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sábado, 25 de abril de 2015

Outro triste recorde para o Brasil




Pelo segundo ano consecutivo o Brasil amarga o título de país mais perigoso para ambientalistas
Na última segunda-feira a ONG Global Witness publicou o relatório “How many more”. (“Quantos Mais?”, em tradução livre), que traz dados sobre assassinatos de ativistas ambientais ao redor do mundo. De acordo com o levantamento, o Brasil aparece como o país mais perigoso para se trabalhar na defesa do meio ambiente: ao todo, 29 ambientalistas foram vítimas de assassinato no Brasil em 2014, sendo quatro deles indígenas.
Infelizmente, a relação entre violência e destruição da floresta não é recente no Brasil. Temos vários exemplos icônicos dos resultados desta nefasta equação, como Chico Mendes e Irmã Dorothy, ambos assassinatos devido a conflitos relacionados com a posse da terra e a defesa da floresta.
José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foram assassinados, em 2011, por denunciarem a ação de madeireiros, carvoeiros e grileiros no Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, no Pará. Foto: © Greenpeace / Felipe Milanez
José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foram assassinados, em 2011, por denunciarem a ação de madeireiros, carvoeiros e grileiros no Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, no Pará. Foto: © Greenpeace / Felipe Milanez
“Um dos maiores problemas na Amazônia é a total falta de definição fundiária. Por conta desta lacuna de informações, populações inteiras, que vivem há gerações em determinados locais, são subjugadas e expulsas, muitas vezes com extrema violência, por grileiros de terra, que obtém com facilidade documentos falsos de posse de terra”, afirma Rômulo Batista, da campanha da Amazônia do Greenpeace.
A exploração ilegal de madeira é outro fator gerador de conflitos na Amazônia brasileira. Muitas vezes, madeireiros ilegais invadem unidades de conservação, terras indígenas e projetos de assentamento para roubar madeira. Quando as lideranças locais decidem enfrentar esse tipo de agressão contra a floresta, são invariavelmente ameaçados e, infelizmente, em muitos casos a ameaça é levada a cabo.
“Na Amazônia a destruição da floresta a exploração ilegal de madeira andam de mãos dadas com a violência. Como essas atividades são eminentementes ilegais, as pessoas estão dispostas a tudo para obter um lucro maior e mais rápido e quem paga com a vida são as pessoas que se colocam entre esses criminosos e a floresta”, afirma Batista.
Além destes dois fatores, que estão tradicionalmente relacionados à violência no campo, as populações tradicionais e ativistas ambientais lidam agora com outra grande ameaça, a execução de grandes obras de infraestrutura, como as hidrelétricas. Ao não respeitar o direito das populações locais, e muitas vezes realizar a obra sem sequer consultá-las, os governos tem contribuído para o agravamento da situação de violência.
A ocupação desenfreada da Amazônia pela agropecuária também promove a violência, ao desalojar comunidades e famílias de seus locais. É comum assentamentos de reforma agrária serem tomadas por monocultura de soja ou pela criação de gado. Devido ao porte deste tipo de empreendimento e ao capital de giro necessário para essas atividades, ela dificilmente é feita pelos assentados, ou seja, os assentamentos são, na verdade, reconcentrados por grandes fazendeiros e isso também ocorre de forma violenta.
A luta para acabar com o desmatamento na Amazônia é também a luta para garantir a sobrevivência e a dignidade dos povos que a habitam. Sem florestas, não temos água, produção de alimentos e muito menos uma chance de amenizar os efeitos das mudanças climáticas no futuro. Ao deixar de garantir a segurança de seus guardiões, o Brasil caminha para um futuro de barbárie e miséria.
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Para dar um basta a toda essa violência, e tirar o Brasil deste vergonhoso ranking, precisamos combater o desmatamento e só conseguiremos atingir este objetivo com o apoio de toda a sociedade, seja no campo ou na cidade. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde\Utopia Sustentável)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Somos todos ambientalistas




19 Somos todos ambientalistasPersiste entre formadores de opinião, o uso pejorativo do termo “ambientalista”, visando depreciar os cidadãos que lutam pela causa ambiental, além de tentar esconder outras intenções, menos ingênuas, como fazer o jogo dos poderosos, dos poluidores, que têm seus interesses contrariados pela persistência daqueles que defendem a preservação do meio ambiente e das condições de vida no planeta.
Os últimos relatórios dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram inquestionavelmente que a ação humana é a principal causa da elevação da temperatura média da Terra, ou aquecimento global. Mesmo assim, interesses poderosos das industrias de combustíveis fósseis e nucleares, da agroindústria, dentre outros, continuam a negar este fato, financiando campanhas que atacam aqueles que propõem mudanças no atual estilo de vida perdulário, no consumo e na produção de matérias primas e energia.
O crescimento sempre foi um objetivo da política econômica. Acreditava-se que o aumento da renda de um país fosse suficiente para proporcionar uma vida melhor a seus habitantes. Portanto, a partir de uma análise simplificada, geralmente utilizando o Produto Interno Bruto (PIB) como indicador base, bastava o anúncio de seu aumento, para que se aceitasse que os indicadores de bem estar o estavam acompanhando. Isto de fato não acontece.
Já há alguns anos, verificam-se os danos causados pela atividade econômica sobre o planeta. Em nome do crescimento a qualquer preço, tudo é permitido, inclusive a destruição do meio ambiente. São incontestes as evidencias de que não é mais possível crescer e enriquecer para melhorar a qualidade de vida da maioria da população. Ou seja, manter os padrões atuais de produção e consumo esbarra nos limites físicos do nosso planeta.
Estamos recebendo sinais de reação da Terra à quantidade excessiva de gases emitidos, que geram o denominado “efeito estufa”, em particular devido ao CO2 (dióxido de carbono), pelo uso massivo dos combustíveis fósseis. A Terra reage também ao desmatamento desenfreado das florestas para diferentes finalidades, ao desperdício e poluição das fontes de água doce, reduzindo assim sua disponibilidade pelo uso irracional desse bem fundamental para a vida.
O IPCC, através de seus relatórios e pareceres, traz conclusões científicas irrefutáveis sobre o aquecimento global, que provoca um aumento significativo na freqüência e na intensidade dos “desastres naturais”. A concentração de CO2 na tênue atmosfera que nos protege atingiu, em abril de 2014, 400 ppm (partes por milhão), superando o limite histórico. Valor emblemático, pois este é valor considerado pelos cientistas como limite para evitar os piores cenários do clima. Segundo o IPCC, acima de 400 ppm de CO2 a temperatura média do planeta poderá subir entre 2 a 5 graus centígrados até o final deste século, e isto poderá provocar a aceleração do degelo, tempestades mais violentas, graves impactos sobre a biodiversidade, com a inevitável extinção de espécies, e milhões de refugiados ambientais, os quais terão de buscar outros lugares para viver.
No entanto, mesmo com todas as catástrofes recentes, em todo o mundo, e com os claros alertas científicos do IPCC, continuamos sem dar a devida atenção ao maior desafio de nosso tempo: as mudanças climáticas. Elas estão entre nós e estão se acelerando.
Precisamos, pois, entender que todos os que lutam pela vida no planeta Terra – que lutam por um mundo melhor, por uma sociedade mais igualitária, e socialmente mais justa – são também, responsáveis pela preservação ambiental. Ou seja, com exceção daqueles que lutam apenas para manter os seus privilégios, somos todos ambientalistas!* Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.