Mostrando postagens com marcador NASA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NASA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A Amazônia que arde


Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Aquecimento da Terra e mega-El Niño tornaram 2016 um dos anos mais secos da história na floresta, causando incêndios extensos; leia reportagem especial publicada pelo Ipam.

O ano de 2016 caminha para ser o mais quente já registrado. Enquanto isso, no Brasil, um dos El Niños mais intensos das últimas décadas exacerbou a estação seca em boa parte da na Amazônia.
Quando esses dois quadros se juntaram ao uso inadequado do fogo nos últimos meses, vastos quinhões da Amazônia arderam, com graves consequências para as populações, para a economia e para a natureza.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área queimada na região em setembro1 chegou a 54,5 mil quilômetros quadrados, maior do que o Estado do Rio – extensão pouco menor do que em setembro de 2015, contrariando previsões iniciais de potencial recorde neste ano.
Nem por isso há o que se comemorar: largas áreas de vegetação foram incendiadas. “Sabemos que está ocorrendo o aumento da estação seca na Amazônia e uma alteração no ciclo hidrológico, mas ainda não sabemos direito as causas”, diz o cientista Paulo Artaxo, professor na Universidade de São Paulo (USP) e conselheiro do IPAM.
Estresse
De acordo com dados da NASA (agência espacial norte-americana), o solo da floresta amazônica está menos úmido em 2016 do que em 2005 e 2010, dois anos que também registraram secas extremas².
A área queimada no bioma aumentou 110% em 2015 em relação à área queimada em 2006, segundo cálculo baseado em informações do Inpe. Enquanto isso, a área de corte raso caiu 56%, ficando estacionada ao redor de 5.000 km2.
Em todo o mundo, as regiões de floresta tropical têm aquecido em média 0,26°C por década desde meados de 1970. “A Amazônia está sofrendo um processo de estresse hídrico devido ao aumento de 1,5°C no último século”, explica Artaxo. “Ao ter um ambiente com uma temperatura alta se aproximando de limiares, isso pode trazer uma fragilidade maior para a região.”
Quando diferentes forças – atividades humanas, como mudança no uso do solo e emissões de CO2, mais fatores naturais, como El Niño – atuam sobre uma mesma região ao mesmo tempo, pesquisas científicas combinadas a políticas públicas precisam ser prioritárias.
“Políticas públicas de longo prazo, monitoramento, presença do Estado e governabilidade estadual são essenciais para definir os próximos rumos do ambiente e da população como um todo”, diz o cientista. “Uma estratégia muito importante para o país é melhorar o monitoramento ambiental dos processos que estão acontecendo na Amazônia. Mudanças no uso do solo são só a primeira alteração ambiental numa cadeia muito grande – é preciso monitorá-la completamente.” (Ipam/ #Envolverde\Utopia Sustentável)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Julho bate todos os recordes de calor

Gráfico mostra série de temperaturas mensais da Nasa, com julho de 2016 no topo. Foto: Gavin Schmidt/Giss-Nasa/Twitter
Gráfico mostra série de temperaturas mensais da Nasa, com julho de 2016 no topo. Foto: Gavin Schmidt/Giss-Nasa/Twitter
Dados da Nasa mostram que o mês passado foi o mais quente já registrado em qualquer período desde o início das medições globais, em 1880; 2016 tem “99% de chance” de ser ano mais quente

É ouro! Dados divulgados nesta segunda-feira pela Nasa mostram que o mês de julho de 2016 bateu o recorde olímpico e o recorde mundial: foi o julho mais quente desde o início das medições globais com termômetros, em 1880, e o mês mais quente de todos os tempos.
Segundo a série de dados da agência espacial americana, o mês passado teve um desvio de temperatura de 0,84oC em relação à média para o mesmo mês medida entre 1951 e 1980, batendo de longe a marca do agora medalhista de prata 2011 para julho, 0,74oC.
É relativamente pouco se comparado ao mês de maior desvio até agora, fevereiro, quando a anomalia foi de 1,32oC, mais do que o dobro dos 0,87oC vistos em fevereiro de 2015 (até então o fevereiro mais quente da série).
Acontece que os meses de julho e agosto são o auge do verão no hemisfério Norte, onde está a maior parte das terras emersas do globo. Isso puxa para cima a temperatura média de todo o planeta nesse período, tornando julho e agosto naturalmente os meses mais quentes do ano, como mostra o gráfico da Nasa que ilustra esta página, com a variação sazonal das temperaturas combinadas da superfície e do oceano.
Segundo a série da Nasa, julho é o décimo mês consecutivo a bater recorde de temperatura global. Desde outubro do ano passado, cada mês tem sido o mais quente desde o início dos registros.
O El Niño, o aquecimento do oceano Pacífico que ajudou a elevar elevou temperaturas no mundo inteiro, desapareceu em maio – mas nem isso derrubou a média do mês.
“Ainda 99% de chance de um novo recorde anual em 2016”, tuitou Gavin Schmidt, diretor do Centro Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, responsável pelos dados. (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Junho: o mais quente da história

Mapa global de temperaturas em junho. Imagem: Nasa
Mapa global de temperaturas em junho. Imagem: Nasa
Dados da Nasa mostram que primeiro semestre teve temperatura 1,3 grau Celsius mais alta do que no fim do século 19, praticamente garantindo o recorde de 2016 como ano mais quente de todos.
Duas agências do governo americano divulgaram nesta terça-feira (19) dados sobre temperaturas globais em junho. Sem surpresa, ambas mostram que o mês passado foi o junho mais quente de todos os tempos desde o início dos registros, em 1880. Segundo a Noaa (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera), foi o 14o mês consecutivo a bater recordes absolutos de temperatura, o que praticamente garante o lugar de 2016 na história como o ano mais quente de todos os tempos.
De acordo com a Noaa, a temperatura da superfície terrestre e dos oceanos no mês foi 0,90oC superior à média para junho no século 20, ultrapassando 2015 – o recordista anterior – em 0,02oC. Na média do ano até aqui, a temperatura global foi 1,05oC mais alta que a média do século 20, ultrapassando o recorde de 2015 em 0,2oC. Segundo comunicado divulgado pela agência americana, a fila de meses consecutivos com recordes de temperatura é a maior em 137 anos de registro. O último mês com temperaturas abaixo da média do século 20 foi dezembro de 1984.
A Nasa mostrou a mesma tendência, mas usando uma “régua” diferente. A agência espacial americana calcula as chamadas “anomalias de temperatura” (ou seja, o quanto um determinado mês é mais quente ou mais frio do que a média histórica para esse mesmo mês) em relação ao período 1951-1980. Por essa conta, junho de 2016 foi 0,79oC mais quente que a média, superando junho de 2015 também em 0,02oC. Segundo a Nasa. Segundo a metodologia da Nasa, o último mês com temperaturas abaixo da média foi julho de 1985. Para a agência espacial, a temperatura do primeiro semestre foi 1,3oC mais alta do que a média do fim do século 19.
“Embora o El Niño no Pacífico tenha dado um impulso às temperaturas globais a partir de outubro, é a tendência subjacente [de aquecimento global] que está produzindo essas cifras recorde”, disse Gavin Schmidt, diretor do Centro Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa.
Mais uma vez, eventos climáticos extremos campearam mundo afora. A América do Norte teve seu junho mais quente, e condições de temperatura extrema também predominaram na Amazônia, no Nordeste do Brasil e na África. O gelo marinho no Ártico teve a menor extensão registrada para aquele mês – 11,8% abaixo da média, devido ao calor extremo no semestre sobre a região polar.
“O recorde de temperaturas globais já dura mais de um ano, mas as altas temperaturas no Ártico têm sido ainda mais extremas”, afirmou Walt Meier, também da Nasa.
Tempestades atingiram a Europa e a Austrália, onde choveu mais do que o dobro da média em junho. A região centro-sul da América do Sul, porém, viu temperaturas 1oC mais baixas do que a média – resultado da onda de frio que atingiu o Sul e o Sudeste do Brasil, o Paraguai e parte da Bolívia naquele mês. (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

sábado, 2 de julho de 2016

Amazônia deve ter recorde de queimadas

Queimada na Amazônia. Foto: Greenpeace
Queimada na Amazônia. Foto: Greenpeace
Previsão divulgada pela Nasa e pela Universidade da Califórnia aponta que solo da floresta está mais seco em 2016 do que nos anos de seca extrema de 2005 e 2010; El Niño é principal culpado

A Amazônia deverá ter neste ano a pior temporada de queimadas de sua história desde o início dos registros, em 2001. A previsão foi divulgada nesta quarta-feira pela Nasa, a agência espacial americana, e pela Universidade da Califórnia em Irvine (EUA).
O risco de incêndios graves é maior do que 90% em todas as dez regiões analisadas, que incluem seis Estados da Amazônia brasileira, a Bolívia e o Peru. O risco mais alto é em Mato Grosso (97%) e no Pará (98%), justamente os Estados tradicionalmente campeões de desmatamento. No Amazonas, onde a floresta queima relativamente menos, o risco neste ano é de 96%.
Análises feitas com auxílio de satélites mostram que a quantidade de água no solo na floresta este ano é a mais baixa desde o início das medições, com 2016 superando 2005 e 2010, anos em que a Amazônia viveu duas de suas piores secas de todos os tempos.
A temporada de queimadas da Amazônia geralmente começa no inverno – o período seco, chamado de “verão” amazônico. O pico de focos de calor ocorre em setembro, com um declínio a partir de novembro, quando começa a estação de chuvas (o “inverno” amazônico).
Em 2016, porém, mesmo os meses de “inverno” já registraram queimadas acima da média. No Amazonas, foram 3.469 focos de calor registrados por satélites em fevereiro, um dos meses mais chuvosos do ano. O recorde para o mês na série histórica foi 250, em 2004. Mesmo em 2015, o ano mais quente da história até aqui, o número de queimadas no Amazonas em fevereiro foi apenas 130.
Em Mato Grosso, foram 2.576 focos em fevereiro de 2016, contra 2.286 do recorde anterior, do ano passado. No Pará, onde fevereiro de 2015 também havia batido recorde para o mês (1.425 focos), em 2016 registrou-se mais do que o dobro disso (3.601). Para as dez regiões avaliadas, a soma do número de focos de calor em fevereiro era mais do que o dobro do recorde anterior, de 2015 (12.974 contra 5.268). Veja todos os dados aqui.
Número de focos de calor entre 2003 e 2016 (linha vermelha)
Número de focos de calor entre 2003 e 2016 (linha vermelha)

“Nossa expectativa é de que este ano vá bater o recorde”, disse ao OC Douglas Morton, pesquisador do Centro Goddard de Voo Espacial, da Nasa, e um dos responsáveis pela previsão.
O culpado pelo risco neste ano é o El Niño, o aquecimento cíclico das águas do Oceano Pacífico que eleva as temperaturas no mundo inteiro e deixa a Amazônia e o Nordeste mais secos do que o normal. O fenômeno começou em 2015 e ajudou a secar o solo da floresta, enfraquecendo a temporada de chuvas. Seu impacto deverá ser plenamente sentido neste ano.
“Em Santarém, por exemplo, a temporada de queimadas termina em novembro. Mas a do ano passado continuou em 2016 por causa do El Niño”, afirmou o americano, que faz pesquisas no Brasil desde o início da década passada.
Segundo Morton, o padrão de seca observado em 2015-2016, a chamada “anomalia de precipitação”, é muito semelhante ao visto em 1998 (veja imagem abaixo). Naquele ano, um mega-El Niño causou incêndios catastróficos em Roraima e botou as relações entre clima, fogo e floresta no radar dos cientistas.
Comparação entre secura na Amazônia entre 1998 (esq.) e 2016; quanto mais vermelho, mais seco
Comparação entre secura na Amazônia entre 1998 (esq.) e 2016; quanto mais vermelho, mais seco

A suscetibilidade da região a incêndios varia em função da temperatura do oceano – e, neste ano, tanto o Pacífico quanto o Atlântico estão muito quentes. Um Atlântico mais quente desloca o cinturão de chuvas da região equatorial (a chamada Zona de Convergência Intertropical) para o norte, secando a Amazônia e turbinando os furacões na América do Norte.
Morton pondera que ainda existe a possibilidade de que uma mudança brusca na superfície do Atlântico ocorra no segundo semestre e produza chuvas, interrompendo a tendência. Isso aconteceu em 2013.
O modelo de previsão usado pela Nasa e pela Universidade da Califórnia em Irvine não é perfeito, seus criadores esclarecem. Afinal, ele só considera a base física das queimadas. A correspondência entre o modelo e as observações depende, claro, de outro fator: os produtores rurais e madeireiros da Amazônia e a tendência do desmatamento num dado ano.
“A exploração de madeira descontrolada deixa a floresta mais seca e com troncos e folhas mortas, que são altamente inflamáveis. O uso do fogo para limpar as áreas agrícolas e incêndios acidentais em pastos secos chegam às florestas degradadas e se espalham rapidamente. Nos anos mais secos, o fogo se espalha ainda mais, pois as políticas de combate ao desmatamento são insuficientes para lidar com os incêndios”, diz Paulo Barreto, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).
Hoje não é possível separar essas duas grandes variáveis e atribuir peso a cada uma. Não dá para saber ainda o quanto a agropecuária e a grilagem de terras vão influenciar na taxa final de queimadas. Mas a situação de Mato Grosso, por exemplo, acendeu uma luz amarela nos pesquisadores. “Em 2003, quando Mato Grosso teve sua maior taxa de desmatamento, as queimadas começaram mais cedo”, disse Morton.
“As metas frouxas do Brasil para combate ao desmatamento, o corte de recursos para a área ambiental e fiscalização, associado aos planos do PMDB e aliados para o país – retrocessos na legislação e ameaças de flexibilização ainda maior do Código Florestal – podem pôr ainda mais gasolina nessa fogueira”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.(Observatório do Clima/ #Envolverde\Utopia Sustentável)