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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rali de barcos movidos à energia solar acontece no RJ





Entre os dias 12 e 16 de Novembro, a cidade de Búzios (RJ) receberá o “Desafio Solar Brasil”. Na Orla Bardot, o evento reunirá equipes de sete estados em uma competição entre barcos elétricos movidos à energia solar.
Com o objetivo de estimular o desenvolvimento de novas tecnologias de fontes energéticas renováveis como combustível para a mobilidade, o desafio terá a participação de 23 equipes, representando os estados do Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A iniciativa terá a participação de 300 universitários, 50 professores e orientadores envolvidos. A competição deste ano contará ainda com alunos do Ensino Médio de escolas públicas de Búzios, que terão a oportunidade de ver, na prática, alguns temas que estudam apenas nos livros. Os estudantes serão selecionados pela Secretaria Municipal de Educação, de acordo com o desempenho escolar.
O evento terá também workshops sobre telemetria e monitoramento, propulsão elétrica, geração de energia elétrica a partir de placas solares, smart grid, assuntos relacionados à geração de energias renováveis, medição inteligente, engenharia elétrica, mecânica, eletrônica e naval, consumo consciente de energia, além de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

Foto: Divulgação
O evento, que está na sua 6ª edição, é uma versão brasileira do Frisian Solar Challenge, realizado na Holanda - considerado o principal evento europeu para embarcações solares. O desafio é promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a concessionária Ampla e com o apoio da Prefeitura de Búzios e incentivo da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro.
A cidade também receberá, nos dias 17 e 18 de Novembro, o 4º Encontro Endesa Brasil de P&D e Eficiência Energética, que promoverá discussões com especialistas sobre o setor elétrico. Búzios é sede do projeto “Cidade Inteligente Búzios”, uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento da Ampla que estuda a integração entre as tecnologias de redes inteligentes e a sociedade. Ciclovivo/Utopia Sustentável

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Família Schurmann embarca para China com barco sustentável





Há 30 anos o casal Vilfredo e Heloísa Schurmann deixaram a confortável vida de economista e professora de inglês para, a bordo de um veleiro, conquistarem novas experiências de vida e terem outro olhar para o mundo. Levando os filhos ainda pequenos, Wilhelm, de 7 anos, David, 10 anos, e Pierre, 15 anos, eles deram a primeira volta ao mundo, que durou uma década. No domingo (21), a família partiu de Itajaí, Santa Catarina, para mais uma aventura em que percorrerão mais de 30 mil milhas até a China.

Foto: Fabio Nunes
Baseado na teoria de que os chineses foram os precursores das viagens de descobrimento, a Família Schurmann partem em busca de indícios que comprovem a tese. Batizada de Expedição Oriente, a viagem refaz os caminhos que supostamente teriam trazido os chineses à América e conta com o apoio do ex-oficial da Marinha Inglesa Gavin Menzies, autor do livro “1421: o ano que a China descobriu o mundo”. “Estive três vezes com o embaixador da China para nos dar apoio porque lá é preciso do apoio do governo, principalmente, marinho”, explica Vilfredo, capitão da expedição.
Dos filhos, apenas Wilhelm estará presente em toda a viagem, que tem previsão de retorno para dezembro de 2016. Em alguns trechos, farão parte também Pierre e David, este último é o líder da tripulação em terra. Na Antártica, com previsão de chegada em dezembro deste ano, o neto Emmanuel se juntará à tripulação. O garoto de 23 anos passa por um tratamento contra o Linfoma de Hodkin, um tipo de câncer que se origina nos gânglios – ele descobriu a doença há quatro meses.

Da esquerda para a direita: Emmanuel, Pierre, Wilhelm, Vilfredo, Heloísa e David. Foto: Fabio Nunes
Na Antártica eles pretendem ficar três semanas. Durante esse tempo, vão aguardar uma boa meteorologia para atravessar a “Passagem de Drake”, conhecida como uma das zonas com as piores condições meteorológicas marítimas do mundo.
Mas, não só de turbulências viverá a Familia Schurmann. Eles pretendem aproveitar todos os cantos que passarem, gravando vídeos e conhecendo outras pessoas, até porque dividir o mesmo espaço diariamente com as mesmas pessoas não deve ser nada fácil. “A gente para muito porque a gente curte muito os costumes, a cultura de cada povo. Precisamos desse tempo”, diz Vilfredo.
Expedição sustentável
Todas as viagens anteriores foram realizados com o veleiro Aysso de 16 metros. A nova embarcação batizada de Kat, em homenagem a uma filha adotiva que faleceu em 2013 em decorrência do vírus HIV - do qual era portadora desde o nascimento - , possui 24 metros e soluções sustentáveis em toda sua estrutura.
“Já tínhamos energia eólica, nesse agregamos mais tecnologias, como os painéis solares, hidrogerador, que, quando o barco estiver navegando à vela, é um tipo de motor de polpa que possui uma turbina com uma minúscula hélice e gera muita energia”. Pela própria movimentação do barco, a energia será movida pela força das correntes marítimas será armazenada e utilizada à medida que for necessário.


Foto: Fabio Nunes
O capitão explica que as 84 luzes elétricas, que o barco possui, mais geladeira e eletrônicos poderá ser abastecida pelo hidrogerador junto ao gerador eólico. “Todo o meu consumo será 500 watts, é ultra baixo consumo”. Aliado às essas tecnologias, o barco ainda possui duas bicicletas ergométricas em que cada tripulante gastará de 130 a 150 kcal - cada um pedalando por uma hora e gerando de 150 a 200 watts. São dez tripulantes o que equivale a uma média de 2000 watts.
A ideia é que a fonte não renovável - a embarcação possui dois motores - seja utilizada em manobras do porto e quando for realmente necessário, todo o resto da energia a ser suprida durante a navegação utilizará as fontes renováveis.

Foto: Fabio Nunes
Além disso, durante a viagem todo o lixo produzido será devidamente tratado. “Nossa legislação no barco é mesma da Antártica e Alasca, onde você só pode entrar se tiver tratamento de esgoto”, afirma Vilfredo. A compostagem, por exemplo, será utilizada para tratar o lixo orgânico dos tripulantes e ainda vai gerar um fertilizante para ser colocado em duas hortas instaladas dentro do barco.
“O resíduo orgânico, por meio da compostagem, pode virar um adubo. A diferença é que eles vão utilizar um bioextrato que acelere esse processo de 90 para 20 dias. O produto também consegue aumentar a capacidade produtiva em até 20% sem utilizar mais solo”, explica Claudia Sérvulo, coordenadora do Instituto Solvi, responsável por todas as tecnologias sustentáveis instaladas no barco.

Foto: Fabio Nunes
Haverá um sistema para reutilizar a “água cinza”, que é o caso da água do chuveiro e da pia, e também das chamadas “águas negras”, proveniente do vaso sanitário. No segundo caso, o efluente passará por um tratamento para retirar os extratos que tem capacidade mais poluente. Todos os esforços serão feitos para que não haja descarga de águas poluidoras no mar.

Foto: Fabio Nunes
Uma semana antes da viagem o barco foi inspecionado por alemães. Entre os testes realizados, verificou-se a estabilidade do barco e até mesmo a roda de leme foi confrontada com 80 quilos de chumbo e um pêndulo para verificar se ela resistia ao impacto. Com isso, o barco recebeu certificação do conselho europeu.
Não bastasse todas as inovações, ainda haverá um equipamento que colherá amostras de água e enviará as informações para estudiosos da USP (Universidade de São Paulo).
“Poderia passar essa noite citando números e números envolvendo a construção desse veleiro que foi um grande desafio, mas quero falar de algo que não é mensurável, que não tem limites, que é o sonho e a satisfação que é poder contar com o empenho de centenas de pessoas que acreditaram e trabalharam e tornaram esse sonho realidade”, as palavras ditas pelo Vilfredo marcou o coquetel de lançamento, que ocorreu um dia antes da partida. Em seguida, agradeceu aos patrocinadores da viagem: Estácio, HDI e Solvi.

Despedida da família Schurmann. Foto: Fabio Nunes
“Essas tecnologias foram o que mais demoraram para fazer o barco. Com painel solar mais a família pedalando, gerando e reduzindo em termos de valores econômicos. Isso é eficiência energética e essa é uma bandeira que estamos levando”, orgulha-se Vilfredo.  Ciclovivo

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Turismo sustentável no Rio: um sonho possível

Turismo sustentável no Rio: um sonho possível

Morador de uma das cidades mais belas do mundo, e lá se vão cinqüenta e cinco anos, não raro nos surpreendemos com a beleza de nossa Cidade Maravilhosa. Foi o que aconteceu comigo no fim de semana.  Sabedor de minha paixão pela sustentabilidade, fui convidado pelo amigo Fernando Perrone para um giro de barco pela Lagoa Rodrigo de Freitas.  Até aí vocês podem estar se perguntando: mas o que esperar de diferente em um passeio de barco como esse?

Sabe aqueles dias em que tudo parece conspirar para acontecer da melhor maneira possível?  Ao chegar ao Estádio de Remo, um belo sol de inverno já brilhava no céu.  Mães passeavam empurrando carrinhos com seus bebês a bordo, remadores solitários ou em grupo arrumavam os últimos detalhes de seus barcos antes de colocá-los dentro d’água para mais um dia de treino.  Enfim, um dia perfeito.

Avistei o pessoal no ponto de encontro marcado e caminhei lentamente até o local, aproveitando ao máximo aquele velho visual da Lagoa, tão castigado quanto novo para mim.  Pela primeira vez estava prestes a entrar em um barco totalmente sustentável, emissão zero. 


Após ser apresentado ao Diretor da empresa Holos Brasil, Lorenzo de Souza, o responsável pelo projeto iniciou suas explicações enquanto movimentava lenta e silenciosamente o futuro ônibus escolar da comunidade de Santa Rosa, no sul do Pará. 

Foto: Fernando Perrone e Lorenzo de Souza 


O projeto teve o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, da Eletrobras, que cedeu as dezoito placas fotovoltaicas que captam a energia solar e cobrem a embarcação, da WEG, que forneceu os dois motores que praticamente nunca são ligados e, ainda, CNPQ, Universidade Federal de Santa Catarina, Fotovoltaica e Ideal.

Com sua capacidade máxima de vinte e duas pessoas a bordo ocupada, sentia uma sensação boa, capaz de tranquilizar e captar, nos mínimos detalhes, a beleza daquele santuário, mesmo tão degradado e desrespeitado. Ouvia o barulho do silêncio (se isso é possível) e uma paz incomum.  Torcia para o tempo não passar.  Afinal, ver tudo aquilo ao contrário do que estava habituado em meu dia a dia, não tinha preço.

Extasiados, os convidados tiravam fotos sem parar.  E, diferente de embarcações a motor, em que a água fica muito mexida, no caso do barco da Holos – fabricado em fibra de vidro, que também compensa e economiza energia pelo pouco peso que tem -, o que forma é uma esteira suave sobre a superfície mantendo a água quase sem se movimentar, ou seja, não balança.



Com uma velocidade de até 18km/h/10 nós, o que lhe garante até três horas de autonomia, as trinta e seis baterias (dezoito para cada motor), levam até dois dias para carregar completamente.  O projeto custou cerca de R$ 400.000,00 e ainda nesse semestre o barco viaja para atender uma comunidade carente na Amazônia, levando e buscando crianças na escola.  Servirá, também, para ajudar os moradores locais, pescadores em sua grande maioria, a não venderem seus produtos (com medo que apodreçam), por qualquer valor para intermediários, pois a Vila onde moram não tem luz elétrica. 

Como um sonho bom, desperto para a dura realidade ao nos aproximarmos do cais.  Fico a imaginar que seu uso seria uma opção turística simples para as lagoas do Rio (Rodrigo de Freitas, Marapendi e Jacarepaguá, por exemplo).   E mais bem estudada, se transformar até em um transporte modal integrativo verde.

Com os grandes eventos se aproximando - Mundial e Olimpíadas -, carimbaríamos o passaporte de metrópole sustentável.  Em tempos de cobranças por melhor mobilidade urbana, fica essa boa iniciativa como ideia a ser desenvolvida, quem sabe, por uma parceria público-privada.

Abraços Sustentáveis

Odilon de Barros