segunda-feira, 5 de maio de 2014

O capitalismo não pode com a mudança climática




bosque O capitalismo não pode com a mudança climática
Se os governantes não atuarem com rapidez, a mudança climática e a degradação vão piorar e causar maiores problemas globais, alertam cientistas. Foto: Crustmania/CC by 2.0

É hora de criar novos princípios econômicos e políticos para enfrentar a crise de sustentabilidade, afirma a última edição do informe do ambientalista Instituto Worldwatch, dos Estados Unidos. A comunidade internacional demorou muito para reagir diante da rapidez da degradação ambiental e da mudança climática, segundo esse estudo de 294 páginas intitulado Governing for Sustainability (Governando para a Sustentabilidade).
A falta de governabilidade gerou os desafios ambientais mais alarmantes que enfrentamos atualmente, desde a escassez de água até a mudança climática, alerta o Instituto. O informe, com o qual a organização comemora seu 40º aniversário, destaca os desafios impostos pela atual ordem econômica e política. Por exemplo, critica o neoliberalismo por minar os processos democráticos, ao proporcionar uma grande ingerência política às corporações, que só buscam maximizar seus benefícios com pouca atenção à saúde do ambiente e à sustentabilidade.
“O descontrolado fluxo de dinheiro que vai para a política prejudica a essência da democracia”, alertou Michael Renner, um dos responsáveis pelo informe, em entrevista à IPS. “Precisamos repensar muitos de nossos supostos mecanismos econômicos, e apontar não apenas para uma melhor e mais inteligente distribuição da riqueza, mas também para uma melhor divisão do trabalho disponível. Isso não se pode conseguir com as formas convencionais do capitalismo”, afirmou.
Em parte, o informe promove as B Corps, como se chama em inglês as corporações de benefício que, não tendo fins lucrativos, também concebem suas operações para beneficiar setores sociais e ambientais que costumam ser afetados pela atividade das empresas privadas. Seu objetivo é “fazer bem, mas também fazer o bem”. “Esse movimento emergente ainda é menor em relação ao conjunto da economia global, mas segue crescendo, principalmente graças a pequenas e médias empresas nos Estados Unidos”, pontuou à IPS Colleen Cordes, diretora de extensão e desenvolvimento da The Nature Institute, uma organização de pesquisa e promoção.
Entretanto, Renner vê com certo ceticismo que essas corporações de benefício possam conseguir objetivos de sustentabilidade no longo prazo. “Muitas das companhias que assinam esses princípios ainda são pequenas, mas surge a pergunta quanto ao que acontecerá quando crescerem e forem maiores”, explicou. “Poderão permanecer fiéis ao interesse público em um sistema que segue governado pelos princípios do capitalismo?”, questionou.
Para Renner, as formas tradicionais pelas quais as sociedades democráticas tomavam decisões importantes mudaram drasticamente. “Os mercados podem ser excelentes ferramentas para certos fins, mas não têm consciência social, ética nem ambiental, e tampouco visão de longo prazo”, apontou. “É difícil saber o que seria capaz de mudar essa situação, mas parece que se necessita de uma mobilização em massa para oferecer certo contrapeso à política manejada pelo dinheiro que vigora atualmente”, acrescentou.
Naturalmente, o afã de lucro não é exclusivo das corporações. Os países em desenvolvimento costumam expressar seu mal-estar com as normas ambientais que as nações industrializados impõem ao comércio, por exemplo, pois dificultam que alcancem maior crescimento e desenvolvimento econômico, ao menos no curto prazo. Renner acredita que é possível o desenvolvimento sem a degradação ambiental que costuma acompanhar o crescimento econômico, como se vê na China, por exemplo.
“Devemos facilitar um processo que permita aos países em desenvolvimento pular etapas para avançar rumo a alternativas muito mais limpas sem demora”, destacou Renner, citando o exemplo da energia renovável. “Um país pobre como Bangladesh conseguiu instalar sistemas solares domésticos por US$ 2,8 milhões em áreas rurais e ao mesmo tempo gerar cerca de cem mil postos de trabalho. Isso é muito melhor do que continuar subsidiando o carvão e o querosene. Essas são as histórias de sucesso que valem a pena aprender e imitar”, acrescentou.
Há vários exemplos contrapostos de países mais ricos que conseguiram pouco ou quase nenhum avanço na crise de sustentabilidade. Na verdade, o informe menciona vários Estados que apresentam um retrocesso.
A Austrália, por exemplo, se comprometera a reduzir suas emissões de gases-estufa em 5% abaixo dos níveis de 2000, mas agora mudou de rumo e poderá registrar aumento de 12% até 2020. O Japão também abandonou seu objetivo de chegar a 2020 com um volume de emissões 25% menor em relação ao de 1990. Por sua vez, o Canadá investe muito na exploração das areias de alcatrão que emitem grandes quantidades de dióxido de carbono, uma questão que se converteu em um problema político muito delicado para o vizinho Estados Unidos.
Sem consenso sobre medidas a tomar para conter a mudança climática, não surpreende que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera tenha alcançado um máximo histórico. Na verdade, na última década, as emissões desse gás contaminante aumentaram de forma sustentada ao ritmo de 2,7% ao ano, triplicando a taxa de emissões em relação à década anterior.
Essas estatísticas reforçam a ideia de que somente transformações drásticas na governança política e econômica global serão capazes de conseguir uma mudança de rumo. “É possível que evitemos o pior da mudança climática, e de outros problemas de sustentabilidade como a erosão e o acesso à água doce. Mas devem ser atendidos já”, opinou à IPS Tom Prugh, outro dos responsáveis pelo informe. “Quanto mais demorarmos, mais irreversível será a pegada que deixaremos no ambiente”, ressaltou.
Muitos observadores vinculam essa demora a uma ineficácia política e econômica construída a propósito há várias décadas. “Muito antes de a crise climática ser o maior fracasso de mercado já visto no mundo, foi um enorme fracasso político e governamental”, apontou à IPS o professor de estudos ambientais David Orr, da universidade Oberlin College.
Segundo Orr, assessor do presidente Barack Obama, as administrações de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e Margareth Thatcher, na Grã-Bretanha, que contaram com firme apoio de economistas conservadores como Friedrich Hayek e Milton Friedman, solaparam o papel do Estado. O efeito foi particularmente poderoso nos serviços de bem-estar público, como saúde, educação e ambiente. “A capacidade pública de resolver problemas públicos diminuiu abruptamente. E o poder do setor privado, bancos, instituições financeiras e empresas, aumentou”, acrescentou.
Para Cordes, do The Nature Institute, a resposta virá do papel que desempenharem as pessoas e as famílias. “Devemos nos concentrar na questão urgente de como governar nossos países, mas também nossas famílias e a nós mesmos. É hora de pensarmos de forma crítica antes de decidir o que compramos, onde trabalhamos e como avaliamos nossa pegada”, enfatizou. Envolverde/IPS

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Jovens brasileiros poderão participar de debates sobre mudança climática




shutterstockjovens 300x200 Jovens brasileiros poderão participar de debates sobre mudança climática
Foto: http://www.shutterstock.com/
O Senado poderá instituir o Programa de Conscientização Ambiental para o Futuro, para promover a participação de estudantes do ensino médio em reuniões da Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre mudança do clima. A iniciativa está prevista no Projeto de Resolução do Senado (PRS) 104/2013, aprovado nesta terça-feira (29) pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).
As reuniões da Conferência das Partes ocorrem anualmente, em cidades de países que ratificaram a convenção. A próxima, COP 20, será realizada em novembro deste ano em Lima, no Peru.
A autora do PRS 104/2013, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), pretende, por meio do projeto, proporcionar a jovens brasileiros a oportunidade de participação nesses eventos, que reúnem representantes de diversos países na busca de acordos para reduzir os impactos das mudanças climáticas.
Conforme o projeto, o Senado deverá selecionar, a cada ano, três estudantes com idades entre 16 a 19 anos, matriculados em um dos dois últimos anos do ensino médio de escolas públicas estaduais. Para participação da escola, a Secretaria de Educação do estado deve se credenciar como parceira do programa.
Os estudantes serão selecionados por meio de um concurso nacional de redação, coordenado e executado anualmente pela Secretaria de Relações Públicas do Senado. Como premiação aos três primeiros colocados, o Senado arcará com despesas para emissão de passaportes e vistos, credenciamento, transporte aéreo, hospedagem, alimentação, traslado e eventuais despesas médicas dos estudantes que participarão da reunião anual da COP.
O relator, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), apresentou voto favorável ao texto, que terá deliberação terminativa da Comissão de Educação (CE).* Publicado originalmente no site Agência Senado.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Gisele Bündchen, Don Cheadle, Yaya Touré e Ian Somerhalder lançam desafio do Dia do Meio Ambiente




mosaico desafio Gisele Bündchen, Don Cheadle, Yaya Touré e Ian Somerhalder lançam desafio do Dia do Meio Ambiente
A top model Gisele Bündchen, os atores Don Cheadle e Ian Somerhalder e o jogador de futebol Yaya Touré participam de um desafio para ver quem acumula o maior número de compromissos para o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2014.
Por meio de uma mensagem engarrafada, os Embaixadores da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) desafiam indivíduos e organizações do mundo todo a escolher um time e participar do Dia Mundial do Meio Ambiente. Os compromissos podem ser registrados no site www.wedchallenge.com/po.
Um dos materiais da campanha é um vídeo estrelando Gisele, Don e Yaya, que está disponível em sete línguas no Youtube e será veiculado na CNN, nos telões da Times Square em Nova York (EUA) e no Piccadilly Circus em Londres (Reino Unido).

O vídeo mostra os embaixadores em atividades que fazem parte de suas rotinas: Gisele Bündchen praticando kung fu, Don Cheadle tocando trompete (em preparação para seu próximo papel, como Miles Davis, no cinema) e Yaya Touré treinando para jogar pela Costa do Marfim na Copa do Mundo de 2014.
“As celebridades estão mostrando aos fãs suas rotinas, atividades que fazem deles o que eles são”, declara o diretor Jeffrey Nachmanoff, conhecido por ser o roteirista do filme “O dia depois de amanhã”.
“No vídeo, suas atividades são interrompidas por uma mensagem engarrafada, que chama a atenção. A mensagem convoca cada um dos embaixadores a participar do desafio e a convocar os espectadores a se envolverem também”, adiciona.
O tema da campanha, Message in a Bottle (Mensagem Engarrafada, em tradução livre), da banda Police, contou com a colaboração do grande músico Sting, que doou os direitos de sua música para a campanha.
Como fazer parte:
Cada um dos Embaixadores da Boa Vontade te desafia para uma causa diferente, em apoio ao tema do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano: Aumente sua voz, não o nível do mar.
Ao se comprometer a uma das causas e compartilhá-la por meio das suas redes sociais, você passa a fazer parte do time de um dos embaixadores. Acesse o site www.wedchallenge.com/po para participar!
O site está disponível em cinco idiomas. Para português, basta selecionar a opção “Português” no topo da página.
Times:
Gisele Bünchen, Twitter: @giseleofficial
Yaya Touré, Twitter: @Toure_yaya42
Don Cheadle, Twitter: @IamDonCheadle
Ian Somerhalder, Twitter: @iansomerhalder
Sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
O Dia Mundial do Meio Ambiente (DMMA) é a principal veículo das Nações Unidas dedicado a estimular ação e conscientização global em prol do meio ambiente. A data cresceu e se tornou uma importante plataforma pública, celebrada amplamente em mais de 100 países. Também impulsiona pessoas a tomar uma atitude pelo meio ambiente, estimulando ações individuais ou coletivas que causem um impacto positivo para o planeta.
Em apoio à designação pela ONU de 2014 como o Ano Internacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, o Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano usará o mesmo tema, com um foco especial na questão da mudança do clima.
O nosso objetivo é levar o tema à boca do povo, e estimular um maior entendimento da importância dessas ilhas e da urgência de protegê-las, tendo em vista seus riscos e vulnerabilidades, particularmente em relação à mudança do clima.
De Trinidade & Tobago a Samoa, os maiores problemas sofridos por esses Estados são relacionados à mudança do clima, manejo de ecossistemas, consumo insustentável, degradação de recursos naturais, desastres naturais extremos e sobrepopulação. São problemas que todos nós enfrentamos.
A mudança do clima é um dos principais desafios porque o aquecimento global está causando o aumento do nível do mar.
De acordo com o Painel Internacional sobre a Mudança do Clima (IPCC), o nível dos mares está aumentando cada vez mais rápido e a projeção é que aumente ainda mais neste século. Quando a temperatura global aumenta, as moléculas da água se expandem e ocupam mais espaço. O nível do mar também aumenta quando o gelo derrete.
Comunidades costeiras em todos os países sofrem com enchentes e tempestades, às quais essas pequenas ilhas estão mais expostas. Muitas das áreas habitadas dessas ilhas estão sob ameaça constante de serem tomadas pelo mar.
O Dia Mundial do Meio Ambiente de 2014 mostra que todos nós enfrentamos desafios similares e que todos estamos conectados por um só objetivo: uma vida próspera e sustentável para todos. Cada ação ou compromisso conta. Quando multiplicados por uma comunidade global, o seu impacto é exponencial.* Publicado originalmente no site ONU Brasil.