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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Floresta em pé tem potencial de gerar recursos maior que pecuária e madeira na Amazônia





Cidades do Noroeste do Mato Grosso localizadas no chamado “arco do desmatamento” podem arrecadar mais recursos para seus cofres públicos com manutenção da floresta em pé do que com atividades como criação de gado e extração de madeira. Essa é a conclusão de um estudo realizado no âmbito do projeto PolicyMix, que reúne instituições de pesquisa brasileiras e internacionais na formulação de ações que unam geração de renda com conservação.
Realizado em duas cidades que hoje figuram na lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) de maiores desmatadores da Amazônia – Cotriguaçu e Juína - o trabalho mostrou que a soma do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado por áreas protegidas (por meio do chamado ICMS-Ecológico) é maior do que o gerado por atividades como a pecuária e a madeira, em ambos os municípios.
 Em Cotriguaçu, cidade que possui 32,7 % de seu território em áreas protegidas, o ICMS Ecológico rendeu ao município cerca de R$ 1,3 milhão, enquanto a pecuária e a extração de madeira foram responsáveis por arrecadar pouco mais de R$ 861 mil. Já em Juína, que possui 61,7% de suas terras em Unidades de Conservação e Terras Indígenas, a arrecadação do ICMS- Ecológico chegou a R$ 2,78 milhões, enquanto a pecuária e a madeira geraram apenas R$ 2,04 milhões.
Os resultados alcançados, segundo os autores da pesquisa, significam que manter a floresta em pé pode ser um bom negócio, ainda mais se os recursos forem aplicados em projetos que ajudem proprietários rurais na adequação às leis ambientais – o que tiraria os municípios da lista do MMA, viabilizando o retorno da concessão de crédito– e na criação de novas áreas.
"O trabalho deixa claro quais são as opções para o direcionamento da receita dos municípios estudados e o potencial da preservação para o desenvolvimento local", diz Peter May, professor da UFRRJ e responsável pelo projeto no Mato Grosso.
O estudo, intitulado “A eficácia e equidade do ICMS Ecológico como um instrumento de transferência fiscal para a conservação da biodiversidade: A experiência vivida por dois municípios no Estado de Mato Grosso”, envolveu pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, com sede em Londres, e da Organização Não Governamental Instituto Centro de Vida (ICV).  Ciclovivo/Utopia Sustentável

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Noruega pagará US$ 150 milhões para manter floresta em pé na Libéria





Através de uma parceria feita com o governo norueguês, a Libéria se tornou o primeiro país africano a se comprometer em ter 30% das suas florestas sob leis de preservação até 2020. A Noruega irá pagar para manter a vegetação nativa em pé.
Apesar de não ter uma área florestada tão grande, a Libéria abriga espécies à beira da extinção, como chimpanzés, elefantes e leopardos. Para garantir a sobrevivência desses animais é imprescindível frear o desmatamento e criar reservas que garantam a proteção integral da fauna e flora.
Desde 2003, quando a guerra civil no país africano acabou, o corte ilegal cresceu abundantemente. Em 2012, a presidente Ellen Johnson Sirleaf aprovou medidas que permitiam a derrubada de 58% da floresta primária da Libéria. A decisão foi muito protestada e a líder acabou cancelando as autorizações.
O acordo entre Noruega e Libéria deve contribuir para a preservação ambiental, ao mesmo tempo em que reduz a emissão de poluentes, por manter a floresta em pé. “Financiamos projetos na Indonésia e no Brasil, mas eu acho que esta é a primeira vez que entramos em um acordo em nível de país”, esclareceu o conselheiro político do governo norueguês, Jens Frolich Holte, em entrevista à BBC.
O país africano não disponibilizará mais concessões para que novas madeireiras explorem as florestas até que, ao menos, 30% das reservas estejam protegidas e classificadas como áreas oficiais de preservação. Em troca, a Noruega se compromete em fornecer US$ 150 milhões. “Nós precisamos dar à Libéria uma esperança de longo prazo para o desenvolvimento, que é o que este dinheiro da floresta irá fornecer para eles, uma visão de longo prazo para um país, com a redução da pobreza e do desmatamento”, informou Holte. CicloVivo