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sábado, 6 de dezembro de 2014

Empresas europeias suspendem negociações com serraria brasileira





Após recente investigação do Greenpeace, que instalou rastreadores em caminhões para monitorar a rotina de carregamento e transporte de madeira ilegal no Pará, empresas holandesas, francesas, suecas e belgas estão revendo os contratos firmados com a brasileira Rainbow Trading.
As holandesas Stiho e LTL Woodproucts anunciaram a suspensão da compra de madeira da Rainbow Trading. Já na França, a companhia Rougier Sylvaco também confirmou que está suspendendo a comercialização com a Rainbow Trading enquanto investigam. Na Suécia, a empresa "Interwood”, importadora que negocia madeira com o Brasil, declarou que não vai mais comprar madeira da Rainbow e que vai suspender a importação de Ipê da Amazônia, já que não consegue verificar a legalidade do produto.
A Rainbow Trading teve seis containers bloqueados pelas autoridades belgas. Sua madeira está impedida de entrar no mercado até que as autoridades competentes investiguem a fundo esses carregamentos. As empresas que compraram madeira das serrarias denunciadas deverão responder de acordo com a EUTR (European Union Timber Regulation), legislação que proíbe a importação de madeira ilegal para o mercado europeu e obriga as empresas a se prevenirem quanto ao risco de importar essa madeira.
O Greenpeace tem pressionado as autoridades europeias (veja aqui a denúncia) para que apliquem a EUTR e já havia alertado as empresas sobre os riscos de ilegalidade da madeira da Rainbow, antes da chegada de três carregamentos entregues na Bélgica no início de outubro e novembro.
A Rainbow Trading acumula quase meio milhão de reais em multas junto aos órgãos ambientais. Durante operação deflagrada pela Sema (Secretaria do Meio Ambiente do Pará), no início de novembro, a empresa recebeu mais quatro multas: duas por vender centenas de metros cúbicos de madeira ilegal, uma por lavar madeira, ou seja, vender madeira com créditos falsos ou fraudulentos, e outra por inserir informação falsa no sistema eletrônico de controle de produtos florestais do Pará – o Sisflora.
Além disso, a Rainbow recebeu madeira contaminada da serraria Odani, que também foi flagrada receptando o produto ilegal. Esta última também foi fiscalizada e multada pela Sema, tornando evidente que essas serrarias operam com irregularidades e não conseguem atestar, de fato, a origem legal da madeira que comercializam.
Além de ambas as empresas estarem bloqueadas no Sisflora, elas estão também bloqueadas no sistema DOF (Documento de Origem Florestal) - sistema eletrônico de controle federal, e assim permanecerão enquanto a operação estadual continuar. Isso significa que, por ora, essas empresas estão impossibilitadas de realizar qualquer tipo de transação comercial de madeira, pelo menos até que as investigações sejam finalizadas.
Na última sexta-feira (28), o Ministério Público Federal do Pará, o Ibama, a Sema, a associação dos engenheiros florestais do Pará (APEF), alguns representantes do setor produtivo via suas associações (Aimex - Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará; Unifloresta – Associação da cadeia produtiva Florestal da Amazônia), entre outras entidades, confirmaram os graves  problemas do setor, já que firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que busca a melhoria da atividade madeireira no estado.
Este acordo já vinha sido discutido, mas sua assinatura só aconteceu após uma investigação do Ministério Público Federal no Pará que teve início em 2013. Essa investigação levou ao lançamento de diversas ações civis públicas contra o Ibama e a Sema, entre outros atores, expondo as falhas do sistema. O recente acordo, limitado ao estado do Pará, não implica na revisão imediata de planos de manejo florestal existentes e do sistema com um todo. Embora inclua medidas positivas, o termo não resolve a maioria dos problemas apontados pelo Greenpeace.
“Ao interromper a compra de madeira da Amazônia, os mercados mandam uma mensagem muito clara de que toda a cadeia está contaminada já que o risco da ilegalidade é alto demais. O governo federal precisa se juntar aos esforços da Sema e dos mercados e dar o primeiro passo na solução do problema, liderando imediatamente a revisão de todos os planos de manejo aprovados desde 2006 e realizar uma reforma robusta no sistema de controle”, finaliza Minami.  Ciclovivo/Utopia Sustentável

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Greenpeace denuncia carregamento de madeira ilegal na Europa





Um navio de carga com madeira da Amazônia foi surpreendido hoje por ativistas do Greenpeace quando se aproximava do Porto de Roterdã, na Holanda. A madeira a bordo foi exportada pela serraria Rainbow Trading – uma das serrarias denunciadas pela organização ambientalista por receber e comercializar madeira ilegal. Os ativistas estenderam uma faixa com a mensagem: "Chega de madeira ilegal". A carga, comprada pela comercializadora belga Leary Produtos Florestais, é destinada para as empresas Lemahieu e Omniplex, também da Bélgica.

O Greenpeace pede às autoridades europeias o cumprimento da EUTR (European Union Timber Regulation) – a legislação que proíbe a importação de madeira ilegal para o mercado europeu. De acordo com a EUTR, empresas da União Europeia estão proibidas de importar madeira ilegal e são obrigadas a adotar medidas adicionais para garantir a origem da mercadoria que estão comprando.

“Essa madeira deve ser apreendida antes que entre no mercado europeu sem ser investigada. As falhas no sistema brasileiro de controle da madeira têm permitido que a documentação oficial seja usada para  'esquentar' madeira ilegal e, por isso, os papéis utilizados não garantem sua legalidade", disse Marina Lacôrte, da campanha da Amazônia do Greenpeace.
"Como nossa investigação mostrou, comprar madeira de empresas como a Rainbow Trading se tornou um negócio extremamente arriscado. Já passou da hora do mercado dar uma sinalização clara de que não compactuará com a destruição da floresta. Por sua vez, o governo brasileiro também precisa agir imediatamente para dar um basta no descontrole do setor madeireiro operando na Amazônia".

Usando dispositivos com GPS para rastrear caminhões, o Greenpeace expôs uma rede de serrarias no coração da Amazônia que recebem a madeira ilegal transportada por esses veículos. A investigação "A Crise Silenciosa da Amazônia: Crime na madrugada" mostrou também que Planos de Manejo Florestal que supostamente abasteceram estas serrarias estavam, na verdade, sendo utilizados para fornecer a documentação necessária para acobertar madeira retirada de áreas sem autorização.

A denúncia resultou em uma operação da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema) no oeste do estado. Durante a fiscalização, a madeireira Odani Comercial de Madeiras, que fornece madeira para a Rainbow Trading, foi autuada, teve seu cadastro suspenso e a madeira apreendida pelo uso comprovado de guias e licença da Sema para 'lavar' madeira ilegal. No Brasil, o uso da documentação oficial para “esquentar” madeira extraída de áreas sem autorização tem sido uma prática comum e generalizada no setor madeireiro, e está destruindo a floresta.

Desde que a Rainbow Trading foi denunciada, vários navios atracaram na Europa carregando madeira da empresa. Alguns destes carregamentos foram destinados aos compradores de sempre, que já foram avisados sobre o alto risco que assumem ao comprar madeira de empresas com histórico de práticas criminosas, como a Rainbow Trading.

Enquanto empresas na Bélgica continuam a comprar madeira da Rainbow Trading, empresas da Suécia e Países Baixos anunciaram recentemente que deixariam de comprar, mostrando que não são parceiras deste crime.

“A cadeia da Rainbow Trading é comprovadamente suja. É importantíssimo que as autoridades europeias impeçam essa madeira de entrar no mercado, penalizando as empresas que não estão cumprindo as exigências previstas em lei. Mas o governo brasileiro também precisa agir e realizar uma reforma no sistema de controle de madeira da Amazônia. Esse crime tem que acabar antes que a floresta seja completamente destruída”, completa Marina. Ciclovivo/Utopia Sustentável