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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A coerência como caminho



Números, a não ser que sejam manipulados, não costumam mentir.  Pois é, o resultado emanado das urnas traz um recado claro ao Partido dos Trabalhadores: ou volta às suas origens éticas e progressistas que o diferenciavam dos demais, rápido, ou dará espaço para que outras siglas tomem seu lugar.  E o PSOL, com os votos que recebeu para governador, deputado federal e estadual, aqui no Rio de Janeiro, é bom exemplo disso que estou falando.   

A diminuição da bancada estadual nacional do PT em 38% (149/108), federal em 26% (88/70), de senadores em 8% (13/12), bem como do percentual de votação da presidenta Dilma, de 46,91% em 2010, para 41,61%, agora no primeiro turno, retratam  o tamanho do sinal vermelho que se acendeu e que deveria estar sendo visto como perigo de debandada geral do rebanho.  Definitivamente, sociedade/eleitores não comungam mais as mesmas crenças e práticas partidárias de antigamente.  Não enxergar isso é cavar cada vez mais fundo a própria sepultura.  A única exceção foi a bancada de governadores que permaneceu igual podendo até crescer no segundo turno.

A nova eleição merece, portanto, uma análise urgente do que está acontecendo com este eleitorado descontente.  E agir, com demonstrações inequívocas, já, antes de o segundo turno ocorrer.  Caso contrário, corre-se o sério risco de naufragar com a nau à beira da praia.  Está na hora de assumir responsabilidades, rever caminhos e corrigir erros cometidos.  A presidenta Dilma recentemente afirmou que seu governo combate a corrupção.  Discurso dúbio.  Se verdadeiro fosse, a partir do julgamento do mensalão, com a sentença transitada em julgado, seu partido não poderia jamais manter em suas fileiras quadros condenados por formação de quadrilha e outros crimes, mas sim expulsá-los, sendo coerente com seu passado.  Não o fazendo, conforme previsto, rasgou seu estatuto.





“- Art. 231. : Dar-se-á a expulsão nos casos em que ocorrer:
XII – condenação por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado.
Parágrafo único: A pena de expulsão implica o imediato cancelamento da filiação partidária, com efeitos na Justiça Eleitoral.”

Simples assim. Os resultados de tamanho estrago à imagem já começaram a aparecer, colocando em risco todo o patrimônio construído ao longo das últimas três décadas.

Em vez de mútuas agressões, discursos de medo e campanhas de possíveis perdas, os candidatos deveriam dizer, objetivamente, o que farão sobre a questão da água, até então ignorada.  Quais as medidas que serão colocadas em prática para o combate às mudanças climáticas.  Que escolhas faremos (se é que faremos) para o enfrentamento do déficit energético.  E, em que fontes limpas de energia investiremos visando incrementar nossa matriz energética.  

Como bem disse, Elio Gaspari, “inútil pretender continuar no governo pelos defeitos do adversário e não por suas próprias virtudes”.  Seja qual for o cenário, a partir de novembro, vencendo ou perdendo, o trem precisará voltar para os trilhos.  Ou descarrilar de vez.  

Vencendo, certamente o atual governo terá maiores dificuldades para montar uma base sólida para trabalhar com tranquilidade, já que perdeu grande número de cadeiras.  Mais, com ressentimentos cada vez mais aflorados, a oposição fará uma marcação duríssima tentando imobilizar o governo.  Não esqueçamos que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef já mandaram chamar seus coleguinhas de trabalho (sujo) para a eles se juntarem.  São nomes de primeiro quilate que farão tremer (ou cair?) a República.  Apostas à parte, perdendo, a tendência será uma desintegração progressiva e consistente do partido, com drástica diminuição de seu tamanho.  A conferir.

Bom remédio para tudo isso seria, por exemplo, se praticassem como filosofia intrínseca da vida partidária, a coerência, categoria de ideias que une a lógica de ter um comportamento constante e estável durante um longo período de tempo.  Parece utopia, e é.

Abraços Sustentáveis

Odilon de Barros






terça-feira, 7 de outubro de 2014

O próximo governo e a crise da água



shutterstock 141168934 300x211 O próximo governo e a crise da água
Agenda Brasil Sustentável apela aos candidatos para que se comprometam com a boa gestão dos recursos hídricos
Escassez, desperdício e contaminação dos mananciais. A atual crise da água que a maior cidade do mais populoso estado do país enfrenta é reflexo da má gestão dos recursos hídricos que só vem se agravando ao longo dos anos. E, infelizmente, essa realidade não se restringe a São Paulo, mas pelo contrário, afeta grandes e pequenas cidades em todo o Brasil, acostumadas a tratar com desleixo e falta de cuidados esse insumo fundamental para a vida de todos.
Mesmo diante desse quadro, nossos candidatos à Presidência da República como também a Governadores de Estado não têm dado ao tema a merecida e urgente importância. Em documento que acaba de ser publicado – clique aqui  – a Agenda demanda aos candidatos assumirem o compromisso com uma série de metas e ações que garantam a todos os brasileiros o acesso a água de boa qualidade, a preservação de nascentes, rios e mananciais e o combate ao desperdício, entre outras medidas urgentes e inadiáveis.
Segundo o trabalho divulgado pelo movimento, a questão da água ganha contornos ainda mais dramáticos no Semiárido brasileiro secularmente afetado pela seca, região na qual milhões de famílias continuam a sofrer com a falta de água potável, fome e desnutrição, muito mais em função de políticas públicas ineficientes ou mesmo ausentes promotoras do direito ao acesso e de adaptação e mitigação de mudanças climáticas.
Para Telma Rocha, da Fundación Avina, que há sete anos vem promovendo a organização de comunidades para o acesso à agua de milhões de latino-americanos, é imprescindível que os governantes de todos os âmbitos planejem a gestão da água de forma integral e com a participação da sociedade. “Está comprovado que se evitam os colapsos na oferta de bens públicos, onde as pessoas estão organizadas e conseguem colaborar com o poder público”, conclui Telma.
SOBRE A AGENDA BRASIL SUSTENTÁVEL
É um conjunto de princípios e compromissos, condensados em sete eixos estratégicos, que tem por objetivo o comprometimento de candidatos aos cargos executivos estaduais e federal com o desenvolvimento sustentável do país, por meio de propostas concretas.
Busca também articular as políticas públicas nacionais com aquelas que definirão os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
A plataforma não concorre e nem substitui iniciativas de organizações, inclusive as que o compõem. Ao contrário, quer fazer sinergia com elas antes, durante e após o período eleitoral, na proposição e no monitoramento dos programas apresentados pelos candidatos.
Os compromissos propostos para os candidatos se dividem em 7 eixos:
  • Respeito aos limites do planeta
  • Integridade e transparência
  • Reforma Política e fortalecimento da democracia
  • Garantia dos direitos com redução das desigualdades
  • Economia para a sustentabilidade
  • Valorização do trabalho
  • Gestão Pública

Acesse: http://www.agendabrasilsustentavel.org.br/

sábado, 4 de outubro de 2014

Movimento analisa programas de candidatos à Presidência




palacio Movimento analisa programas de candidatos à Presidência
Palácio do Planalto – Brasília. Foto: Divulgação/ Internet
Com foco em mobilidade urbana, resíduos sólidos e mudanças climáticas, o documento pontua os programas dos candidatos de acordo com critérios estabelecidos pelo Movimento Nossa BH, autor do projeto.
O primeiro turno das eleições está chegando e, no domingo, dia 05 de outubro, milhares de brasileiros vão às urnas escolher seus representantes ao legislativo e ao executivo. Dentro os cargos disputados, está o da Presidência do Brasil que, pela magnitude e impacto, vem fomentando a ação de diversos movimentos sociais e coletivos em busca de propostas que atendam suas demandas específicas.
Durante a campanha, os candidatos apresentaram suas realizações do passado, as propostas e os projetos para o futuro e, entre outras ações, registram seus programas (ou diretrizes) de governo no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, que podem ser acessado no sistema Divulgacand.
Atualmente, alguns movimentos de cidades que compõem a Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis (Nossa Belém, Nossa São Luís, Observatório do Recife, Nossa Brasília, Nossa BH e Rede Nossa São Paulo) estão realizando nos municípios onde atuam o Projeto de Incidência da Sociedade Civil na Sustentabilidade Urbana (PISCSU), que tem por principal objetivo articular em rede os movimentos que o compõem para que sejam capazes de exercer o controle social e a incidência sobre as políticas públicas nos temas de mobilidade urbana, resíduos sólidos e mudanças climáticas.
Tendo esses três temas como ponto de partida, o Movimento Nossa BH analisou o conteúdo dos programas de governo de cada um dos 11 candidatos à Presidência do Brasil registrados no TSE . Com análises quantitativas e qualitativas, o documento deu notas aos programas dos candidatos e candidatas, levando em conta diversos critérios como uso de metas e indicadores, fontes do orçamento, participação popular, menção aos temas prioritários, entre outros.
Importante lembrar que os candidatos e candidatas divulgaram recentemente programas em versão diferente em seus sítios eletrônicos, mas o Movimento optou por avaliar os que estão inseridos no site do TSE, pois, de acordo com Guilherme Tampieri, responsável pelo levantamento, “era necessário ter um marco temporal comum para fazer a análise dos planos de governo dos candidatos. No momento em que iniciamos o projeto, baixamos todos os programas no mesmo dia e somente o site do TSE continha os programas oficiais dos 11 candidatos aptos a serem eleitos para Presidente do Brasil.”
“Além disso, os programas contidos nos sítios de cada candidato, ainda que sejam mais completos, estão em constante mudança de conteúdo.” lembra Guilherme.
O documento está disponível no site do Movimento Nossa BH e pode ser acessado nesse link.
* Publicado originalmente no site Nossa BH.
(Nossa BH) 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Obrigados por lei, mais da metade dos brasileiros deixaria de votar se pudesse


(Foto: Agência Estado)(Foto: Agência Estado)
Mais da metade dos eleitores brasileiros deixaria de comparecer às urnas no dia 5 de outubro caso o voto no Brasil não fosse obrigatório, ressaltando o desinteresse de grande parte da população com o processo eleitoral, mostrou um estudo divulgado nesta semana.

A pesquisa, feita pela brasileira Hallo Research, também constatou que 62% das pessoas consultadas tinham pouco ou nenhum interesse nas Eleições 2014. Foram entrevistados 1.000 eleitores em 70 cidades por todas as regiões do Brasil, e a margem de erro anunciada é de 5%.

"Esse desinteresse é formatado em função de um ciclo: os partidos acabam envolvidos em escândalos de corrupção, não há índices de melhora efetivos em grande parte das questões básicas reclamadas pelo povo e isso faz com que o eleitor vá perdendo a expectativa de participar desse momento no Brasil”, afirmou ao Yahoo o presidente da Hallo, Davi Bartoncello.

Segundo ele, não há pesquisas comparativas em eleições passadas. A Hello Research, como se pode ver em seu website, está focada principalmente em pesquisas de mercado, mas, segundo o presidente, "a gente começou aqui uma ideia de adentrar temas pertinentes para este momento”. A pesquisa foi feita por contra própria, segundo ele.

Sobre o comparecimento às urnas, o estudo mostrou que 55% dos eleitores brasileiros não votariam caso o voto fosse facultativo, ao passo que 42% iriam às urnas regularmente e 3% não souberam responder.

Apesar de o voto ser compulsório por lei para eleitores entre 18 e 70 anos, ainda é relativamente simples e barato simplesmente deixar de comparecer às urnas, caso haja a inclinação para tanto. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a multa pode ser de até R$3,51.

Mas, a depender da situação econômica do infrator o juiz eleitoral pode decidir aumentar esse valor em até dez vezes. Além disso, é preciso fazer todo o procedimento formal, o que pode ser enfadonho. Caso não pague multa nem se regularize, o cidadão pode sofrer várias punições, incluindo a impossibilidade de obter crédito bancário ou passaporte, por exemplo.

Assim, a maioria dos que não gostariam de votar prefere evitar o aborrecimento, e nas eleições presidenciais de 2010, por exemplo, a taxa comparecimento no primeiro turno foi de quase 80%, segundo o TSE.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de comparecimento nas eleições de foi de 59% nas majoritárias de 2012, segundo a ONG Fair Vote, enquanto no Chile, no pleito de 2013, o dado foi menor, de 49%. Em ambos os países o voto é facultativo.

Na vizinha Argentina e na distante Austrália, países nos quais o voto também é compulsório, o comparecimento fica, em média, em torno de 75% no primeiro caso e acima de 90% no segundo, de acordo com o Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA).

“Isso (o dado brasileiro) é muito provavelmente um reflexo direto de uma falta de representatividade no país”, avaliou Bartoncello.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Uma catarse pelo voto nulo



Não estou confortável para continuar votando no projeto político que aí está, tampouco me sinto representado por qualquer outro.  Após quase três décadas da campanha das diretas quando, além do combate à inflação, votar era o principal anseio de nossa sociedade, acredito ser a hora propícia para um balanço dos grandes números, prós e contras, expectativas, realizações e principais frustrações - exceção à rápida e catastrófica era Collor -, do período compreendido pelos dois governos FHC/PSDB e os três de Lula/Dilma/PT. 

Tal balanço se impõe pois estaremos elegendo o sétimo presidente do período pós redemocratização e teremos diante de nós a possibilidade de chancelar dezesseis anos de poder para um mesmo grupo à frente dos destinos do país; do retorno de algo que já experimentamos; de acreditar no discurso de uma nova política ou, meu caso, não estar satisfeito com nada disso e caminhar para o inédito e incômodo voto nulo, escolha prevista na legislação eleitoral quando estamos em desacordo com o que se apresenta.  Vou tentar explicar. 

Sempre acreditei que a política é uma continuação do que fazemos cotidianamente em nossas vidas e que devemos ser éticos e coerentes nos atos e atitudes que pregamos enquanto cidadãos.  Ou seja, se não temos esses atributos no trato pessoal com família e amigos, não os teremos na vida profissional nem na prática política.  E vice-versa.  Outra crença que se mostra inalcançável no momento é a de que somente avançaríamos em nossa democracia representativa com partidos fortes e educação à exaustão.  Sem hipocrisia, sem faz de conta.

Por isso, para ficar em paz com a consciência, comparar, para optar consciente, é preciso.  Com imparcialidade e cuidado para não cambar para nenhum dos lados, é inegável reconhecer que os doze anos de governo Lula/Dilma, foram melhores que os oito anos de governo FHC. Afinal, números são frios e não mentem, vejamos: o terceiro mandato consecutivo do atual governo está fechando seu ciclo com mais de 20 milhões de postos de trabalho com carteira assinada criados; FHC criou 5 milhões de empregos em 8 anos e deixou o governo com o salário mínimo valendo o equivalente a US$ 76,00; Lula/Dilma, elevaram-no para cerca de US$330,00; a taxa Selic do período FHC alcançou incríveis 47%, agora está em 11%; FHC deixou o governo com 12,1% de desemprego; atualmente a taxa encontra-se em 5,4%; FHC deixou o governo com o dólar valendo R$3,53; hoje vale algo em torno a R$2,23. 

  


A complementar os números de um e de outro, importante relembrar alguns escândalos do período.  Se no governo PSDB tivemos a compra de deputados para aprovação do projeto de reeleição de FHC e o mensalão do parceiro de coligação DEM (ainda não julgado), no PT assistimos o mensalão da compra de deputados para votação de matérias do interesse do governo petista, o projeto da refinaria  Abreu e Lima, em Pernambuco e a compra da refinaria de Pasadena.  Agora, os casos da Alston/Siemens em São Paulo, ambos envolvendo grandes caciques tucanos.  Todos os casos dignos de estrondosos pedidos de criação de CPI’s que apenas serviram para desmoralizar ainda mais o Congresso Nacional.

Mais, nesses vinte anos de alternância de poder entre as trupes de PT e PSDB, nenhuma grande reforma de base, tão necessária para avançarmos de verdade, ocorreu. Nossa educação precisa ser encarada como prioridade nacional e reformada urgentemente.  Além disso, gastamos mal e pouco, cerca de 3,70% do orçamento do governo.  A qualidade do ensino fundamental, responsabilidade das Prefeituras e alicerce para um futuro melhor, é sofrível na maioria dos municípios e precisa ser revista.  No Congresso, propostas visando sua federalização aguardam a entrada de um novo governo, um bom momento para a discussão com a sociedade.  E dinheiro não será problema, pois o Congresso acaba de aprovar o Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê 75% dos recursos do pré-sal para a educação.  Os 25% restantes irão para a saúde, outra área crucial e retrato do desrespeito à vida e da falta de políticas públicas, má gestão e corrupção endêmica.  Um caos que passa, ainda, pela formação deficiente de profissionais e falta de fiscalização às entidades de ensino superior.  Temos 1,8 médico por mil habitantes enquanto a média mundial é de 3,2 por mil e investimos 4,29% do orçamento do governo na área.  A Pastoral da Criança, de Zilda Arns, é bom exemplo de trabalho sério pela saúde, tendo reduzido drasticamente (com sua multimistura) a mortalidade infantil e salvado da desnutrição mais de 2 milhões de crianças.  Custo unitário per capita: cerca de R$2,00.  Urge estancar as mortes ocasionadas pelo descaso público diário.  O Brasil precisa de uma política nacional de saúde pública que funcione e a universalização da experiência de projetos como o médicos de família já deu mostras que poderia ser ampliada Brasil afora.


                        



No meio ambiente, a Amazônia, mesmo com redução nas queimadas, continua ardendo.  Crimes contra ela, em qualquer governo minimamente preocupado com o Planeta, deveriam ser nominados como de segurança nacional e punidos exemplarmente, apoio popular não faltaria.  Na infraestrutura, os investimentos estão muito aquém de nossas necessidades.  Nossos portos são antiquados e não conseguem escoar a produção vinda do campo e isso atrasa o desenvolvimento nos tornando pouco competitivos. Precisamos enfrentar, com coragem, uma justa reforma tributária que contemple o fim do sistema regressivo de cobrança de impostos, que tem no consumo e não na renda dos cidadãos seu principal foco, o que é injusto.  E criarmos o imposto sobre grandes fortunas.

E, mais importante, reformar o sistema político, incluindo aí uma profunda reforma eleitoral, que proteja a sociedade da promiscuidade das doações privadas de grandes empresas, bancos e empreiteiras, principal canal de irrigação da corrupção no país. Uma reforma que não se limite apenas às regras eleitorais e o funcionamento dos partidos, mas uma reforma que, com participação popular, venha a atingir a estrutura do poder e a forma de exercê-lo.  E que englobe também a democratização do Poder Judiciário, hoje o menos controlado de todos.

Com valores em mutação após a chegada ao poder, começamos a observar que a ética petista tinha como limites para tocar seu projeto de poder, a governabilidade.  E se antes presenciamos a expulsão da ex-prefeita de São Paulo, Luíza Erundina, das fileiras do partido por apenas aceitar um cargo no ministério Itamar Franco, agora, a condescendência passava a ser palavra de ordem.  E veio o Mensalão.  Por maior que tenha sido a pressão da mídia por uma punição exemplar, não reconhecer o erro de seus caciques e cortar na carne, expulsando-os, conforme previsto em seu estatuto, foi o pior que poderia ter acontecido ao partido.  Desmoralização total.  Mais, o argumento de caixa dois (que também é crime) e perseguição política é chamar a todos de bobos. 

“- Art. 231. : Dar-se-á a expulsão nos casos em que ocorrer:
XII – condenação por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado.
Parágrafo único: A pena de expulsão implica o imediato cancelamento da filiação partidária, com efeitos na Justiça Eleitoral.”

Com a ética às favas, passamos à fase do “somos todos iguais nessa noite”.  E o partido perdeu Cristóvão Buarque, Plínio de Arruda Sampaio, Luciana Genro, Heloísa Helena, Erundina, Milton Temer, César Benjamin, Eliomar Coelho, Chico Alencar, Marina Silva, Oded Grajew, Frei Beto e tantos outros colaboradores.  Livres das amarras morais, não demoramos a ver Collor, Sarney, Renan, Jader Barbalho e, pasmem, Maluf, alinharem-se em coligações antes inimagináveis. Tudo em nome da governabilidade.

Envergonhada, a militância, outrora aguerrida, hoje se esconde. Esse, o pior legado que o PT poderia deixar ao país: o desgosto, a desmobilização e o afastamento dos jovens da cena política.  Imperdoável.  As mobilizações de junho passado comprovaram isso, com vaias e até conflitos por manter as manifestações sem a presença de partidos.  Um retrocesso !!!





Com a recusa pelo TSE do registro da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, que visava concorrer à presidência, tudo parecia caminhar para mais uma eleição tranquila, afinal, nos últimos 20 anos o que contou na polarização PT/PSDB, foi a comparação de feitos e malfeitos entre esses governos, com o PT levando sempre folgada vantagem.  Quis o imponderável se fazer presente tirando do jogo eleitoral, antecipadamente, o candidato do PSB, Eduardo Campos.  E mesmo com todas as diferenças programáticas entre sua vice, Marina, e o PSB (e para evitar um naufrágio nas urnas), o que passamos a ver foi uma das maiores reviravoltas políticas já ocorridas no país.  Mesmo ainda cedo para afirmar, hoje, Marina já desponta como favorita absoluta ao Planalto, tendo deixado para trás os dois principais concorrentes.  Caso a polarização se dê entre Marina e Dilma (e o candidato do PSDB venha a se desgarrar muito das duas principais oponentes), existe a hipótese de desistência de Aécio já visando que seu grupo passe a ter maior influência num futuro governo Marina.  Por outro lado, isso forçaria a coligação PT/PMDB caminhar mais para esquerda o que, em tese, além de reconquistar preciosos votos, recolocaria o partido no páreo tornando a disputa uma verdadeira incógnita até o final.  A conferir.

Se antes os desiludidos com o PT, por não verem candidatos à altura, vagavam pelos votos nulos e brancos, com a entrada de Marina Silva, uma nova eleição se pôs à mesa, e a antiga senadora e ministra do Meio Ambiente pelo PT surfa, agora, sua grande onda.  Com seu messianismo e visando uma possível governabilidade, essa nova “salvadora da pátria” começa a detalhar seu programa de governo: independência do Banco Central e diminuição do ritmo de exploração do pré-sal, são algumas das propostas que já causam preocupação naqueles que pensam em mudar seus votos para a “nova política”.

Difícil acreditar em ousadia de qualquer candidato quando observamos em nosso sistema político as coligações partidárias que se interpõem Brasil afora.   A nova queridinha do Brasil já é adorada pelo mercado financeiro, por boa parte da mídia, fez as pazes com o agronegócio e vai pavimentando sua estrada rumo ao Planalto.

             



Recente documento lançado este mês pela CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, intitulado “Seu Voto tem Consequências: Um Novo Mundo, Uma Nova Sociedade”, retrata de forma clara e inequívoca os desafios que qualquer governo realmente interessado em trabalhar para o conjunto de sua sociedade, deve ter.  E cita: em 2013, quase metade do orçamento público (40%), foi destinado para o pagamento de juros, amortização e rolagem da dívida, enquanto que menos de 5% foi para a saúde e menos de 4% para a educação.  Em algum momento será preciso romper com o “status quo” reinante, ousar, dizer não aos poderosos, enfrentar, de verdade, o câncer da corrupção, fazer outras opções.  Dizem que a utopia é o sonho do impossível que acontece amanhã.  Quero mirar em países como Finlândia, Noruega, Nova Zelândia e Dinamarca, que têm os índices de desenvolvimento humano mais altos do mundo.  E acreditar que podemos, um dia, chegar lá.

Quem observa as propagandas dos candidatos majoritários, vai entender que, seja qual for o eleito, todos se completam e estão interligados num emaranhado de interesses hipócrita impressionante.  Partidos, hoje, quase em sua totalidade, nada mais são que um balcão de negócios.  Siglas sem ideologia ou qualquer compromisso com o cidadão e à disposição de poderosos lobbies (do agronegócio, da indústria farmacêutica, da indústria automobilística, do tabaco etc) e seus interesses. 

Como há 40 anos, não mudei minha forma de pensar, continuo não aceitando o rouba mas faz, o toma- lá-da-cá e toda forma espúria de fazer política.  Mesmo com todos os riscos inerentes às eleições da já conhecida trupe de Aécio ou o voo cego de uma aventura com Marina, eleger, agora, Dilma e o PT e dar-lhes dezesseis anos, seria algo, também, muito sério.  Uma particular incoerência. 

Portanto, mudar ou não, pouco importa.  Tudo será apenas uma troca de fantasias a aguardar o velho carnaval de horrores que há décadas, sem constrangimento e reclamação do respeitável público, desfila a mesmice de uma festa feita por pobres para alegrar os ricos.

Por uma política verdadeiramente nova, voto nulo.  E você, vai fazer o quê ?

Abraços sustentáveis

Odilon de Barros