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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Na Itália, quem for à escola de bicicleta ganha pontos extras


Twitt

Os alunos da escola pública Liceu Antonio Meucci, localizada em Aprili, cidade italiana próxima de Roma, têm agora um motivo além da sustentabilidade para fazer o trajeto casa-escola pedalando.
Através do projeto Bike Control, que instalou sensores nas bicicletas que controlam distância percorrida e a quantidade de gás carbônico que deixa de ser emitida na atmosfera ao usar a bicicleta no lugar do carro, estudantes do ensino médio ganham pontos extras na avaliação escolar, como se fossem atividades extracurriculares.
Idealizado pelo ex-aluno Lorenzo Catalli, o projeto busca incentivar o uso do meio de transporte alternativo como forma de reduzir as emissões de poluentes. Para receber a bonificação, é necessário que o estudante use a bicicleta pelo menos três vezes por semana para ir ao colégio.
Em vigor há mais de um ano, o Bike Control poupou a emissão de mais de uma tonelada de gás carbônico na atmosfera. O sucesso da iniciativa despertou o interesse das prefeitura, que passou a financiar a produção e instalação dos sensores nas bicicletas e, ainda, pretende estender o projeto a outras instituições públicas e privadas.Portal Aprediz.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Britânico cria a bicicleta mais segura do mundo


24 de Abril de 2015 • Atualizado às 10h16


Após ser atropelado por uma van enquanto pedalava em Londres, o britânico Crispin Sinclair decidiu desenvolver a bicicleta mais segura do mundo. Apelidado de Babel Bike, o modelo deve manter o ciclista a salvo mesmo em colisões envolvendo ônibus e caminhões.

Imagem: Divulgação
De acordo com a apresentação do projeto, 65% dos acidentes fatais sofridos por ciclistas nas ruas da capital inglesa são causados por ônibus e caminhões. A situação não é muito diferente em outras grandes cidades mundiais. Por isso, é tão importante criar estruturas e tecnologias que proporcionem mais segurança a quem decide ter a bicicleta como meio de transporte diário.
O protótipo criado por Sinclair já passou por testes e se mostrou altamente eficiente. Nele, o ciclista não senta em um selim comum, ele está acomodado em um banco semelhante ao de um carro, com cinto de segurança e envolto por uma estrutura de proteção. O formato tem as dimensões necessárias para que a bicicleta não passe pelo vão entre o para-choque dos automóveis e o chão.  Por causa disso, a forma de pedalar também é diferente. A postura do ciclista é semelhante à de alguns tipos de motociclistas, o que garante conforto e tranquilidade.

Foto: Divulgação
A Babel Bike é equipada com um sistema que permite a conexão com celulares e GPS e estará disponível também em versão elétrica, com um motor Shimano de 250 watts, autonomia de até 128 quilômetros e velocidade máxima de 32 km/h.

Foto: Divulgação
Em termos de segurança, a proteção na lateral não é o seu único diferencial. Além de possuir eficientes freios hidráulicos, a bicicleta é equipada com um sensor que libera um aviso sonoro sempre que outro veículo encosta na bike, para alertar os motoristas sobre a presença do ciclista.

Crispin Sinclair está em busca de financiamento coletivo para produzir a Babel Bike em larga escala. Cliqueaqui para ver mais detalhes sobre este projeto.CicloVivo/Utopia Sustentável

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Catadores de SP podem receber bicicleta adaptada para facilitar coleta





A prefeitura de São Paulo estuda levar para a cidade uma iniciativa que tem auxiliado os catadores de recicláveis de Pernambuco. Apelidada de Projeto Relix, a ação doa bicicletas coletoras que substituem as carroças usadas pelos catadores.
Conforme informado por Eduardo Suplicy, secretário de Direitos Humanos da capital paulista, o prefeito, Fernando Haddad tem discutido a proposta e buscado formas de implantar o projeto também na cidade de São Paulo.
Em sua página no Facebook, Suplicy publicou uma foto em que está reunido com o prefeito e com Lina Rosa Vieira, responsável pela criação do programa aplicado em Recife. Segundo ele, Haddad já conseguiu o apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi) para disponibilizar a Ciclolix, bicicletas adaptadas, aos catadores de São Paulo.
Em Pernambuco o sistema já funciona através da parceria entre a Prefeitura e o Sesi e entregou cem bicicletas aos coletores de Recife. As Ciclolix possuem diversas facilidades que melhoram a eficiência da coleta e também a quantidade de materiais que podem ser transportados por cada catador.
A bicicleta é capaz de transportar até 500 quilos de materiais recicláveis. O seu espaço para armazenamento possui divisórias, para que os resíduos sejam dispostos separadamente. Além disso, as bikes são equipadas com amassador de latinhas, espelhos laterais, sinalizadores e é totalmente adaptada para oferecer mais segurança e rapidez aos catadores. CicloVivo/Utopia Sustentável

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

70% do valor de uma bicicleta é apenas imposto





As bicicletas ganham cada vez mais espaço nas ruas. Mas, mesmo que aos poucos a estrutura venha melhorando, os ciclistas ainda cobram os incentivos fiscais para que os preços diminuam e as bikes se tornem cada vez mais acessíveis a toda a população brasileira.
Em entrevista ao site Via Trolebus, o consultor em mobilidade urbana, ciclista e diretor da Ciclocidade, Daniel Guth, explicou que o preço competitivo é essencial para popularizar a bicicleta como uma opção ao transporte nas cidades.
Segundo o especialista, a carga de impostos aplicada no Brasil faz com que 72,3% do valor de uma bicicleta sejam destinados apenas para cobrir os tributos aplicados sobre ela. Em consequência disso, os preços ficam mais altos, dificultando a comercialização.
Quando os números são analisados em termos globais, o Brasil aparece em posição de destaque. “Hoje o Brasil é o 3º maior produtor de bicicletas do mundo, perdendo apenas para China e para a Índia. É o 5º maior consumidor de bicicletas no mundo, representando uma fatia de 4,4% do mercado internacional. No entanto, quando observamos o consumo per capita de bicicletas, caímos para a 22ª colocação, o que significa um mercado emergente e um potencial de crescimento enorme. Calcula-se que o Brasil tenha entre 50 e 70 milhões de bicicletas. Ou seja, há quase 75% de brasileiros sem bicicleta, que é um índice preocupante”, informou Guth na entrevista.
Comparado a isso o consultor coloca todas as facilidades proporcionadas à indústria automobilística, que, em consequência da manutenção da economia nacional, recebe constantemente redução de impostas e incentivos diversos para aumentar a produção e reduzir os preços.
Para driblar os impostos, muitos fabricantes de bicicleta acabam na informalidade. Segundo Guth, o percentual de empresas atuando desta forma em território nacional é de 40%. “O que evidencia mais ainda o desconhecimento da União sobre o setor das bicicletas, pois um amplo processo de desoneração tributária representaria, ao mesmo tempo, um aumento imediato nas vendas, maior formalização e aumento de arrecadação em decorrência disto. Portanto, só ganhos”, conclui o consultor em mobilidade urbana. CicloVivo

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mobilidade Urbana: a pedra no sapato das grandes cidades




Estudo retrata o cenário atual e as tendências de mobilidade urbana em seis capitais brasileiras
Sair de casa duas horas antes do início do expediente tendo que desafiar as leis da física para dividir o espaço com outros passageiros em ônibus e trens abarrotados de gente. Ir ao trabalho ou à faculdade de carro e ter que engolir seco as horas paradas no trânsito caótico.
Usar a bicicleta como meio de transporte tendo consciência de que a infraestrutura da cidade não oferece a segurança necessária. Fazer pequenos trajetos a pé e se deparar com calçadas esburacadas e falta de sinalização. Optar pelo ruim ou pelo péssimo: estas são as opções de mobilidade para quem vive em grandes centros urbanos.
Considerando que seis bilhões de habitantes viverão em cidades até 2050, a grande questão é discutir quais são os caminhos viáveis para garantir aos moradores uma mobilidade que garanta maior qualidade de vida e cause menos impactos negativos ao ambiente.
Com o objetivo de retratar a situação atual e as tendências de mobilidade urbana em seis capitais brasileiras, a Liberty Seguros lançou um estudo, desenvolvido em parceria com o instituto Teor Marketing, e fez a seguinte pergunta: “Qual é a cidade ideal para se viver?” (Veja abaixo a metodologia da pesquisa).
graficopesquisa Mobilidade Urbana: a pedra no sapato das grandes cidades
O meio de transporte mais adequado, a flexibilidade de horários no trabalho, espaços públicos acessíveis e em bom estado de conservação são alguns pontos a considerar quando se quer traçar um ideal de mobilidade para as grandes cidades. Foi exatamente isto que a pesquisa identificou.
Os resultados, divulgados em debate realizado na última quarta-feira (9), em São Paulo, traçam um panorama interessante sobre o cenário atual da locomoção nessas metrópoles e apontam caminhos viáveis para a mudança.

  • 47% dos entrevistados utiliza o carro como principal meio de transporte, número que contrasta com a perspectiva de um futuro ideal, no qual menos de 7% da população optaria pelo uso do carro no dia a dia;
  •  38% trocaram de transporte nos últimos cinco anos, em busca de conforto e rapidez;
  • 92% dos respondentes acreditam que a cidade ideal ofereceria horários flexíveis no trabalho. Em São Paulo esse número chega a 95%;
  • 75% dos entrevistados concentrariam suas compras em pequenas lojas de rua nos bairros onde moram ou pela internet. Para os entrevistados, o bairro serviria como uma cidade compacta, onde seria possível fazer tudo próximo de casa;
  • 85% dos moradores da capital paulista opinaram que as calçadas da cidade no futuro deveriam ser mais largas, oferecendo mais estrutura para quem anda a pé;
  • 51% declarou que a mudança viria de pequenas atitudes individuais ou coletivas realizadas pelas pessoas e que a melhor forma de conscientizar a população seria por meio da educação (53%), principalmente de jovens e crianças que influenciariam suas famílias nessa mudança de comportamento.

“As pessoas estão mais abertas a morar em cidades que as respeitam”, analisa o jornalista Gilberto Dimenstein, mediador do debate. Ele acredita que hoje o mundo é das cidades e a tendência é que posteriormente as prioridades se concentrem nos bairros, onde as pessoas identificarão sua cidadania.
Apesar de a maioria acreditar que o principal instrumento para construir a cidade ideal é a própria população, há ainda um grande caminho a trilhar. “Nossa luta é contra mentalidades”, analisa Dimenstein.
Trocar o carro pelo transporte público, ou a moto pela bicicleta é ainda uma atitude que exige mais do que boa vontade. Ser o diferencial em uma sociedade que há tempos valoriza o carro como principal meio de transporte é uma tarefa difícil, mas não impossível.
É conhecendo a cidade que as pessoas poderão identificar seus problemas e propor mudanças. Este foi o mote do debate. Além do jornalista Gilberto Dimenstein, o evento foi composto por uma mesa com quatro especialistas: Andréa Leal, consultora de políticas públicas do Banco Mundial; Cândido Malta, professor em exercício de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP); Fernando Calmon, jornalista especializado no segmento automotivo; e Orlando Strambi, engenheiro civil e professor titular da Escola Politécnica da USP.  (Envolverde)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Na França, quem for de bicicleta para o trabalho ganhará remuneração



134 300x183 Na França, quem for de bicicleta para o trabalho ganhará remuneração
Quem for de bicicleta para o trabalho ganhará 25 centavos de euro por quilômetro percorrido. Foto: Ed Yourdon
Atualmente, cerca de 2,5% dos franceses preferem a bicicleta para ir e voltar ao trabalho, mas o governo pretende que esse número aumente em pelo menos 50% nos próximos meses. É que um programa vai pagar as pessoas que utilizarem a bike com essa finalidade.
O programa conta com adesão de 20 empresas de grande porte, totalizando mais de 10 mil funcionários. Todos que se comprometerem a ir e voltar de bicicleta, vão ganhar 25 centavos de euro por quilômetro percorrido. No país europeu, a distância média dessa viagem é de três quilômetros e meio.
Já existem, na Europa, iniciativas parecidas com essa em outros países. Alguns oferecem redução de imposto, outros dão apoio financeiro para compra da bicicleta, e outros adotam o mesmo sistema de pagamento por quilômetro percorrido.
Entre eles estão Dinamarca, Alemanha, Bélgica, e a Holanda, país plano que tem um dos maiores índices de ciclistas: Em torno de 25% das pessoas que vão de casa para o trabalho fazem isso de bike.
Além da remuneração financeira, os trabalhadores-ciclistas contribuem com o meio ambiente, ao deixarem de emitir gases poluentes, além de não congestionarem o trânsito e ainda praticarem uma atividade física saudável.
Será que teremos iniciativa semelhante aqui no Brasil, um dia?* Publicado originalmente no site EcoD.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A vez da bicicleta



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Andar de bicicleta é uma atitude sustentável que deveria ser adotada por um número maior de pessoas. Foto: Paulo de Tarso.

É uma alternativa de transporte barata e saudável , mas que requer apoio e incentivo para se tornar realidade nas grandes cidades.
O singelo ato de ir e vir transformou-se em questão de máxima prioridade nos centros urbanos. Mobilidade nas cidades brasileiras é pauta diária e dor de cabeça permanente para 10 em cada 10 prefeitos de grandes e médias cidades brasileiras. O tema entrou até mesmo nas discussões sobre qualidade de vida, em razão dos poluentes emitidos pelos veículos e o sedentarismo. Além, é claro, dos acidentes causados, principalmente, por motoristas inconsequentes que matam mais pessoas dos que nos casos de homicídio.
O histórico privilégio dado ao automóvel pelos gestores públicos e, mais recentemente, a sua real popularização – graças ao maior acesso a financiamentos e queda nos preços – transformaram o trânsito nas cidades praticamente insuportável.
A opção pelo transporte individual, felizmente, tem sido bastante questionada. Aos prefeitos ficou, então, a difícil missão de implementar mudanças necessárias e urgentes para fazer fluir o tráfego de pessoas em suas áreas de atuação. O problema é o que fazer e como fazer. Em geral, após décadas de soberania de obras visando atender aos carros, quaisquer medidas tomadas por esses prefeitos ou são caras ou desagradam a parcelas consideráveis da população. A construção de metrôs e monotrilhos, faixas exclusivas de ônibus e a restrição ao uso do automóvel, para ficar em algumas das mais importantes medidas, já são suficientes para acabar com o sono de muitos alcaides Brasil afora, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro.
Alternativa de baixo custo. Mas vale a pena pensarmos que também existem alternativas que, apesar de exigirem mudanças de hábitos e comportamentais, são muito mais baratas e com ótimos resultados para a qualidade de vida das pessoas.
O aumento no uso da bicicleta está ganhando espaço nas discussões sobre mobilidade urbana. E antes que digam que estou propondo transformar as cidades brasileiras em versões chinesas da década de 70 do século passado, a resposta é um sonoro não.
A ideia central é colocar a bicicleta como uma boa alternativa para viagens mais curtas e, em outros casos, interligadas com o transporte público. Aliás, para que seja possível estabelecer essa comunicação entre bicicleta e transporte público será preciso investir para capacitar estações de trem e metrô com estacionamentos seguros, facilidades de acesso e de transporte de bikes nas próprias composições. Isso tem ocorrido em São Paulo, de maneira tímida, é verdade, e com alguns retrocessos difíceis de entender. Os baixos valores aplicados nesse tipo de obra não justificam tantos vacilos e falta de determinação.
Aliás, por falar em investimentos, a construção de ciclovias e espaços para pedestres é mais barata se comparada com vias para carros, trens e metrôs. O portal de mobilidade urbana Mobilize publicou um estudo sobre o tema realizado pela organização norte-americana Bycicle Coalition, tendo como base a cidade de São Francisco nos Estados Unidos.
A pesquisa constatou que uma milha de ciclovia (cerca de 1,6 km) sai em média por 455 dólares, e a mesma distância de uma estrada custa 571 mil dólares. A organização conclui que apostar em obras de infraestrutura para bicicletas não compromete o orçamento das cidades, ainda mais quando comparadas à construção de vias para carros.
Grande negócio. Para muitos ainda pode parecer coisa de criança, mas quando entramos também na questão econômica, o negócio da bicicleta assume uma outra dimensão. Hoje o Brasil é o 3º maior produtor de bicicletas do mundo, atrás apenas da China e da Índia, conhecidos países em que suas populações usam a bicicleta como meio de transporte.
Nosso país também é o 5º maior consumidor de bicicletas no planeta, mas ficamos bem abaixo quando a análise verifica o consumo per capita. Nesse caso passamos a ocupar a 22ª colocação entre os países do mundo. Vale lembrar que países europeus e suas belas cidades tem em seu cenário cotidiano pessoas de todas as classes sociais fazendo uso da bicicleta como meio de transporte.
E para que os nossos números possam melhorar, um dos aspectos a serem verificados é o do valor. O Brasil tem hoje uma das magrelas mais caras do mundo, enquanto a compra de carros tem sido muito facilitada. Para mudar essa realidade existe inclusive um movimento da rede Bicicleta para todos que pede ao governo um IPI Zero para bicicleta (petição on line ).
Se levarmos em conta o atendimento aos seus principais usuários, o IPI Zero poderá tornar a vida das pessoas de baixa renda muito melhor. Segundo o IBGE, perto de 1/3 dos que se utilizam da bicicleta como meio de transporte no Brasil tem renda familiar de até 600 reais e outros 40%, de até 1.200 reais. O texto da petição faz referência exatamente aos benefícios que essa população irá receber: “são estes os brasileiros mais afetados pela alta tributação, que tolhe o acesso a um produto de mais qualidade e com valores mais justos, favorecendo a migração para outros meios de transporte, especialmente os motorizados”.
Estudos divulgados pela Associação Brasileira da Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Bicicletas, Peças e Acessórios (Abradibi) constataram que ao zerar o IPI, hoje na casa dos 10% do valor pago pela bicicleta , o Brasil teria um aumento de 11,3% nas vendas.
A bicicleta, portanto, é uma boa alternativa, barata e saudável. Mas para que se torne uma real possibilidade de transporte, também será preciso garantir a segurança dos ciclistas para que as bikes ocupem e transformem a paisagem de nossas cidades e quem sabe consigamos construir um futuro mais humano e sustentável.
Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, professor em Gestão Ambiental na FAPPES e palestrante e consultor na área ambiental.
** Publicado originalmente no site Carta Capital.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Andar de bicicleta é uma decisão política – Entrevista com Chris Carlsson


ativista 300x199 Andar de bicicleta é uma decisão política   Entrevista com Chris Carlsson
Ativista está no Brasil para lançamento do seu livro Nowtopia
Um dos criadores da massa crítica, o ativista diz que a escolha de andar sobre duas rodas pode servir para questionar a lógica capitalista, mas não é suficiente para isso
Em 1992, Chris Carlsson se juntou a alguns amigos para andar de bicicleta na Market Street, a principal rua de São Francisco, nos Estados Unidos. Eles ocuparam a via e se tornaram o próprio trânsito no lugar dos carros que a ocupavam. Com aquele ato, eles começaram o movimento conhecido como massa crítica, que se espalhou para o mundo inteiro. No Brasil, ele é conhecido principalmente como bicicletada, quando diversas pessoas tomam uma via importante da cidade sem lideranças e trajetos impostos, assim como Carlsson fez há vinte anos.
Carlsson conversou com a CartaCapital em visita a São Paulo nesta semana. Ele está no Brasil para participar do III Fórum Mundial da Bicicleta, em Curitiba, e lançar o seu livro Nowtopia – Iniciativas que estão construindo o futuro hoje (Tomo Editorial). No livro, ele defende que o ciclismo, hortas comunitárias e a cultura do “faça você mesmo” contribuem para formar uma sociedade que supere o capitalismo. Com uma abordagem marxista, Carlsson acredita que estas atitudes podem ajudar a classe trabalhadora a se emancipar do trabalho assalariado e ter uma vida melhor e mais saudável. Leia a entrevista abaixo:
CartaCapital: O senhor fez parte do começo da massa crítica há vinte anos em São Francisco. Hoje, há grupos como este em todo o mundo, o número de ciclistas urbanos tem aumentado e grandes cidades têm políticas públicas voltadas para a bicicleta. O senhor imaginava o desdobramento que a massa crítica teria?
Chris Carlsson: Não imaginava. Nós começamos com uma comunidade de amigos, porque não havia tantas bicicletas assim em São Francisco. A primeira massa crítica que fizemos tinha cinquenta pessoas. Nós subimos a rua principal da cidade, viramos à esquerda e entramos em um bar. Só isso, foi uma coisa bem simples. Mas deste ato surgiu uma bola de neve, e a massa crítica se tornou um fenômeno global que mudou cidades em todo o mundo, incluindo São Paulo.
CC: Por que o senhor acha que o movimento se espalhou desta forma?
Carlsson: O entendimento mais óbvio é a partir do slogan “isso já estava na cabeça de todos”. Assim que você diz a um ciclista: “em outra cidade eles encheram a rua de bicicletas e voltaram para casa”, o primeiro pensamento dele será: “nossa, vamos fazer isso aqui!” Na lógica de ser tratado como um cidadão de segunda categoria nas ruas, a resposta do ciclista só poder ser feita por meio de uma ação coletiva, com ocupação e reabilitação das ruas.
CC: Não há algo como uma organização central de massas críticas e bicicletadas. Cada movimento se organiza e manifesta de formas diferentes, e ambos os termos são guarda-chuvas para diversos movimentos. Como você acha que a ideia de massa crítica é utilizada pelas pessoas que a organizam?
Carlsson: O uso diferente acontece. As pessoas chamam alguns protestos de massa crítica quando vão a um protesto de bicicleta, mas isso não é a massa crítica: é um protesto de bicicletas. Mas eu não me importo, o conceito não é meu e as pessoas fazem o que quiserem dele.Para mim, a massa crítica é um evento sem outras razões. Ela não é instrumentalizada, você não a usa para atingir outra coisa. Mas naquele espaço você pode começar a fazer outras coisas.
É como uma incubadora de ovos aonde eles vão chocando. Tudo que você pode pensar já começou numa massa crítica: novas campanhas, grupos políticos, amizades, negócios, famílias, e por aí vai. A melhor coisa é que a massa crítica deu a todo um setor da população a chance de achar outra maneira de fazer política.
CC: Você vê a bicicleta como uma ferramenta anticapitalista. Porém, ela ganhou espaço em propagandas e é um objeto de consumo. Em cidades como Londres, São Paulo e São Francisco, os bancos administram as bicicletas chamadas de “públicas”. Diante dessa absorção dela por empresas, a bicicleta ainda pode ser uma ferramenta de transformação contra o capitalismo?
Carlsson: Só a bicicleta não é suficiente. A bicicleta, por si só, não é interessante. Ela é um meio de transporte e um produto industrial. A história dela também é a história da escravidão na Amazônia e no Congo, em busca de borracha para fazer bicicletas para o hemisfério norte. Já a história contemporânea da bicicleta no século XX é a da resposta a automobilização das cidades, e isso pode ser uma resposta para fazer algo diferente na cidade.
A bicicleta é um meio de transporte em seu senso literal. Ela ajuda as pessoas a chegarem do ponto A ao ponto B, e isso é uma simples realidade apolítica. Mas a pessoa pode decidir se vai de trem, carro, ônibus, andando, pulando ou voando ao ponto B. E existe política nessa decisão.
Então o real transporte que a bicicleta pode fazer politicamente é levar você para outra maneira de viver. E isso não acontece automaticamente. Isso necessita um contexto e um pensamento político. A bicicleta é um objeto em que você pode despejar sentido, como você coloca um líquido em um copo. E o sentido vem das nossas cabeças, das nossas decisões. Se não colocarmos o sentido político nela, ela é só um objeto chato, perfeitamente compatível com o capitalismo.
Além disso, você pode ter uma sociedade capitalista baseada em bicicletas. O problema é que a sociedade capitalista é baseada no crescimento, e não vai crescer tão rapidamente porque não estão desperdiçando tantas coisas quanto com carros. Então as bicicletas são um passo atrás na lógica capitalista, mas não um passo completo.
CC: E você acha que a maioria dos ciclistas preenche a bicicleta com este sentido anticapitalista?
Carlsson: A maioria não. Mas uma coisa interessante que pode acontecer é que, pedalando na massa crítica, as pessoas conversem com outros ciclistas que fazem política, ou que estiveram pensando sobre isso. Porém, isso não acontece sempre. Há ciclistas organizados em torno de lojas de departamento, e até pela polícia. Quando a bicicleta está em um processo mais aberto, como a massa crítica, ela tem mais chances de ser parte de um processo de mudança social e pessoal.
CC: Seu livro trata de exemplos norte-americanos de ciclistas, hortas comunitárias e outras formas de ativismo. No Brasil, apesar da maior parte dos ciclistas estarem em cidades menores e nas periferias das metrópoles, o ativismo é atrelado a pessoas de bairros mais ricos. O mesmo acontece com a permacultura em São Paulo, por exemplo. As experiências citadas no livro podem ajudar as pessoas menos favorecidas de uma sociedade desigual como a brasileira?
Carlsson: Algumas pessoas estão tão desesperadas para manter sua sobrevivência que passam cada minuto da sua vida trabalhando, e não têm tempo para fazer mais nada. Isso pode significar sair da periferia de São Paulo e deslocar-se 60 quilômetros por dia. Trabalhar 14 horas, ficar quatro no trânsito, dormir seis horas e começar tudo isso de novo. É uma vida muito difícil, próxima à escravidão. Nós, que não vivemos assim, temos muita dificuldade de entender.
Porém, essas pessoas podem decidir fazer uma parte dessa jornada de bicicleta, decidir trocar o que fazem. Elas ainda têm livre-arbítrio. Elas podem tentar plantar comida perto da sua casa, e com isso depender menos de fazer dinheiro. Um pouco, não muito, é claro. Elas também podem cooperar com seus vizinhos, pois eu acredito que as sociedades pobres têm mais solidariedade que nós, que é uma chave para a sua sobrevivência.
Sempre há uma margem para reduzir a necessidade de dinheiro e aumentar a relação com o bem comum. Todo mundo, em qualquer situação, pode fazê-lo se decidir isso.
CC: O senhor fala que os sindicatos são formas de organização obsoletas para os trabalhadores. Qual é o papel das organizações de trabalhadores dentro da sua ideia de mudança?
Carlsson: O problema que eu tenho com os sindicatos é que eles desistiram de questionar o que fazemos há muito tempo. Eles não se importam, eles só querem trabalho. Fazer estradas horríveis, construir prédios em todos os cantos, colocar cimento na nossa terra, o que for. Por que estamos fazendo este trabalho estúpido? Trabalhando em bancos, companhias de seguro, fazendo coisas que vão quebrar em seis meses.
Nós fazemos muitas coisas estúpidas, e os sindicatos não se importam com isso. Não é parte da lógica em que eles foram fundados. A lógica é só ganhar mais dinheiro para os trabalhadores, e defendê-los em seu próprio trabalho. Eles deveriam começar a pensar em como vivemos, os problemas que enfrentamos e quais o trabalho que deveriam ser feitos para solucionar este problema.
CC: O senhor defende em seu livro que toda atitude é política, e cita mudanças vinda das mãos ou da organização dos cidadãos, sem interferência do Estado. Qual o papel da política institucional nestas mudanças?
Carlsson: As instituições políticas, os governos e as agências que eles mantêm mostram pouca adaptabilidade na história que vimos até hoje. Aacho que estamos vivendo em um período em que você vai mudar isso.
A repressão que vimos no Brasil em junho do ano passado é um bom exemplo disso, de como o Estado não consegue responder às pessoas se unindo de forma horizontal e indo às ruas. Nós vimos isso também na Turquia, na Espanha, na Grécia e no Egito. E em todas houve uma grande repressão do Estado. Então ele está muito preso nas suas formas antigas, e não mostra uma capacidade de se adaptar.
Certo, mas então se uma revolução vier, o que isso significa? Eu acho que poderiam surgir instituições que ajudariam as pessoas a cuidar das coisas, de baixo. Uma democracia efetiva, não somente votar para pessoas no Estado. Uma democracia que permita as pessoas decidirem como gastamos os recursos, como vamos prover água e eletricidade, como trabalhamos e para o quê.
* Publicado originalmente no site Carta Capital.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Bicicletas feitas de impostos


Você sabia que 72,3% do valor da sua bicicleta é imposto? Esse dado assustador é parte de um estudo realizado por uma consultoria para a rede Bicicleta para Todos. Foi assim dada a largada em uma corrida contra os altos impostos aplicados sobre esse tipo de modal: a rede Bicicleta para Todos conta, já no início de sua operação, com mais de 120 entidades e empresas que buscam ampliar o acesso de brasileiros à bicicleta, seja como meio de transporte, lazer ou prática esportiva.

Os números falam por si: o Brasil é o 3º maior produtor de bicicletas no mundo, perdendo apenas para a China e para a Índia. Mas quando os dados vão para o consumo per capita, a queda é brusca. Vamos para a 22ª colocação, o que significa um mercado emergente e um potencial de crescimento enorme. Mas esse crescimento é claramente prejudicado pela alta incidência de impostos, que recai principalmente em brasileiros que têm renda familiar de até R$600 – um terço dos que utilizam a bicicleta como meio de transporte no Brasil.
As saídas existem e não são tão distante daquelas que já são aplicadas aos automóveis, por exemplo. A isenção do IPI (Imposto sobre produtos industrializados) para bicicletas, elevaria o consumo formal de bicicleta em 11%. Isto significaria mais bicicletas nas ruas, mais qualidade de vida, menos congestionamentos e, ainda, maior arrecadação para os cofres públicos.
Colabore com a mobilidade urbana de sua cidade: repense seus hábitos, cobre seus direitos e saia pedalando por aí!* Publicado originalmente no site Greenpeace. Por Danielle Bambace