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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

88% dos paulistanos são a favor da construção de novas ciclovias





Como acontece todos os anos, a Rede Nossa São Paulo e o Ibope aproveitam o mês da mobilidade urbana para divulgar uma pesquisa com os dados mais recentes sobre o tema. A oitava edição do estudo foi lançada nesta quinta-feira (18).
A pesquisa mais recente reforça alguns dados apontados em 2013, como é o caso da ampliação das faixas de ônibus, que teve a aprovação de 90% dos entrevistados. No ano passado, quando muitas dessas vias estavam sendo implementadas, 93% afirmaram ser a favor da medida.
Para mais da metade dos entrevistados (64%), é preciso que os governos invistam mais em transporte público. Segundo 58%, é preciso construir e ou ampliar mais linhas do metrô ou trem, 37% acreditam que se deve apostar em mais corredores de ônibus. O item de avaliação mais crítico continua sendo a lotação dos ônibus.
A urgência em melhorar esses meios de locomoção traria benefícios para toda a população, uma vez que 71% dos entrevistados afirmaram que deixariam o carro em casa, caso houvesse uma boa alternativa de transporte.
No ano passado, o paulistano gastava, em média, 2h15 minutos no trânsito, todos os dias - esse tempo subiu para 2h46. O trânsito na cidade foi considerado “ruim” ou “péssimo” por 70% dos entrevistados.
Em meio a um transporte tão deficiente, subiu de 27% para 38% o índice dos que utilizam o carro “todos os dias” e “quase todos os dias”. Passou de 52%, em 2013, para 62%, em 2014, o número de pessoas que têm carro em casa. O acréscimo foi registrado em todas as faixas de renda, escolaridade e regiões da cidade.
Desde 2008, o tema “saúde” é o maior problema destacado pelos entrevistados. Com a crise deflagrada neste ano, o tema “abastecimento de água” passou de 18º lugar em 2013 para o 6º principal problema de São Paulo. Também aumentou de 11% para 18% o número de paulistanos que consideram a “poluição da água” como tipo de poluição mais grave na cidade.  A “poluição do ar” continua sendo a mais grave para 94% dos entrevistados.
Apesar dos ciclistas e motociclistas serem “muito desrespeitados” ou “um pouco desrespeitados” na opinião de 80% dos entrevistados, aumentou de 86% para 88% o porcentual de paulistanos favoráveis à construção e ampliação de ciclovias na cidade.
Os entrevistados mencionaram “construção de ciclovias” (26%) e “mais segurança” (26%) como principais fatores para a utilização de bicicletas como meio de transporte.
Mesmo com todos os problemas, em relação à qualidade de vida na cidade, passou de 61% para 66% o índice dos que consideram São Paulo um lugar “Bom” e “Ótimo” para morar. E de 13% para 18% os que acham um lugar “ótimo”.
Foram ouvidas 700 pessoas entre os dias 29 de agosto e três de setembro. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. CicloVivo

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Mobilidade urbana: o caos nosso de cada dia


Recentemente afirmei que, comparado à jornada de trabalho, passava o equivalente a 4 meses do ano dentro do ônibus.  Muitos amigos me questionaram espantados e foram fazer a conta, que é verdadeira.  Minha intenção com a comparação foi fazer exatamente o cidadão comum parar para pensar e refletir: por que ficar 4 meses dentro de um coletivo, desnecessariamente, quando poderia estar com minha família ou em férias, por exemplo?

A resposta está dentro de nós mesmos quando votamos sem pensar, pois nossas escolhas refletem a (i)mobilidade urbana do país, nos três níveis de governo.  Vejamos:

- em nível Federal, enquanto o governo, com uma política contraditória, aceitou reduzir, voluntariamente, os níveis de CO2 causadores do efeito estufa, entre 36% a 39%, ao mesmo tempo, cedendo a pressões do sempre poderoso lobby da indústria automobilística, incentivou a compra de carros com redução do imposto sobre produtos industrializados, o IPI. Conclusão: na última década, a proporção que era de 75% para aqueles que se locomoviam de ônibus contra 25% daqueles que optavam por carro, está, agora, 50% para  ônibus e 50% para carros;

- nos Estados, a guerra fiscal é acirrada e selvagem, com concessões impensáveis de terrenos, construções de fábricas bancadas com o dinheiro público e reduções inimagináveis de impostos por 15/20/25 anos e;

- na esfera Municipal, com concorrências pouco transparentes (quando ocorrem), permitimos o toma lá dá cá de vereadores que se vendem em troca de favores de empresários que mantêm uma relação promíscua e perniciosa à população, dividindo entre poucos amigos as benesses de um filão de negócio que na maioria dos países desenvolvidos é um serviço de boa qualidade oferecido aos cidadãos.

Mas a falta de uma política pública para a área, com metas plurianuais coerentes, e, sobretudo, sustentáveis, de longo prazo, faz com que outros setores dentro do governo sofram prejuízos. É o caso da saúde, onde apenas ano passado, por conta da poluição, doenças cardiovasculares, estresse, pressão arterial alta, morreram em São Paulo 5 mil pessoas e no Rio outras 2 mil.  E isso tem um custo.

A conta sobe e, segundo a Rede Nossa São Paulo, apenas na capital paulista, o prejuízo com engarrafamentos chega a R$ 50 bilhões/ano.  Estudos semelhantes realizados pela Coppe para o Rio dão conta de outros R$ 27 bilhões/ano.  Somando-se o montante que as renúncias fiscais promovidas pelo governo deixaram de arrecadar, o prejuízo brutal com engarrafamentos e, ainda, os gastos com a saúde causados por internações e mortes em função do trânsito, chegamos a um número estratosférico de algumas centenas de bilhões de reais, que poderiam estar sendo utilizados para tornar nosso país mais sustentável nessa rubrica.  

Mais uma vez, reflexos de opções erradas nossas do passado, refletindo diretamente em nosso presente e futuro.  Ou seja, erros em cadeia.

É latente, ainda que embrionário, o sentimento por mudanças.  E elas urgem acontecer. Precisamos de governos que contrariem interesses, que rompam a barreira da mesmice, repensando métodos e práticas.  Ser sustentável, ser radical, antes que seja tarde, simples assim, a ideologia do futuro.

Abraços sustentáveis

Odilon de Barros