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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Francês pedala de Paris até a Polônia comendo apenas alimentos do lixo






Pedalando cerca de 60 km diariamente, Baptiste Dubanchet saiu da Paris, na França, e chegou até Varsóvia, na Polônia. O mais incrível é que durante todo o trajeto ele consumiu apenas os alimentos que encontrou no lixo.
“La Faim Du Monde” (A Fome do Mundo, em português) é o nome de seu projeto, que tem como objetivo denunciar o desperdício de alimentos nos países de primeiro mundo em contradição com os milhões de pessoas que passam fome. Em sua viagem, fazia parte da rota cidades como Bruxelas (Bélgica), Amsterdam (Holanda), Praga (República Checa), Berlim (Alemanha).


“A razão para eu encontrar comida suficiente é que os países industrializados são ricos o suficiente para se permitirem desperdiçar toneladas de alimentos. A comida é jogada fora só porque a embalagem está molhada ou danificada, sacos inteiros de frutas porque uma das frutas está machucada, iogurtes, queijo, entre outros produtos, são descartados por causa de datas de validade irrelevantes”, afirma o ciclista em seu blog.
Ambientalista e mestre em desenvolvimento sustentável, Dubanchet levou equipamentos para acampar e também usufruiu da hospedagem gratuita do sistema Couchsurfing, uma espécie de intercâmbio cultural em que pessoas desconhecidas cedem o “sofá” em troca da experiência de conviver com culturas e idiomas diferentes.

“Viajar de bicicleta tem muitas vantagens, incluindo custo e a questão ambiental. A velocidade é certamente menor do que um carro, mas ninguém me espera em Varsóvia, tenho tempo de sobra para chegar lá”, explica.
Confira abaixo a rota traçada:

Todos os detalhes da viagem foram compartilhados em seu blog, inclusive as dificuldades. Na Holanda, por exemplo, ele teve dificuldade em encontrar comida nas ruas. Muitas vezes pedalou com o vento contrário ao movimento, chegando já muito cansado nas cidades. “Parti para Amsterdam, aliviado com a ideia de encontrar uma capital onde eu poderia descansar e, especialmente, encontrar comida”. A busca não seria tão simples como ele percebeu logo em seguida.
“Lutava para encontrar comida, passei um dia inteiro percorrendo as lojas, perguntando e procurando lixeiras que não fossem bloqueadas (sim, quase todas elas são fechadas com chave). Às vezes, eles estão acorrentados e com cadeado - há ainda modelos em que um bloqueio é integrado no lixo”, relata.



Após cinco semanas de viagem pela Europa ele percebeu que, apesar das dificuldades, era realmente possível se alimentar do resto dos alimentos deixados por outros. “Não comprei nada e me recuso aceitar o que é dado, até mesmo cerveja ou uma barra de chocolate. A única comida que eu aceito é aquela destinado a ser jogada fora ou que já tenha sido. Não escolho o que comer, e muitas vezes como alimentos crus, ou machucados, mas até hoje não fiquei doente. Tenho comida todos os dias, mesmo que às vezes seja apenas pão”, conta o ambientalista.




Ao final ele chegou até Varsóvia completando quase cinco mil quilômetros percorridos. “Alimentar-se de comida do lixo não é o caminho certo para combater o desperdício, mas esta é a única maneira que encontrei para tentar denunciar este flagelo que mata milhões de pessoas, ameaça nosso meio ambiente e desperdiça bilhões de euros”.

Abaixo vídeo produzido durante sua pedalada:

Marcia Sousa - Redação CicloVivo 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

COP19: O planeta nos foi emprestado



Varsóvia, Polônia – Terminou, no último sábado (16), o quarto dia das negociações na COP19 e os ares estão inflamados, seja dentro como fora do Narodowy Stadium. Termina também o “Young and Future Generations Day”.
Os jovens demonstram ser, seguramente, um dos grupos mais ativos e propositivos dentro da Conferência. Sua posição no interior das negociações, de qualquer forma, é difícil: devem fazer ouvir sua voz concorrendo com outros “stakeholders” que podem se permitir uma atividade de “lobbying” mais organizada e financiada.
São muitos os temas levados pela Youngo (UNFCCC constituency of youth non-governmental organizations), mas um está à frente de todos em importância: o princípio da equidade intergeneracional (sancionado seja na convenção do Rio como no Relatório Brundtland). É a ideia segundo a qual as atividades em curso não devem comprometer o bem-estar ou os direitos das gerações futuras, constituindo, sem dúvida, o fundamento jurídico e moral de fundo em qualquer acordo sobre a mudança climática.
Seguem algumas das atividades organizadas pelos jovens durante o sábado:
Por volta das 9.30 da manhã, depois do compromisso cotidiano do “spokescouncil” da Youngo, um grupo de jovens, vindos de vários países, decidiu organizar uma ação demonstrativa: com fitas adesivas sobre a boca e um cartaz no pescoço, no qual se faz projetava a data de nascimento de uma futura criança, eles ficaram em pé, imóveis, por aproximadamente meia hora. O que pediam é que o tema fosse inserido na agenda da COP, reafirmando o princípio de equidade intergeneracional já presente na ADP (Durban Platform for Enhanced Action). Enfim, que todas as promessas e compromissos no âmbito do acordo fossem baseadas em modelos econômicos sem “taxa de desconto” (que, se considerada, levaria a uma análise distorcida dos custos dos impactos ambientais futuros).

À tarde, a maior parte das atividades se concentrou na sala Krakow. Nela aconteceu o Side Event sobre Intergenerational Inquiry organizado pelo Secretariado do UNFCCC: uma plataforma que permite a jovens delegados, provenientes de todo o mundo, realizar uma interface com os principais agentes que se movimentam no interior da arena intergovernativa da COP. A sexta edição se concentrou sobre o princípio da equidade intergeneracional como pressuposto fundamental para perseguir a justiça climática e alcançar um ambicioso acordo  para 2015.
Assim os jovens tentaram lembrar às partes presentes à Conferência um princípio que pode ser retomado com um velho provérbio indígena da América: “Não temos esse mundo como herança de nossos pais, mas emprestado a nossos filhos”. Esperamos que os delegados se lembrem disso durante as tratativas!(Agência Jovem de Notícias) por Daniele Saguto e Giovanni Cunico, da Agência Jovem de Notícias, Especial para Envolverde