Mostrando postagens com marcador El Ninõ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador El Ninõ. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de julho de 2016

Amazônia deve ter recorde de queimadas

Queimada na Amazônia. Foto: Greenpeace
Queimada na Amazônia. Foto: Greenpeace
Previsão divulgada pela Nasa e pela Universidade da Califórnia aponta que solo da floresta está mais seco em 2016 do que nos anos de seca extrema de 2005 e 2010; El Niño é principal culpado

A Amazônia deverá ter neste ano a pior temporada de queimadas de sua história desde o início dos registros, em 2001. A previsão foi divulgada nesta quarta-feira pela Nasa, a agência espacial americana, e pela Universidade da Califórnia em Irvine (EUA).
O risco de incêndios graves é maior do que 90% em todas as dez regiões analisadas, que incluem seis Estados da Amazônia brasileira, a Bolívia e o Peru. O risco mais alto é em Mato Grosso (97%) e no Pará (98%), justamente os Estados tradicionalmente campeões de desmatamento. No Amazonas, onde a floresta queima relativamente menos, o risco neste ano é de 96%.
Análises feitas com auxílio de satélites mostram que a quantidade de água no solo na floresta este ano é a mais baixa desde o início das medições, com 2016 superando 2005 e 2010, anos em que a Amazônia viveu duas de suas piores secas de todos os tempos.
A temporada de queimadas da Amazônia geralmente começa no inverno – o período seco, chamado de “verão” amazônico. O pico de focos de calor ocorre em setembro, com um declínio a partir de novembro, quando começa a estação de chuvas (o “inverno” amazônico).
Em 2016, porém, mesmo os meses de “inverno” já registraram queimadas acima da média. No Amazonas, foram 3.469 focos de calor registrados por satélites em fevereiro, um dos meses mais chuvosos do ano. O recorde para o mês na série histórica foi 250, em 2004. Mesmo em 2015, o ano mais quente da história até aqui, o número de queimadas no Amazonas em fevereiro foi apenas 130.
Em Mato Grosso, foram 2.576 focos em fevereiro de 2016, contra 2.286 do recorde anterior, do ano passado. No Pará, onde fevereiro de 2015 também havia batido recorde para o mês (1.425 focos), em 2016 registrou-se mais do que o dobro disso (3.601). Para as dez regiões avaliadas, a soma do número de focos de calor em fevereiro era mais do que o dobro do recorde anterior, de 2015 (12.974 contra 5.268). Veja todos os dados aqui.
Número de focos de calor entre 2003 e 2016 (linha vermelha)
Número de focos de calor entre 2003 e 2016 (linha vermelha)

“Nossa expectativa é de que este ano vá bater o recorde”, disse ao OC Douglas Morton, pesquisador do Centro Goddard de Voo Espacial, da Nasa, e um dos responsáveis pela previsão.
O culpado pelo risco neste ano é o El Niño, o aquecimento cíclico das águas do Oceano Pacífico que eleva as temperaturas no mundo inteiro e deixa a Amazônia e o Nordeste mais secos do que o normal. O fenômeno começou em 2015 e ajudou a secar o solo da floresta, enfraquecendo a temporada de chuvas. Seu impacto deverá ser plenamente sentido neste ano.
“Em Santarém, por exemplo, a temporada de queimadas termina em novembro. Mas a do ano passado continuou em 2016 por causa do El Niño”, afirmou o americano, que faz pesquisas no Brasil desde o início da década passada.
Segundo Morton, o padrão de seca observado em 2015-2016, a chamada “anomalia de precipitação”, é muito semelhante ao visto em 1998 (veja imagem abaixo). Naquele ano, um mega-El Niño causou incêndios catastróficos em Roraima e botou as relações entre clima, fogo e floresta no radar dos cientistas.
Comparação entre secura na Amazônia entre 1998 (esq.) e 2016; quanto mais vermelho, mais seco
Comparação entre secura na Amazônia entre 1998 (esq.) e 2016; quanto mais vermelho, mais seco

A suscetibilidade da região a incêndios varia em função da temperatura do oceano – e, neste ano, tanto o Pacífico quanto o Atlântico estão muito quentes. Um Atlântico mais quente desloca o cinturão de chuvas da região equatorial (a chamada Zona de Convergência Intertropical) para o norte, secando a Amazônia e turbinando os furacões na América do Norte.
Morton pondera que ainda existe a possibilidade de que uma mudança brusca na superfície do Atlântico ocorra no segundo semestre e produza chuvas, interrompendo a tendência. Isso aconteceu em 2013.
O modelo de previsão usado pela Nasa e pela Universidade da Califórnia em Irvine não é perfeito, seus criadores esclarecem. Afinal, ele só considera a base física das queimadas. A correspondência entre o modelo e as observações depende, claro, de outro fator: os produtores rurais e madeireiros da Amazônia e a tendência do desmatamento num dado ano.
“A exploração de madeira descontrolada deixa a floresta mais seca e com troncos e folhas mortas, que são altamente inflamáveis. O uso do fogo para limpar as áreas agrícolas e incêndios acidentais em pastos secos chegam às florestas degradadas e se espalham rapidamente. Nos anos mais secos, o fogo se espalha ainda mais, pois as políticas de combate ao desmatamento são insuficientes para lidar com os incêndios”, diz Paulo Barreto, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).
Hoje não é possível separar essas duas grandes variáveis e atribuir peso a cada uma. Não dá para saber ainda o quanto a agropecuária e a grilagem de terras vão influenciar na taxa final de queimadas. Mas a situação de Mato Grosso, por exemplo, acendeu uma luz amarela nos pesquisadores. “Em 2003, quando Mato Grosso teve sua maior taxa de desmatamento, as queimadas começaram mais cedo”, disse Morton.
“As metas frouxas do Brasil para combate ao desmatamento, o corte de recursos para a área ambiental e fiscalização, associado aos planos do PMDB e aliados para o país – retrocessos na legislação e ameaças de flexibilização ainda maior do Código Florestal – podem pôr ainda mais gasolina nessa fogueira”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.(Observatório do Clima/ #Envolverde\Utopia Sustentável)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Biênio promete novos recordes de calor


Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock
Oscilações naturais do clima devem somar-se a tendência de longo prazo de aquecimento global e acelerar aumento das temperaturas, diz relatório britânico.
Por Clauido Angelo, do OC –
Não são apenas a inflação, os juros e o desemprego que prometem subir a níveis insuportáveis em 2015 e 2016. As temperaturas globais também devem crescer no biênio e podem ultrapassar os recordes já quebrados neste século. Se você já sofreu em 2014, o ano mais quente da história, prepare o ventilador.
O alerta foi lançado nesta segunda-feira (14) pelo Met Office, o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido. Os pesquisadores daquela instituição apostam que, após mais de uma década sem acelerar, o aquecimento global deve assistir a uma nova retomada de velocidade. Isso está encomendado devido a mudanças em mecanismos naturais que regulam a variação do clima no planeta. Mas vamos por partes.
Primeiro, é preciso esclarecer uma aparente contradição: o aquecimento da superfície terrestre não acelerou neste século. Ou seja, o crescimento das temperaturas mundo afora foi menor do que seria esperado dadas as concentrações crescentes de gás carbônico na atmosfera. Isso não quer dizer, veja bem, que o aquecimento global tenha “parado”, como muitos negacionistas (que devem viver em Marte ou permanentemente trancafiados num quarto com ar-condicionado) dizem por aí. Significa apenas que o termômetro está subindo mais devagar.
O gráfico mostra a evolução das temperaturas médias desde 1970, com períodos sem aceleração (pontilhados horizontais) sobrepostos a uma clara tendência de aquecimento. Imagem: Noaa
O gráfico mostra a evolução das temperaturas médias desde 1970, com períodos sem aceleração (pontilhados horizontais) sobrepostos a uma clara tendência de aquecimento. Imagem: Noaa

Os cientistas ainda não têm certeza do que causa o chamado “hiato” no aquecimento, mas uma hipótese forte é que a energia extra que a humanidade está injetando no sistema climático por meio do desmatamento e da queima de combustíveis fósseis está indo esquentar o oceano profundo e derreter gelo nos polos, por exemplo, em vez de aquecer a superfície. Há quem diga, inclusive, que o “hiato” é apenas uma ilusão estatística, mas eu vou poupar os leitores desse debate. Nada disso elimina o fato de que todos os anos mais quentes registrados desde que se começou a usar termômetros para medir as temperaturas globais, em 1880, estão no século 21.
Ocorre que o aquecimento global não conta toda a história. Ele é apenas a tendência de longo prazo, uma espécie de partitura da máquina do clima da Terra sobre a qual fatores naturais podem improvisar. Alguns desses improvisos, chamados oscilações climáticas, podem produzir décadas mais quentes ou décadas menos quentes e/ou afetar o clima regional de maneiras importantes.
Três dessas oscilações estão sofrendo ou começando a sofrer mudanças importantes, segundo os cientistas do Met Office: a Oscilação Decadal do Pacífico, a Oscilação Multidecadal do Atlântico e o El Niño. Isso terá impacto direto nas temperaturas dos próximos anos.
O El Niño é o modo de variabilidade natural do clima mais conhecido do mundo. A cada cinco anos, mais ou menos, ele produz um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico perto da América do Sul. Isso muda o regime de chuvas e ventos em todo o planeta, causando inclusive secas homéricas no Nordeste e incêndios na Amazônia. O El Niño joga os termômetros para cima, na média.
Há um El Niño em curso em 2015, e os meteorologistas apostam que ele será de magnitude similar à do de 1997/1998. Aquele fenômeno causou pequenas catástrofes, mortes e prejuízos bilionários no mundo todo, inclusive os incêndios florestais que arrasaram o Estado de Roraima. O ano de 1998 foi o único do período instrumental que teve temperaturas médias globais comparáveis às do século 21.
Mas oscilações de mais longo prazo também parecem estar em transformação, puxando o clima em direções opostas. Uma é a do Pacífico, conhecida pela sigla PDO. Na sua fase negativa, ela tem um efeito médio de resfriamento do Pacífico, que pode durar uma década ou mais. Na fase positiva, o inverso acontece.
Nos últimos anos a PDO está na fase negativa, o que pode ajudar a explicar o hiato no ritmo de aquecimento da Terra. Há evidências, no entanto, de que ela tenha entrado em sua fase positiva. Um sinal disso é que o aquecimento do Pacífico foi detectado antes mesmo do início do El Niño deste ano.
Em sentido oposto trabalha a AMO (Oscilação Multidecadal do Atlântico), um padrão climático de tão longa duração que só teve três ciclos registrados na história. Em sua fase positiva, ela esquenta o oceano, o que ajuda, por exemplo, a derreter o gelo marinho no Ártico e os glaciares da Groenlândia. Esse modo de variabilidade é suspeito por causar o forte episódio de degelo na Groenlândia na década de 1930.
Há indícios de que a AMO esteja entrando em sua fase fria (negativa), embora seja cedo para afirmar isso – justamente por sua longa duração. Se isso acontecer, ela pode compensar em parte o efeito da PDO positiva nos próximos anos e, eventualmente, produzir mais décadas de aquecimento contínuo, mas desacelerado.
Para este ano e o próximo, porém, o prognóstico é de muito calor: já em 2015 as temperaturas médias estão 0,38oC mais altas do que a média de 2000-2010, o que pode levar 2015 a bater o recorde de 2014 como ano mais quente da história, algo que deve se repetir em 2016, já que as condições de El Niño se arrastam por mais alguns meses e a PDO pode empurrar o clima para condições mais quentes por mais alguns anos.
Segundo o Met Office, a Terra pode retomar uma taxa de aquecimento semelhante à do fim do século 20 – 0,2oC por década – ao longo dos próximos dez anos. “Salvo uma grande erupção vulcânica ou um retorno muito repentino de condições de La Niña ou de uma AMO negativa que resfrie o clima de repente, as médias globais de aquecimento em dez anos tendem a retornar aos níveis de fins do século 20 em dois anos”, escreveram os autores do relatório. (Observatório do Clima/ #Envolverde/Utopia Sustentável)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

El Niño: FAO alerta para grandes perdas em colheitas na América Central


Twitt
Fb-Button
Foto: Banco Mundial/Maria Fleischmann
Foto: Banco Mundial/Maria Fleischmann
Segundo a agência da ONU, a produção de cereais em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua foi gravemente reduzida por conta do clima seco associado ao fenômeno climático; Nações Unidas pedem preparação a países do Pacífico.
Um economista da unidade de Informação Global e Sistema de Alerta Precoce da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou: “os impactos do El Niño em 2015 são ainda mais intensos do que os do ano passado”.
Para Felix Baquedano, depois de dois anos de tempo cada vez mais seco, é “fundamental” apoiar agricultores a “recuperar algumas de suas perdas, os ajudando a ter rendimentos mais fortes na segunda temporada”.
Fenômeno Climático
Segundo a agência da ONU, a produção de cereais em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua foi gravemente reduzida por conta do clima seco associado ao El Niño.
O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico. O El Niño é acompanhado de períodos de seca que podem atrasar a plantação, reduzir áreas de plantio e sufocar o desenvolvimento de culturas.
A perda resultante nas colheitas este ano vai deixar um grande número de agricultores em necessidade de assistência enquanto a subregião tenta se recuperar.
Estado de Alerta
Na Guatemala, a FAO está apoiando o governo na construção sistemas de alerta precoce e desenvolvendo planos de gerenciamento e disponibilizando sementes e treinamento para ajudar os agricultores a mitigar os efeitos do El Niño.
A agência da ONU também está fornecendo assistência direta à produção e apoio ao monitoramento nutricional em Honduras.
A FAO continua apoiando o governo de El Salvador em sua estratégia para adaptar a agricultura local aos efeitos da mudança climática.
O Conselho Agrícola da América Central, liderado por ministros da agricultura da região, declarou estado de alerta depois que centenas de milhares de agricultores perderam colheitas de subsistência.
Pacífico
No Pacífico, as Nações Unidas estão fazendo um apelo aos governos de ilhas locais e seus moradores que se preparem para uma emergência iminente por conta do El Niño com o potencial de afetar até quatro milhões de pessoas.
O coordenador residente da ONU em Fiji, Osnat Lubrani, afirmou que os “especialistas estão prevendo de forma unânime” que está a caminho nos próximos meses um El Niño considerado de forte a severo.
Ele disse ainda que algumas previsões no momento sugerem que o evento possa ser “tão grave como o de 1997/98 que foi o pior fenômeno já registrado e levou seca a países como Papua Nova Guiné e Fiji”.
Preparação
Lubrani declarou ser o momento para comunidades e governos se prepararem para as mudanças climáticas extremas, que normalmente o El Niño desencadeia.
Ele afirmou que diversos países estão implementando ou preparando planos para secas e que a “ONU está pronta para apoiar essas ações fornecendo coordenação e aconselhamento técnico”.
Nos próximos meses, países localizados na linha do Equador podem esperar mais chuvas, enchentes e níveis mais altos do mar, representando desafios para atóis de baixa altitude que já sentem os impactos da mudança climática.
Emergência Humanitária
Os países mais populosos do sudeste do pacífico vão ver o tempo ficar mais seco de agora em diante com alguns, eventualmente, passando por seca.
Segundo o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assistência Humanitária, Ocha, os anos de El Niño geralmente apresentam uma temporada mais longa de ciclones, com fenômenos mais intensos afetando uma área maior do Pacífico.
O chefe do escritório regional do Ocha para o Pacífico, Sune Gudnitz, afirmou que “o El Niño tem o potencial de desencadear uma emergência humanitária regional”.
Ele disse ainda que segundo estimativas do Ocha, “até 4,1 milhões de pessoas estão em risco de escassez de água, insegurança alimentar e doenças em toda a região”.
Força
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, OMM, um “El Niño maduro e forte está atualmente presente na região do oceano Pacífico Tropical e deve se fortalecer ainda mais”.
O evento climático este ano é o mais forte desde 1997-98. Segundo informações da agência da ONU é, potencialmente, um dos quatro mais intensos desde 1950. (Rádio ONU/ #Envolverde/Utopia Sustentável)