando comprometimento com inovações que reduzem o impacto ambiental de seus veículos. Para exemplificar, a montadora cita um de seus carros novos que, segundo ela, emite menos CO2 que a média.
A Fiat também destaca que 97,5% de seus automóveis são flex, podendo ser abastecidos com etanol. E nesse caso, sugere a empresa, o problema está resolvido, pois o combustível é 100% renovável e “praticamente neutraliza as emissões de CO2 na atmosfera com o ciclo do plantio da cana-de-açúcar”, diz a nota.
O Greenpeace mantém sua posição: dá para ir além. Os novos veículos que a fabricante têm colocado no mercado brasileiro, com eficiência energética superior à média dos veículos nacionais, são a prova disso: a tecnologia não só existe como está acessível. O que o Greenpeace e os consumidores estão pedindo é que essa prática – que significa menos emissões e menos consumo de combustíveis – não seja fato isolado, mas que se torne padrão em todos os veículos produzidos pela montadora.
Se a Fiat já está aplicando essas inovações tecnológicas em alguns de seus automóveis, não há motivos para que ela não se comprometa com as mesmas metas de eficiência energética europeias, alinhando toda sua frota com o que há de mais avançado em termos de redução de consumo de combustível.
Quanto à adoção de motores flex, abastecidos com etanol, não se pode ignorar dois elementos: isso não significa ganho de eficiência energética – desde que foi criada, a tecnologia flex avançou pouco nesse sentido. E há impactos socioambientais inegáveis da atual produção de biocombustíveis no Brasil, como o desmatamento, o avanço sobre outras culturas alimentares e a contaminação de água e solo por fertilizantes. O investimento em eletromobilidade também pode ser uma resposta a essas questões.
Enquanto esses problemas são solucionados no médio e longo prazo, medidas de eficiência energética são a melhor solução de curto prazo na redução de emissões e de consumo de combustíveis. Esperamos que a Fiat, líder em vendas de carros no Brasil, também lidere o caminho para carros mais limpos e eficientes.
Leia abaixo o email enviado pela Fiat
Agradecemos o envio de sua mensagem. A propósito do tema que é sua preocupação, gostaríamos de observar que a Fiat foi uma das primeiras fabricantes do país a apoiar voluntariamente o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) criado em 2009 pelo Inmetro, ao informar com transparência aos consumidores os valores de consumo de combustível de seus principais modelos e de emissão de CO2.
A cada novo lançamento, a Fiat investe em tecnologias para ampliar a eficiência energética e reduzir a emissão de CO2, com resultados concretos para a qualidade do ar. O Novo Uno com motor 1.4, que recebeu nota A no PBEV 2014, emite 97,4 gramas de CO2 fóssil – valor que está abaixo da marca exigida pelo Inovar-Auto em 2017 e pelas legislações europeias vigentes, comprovando a constante evolução da Fiat por veículos cada vez mais eficientes. O Palio Fire e o Novo Fiorino, recém-lançados, também trazem importantes inovações como pneus verdes, óleo lubrificante do motor com aditivos de baixo atrito, melhorias aerodinâmicas, entre outras tecnologias e ações, com foco na redução do consumo de combustível. Atualmente, 80% dos veículos produzidos têm pneus de baixa resistência a rolamento (pneus verdes).
Vale destacar que 97,5% dos veículos da marca Fiat comercializados são flex, que podem ser abastecidos com etanol – combustível 100% renovável que praticamente neutraliza as emissões de CO2 na atmosfera com o ciclo do plantio da cana-de-açúcar. Além da escolha do combustível, a manutenção dos veículos também é um importante diferencial com reflexos diretos na emissão de CO2. Velas usadas, filtro de ar sujo, pneus com calibragem fora do padrão e suspensões desalinhadas ampliam, em média, 20% do consumo de combustível. Com o objetivo de conscientizar os motoristas para os riscos da falta de manutenção, a Fiatrealiza, de forma contínua, campanhas educativas.
É importante lembrar também que a Fiat foi a primeira fábrica de automóveis a conquistar a ISO 14001, em 1997, que atesta a eficácia de nosso Sistema de Gestão Ambiental. E a Fiattambém foi a primeira montadora do Brasil a conquistar a ISO 50001, de gestão da energia. Fiat Chrysler América Latina* Publicado originalmente no site Greenpeace.