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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A ligação entre a Monsanto e o Facebook

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Reproduzo, abaixo, excelente artigo sobre as ligações perigosas entre o todo poderoso Mark Zuckerberg e a Monsanto, brilhantemente dissecado por Vandana Shiva (Carta Maior).  Não excluirei de imediato minha conta na rede, pois, doravante, a ideia é angariar apoios para, quem sabe, em futuro próximo, participar da organização de um amplo boicote contra a página.  Na verdade, depois de anos de "FACE" só agora decifrei o real significado desse inocente "F" aí em cima. Ah, quem ainda não conhece a Monsanto, procure no Youtube o documentário "O veneno está na mesa", de Silvio Tendler. 
Boa leitura e ampla divulgação.  

Da plantação até a prateleira do supermercado, tudo será determinado pelos interesses dos mesmos acionistas. Vamos conversar sobre liberdade de escolha?

Enquanto a Agência Reguladora de Telecomunicações da Índia decide o futuro do programa “Free Basics”, Mark Zuckerberg está na Índia com um bilhão de rúpias, em moeda trocada, para fazer sua publicidade. O programa é um internet.org repaginado ou, em outras palavras, um sistema em que o Facebook decide qual parte da internet compõe o pacote básico para os usuários.
A Reliance, parceira indiana do Facebook na empreitada do Free Basics, é uma megacorporação indiana com interesses em telecomunicação, energia, alimentos, varejo, infraestrutura e, é claro, terras. A Reliance obteve territórios para suas torres rurais de celulares do governo da Índia e tomou terras de fazendeiros para Zonas Econômicas Especiais através de violência e golpes. Como resultado e quase sem custo, a Reliance obteve um grande público rural, semiurbano e suburbano, especialmente fazendeiros. Embora o Free Basics tenha sido banido (por enquanto), a Reliance continua oferecendo seu serviço através de suas redes.
Um ataque corporativo coletivo está em curso globalmente. Tendo já programado suas ações, veteranos de corporações americanas como Bill Gates estão se juntando à nova onda de imperialistas filantropos, que inclui Mark Zuckerberg. É incrível a semelhança nas relações públicas de Gates e Zuckerberg, perfeitamente ensaiadas, que envolvem um preparo retórico e doação de fortunas. Qualquer entidade com que os Zuckerbergs se unam para administrar os 45 bilhões de dólares investidos provavelmente vai terminar parecendo a Fundação Bill e Melinda Gates; isto é, poderosa o suficiente para influenciar negociações climáticas, apesar não serem efetivamente responsáveis por nada.
Mas o que Bill Gates e Mark Zuckerberg teriam a ganhar quando ditam os termos aos governos do mundo durante a conferência climática? “A Breakthrough Energy Coalition vai investir em ideias que podem transformar a maneira como todos nós produzimos e consumimos energia”, escreveu Zuckerberg em sua página no Facebook. Era um anúncio da Breakthrough Energy Coalition de Bill Gates, um fundo privado com uma riqueza combinada de centenas de bilhões de dólares de 28 investidores que irão influenciar a forma como o mundo produz e consome energia.
Ao mesmo tempo, Gates pressiona para forçar uma agricultura dependente de insumos químicos, combustíveis fósseis e transgênicos patenteados (#FossilAg) através da Aliança pela Revolução Verde na África (AGRA). Trata-se de uma tentativa de tornar fazendeiros africanos dependentes de combústiveis fósseis que deveriam ter permanecido no subsolo, além de criar uma relação de dependência com as sementes e petroquímicos da Monsanto.
95% do algodão na Índia pertence à Monsanto Bt Cotton. Em 2015, nas regiões de Punjab até Karnataka, 80% de sua plantação transgênica não vingou – isso significa que 76% dos produtores afiliados à Bt Cotton estavam sem algodão na época da colheita. Se tivessem opção, eles teriam trocado de variedade. Mas o que parece ser uma simples escolha entre sementes de algodão é na verdade a imposição de uma mesma semente Bt, comercializada por diferentes companhias com diferentes nomes, compradas por fazendeiros desesperados que tentam combinações de sementes, pesticidas, herbicidas e fungicidas – todos com nomes complexos o bastante para fazê-los se sentir inadequados – até que você não tenha nenhuma “escolha” a não ser tirar sua própria vida.
O que a Monsanto faz ao empurrar as leis de Direitos de Propriedade Intelectual (IPR) referentes ao comércio de sementes, Zuckerberg está tentando fazer com a liberdade de internet da Índia. E, assim como a Monsanto, ele está prejudicando os indianos mais marginalizados.
O Free Basics irá limitar o conteúdo da internet para a grande maioria de usuários indianos. Já de início, o programa afirmou que não irá permitir conteúdos de vídeo que interfiram nos serviços (leia-se: lucros) das companhias de telecomunicações – apesar da recomendação da própria Agência Reguladora de Telecomunicações da Índia de que conteúdo em vídeo seja acessível a diferentes partes da população.
Uma vez distribuída como um serviço gratuito, o que impedirá que as companhias de telecomunicações redefinam o uso da internet para satisfazer seus próprios interesses e o de seus parceiros? Afinal, a proibição ao Free Basics não impediu que a Reliance continuasse oferecendo seus serviços para uma grande base de usuários, muitos deles fazendeiros.
Por que deveria ficar a cargo de Mark Zuckerberg decidir o que é a internet para um fazendeiro em Punjab, que acabou de perder 80% de sua colheita de algodão por conta das sementes transgênicas da Monsanto e cujos produtos químicos (que foi coagido a usar) falharam completamente? Deveria a internet permitir que ele se informasse sobre o fracasso das tecnologias de transgênicos ao redor do mundo, que apenas são mantidas através de políticas de comércio injustas, ou deveria ela apenas induzir o uso de outra molécula patenteada em sua plantação?
A ligação entre o Facebook e a Monsanto é profunda. Os 12 maiores investidores da Monsanto são os mesmos que os 12 maiores investidores no Facebook, incluindo o Grupo Vanguard. Esse grupo é um grande investidor da John Deere, a novo parceira da Monsanto em “tratores inteligentes”, o que faz com que toda a produção e consumo de alimentos, da semente à informação, permaneça sob o controle de um pequeno punhado de investidores.
Não é de surpreender que a página do Facebook “March Against Monsanto” [Marcha contra a Monsanto], um grande movimento americano a favor da regulação e rotulagem de transgênicos, foi deletada.
Recentemente a Índia tem visto uma explosão em varejo online. Desde grande corporações a pequenos empreendedores, pessoas de todo o país tem podido vender o que produzem em um mercado previamente inacessível. Artesãos tem conseguido ampliar seus negócios, fazendas tem encontrado consumidores mais próximos.
Assim como a Monsanto e suas sementes patenteadas, Zuckerberg quer não apenas uma fatia, mas toda a pizza da economia indiana, especialmente seus fazendeiros e camponeses. O que o monopólio da Monsanto sobre informações climáticas significaria para fazendeiros escravizados através de um canal do Facebook com acesso limitado a essas informações? O que isso significaria para a internet e para a democracia alimentícia?
O direito ao alimento é o direito de escolher o que desejamos comer; saber o que está na nossa comida (#LabelGMOsNOW) e escolher alimentos saborosos e nutritivos – não os poucos alimentos processados que as corporações esperam que consumamos.
O direito à internet é o direito de escolher quais espaços e mídias nós acessamos; de escolher aquilo que nos enriquece – e não aquilo que as companhias pensam que deveria ser o nosso pacote básico.
Nosso direito de conhecer o que comemos é tão essencial quanto o direito à informação, qualquer informação. Nosso direito a uma internet aberta é tão essencial à nossa democracia quanto nosso direito de estocar, trocar e vender sementes polinizadas.
No eufemismo de Orwell, o “livre” para Zuckerberg significaria “privatizado”, algo totalmente diferente de privacidade – uma palavra inclusive estranha a ele. E assim como em acordos de “livre” comércio definidos por corporações, o Free Basics significa qualquer coisa menos ‘livre” para os cidadãos. É um cerceamento de bens essenciais, que deveriam ser acessíveis ao povo, sejam eles sementes, água, informação ou internet. Os Direitos de Propriedade Intelectual da Monsanto estão para as sementes como o Free Basics está para informação.
Tratores inteligentes da John Deere, utilizados em fazendas que plantam sementes patenteadas pela Monsanto, tratadas com insumos químicos da Bayer, com informações sobre clima e solo fornecidas pela Monsanto, transmitidas ao celular do fazendeiro pela Reliance, conectadas no perfil do Facebook, em terras pertencentes ao Grupo Vanguard.
Todos os passos de todos os processos, até o ponto em que você escolhe algo da prateleira de um supermercado, serão determinados pelos interesses dos mesmos acionistas.
Que tal conversarmos sobre liberdade de escolha? (Carta Maior/Envolverde/Utopia Sustentável)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Aumenta a campanha contra o glifosato em cultivos latino-americanos




A fumigação de cultivos ilícitos com glifosato prejudicou o ambiente da selva colombiana. Foto: Domínio público
A fumigação de cultivos ilícitos com glifosato prejudicou o ambiente da selva colombiana. Foto: Domínio público

Após o pronunciamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre os efeitos “provavelmente cancerígenos” do glifosato, intensifica-se a campanha na América Latina para proibir, “antes que seja tarde”, esse herbicida, o mais vendido na região e usado maciçamente nos cultivos transgênicos.
Em uma publicação do dia 20 de março, os cientistas da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, da OMS, incluíram o herbicida mais usado no mundo como “provável” causa da doença, como resultado de numerosos estudos. Com esse informe, organizações sociais e científicas latino-americanas consideram que os governos não têm mais desculpas para não intervir, depois de anos de investigação sobre o dano à saúde e ao ambiente do glifosato em níveis regional e mundial.
“Acreditamos que se deve aplicar o princípio de precaução, evitar continuar acumulando informação de pesquisas, e tomar decisões que não cheguem muito tarde”, afirmou à IPS Javier Souza, coordenador da Rede de Ação em Praguicidas e suas Alternativas na América Latina (Rap-AL). “Defendemos a proibição do glifosato que deveria começar no curto prazo com restrições à compra, suas aplicações e embalagens”, explicou Souza, também responsável pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias Apropriadas da Argentina.
Carlos Vicente, dirigente da Grain, organização internacional que promove a atividade camponesa e a agricultura sustentável, recordou à IPS que o herbicida entrou no mercado em meados da década de 1970 e se estendeu maciçamente pelo Cone Sul americano, promovido pela corporação de biotecnologia Monsanto, dos Estados Unidos. “Seu crescimento sustentado se deve em grande parte aos cultivos transgênicos, geneticamente modificados para tolerar o glifosato, como a soja RR (Roundup Ready), introduzida na Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e em outros países”, explicou.
A soja transgênica ocupa 50 milhões de hectares na região e em seu cultivo são usados 600 milhões anuais do herbicida, assegurou Vicente. No total, segundo dados de Souza, há 83 milhões de hectares de cultivos transgênicos apenas na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. A publicação da OMS “é muito importante por demonstrar que, apesar das pressões da Monsanto, é possível pensar em uma ciência independente a serviço do bem comum e não dos interesses corporativos”, assegurou Vicente.
A Monsanto vende o glifosato com a marca Roundup, mas também é comercializado sob os nomes Cosmoflux, Baundap, Glyphogan, Panzer, Potenza, Rango, e em alguns setores camponeses é conhecido como “randal”.
Além dos cultivos transgênicos, esse herbicida é aplicado em setores da agricultura tradicional, para hortaliças, tabaco, frutas e monocultivos florestais de pinho ou de eucalipto, bem como em jardins e outras áreas urbanas ou em vias férreas. Mas na agricultura tradicional é aplicado após a germinação das sementes e antes de plantar, enquanto nos transgênicos se aplica durante a plantação, atuando de forma não seletiva e assim destruindo variedade de plantas e pastos, segundo a Rap-Al.
Os habitantes de Malvinas Argentinas, povoado da província de Córdoba, na Argentina, mantêm bloqueada desde 2013 a construção da fábrica de sementes de milho transgênico da corporação Monsanto, em uma longa mobilização contra alegados efeitos nocivos para a população e o ambiente. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
Os habitantes de Malvinas Argentinas, povoado da província de Córdoba, na Argentina, mantêm bloqueada desde 2013 a construção da fábrica de sementes de milho transgênico da corporação Monsanto, em uma longa mobilização contra alegados efeitos nocivos para a população e o ambiente. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

“Essa chuva de glifosato impacta diretamente os ecossistemas, as comunidades, o solo e a água, com consequências que já não é possível esconder”, destacou Vicente. “Não podemos admitir mais o uso desses venenos porque destroem a biodiversidade, causando alterações climáticas, acabando com a fertilidade do solo, contaminando as águas e inclusive o ar. E, sobretudo, provocam mais doenças e câncer”, enfatizou à IPS o dirigente do Movimento dos Sem-Terra, do Brasil, João Pedro Stédile.
O argentino Rafael Lajmanovich, especialista em ecotoxicologia, da Universidade Nacional do Litoral, investigou amplamente o glifosato. “Embora não se referira à saúde ou carcinogênese humana, demonstra em modelos animais (embriões de anfíbios) que o glifosato é teratogênico, isto é, produz más-formações durante o desenvolvimento desses vertebrados”, destacou à IPS.
“Além disso, nesses modelos, comprovamos que ocorrem efeitos sobre a atividade de sistemas enzimáticos muito importantes (colinesterasas), o que indica certo grau de neurotoxidade”, acrescentou Lajmanovich, também integrante do governamental Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas.
Estudos epidemiológicos indicaram efeitos em comunidades afetadas por pulverizações de glifosato. “As principais afecções que cientistas e médicos rurais vinculam a essas aplicações se referem especificamente a doenças respiratórias, alergias, abortos espontâneos, aumento do caso de bebês com más-formações e maior incidência de doenças tumorais”, detalhou Lajmanovich.
Vicente, por sua vez, destacou que há pesquisas aplicadas em vários países latino-americanos, que vão na direção da OMS. Na Argentina, por exemplo, estudos realizados nas províncias de Rosário e Córdoba “testemunham claramente o aumento dos casos de câncer, que em certas situações chegam a triplicar ou quintuplicar a média nacional”.
Outro exemplo: na Colômbia, o informe Glifosato, Prontuário de Um Praguicida, elaborado pela Rap-AL, as fumigações com Roundup em grandes áreas para erradicar cultivos de coca e papoula causaram incidentes de envenenamento em mais de quatro mil pessoas e animais. Esse estudo inclui casos de intoxicação no Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.
Souza criticou o fato de na América Latina o herbicida ser vendido sem restrições em lojas de forragens, agroquímicos, ferragens e comércios semelhantes, muitas vezes “fracionado e em embalagens de refrigerante”. Stédile, também integrante da organização internacional Via Camponesa, espera que essa região e também a Europa proíbam sua aplicação agrícola, como fez a Holanda.
Ele propôs como alternativa “uma produção agroecológica, que combine o conhecimento científico com a sabedoria milenar dos camponeses, para desenvolver cultivos sem uso de venenos, adequados a cada bioma”. Essa metodologia aumentou “a produtividade do solo e do trabalho, melhor do que as práticas que utilizam venenos”, afirmou.
Vicente reforçou que não se trata de substituir o glifosato por novos herbicidas, vários ainda mais tóxicos, “mas de mudar para um modelo de agricultura agroecológica de base camponesa, que se oriente para a soberania alimentar de nossos povos”.
Para Stédile, os governos sul-americanos mantêm o apoio à agricultura transgênica, apesar das evidências dos danos sanitários e ambientais, porque pensam que “o agronegócio pode ajudar a economia aumentando as exportações decommodities (matérias-primas), contribuindo para o desequilíbrio de suas balanças comerciais”. Essa “ilusão das exportações” impede os governos de enfrentarem o que qualificou de “verdadeiro genocídio”, lamentou.
Vicente pediu que, agora que a OMS ratifica investigações regionais, isso “se reflita em medidas concretas” governamentais.
Em um comunicado a Monsanto criticou o informe dos cientistas da OMS como “ciência lixo” e pediu uma retificação do órgão, ao que os cientistas recordaram que sua indicação é que o glifosato é “provável” cancerígeno, e não dando isso como certo. A companhia considerou que é “incompatível” com décadas de “contínuos exames exaustivos de segurança” realizados sobre o glifosato por “autoridades reguladoras de líderes de todo o mundo, que o qualificaram de seguro para a saúde humana”.
Para Lajmanovich, a posição de uma empresa “não pode prevalecer sobre a de uma instituição internacional de reconhecido prestígio e reitora do cuidado da saúde mundial como a OMS”. Também recordou que a Monsanto considerava os informes da OMS como “boa ciência” quando apontavam que o glifosato era “inócuo”.
Consumo de glifosato no Cone Sul
O Brasil é, desde 2008, o maior consumidor mundial por pessoa de pesticidas e absorve 20% de sua demanda mundial. O glifosato representa quase 40% de suas aplicações.
A Argentina consumiu, em 2011, 238 milhões de litros de glifosato, aumento de 1.190% em relação a 1996, quando o país começou a produzir soja transgênica.
No Paraguai, sexto produtor mundial de soja transgênica, foram aplicados mais de 13 milhões de litros de glifosato em 2007.
No Uruguai, onde também avança esse cultivo transgênico, foram aplicados em 2012 pelo menos de 12 milhões de litros. (Fonte: Grain) Envolverde/IPS/Utopia Sustentável

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A Monsanto além do mito




140508 Monsanto e1399633311881 A Monsanto além do mito
Transnacional foca atuação no Brasil e lança “nova” variedade de soja transgênica. Livro-documentário expõe sua relação com modelo agrícola que é preciso superar
O livro-documentário O Mundo Segundo a Monsanto, escrito pela jornalista francesa Marie-Monique Robin, em 2008, é uma daquelas leituras desconcertantes, que me fez uma leitora-investigadora, enquanto avançava com apetite por suas páginas. A autora foi cuidadosa e hábil ao compor o quebra-cabeça complicado com a saga da empresa norte-americana, pioneira na comercialização de produtos químicos e transgênicos.
Com precisão de datas, trechos de relatórios confidenciais, inúmeros estudos científicos, entrevistas, matérias de jornais, Monique cruzou informações para construir uma narrativa que está intrinsecamente ligada com a provisão de alimentos, a cultura, a sociedade, a economia, a política e a saúde há 112 anos, período de existência da empresa. E com vigor para prosseguir com longevidade seus domínios, cada vez mais perto, mais onipresente na terra, na mesa, no corpo. A obra, infelizmente, não é um dossiê maquiavélico do passado. Está se desenrolando vivamente.
Enquanto devorava seu conteúdo, reuni fatos atuais, que dão continuidade, ou reforçam, a rica contribuição de Monique para o debate sobre o sistema alimentar moderno. Localizei diversos trechos do livro sendo utilizados em discursos do presente. Trata-se de uma clara demonstração de que ainda há muita água para rolar debaixo dessa ponte, contaminada com a semente que supostamente salvará o mundo.
Monique não conseguiu entrevistar os atuais representantes da Monsanto. Não por falta de tentativa. Mas a empresa de St. Louis (cidade-sede da corporação) publicou nota, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre o referido trabalho, limitando-se a descredenciar uma excelente investigação jornalística. “O projeto chamado O Mundo Segundo a Monsanto lança ataques contra a empresa e a biotecnologia e repete alegações que há muito tempo já foram descartadas por renomados cientistas internacionais. Tanto o livro quanto o vídeo extraem eventos de contextos específicos com o intuito de retratar a Monsanto de maneira desfavorável”, informa o release. Este texto é exatamente como Monique descreve a postura da empresa.
A nota expõe uma defesa dos venenos PCB (bifenilos ploriclorados), Agente Laranja e BST, argumentando que as empresas que fabricavam já foram vendidas; e se esconde na ciência para afirmar que, no caso dos PCBs, por exemplo, “o peso esmagador da evidência científica confiável estabelece que a exposição aos PCBs, exceto em níveis muito altos, não causa algum efeito adverso às condições da saúde humana”.
Outro ponto refutado pela companhia é sobre a sua possível relação com os casos recorrentes de suicídio dos agricultores indianos. A monocultura do algodão na Índia é cultivada, em grande parte, com o pacote tecnológico, que inclui sementes e fertilizantes da Monsanto. Para adquiri-los a cada safra (pois podem ser utilizados uma única vez), os pequenos produtores contraem dívidas, que muitas vezes não conseguem pagar com o lucro da colheita. O porta-voz da multinacional lamenta e retoma o discurso habitual: “Estudos científicos independentes realizados por renomadas entidades citam o endividamento como uma das principais razões para o suicídio”, mas argumenta que as causas desse problema não devem ser analisadas por fatores isolados. A mesma argumentação serve para tratar do sistema alimentar moderno, que não deve ser encarado apenas por um ângulo: o da biotecnologia, como sugerem os defensores dessa tecnologia, apontada como solução para prover alimentos em quantidades suficientes para uma população crescente, e ainda acabar com a fome.
Meio século em solo brasileiro: controvérsias
O ano de 2013 foi emblemático para a Monsanto. A empresa completou 50 anos no Brasil com o lançamento comercial no país das sementes da soja Intacta RR2 PRO, primeira tecnologia desenvolvida em solo brasileiro. Segundo o release da companhia, este será “o principal fator de crescimento da nova plataforma global de tecnologia para soja da Monsanto”. Ou seja, todas as apostas estão no chamado “celeiro do mundo”, sobre o qual Paul Roberts afirma que não é bem assim. E é para a China (o principal mercado mundial) que o Brasil vai exportar esse grão transgênico.
Três em um. É assim que Monsanto vende seu produto, supostamente revolucionário: “resultados de produtividade sem precedentes; tolerância ao herbicida glifosato proporcionada pela tecnologia Roundup Ready (RR); controle contra as principais lagartas que atacam a cultura da soja”. A justificativa quanto ao otimismo se deve ao fato de que o Brasil é o segundo maior produtor de transgênicos no planeta, perdendo apenas para os EUA.
A Monsanto espera substituir a tecnologia Roundup Ready (RR), presente em quase 90% das lavouras de soja do país, e cuja patente venceu em 2010.
A Monsanto do Brasil tem 36 unidades distribuídas por 12 estados brasileiros – Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins – e o Distrito Federal. São 19 unidades de pesquisa, 8 unidades de processamento de sementes, 2 unidades de produção de herbicidas, 3 unidades de vendas, 1 unidade de distribuição e 3 escritórios administrativos. Em 50 anos, a norte-americana avançou e montou uma base consolidada para seguir seus planos de salvar o mundo. “Quem os nomeou para esta divina missão?
Um plano para “salvar o mundo”
Da guerra à mesa, as invenções, ou apropriações, da Monsanto são apresentadas como soluções para salvar o mundo. No entanto, essa gigante da indústria tem força política, econômica e acadêmica para seduzir ao seu bel prazer e punir os que se opõe a sua marcha do bem (para quem?). Para alguns, está mais para anticristo do que para salvador. Depois de 50 anos, a Revolução Verde não acabou com a fome como havia prometido. E em 2013, a empresa mantém seu otimismo fanático de que pode redimir o ser humano de suas mazelas, como a fome e a desigualdade.
As promessas não foram cumpridas. Esse suposto salvador não tem plenos poderes. Ao contrário do que se espera de uma divindade, falhou. Mas continua com sua doutrina arrematando fiéis. A solução milagrosa é a biotecnologia. O alimento foi decomposto em nutriente e, agora, está resumido a um gene. Nesse sentido, o homem fica mais distante da natureza, dessa relação em que Graciliano Ramos tanto exaltou em sua obra, ou do que Michael Pollan alertou sobre a necessidade de olhar o alimento com a lente ecológica. Quem sabe o cidadão do século XXI poderá despertar como Jacinto de Tormes, personagem de Eça de Queiroz, em A Cidade e as Serras? O caso é apropriado para pensar a relação entre o homem e a modernidade.
Ao retornar a sua cidade natal, Tormes, em Portugal, o nobre e sofisticado Jacinto curou-se da frustração da moderna Paris do século XIX com uma refeição frugal: “E o meu Príncipe, na verdade, parecia saciar uma velhíssima fome e uma longa saudade da abundância, rompendo, assim, cada travessa, em louvores mais copiosos”. Ele se esbaldou com frango dourado assado no espeto, a salada que colheu na horta e o vinho produzido na região. Voltou às origens para reviver. Religou-se a sua terra enquanto havia tempo e revigorou-se. Se o alimento é tratado como um gene, como construir uma relação como esta descrita por Queiroz?
O oráculo Monsanto (que não tem cara, nem voz) apresenta a última palavra, literalmente, para redimir a humanidade do caos que está por vir: alimentar 9 bilhões de habitantes (previsão para 2050) com engenharia genética. Quem está disposto a crer para ver esse milagre?
Juliana Dias é editora do site “Malagueta – palavras boas de se comer” (www.malaguetanews.com.br), mestre em Educação em Ciências e Saúde pelo NUTES/UFRJ, e doutoranda em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia, na UFRJ. Pesquisa sobre alimentação, cultura e sociedade, tendo como eixo as áreas da educação e comunicação. É co-líder da associação Slow Food, no Rio de Janeiro, e membro do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-Rio).** Publicado originalmente no site Outras Palavras.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Cerveja: o transgênico que você bebe




140228 cervejademilho1 Cerveja: o transgênico que você bebe
Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e levam à ingestão inconsciente de OGMs.
Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.
Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.
E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.
Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.
Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.
Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.
Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos por Monsanto, Syngenta, Basf, Bayer, Dow Agrosciences e Dupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.
Tudo bem, mas e daí?
E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendos surgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.
Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)
Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?
Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.
Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”
Vai uma, bem gelada?
Ana Paula Bortoletto é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública. Flavio Siqueira Júnior é advogado e ativista de direitos humanos.
** Publicado originalmente no site Outras Palavras.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Povo Argentino ganha batalha contra a Monsanto, mas resta a guerra


Monsanto 2 629x472 Povo argentino ganha batalha contra a Monsanto, mas resta a guerra
A fábrica da Monsanto em Malvinas Argentinas, desde o acampamento montado pelos moradores para bloquear o acesso à obra. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS

Moradores de uma aguerrida localidade da Argentina ganharam o primeiro round contra a gigante da biotecnologia Monsanto, mas não baixam a guarda, conscientes de que falta muito para ganhar a guerra. Em Malvinas Argentinas, que fica na província de Córdoba, já dura quatro meses o bloqueio ao terreno onde a transnacional norte-americana pretende instalar a maior unidade de tratamento de sementes de milho do mundo.
E assim, os moradores continuam acampados diante da edificação que já se levanta neste povoado, antes aprazível, e impedindo o acesso à área da construção, mesmo depois de um tribunal provincial ter ordenado este mês a paralisação das obras. A campanha contra a unidade, convocada pela Assembleia Malvinas Luta pela Vida e por outras organizações sociais, começou em 18 de setembro neste povoado que fica a 17 quilômetros da capital de Córdoba.
Após situações de tensão, com tentativas de dispersão dos manifestantes pela polícia provincial e provocações por enviados do sindicato da construção, a provincial Sala Segunda da Câmara de Trabalho deu razão aos moradores, no dia 8. “A sentença mostra que os argumentos dos moradores são justos, porque reclamam direitos fundamentais reconhecidos e estabelecidos pela Constituição Nacional e pela legislação do Estado Federal”, disse à IPS o advogado Federico Macciocchi, que defende a causa dos opositores à obra.
A sentença determinou a inconstitucionalidade da autorização municipal para a construção nesta localidade de aproximadamente 15 mil habitantes, a maioria de classe trabalhadora. Além disso, ordenou a paralisação das obras, impondo à Municipalidade de Malvinas Argentinas que se abstenha de autorizar a construção, até serem cumpridas duas exigências legais: realização de uma avaliação de impacto ambiental e convocação de uma audiência pública.
“É um grande avanço, um grande passo na luta, que se conseguiu graças ao trabalho em conjunto das reclamações institucionais, somado à reclamação social nas ruas”, afirmou à IPS um dos integrantes da Assembleia, Matías Marizza. “A luta serviu para garantir que a lei seja respeitada”, acrescentou. A Assembleia e outras organizações decidiram continuar com o acampamento que impede o acesso à obra, até conseguir o abandono definitivo do projeto por parte da empresa.
A Monsanto respondeu a um pedido de comentário da IPS com um comunicado no qual qualifica a ação dos moradores de fruto de “extremistas”, que impedem os empreiteiros e empregados de “exercerem o direito de trabalhar”. A sentença respondeu a uma ação de amparo interposta por moradores da localidade e pelo cordobês Clube de Direito, presidido por Macciocchi. A sala trabalhista ordenou que sejam realizados tanto o estudo de impacto ambiental quanto a audiência pública, lembrou o advogado.
O que se expressar na audiência “será muito relevante”, ressaltou Macciocchi, embora a Lei Geral de Meio Ambiente preveja que as opiniões e objeções dos participantes “não serão vinculantes”. Mas estabelece que as autoridades convocantes, se tiverem uma opinião contrária aos resultados alcançados na consulta, “deverão fundamentá-la e torná-la pública”, explicou.
Agora, o objetivo da Assembleia é que também seja feita uma consulta à cidadania mediante voto secreto. Essa consulta complementaria a lei ambiental e “garantiria o exercício pleno do direito da cidadania de decidir sobre seu modelo de desenvolvimento local, o tipo de atividades sociais e econômicas que deseja para sua vida cotidiana e sobre os riscos socioambientais que está disposta a assumir”, detalhou à IPS outro morador, Víctor Mazzalay.
“É o povo quem deve contar com essa informação e decidir se aceita ou não aceita esses custos e riscos”, opinou Mazzalay, que também é pesquisador social do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e da Universidade de Córdoba. “Um estudo de impacto ambiental deve incluir consulta popular, para que seja a população a dar a licença social necessária para o desenvolvimento de qualquer atividade social, econômica e produtiva que possa afetar seu meio ambiente e sua saúde”, acrescentou.
Em seu comunicado a Monsanto diz que a companhia não concorda com a sentença, mas, por “respeitar as decisões do Poder Judicial, acatará como sempre suas medidas”. Além disso, esclareceu que “já apresentou o Estudo de Impacto Ambiental, documento que está em fase de avaliação pela Secretaria de Ambiente da Província”.
Para Macciocchi, a sentença é definitiva e “põe fim ao conflito judicial. A sentença foi dada em virtude de um recurso de apelação, razão pela qual já não restam recursos ordinários para interpor”, enfatizou. À Monsanto restaria a possibilidade de um recurso de cassação junto ao Tribunal Superior de Justiça (TSJ).
A empresa já informou que vai apelar, “pois considera legítimo seu direito de construir a unidade após cumprir todos os requisitos legais e ter obtido as autorizações para isso conforme as normas vigentes, o que foi confirmado pela sentença do Juizado de Primeira Instância no dia 7 de outubro de 2013”.
Macciocchi considera, entretanto, que “esse recurso não vai paralisar o que foi determinado pela Sala Segunda da Câmara do Trabalho”. E acrescentou que, “além disso, se pensarmos no tempo que o TSJ demora para resolver um recurso de cassação, quando estiver resolvido a Municipalidade de Malvinas e a Secretaria de Ambiente já terão cumprido as leis que foram violadas com essa obra”, afirmou.
Segundo o advogado, o alto tribunal demora até dois anos e meio nos casos de cassação apresentados por pessoas sentenciadas e até cinco ou sete quando a matéria é trabalhista e não civil. “Seria um verdadeiro escândalo institucional o TSJ resolver esta causa pulando a ordem das que há anos ‘dormem’ em suas salas”, ressaltou.
A decisão do dia 8 impede a instalação definitiva da unidade, que a Monsanto quer ver em operação este ano. “Mas, na medida em que os cidadãos se expressam contra a obra, e que a avaliação de impacto ambiental seja desfavorável para a empresa, neste caso a Monsanto não poderá se instalar em Malvinas”, destacou Macciocchi. Mazzalay recordou que a razão “principal” para a oposição à instalação da unidade da Monsanto se deve à “reivindicação do direito do povo decidir sobre o tipo de atividade produtiva e sobre os riscos ambientais aos quais se submeter”.
A empresa divulgou que pretende instalar mais de 200 silos de milho, e que serão usados produtos agroquímicos para a preparação das sementes. A Monsanto, um dos maiores fabricantes de herbicidas e de sementes geneticamente modificadas do mundo, opera na Argentina desde 1956, quando instalou uma fábrica de plásticos.
“Um argumento frequente sugere que existe uma dúvida razoável sobre a suposta inocuidade dessa atividade sobre a saúde humana”, disse o pesquisador. A seu ver, “são múltiplos e diversos os estudos científicos demonstrando os efeitos negativos que tanto o movimento de sementes como a manipulação e exposição a diversos produtos agroquímicos têm sobre a saúde”.
Mazzalay crescentou que, “nesse sentido, sobre questões ambientais nas quais está em risco à saúde, a dúvida razoável deve fazer prevalecer um princípio precatório, isto é, não aceitar o desenvolvimento de uma atividade até que se demonstre de maneira definitiva sua inocuidade”. Envolverde/IPS

sábado, 28 de dezembro de 2013

Assine petição contra Monsanto



Sofía Gatica recebeu ameaças de morte e um foi espancada de forma desumana depois de se juntar aos protestos contra uma enorme fábrica da Monsanto,desaprovada por quase 70% dos moradores da região! Mas a solidariedade internacional pode criar um rebuliço na imprensa local, pressionando a presidente argentina a fechar a fábrica, e revertendo a disseminação global da agricultura tóxica da Monsanto:

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Acordo comercial entre Monsanto, mega corporações e doze países coloca soberania de governos em jogo. Insustentável. Proteste!



A Monsanto está prestes a celebrar o maior golpe de sua história, mas temos até o fim de semana para impedi-los. 
A Parceria Transpacífico é um grande acordo ultra-secreto entre doze países que dará às corporações um poder sem precedentes - o que lhes permitiria recorrer a novos tribunais internacionais para processar nossos governos pela aprovação de leis que nos protegem, mas reduzem os seus lucros! Isso se aplica a tudo, desde a rotulagem de alimentos transgênicos até a proteção da liberdade na internet. O Wikileaks trouxe a história à tona e agora a oposição está se organizando rapidamente, mas os países estão acelerando para selar o acordo em 48 horas. 
Isto é um absurdo, mas nós temos uma chance de pará-los - três países estão hesitantes e se eles desistirem, todo o acordo irá por água abaixo. Se enviarmos um enorme e forte apelo para líderes no Chile, Nova Zelândia e Austrália, podemos impedir a investida corporativa deste mega-negócio antes que a Monsanto abra sua champanhe. Assine agora e compartilhe com todos:



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