Mostrando postagens com marcador PMDB. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PMDB. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de maio de 2017

A chave da caixinha de Pandora perdida


Percebe-se, agora, que o buraco em que nos metemos com a aventura irresponsável iniciada com o impeachment é muito mais fundo do que podemos imaginar.

Neste buraco negro infindável, fraturado institucionalmente desde o ano passado, somos surpreendidos cotidianamente, e com grau de gravidade cada vez maior, com fatos cada vez mais inimagináveis se sucedendo, o que nos faz pensar que somos, de verdade, um país sem limites.

Enquanto a elite dirigente, tendo à frente PMDB, PSDB, DEM e PP, a Banca representante do capital e 1% rentista, não compreenderem ser impossível continuar sem um mínimo de consenso e união nacional, nosso país continuará em ebulição e chances reais de convulsionar. 

Com o tecido político-social-institucional em metástase, urgem reformas como a política e eleitoral, que  toquem em temas recorrentes há décadas, como o fim do foro privilegiado, do voto obrigatório, financiamento público de campanhas, cláusula de barreira progressiva, fidelidade partidária, entre outros, instrumentos sociais largamente utilizados em países civilizados. E referendo popular para convocação de constituinte exclusiva.

Devolver os destinos da Nação à sociedade brasileira que é, em última análise, quem detém o soberano e verdadeiro poder como manda a Constituição Federal em seu Artigo 1º, o único caminho a tomar para tentar pacificar o país nesse momento.  

Convocar eleições gerais já, pode ser a chave de saída perdida para se fechar a caixa de pandora aberta no início do ano de 2016, fora isso até nossa tenra democracia corre riscos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quem lava a jato nem sempre lava bem


Erika Mialik Marena, delegada da Polícia Federal responsável pelo nome da Operação considerada por muitos a maior do país no combate à corrupção, muito provavelmente esteja chateada ao constatar um desvirtuamento do motivo inicial alegado para sua escolha.

Deflagrada em 17 de março de 2014, a Lava Jato recebeu esse nome devido ao uso de uma rede de postos de gasolina pelo grupo criminoso visando à movimentação dos recursos adquiridos de forma ilícita.

Não sei os hábitos no restante do país, mas aqui no Rio de Janeiro quando queremos lavar superficialmente o carro, sem muito capricho e apenas for fora, sem lavar por baixo ou aspirar internamente, lavamos no lava jato.

Saudada inicialmente como o remédio amargo de salvação da sociedade brasileira contra a corrupção, principalmente a partir das manifestações de junho de 2013, a operação Lava Jato, comandada por Sérgio Moro e Teori Zavascki, foi impulsionada e adotada pela mídia no momento de maior carência da sociedade por justiça no país, já cansada dos assaltos diários aos cofres públicos. 

Mas apesar dos números alcançados - 1148 anos em penas aplicadas, 106 condenações, 42 bilhões de reais desviados e 6 bilhões em propinas estimadas pagas -  pela queridinha do Brasil, suas descobertas não parecem que visavam o que a sociedade, ou parte dela, esperava: extirpar o câncer da corrupção do contagioso convívio de seus agentes, públicos e privados, com os recursos públicos, nos três níveis de governo.



Dois anos e meio depois de seu início e 34 operações realizadas, já é possível constatar que as ações do juiz Moro se concentraram principalmente em três partidos: PP (com maior número de acusados), PMDB e PT. E desses, uma notória preferência pelo tom vermelho. Isso é fato.

Se as intenções não forem apenas tirar uma presidente legitimamente eleita, faz-se necessário que o mesmo tipo de ação alcance todos os partidos. Se desejarmos, de verdade, diminuir a corrupção a níveis europeus, Michel Temer jamais poderá ficar na cadeira presidencial até 2018.  Para isso não basta uma Lava Jato, mas uma lubrificação geral na política nacional, que lave toda a lama da corrupção escondida nas entranhas do poder.

Ignorar a necessidade de uma ampla reforma política que contemple medidas duras de combate à corrupção; mudanças na Lei 8.666/93, responsável pelas licitações e compras em órgãos públicos; ajustes e votação do projeto intitulado “10 medidas contra a corrupção”; fim do voto obrigatório; e criação de cláusula de barreiras partidárias, por exemplo, é reconhecer a falta de boas intenções.

Por outro lado, desde o afastamento da presidente Dilma, assistimos a um arrefecimento das operações midiáticas da Lava Jato. Os vazamentos diminuíram e já se fala pela imprensa que a operação tem até o fim do ano para encerrar as investigações, o que, caso se confirme, só vem comprovar a atuação parcial do juiz Moro e da operação, desde o início.  Imperdoável!!!

Resta saber se a sociedade aceitará apenas essa “lavadinha” na corrupção, oferecida pela Lava Jato, ou se vai exigir o pacote vendido pela grande mídia de que era preciso remover a presidente para a corrupção acabar.

E você, já escolheu seu presente de Papai Noel?

Abraços Sustentáveis

Odilon de Barros





sexta-feira, 22 de julho de 2016

Carta aberta - Pedido de providências em relação à UERJ

Rio de Janeiro, 22 de julho de 2016.

Excelentíssimo Senhor Francisco Dornelles
Governador do Estado do Rio de Janeiro

Ref.: Carta aberta - Pedido de providências em relação à UERJ

Exmo. Senhor Governador,
Seria injusto afirmar que o estado pré-falimentar do Rio de Janeiro é culpa exclusivamente sua.  Não é.  Tampouco seria justo se não o reconhecesse como parte desse imenso problema que vivemos, afinal Vossa Excelência sempre fez parte, enquanto filiado das agremiações partidárias as quais pertenceu, com pouquíssimas variações, do mesmo grupo de poder que representa as retrógradas elites brasileiras, seja em nível estadual ou federal.
Faz dez anos que esta coligação encabeçada pelo PMDB vem estraçalhando as finanças estaduais sem qualquer reação organizada da sociedade carioca, que se encantou com Copa do Mundo e Olimpíadas, um canto e tanto de sereia que levou nosso Estado à ruína. Esse, aliás, um troféu nada fácil de ser conquistado.
À parte o presente de grego que o Governador licenciado deixou para Vossa Excelência, sou pai de aluno da UERJ, a Universidade que deveria ser o orgulho de todos os cariocas, mas que talvez esteja passando por sua mais grave crise desde a fundação. E é sobre isso que gostaria de ponderar com Vossa Excelência.
Sabemos que esse problema vem de longa data, remonta a ditadura militar e a fatídica reforma educacional implementada naquele período que transformou um dos principais pilares de nossa democracia, a educação, em um vantajoso negócio. Resultado: degradação gradativa do ensino público e expansão do ensino privado, em sua grande maioria, de qualidade sofrível.
Senhor Governador Dornelles, é inadmissível em qualquer nação minimamente democrática e que almeja um futuro digno para seus filhos que a educação, e também a saúde, não sejam tratadas como prioridade absoluta por qualquer governo. E, não fosse a mobilização de alunos, professores, pais e funcionários, fatalmente já estaria fechada.
Ser pública, de tradição e qualidade, ter o curso pretendido e estar no Rio de Janeiro, foram alguns dos fatores que levaram nosso filho, e o de tantas e tantas famílias, a se empenharem e optarem pela UERJ.
Mas após dois anos de completa adaptação, já estagiando na área e fazendo planos para o futuro, o que vemos, hoje, são jovens que perderam o ano letivo de 2016 por conta da irresponsabilidade de seus governantes. Um completo desestímulo.
Quem entra na UERJ para uma visita logo percebe o descaso e a falta de importância com que os sucessivos governos vêm dando à educação nas últimas décadas. Sujeira, lixo, escuridão, um ambiente completamente hostil ao estudo. E, segundo relatos do comando de greve, o que se vê é uma terceirização cartelizada dos serviços e uma categoria que não tem reajustes desde 2001. Tem-se, ali, a completa noção do significado da palavra degradação. Um escárnio.
Não bastasse a completa desordem e catástrofe financeira a que nossa sociedade se vê refém com o não repasse do pagamento de créditos consignados aos bancos conveniados; pagamento parcelado aos aposentados; não repasse dos valores de INSS e FGTS dos funcionários, o que configura crime de apropriação indébita passível de impeachment; pior é ver a educação submetida à miopia e à mesquinhez de governos que, por questões políticas ou, perdão, burrice mesmo, não conseguem enxergar que a mediocridade no oferecimento desse produto básico, torna o futuro de nossos filhos comprometido e limitado. E também o de nosso país.
Dessa maneira, vimos solicitar, sem mais delongas, a imediata abertura de negociação com o comando de greve, caso contrário continuaremos a ser o eterno país do futuro. Do futuro de uma elite que teima em acreditar pertencer a um país imaginário e privado onde dez mil famílias pintam, bordam e escravizam o cordato povo brasileiro. Basta!

Cordialmente,


Odilon de Barros