Mostrando postagens com marcador Responsabilidade Social Empresarial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Responsabilidade Social Empresarial. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O futuro bate à porta das pequenas empresas




escolhas O futuro bate à porta das pequenas empresas
Imagem Ilustrativa
Tenho estudado o futuro e a dinâmica das mudanças há mais de 15 anos e, a cada dia, me surpreendo com este novo mundo que está surgindo a partir de inovações locais. Olhando de perto onde vivemos, trabalhamos e compramos, podemos sentir que o futuro está batendo à porta das micro e pequenas empresas, e que as respostas aos grandes desafios socioambientais vêm aparecendo em pequena escala com cada vez mais poder de alcançar dimensões globais. Com base no fenômeno que Manuel Castells chama de “glocalização”, novas realidades têm sido pautadas pela atuação das pequenas empresas. Parcela da economia que mais cresce no mundo e também a que mais gera empregos, as MPE têm com a sustentabilidade uma relação natural, pois sua operação em escala afeta intensamente os sistemas ecológicos e sociais. Algumas delas, sem acesso aos recursos e ao conhecimento das grandes, já são sustentáveis e ainda não sabem.
A sustentabilidade está na sua essência graças à sua capilaridade econômica, que permite ação imediata no contato com práticas locais; ao menor número de intermediários entre quem vende e quem compra, o que “desincha” o capital financeiro; à agilidade criativa de seus profissionais, que não precisam cumprir ordens ou seguir modelos prontos; ao maior acesso ao mercado de trabalho, lembrando que esse setor concentra 52% dos empregos formais no país, o que representa 40% do contingente salarial e responde por 70% das novas vagas do mercado (dados do estudo PME Indicadores–Sebrae/2013); e, por último, à força dos mercados locais, que reproduzem em menor escala os desafios planetários.
Algumas dessas novas realidades podem ser encontradas no estudo pioneiro Tendências de Sustentabilidade para os Pequenos Negócios, que desenvolvi em 2013 para o Centro Sebrae de Sustentabilidade.
Os caminhos para inovar surgem da necessidade de reinvenção da economia com base nos fatores apresentados a seguir.
Crescimento qualitativo
O crescimento qualitativo (da conservação) impõe-se sobre a lógica do crescimento quantitativo (da extração). Essa reorientação tem levado muitas empresas a adotar práticas sustentáveis com valor econômico, como a eficiência energética, o reaproveitamento e reciclagem de resíduos, a racionalização do consumo e o reúso da água. A ascensão do turismo ecológico e do e-commerce são exemplos desse crescimento desmaterializado.
Recompensas climáticas
Com a redução da emissão do CO2 nos processos produtivos, custos são também reduzidos. Segundo os últimos dados levantados pela ONG inglesa CDP (Carbon Disclosure Project), 29% dos pequenos negócios que diminuíram suas emissões economizaram, juntos, cerca de R$ 13,7 bilhões, em 2012. Até já existem seguradoras que protegem fazendeiros dos efeitos das mudanças climáticas.
Ecoeficiência
Empresas ecoeficientes melhoram seus processos, tornando-os mais ágeis e menos custosos, obtendo benefícios econômicos e sociais sem a necessidade de altos investimentos. Melhoram também a qualidade de seus produtos, reduzem os desperdícios com matérias-primas, energia, água e outros insumos.
Talentos verdes
São profissionais devotados à economia verde e à preservação do meio ambiente. Suas funções dedicadas à sustentabilidade estão abrindo novas fronteiras no mercado de trabalho. Existem, no Brasil, 16,4 milhões de empregos potencialmente verdes e que compõem mais de 69% da mão de obra de 20 setores de atividade econômica. Sinal do crescimento verde no mercado de trabalho, o portal Green Jobs Brasil oferece talentos para empresas que estejam praticando a sustentabilidade.
Acesso x posse
Quem já não alugou uma roupa porque não queria/precisava comprar ou ofereceu um cômodo de sua casa em épocas de feriado prolongado? Estamos saindo de uma economia de posse para uma cultura de acesso, tendência amplamente estudada pelo economista Jeremy Rifkin em seu livro A Era do Acesso. Nessa nova economia, as empresas podem fazer leasing, alugar ou cobrar taxas pela utilização de um bem. Consumidores se convertem em usuários. A economia do acesso tem nos pequenos negócios seus poderosos agentes de desenvolvimento, pois eles estão mais preparados para customizar serviços, agilizar atendimentos, ter contato direto com o cliente por meio da escuta personalizada e em pequena escala.
Negócios sociais
Situados entre o segundo e o terceiro setor (indústria e organizações sociais, respectivamente), inspirados no revolucionário Grameen Bank criado pelo Prêmio Nobel indiano, Muhammad Yunus, os negócios sociais têm potencial econômico já comprovado por estudos como o da ANDE – Aspen Network of Development Entrepreneurs (2011). Já há, no Brasil, 140 tipos de negócios sociais. Com gestão profissionalizada, focam-se no bem-estar da população, assim como em promover o aumento da fonte de renda e o acesso aos serviços essenciais para os setores de baixa renda. Alguns exemplos de negócios sociais: comunidades de costureiras, de catadores de sucata, centros de incentivo ao esporte, entidades de educação, organizações de defesa de minorias.
A feminilização da economia
Inovações sustentáveis têm sido geradas por mulheres empreendedoras, que estão feminilizando a economia por meio de práticas pautadas na responsabilidade social empresarial. Essas mulheres já representam 51% do contingente brasileiro de empreendedores (Global Entrepreneurship Monitor). Mais mulheres nos empreendimentos significam mais mulheres também no mercado consumidor, no qual reinam as decisões femininas na compra de bens e serviços. Quanto mais sustentáveis suas decisões de compra, mais consciente tende a ser o consumo – e mais sustentável, o planeta.
Vantagem colaborativa
As novas tecnologias, os sistemas open-source, as cooperativas, o fenômeno das redes sociais e das novas mídias, plataformas de inovação aberta têm trazido fluidez e flexibilidade na administração das empresas, fazendo com que a colaboração gere mais vantagens do que a competição. Os pequenos negócios têm, em sua própria natureza, maior abertura para o estabelecimento de parcerias e mais facilidade em se beneficiar do que chamamos de vantagem colaborativa.
Sustentabilidade interior
Pressionados pela falta de equilíbrio da vida moderna, estamos todos querendo resgatar o bem-estar interior e a saúde por meio de produtos e serviços. A sustentabilidade interior passa a se instalar na dimensão pessoal, psicológica e até espiritual, gerando novos negócios. Massagens em domicílio, spas urbanos, cuidado para com os idosos, academias de ginástica, espaços de terapia holística e restaurantes orgânicos são algumas das ofertas que se apresentam nesse mundo de crescente carência de bem viver. De acordo com dados globais da Euromonitor de 2012, os mercados do Brasil e da China foram responsáveis por US$15 bilhões nas vendas de 2011, e crescimento contínuo é esperado (em torno de 8% ao ano), até 2017. Prevê-se um volume de vendas da ordem de US$1 trilhão, até 2017.
Por essas e outras evidências também destacadas neste excelente estudo da consultoria Ideia Sustentável, é inegável que as transformações na economia global estão mudando de eixo: do local para o global, e do pequeno para o grande. Como se tudo fosse um só sistema em movimento, em plena transformação, vamos reinventando a vida na Terra, ouvindo o futuro bater em nossas portas e deixando-o entrar.
Faça o download gratuito do estudo 8 Tendências de Sustentabilidade para Pequenas e Microempresas e confira os estudos de caso, dicas e opiniões de especialistas aqui.
RosaAlegria O futuro bate à porta das pequenas empresas* Rosa Alegria é mestre em Estudos do Futuro pela Universidade de Houston (EUA), vice-presidente do Núcleo de Estudos do Futuro (NEF), da PUC-SP, e presidente da Perspektiva – tendências, cenários e estratégias.
** Publicado originalmente no site Ideia Sustentável.
(Ideia Sustentável) 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Norte-americanos estão conscientes do impacto dos seus hábitos de consumo no meio ambiente




sonhosite Norte americanos estão conscientes do impacto dos seus hábitos de consumo no meio ambientePesquisa revela que 70% dos norte-americanos assumem que são responsáveis por muitos dos problemas ambientais causados pelo consumo excessivo.
“Os norte-americanos são responsáveis por muitos dos problemas ambientais porque consomem mais recursos e produzem mais resíduos na comparação com outros países.” Com essa afirmação, concordaram 70% dos cidadãos norte-americanos entrevistados para o estudo “Novo Sonho Americano”. A pesquisa foi realizada pela PolicyInteractive para o Centro para um Novo Sonho Americano entre março e abril deste ano com 1.821 norte-americanos com mais de 18 anos de idade.
O estudo identificou que 85% dos norte-americanos estão conscientes de que mudanças substanciais no modo de vida são necessárias para proteger o meio ambiente. Eles também estão cientes da produção excessiva de resíduos no país: 91% concordaram que o seu modo de vida produz muitos resíduos.
A pesquisa, que investiga os anseios dos norte-americanos, abordou assuntos como economia, meio ambiente, publicidade e saúde, com as mesmas perguntas feitas para o estudo anterior, há 10 anos. As conclusões do levantamento indicam que o “sonho americano” segue mais o caminho da sustentabilidade do que o do consumismo: valorizam mais a liberdade pessoal, a oportunidade de explorar o seu potencial individual e a integração com a natureza. Além disso, 38% dos entrevistados tomou providências nos últimos cinco anos para diminuir a carga horária de trabalho, mesmo que isso acarretasse uma remuneração financeira mais baixa.
No Brasil, o Instituto Akatu identificou um crescimento da compreensão sobre sustentabilidade e do interesse por informações. O contingente de brasileiros que “ouviram falar” do termo sustentabilidade aumentou de 44% para 60% em dois anos, bem como o interesse de buscar informações sobre o tema (de 14% para 24%), revelou a pesquisa Pesquisa Akatu 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar. Quando comparado a diversos outros, os dois únicos temas que tiveram expressivo crescimento no nível de interesse do consumidor foram justamente o da Responsabilidade Social Empresarial e o da Sustentabilidade: em 2010, ambos estavam em um patamar inferior a todos os demais e, em 2012, 24% apontaram seu interesse no tema Sustentabilidade e 25% em Responsabilidade Social Empresarial, praticamente ao mesmo nível de temas tradicionais, como Empresas/Negócios (26%) e Política (30%).
O levantamento conclui também que houve crescimento na adesão a práticas de consumo consciente no Brasil, ainda que, nesse momento, apenas de maneira eventual e não contínua. De 11 comportamentos considerados indicativos de consumo consciente, quando se adiciona aos consumidores que aderem “sempre” a esses comportamentos aqueles que aderem “às vezes”, oito comportamentos apresentaram aumento em relação a 2010, entre eles: planejar a compra de alimentos e roupas, desligar lâmpadas, fechar torneiras, usar o verso do papel, e ler rótulos dos produtos.
Esta tendência é reforçada por outro importante resultado da pesquisa feita pelo Akatu: solicitados a priorizar seus desejos, os entrevistados optaram, em uma significativa maioria, por soluções mais sustentáveis. Em cinco dos oito temas propostos (afetividade, alimentos, água, mobilidade, durabilidade, energia, resíduos e saúde), eles deram preferência a alternativas mais ligadas ao “caminho da sustentabilidade” do que as relacionadas ao “do consumismo”. Um exemplo é o tema da afetividade, que possui a maior diferença entre os consumidores que preferem o cenário mais sustentável (passar tempo com amigos e família – com índice de prioridade de 8,3 em uma escala de 0 a 10) ao invés do consumista (comprar presentes – com índice de 2,6). Vale destacar que a preferência pelo “caminho da sustentabilidade” ocorre em todas as classes sociais, faixas etárias e em todos os segmentos socioeconômicos e geográficos.* Publicado originalmente no site Akatu.